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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Lá fora

Olha, lá fora esta a rua
Deserta, vazia de ideias,
Sente o cheiro de podre no ar,
È a morte anunciada.
A falência programada,
Em um mundo que não pensa
Pessoas estão fadadas a se escravizar.
Tira esta venda, que insiste em usar,
Luta por novas causas, defende tua mente,
Procure na inteligência, o pensamento, para se libertar.

Pablo Danielli

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Olhares perdidos



Entrelaçado com olhares perdidos, a liberdade perde o sentido quando se está sutilmente preso a um desejo. Embora bocas quando sentem somente se calam e fazem todo ar ser raro nos pulmões.

Quanto mais o desejo toma conta das mãos tremulas, o corpo fica embriagado e a mente fica trocando passos com as idéias, um lento e demorado ritual aonde não existe pudor, apenas vida.

O corpo escorrega pelo tempo e os segundos são como pequenos instantes que não se podem ser guardados em fotografias, a memória insiste que apenas ela possua tal prazer e não mais, os olhos.

Não há luz e a escuridão tão pouco se faz presente, apenas seu lábios, vermelhos e contendo toda carne que um homem pode desejar tocar. Viciantes e mortais e tão leves quanto o vento, que cortam tudo que toca deixando marcas, que não se podem ver.

Lentamente os olhos piscam, lentamente as mãos se movem, aos poucos os pés dominam o espaço que lhe é permitido. Como uma pancada inesperada o mundo torna a girar, o som e as sensações rotineiras e tão mortais quanto um veneno a conta gotas preenchem o ambiente.

Mas todo o espaço que ocupa com sua beleza continua intocável, como se nada pudesse abalar, uma mulher absolutamente devastadora. Cujo único mal que faz é deixar homens aos seus pés.

Puxo o ar lentamente tentando recuperar o fôlego, por um instante que não seria para sempre, que não seria mais que alguns segundos de absoluta felicidade.

Corro minhas mãos pelo balcão, seus olhos acompanham em um movimento sutil imperceptível a outras pessoas. Encosto meus dedos em um copo, aonde tendo buscar em meio à bebida, um não motivo para simplesmente tentar.

Sem perceber, dou-me conta que minha mente me trai e agora observo apenas suas costas, que revelam pouco, mas que a fazem desejar, seus passos lentamente carregam minhas vontades para longe.

Transformando toda tensão e imaginação em apenas mais um lugar, mais uma noite e mais um quase amor, que o tempo, o desejo e o momento, quase deixaram estar.

Pablo Danielli

terça-feira, 25 de novembro de 2014

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Calos



Os calos dos pés não folgavam e suspiravam lamentos, por entre os furos dos sapatos surrados. A cada pisar o ar saia em uma desorganizada sincronia, entre os dedos que se esfregavam e diziam:

Vida vadia!
Vida vadia!
Vida vadia!

Há muito não sabia o significado da vida mansa, escolheu não seguir regras e ficou escravo de suas palavras. Açoitando seu corpo para sempre, ir em frente e nunca olhar para trás, como se trás fosse passado, fosse outra vida e não aquela coisa com planos que deram errados.

A cada passo no asfalto que queimava, sua mente pensava: Não há sol que sufoque para sempre e nem chuva que eu sempre lamente. Há muito tempo sem saber o que é sentir, não poderia imaginar se seus dedos ralados ou seus sentimentos dilacerados o impediam de ver e crer no homem que aparece no comercial da TV.

Mas não se sentia estranho, tão pouco diferente, entre tantas pessoas vazias o seu vazio preenchia algum espaço, um corpo frio. Em meio a tantos olhares sem sentido, ainda possuía sua liberdade falsamente vivida.

E a cada passo dado seus pés repetiam:

Vida vazia!
Vida vadia!
Virou rotina!

Pablo Danielli

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

necrose

Necrose

Certa vez
Eu vi um homem,
E ele estava só.

Assim como a noite
Tão escura,
Quanto suas ideias.

Não havia vida
Em seus olhos.

Não havia cultura
Em sua boca.

Tão vazio
Quanto o espaço
Que habitava.

Sobravam-lhe passos
Quando suas palavras
Findavam.

Suas vestes simples
Apenas refletiam,
A exclusão em que vivia.

Seus ouvidos cansados
Confundiam palavras,
Embriagados com tanta mentira.
Mesmo assim,
Este homem sobrevivia!

O cheiro que exalava
Facilmente se confundia,
Com sarjetas, esgotos, agonia.

Seus movimentos, lentos,
Não eram calculados,
Tal homem, não conseguiria.

Era fraqueza, luta!
Pelas sobras do meio dia,
Restos de uma sociedade
Rompida pela hipocrisia.

Não se via os traços de sua mão
Esfolada, os calos não permitiam.

Ao longe
Impossível saber,
Se era ele branco, preto ou amarelo.

Havia tantas vidas mortas
Naquele corpo, que dificilmente,
Algum sonho, sobreviveria.

Sim,
Eu vi este homem só!
Despido de toda carne podre ao seu redor.

Livre de pré-conceitos
Humilhado o suficiente,
Para não julgar.

Sem dinheiro, sem limites,
Sem crimes, para se condenar.

Este homem
Não tinha permissão da vida,
Para a morte lhe causar.

Não seria esta noite
Fria e só...
Que poderia repousar!

A sociedade uma vez mais
Teria que lhe usar,
Como exemplo!

Como lamento, como espelho.
De como um homem só
Embora livre!

Não lhe seja permitido
Chorar.
Pablo Danielli

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Significados



Se me aperta o peito e me da o direito de sofrer, não pode ser amor, se troco o dia pela noite, se confundo os sentimentos e atordoo a minha própria mente, tem que ser algo além da loucura casual.




Seria um doce mistério se não estivesse tão claro a frente de meus olhos, meus defeitos sempre se fazem presentes, quase que sutilmente mostrando a fração de humanidade que me resta em meio a tanta descrença. O peso de minhas escolhas se tornou mais pesado do que poderia imaginar ou agüentar, pobre do jovem que imaginou não ter conseqüências quando a conseqüência é a própria vida.




Morrendo varias vezes no mesmo dia, renascendo varias vezes ao piscar os olhos, a esperança no bater de assas de uma borboleta, simples e puro, mas delicadamente perigoso, a ponto de se questionar, se realmente vale a pena.



Mas algo sempre bate a minha porta, de forma insistente, bate como se fosse a primeira vez, mas com a sutileza de quem bate uma ultima chance, esperando entrar, para algo velho sair, sem mais, apenas a luz e a escuridão que rotineiramente insistem em ditar o ritmo de algo que consideramos normal ou esta em algum plano celestial.




Lentamente o veneno dos muitos olhares faz seu efeito, lentamente confunde a mente, semeia pequenas duvidas que aos poucos se tornam grandes devoradores de confiança. Deixando o que consideramos seguro, estremecidos pelo calor de palavras já cansadas de serem repetidas, apenas mostrando uma enorme lacuna, um vazio, que transborda de insensatez um pobre coração.


Não existe mundo além daquilo que posso tocar, não existe sentimento além daquilo que posso sentir, não existe ar além do que posso respirar e não existe fé que não possa ser estremecida pela fraqueza de um único momento, de um único toque. O mundo cabe dentro de um eu perigosamente avassalador, silenciosamente conquistador, embora só, pelas próprias escolhas.




È algo incompreensível, um mistério aonde o talvez e o porque sempre se faz presente, a duvida faz parte de algo banal, e as certezas não existem, tal ponto pode ser o inicial ou pode ser considerado o final, apenas depende da forma com a qual é vista ou sentida.



Pablo Danielli

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Palavras Repetidas


As ondas vão me levando, por quase todo o oceano, sinto a doce brisa bater em meu rosto, levando todas as duvidas que um dia tive, fico calado, observando e me pego sonhando, sonhando sobre a vida a morte o mundo e seus mistérios, esperando por um porto seguro, onde eu possa ter certeza de que nada poderá acontecer de errado, mas sei ser impossível, raro momento, cada vez mais longe de meus olhos, mais ainda sim perto do coração, deixo o vento me levar, mostrar o caminho, e apenas segui-lo.

Uma busca que sei que mesmo no escuro, com os olhos vendados pela impureza de meus pensamentos e a crueldade de minhas palavras, espero achar, deixando de pensar na realidade para viver em algo que não existe, que traz paz e conforto, mas que um dia se acaba, como uma flor e como o amor.

Faço tudo o que posso, a nosso favor somente as estrelas e mesmo assim minha alma não quer partir, insiste e persiste em ficar , lutar por algo que perdi no tempo, que se espalhou no espaço e que somente vive dentro dela, palavras sinceras que fazem sorrir, para entender os pensamentos que surgem de todos os lados, para todas as horas lembrar de algo bom, que mesmo que já não exista, lembrar que aconteceu.

Crescer é uma eterna aventura, talvez mais difícil que a figura de um anjo caindo do céu e se despedaçando aos poucos por apenas tentar amar, com a pureza de uma criança e a inocência de que tem os pensamentos mais puros do universo, o tempo passa e não retorna mais e quando o sol se por e a chuva cair, uma estrela surgira, mostrando a todos a esperança de um novo dia, folhas secas caindo pelo chão mostrando um novo caminho, uma nova vida, dando um novo sentido, um novo colorido, renovando a fé.

Pessoas buscam um amor eu tento encontrar a paz, na simplicidade das coisas do dia a dia, no perfume de uma rosa no sorriso de uma mulher e na delicada boca que a beija.

Para despertar o sentimento, a loucura e insensatez e a paixão, o olhar não deixa mentir, entrega, faz e desfaz, o toque o beijo provas de algo maior que eu, te ver passar e sorrir é lindo maravilhoso, dona do céu, capaz de deslumbrar, despertar paixões, encantar, iluminar a escuridão, despertar um coração da solidão, e capaz de dar vida a quem a muito já não vive, que a muito não sabe o que é viver.

A tempestade não tem hora, não espera, chega de repente, não avisa, e destrói tudo em seu caminho, causando dor, sofrimento e até solidão, momentos difíceis sempre existiram, sempre haverá problemas sempre haverá um amanha e sempre haverá a calmaria para curar tudo, tão certo quanto a vida, tão certo quanto a dor o amor, tão certo quanto a paz e a guerra, tão certo quanto eu e você.

As vezes palavras são ditas mesmo sem querer, olhares se cruzam sem perceber e bocas se tocam sutilmente, assim como eu e você...

É fácil falar do lindo azul do céu, da cor de seus olhos e do perfeito sincronismo, mesmo sendo normal, comum e ate banal, fácil é falar do vento, do sol e da lua, fácil é explicar a vida e o rumo que elas tomam, fácil é colocar palavras em um papel e deixa-las para o tempo contradize-las...

Mas não é fácil falar de algo que pouco se conhece, que não se tem controle, que poucos viveram ou dizem ter vivido, como explicar, como dizer ou ate explicar algo tão abstrato raro, incomum, que é capaz de mudar as pessoas, capaz de fazer sorrir ou chorar....

Todos tem decepções, não sou diferente tenho as minhas, todos se iludem inclusive eu, todos gostam, todos odeiam, não sou diferente, sou mortal, ao alcance de erros e acertos, gestos e atitudes, se hoje falho é porque no passado em algum lugar errei, se acerto é porque sem querer fiz algo bom...

Lagrimas caem não porque é triste o fim, não porque sou digno de falhas, mas porque como todos sou simplesmente mortal, normal, comum, onde em cada esquina tem um, onde não é raro o erro, não é raro o pecado e não é raro pensamentos impuros e que não é raro a desilusão....

Por trás da aparência de tudo bem, de que ta tudo certo, há uma coisa frágil fácil de quebra, passível de sofrimento, de dor e com palavras soltas no ar não melhora somente piora, destrói, mas algo está guardado num lugar seguro onde, nada poderá atingir, nada poderá destruir, as frases, as alegrias, sorrisos, favores, delicadeza, sentimento, para um outro alguém...

O tempo de esperar já passou, o tempo de boas novas é chegado, e dele espero muito mais do que recebi no passado dele espero paz, alegria e talvez alguém especial.

Pablo Danielli

https://www.facebook.com/pages/Pablo-Danielli/135413313230522

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Desfaz as amarras, solta para a liberdade pobre coração.



A menos que teu amor seja inverno
A menos que teu amor seja verão,
A menos que teu amor seja apenas como o vento
Desfaz as amarras, solta para a liberdade pobre coração.
A menos que teu amor seja água
A menos que teu amor seja chama,
A menos que teu amor não tenha medidas
Desfaz as amarras, solta para a liberdade pobre coração.
A menos que teu amor seja toque
A menos que teu amor seja cheiro,
A menos que teu amor seja por inteiro
Desfaz as amarras, solta para a liberdade pobre coração.
A menos que teu amor seja vida
A menos que teu amor seja esperança,
A menos que teu amor seja belo
Desfaz as amarras, solta para a liberdade pobre coração.




Pablo Danielli



https://www.facebook.com/pages/Pablo-Danielli/135413313230522

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A deriva

Os olhos grandes e negros olhavam fixamente para o espelho, buscando como em uma ultima tentativa encontrar ao menos um pequeno fecho de luz. Mas o anoitecer ao que parece, muda não só o dia, mas a sensação de vida dentro si mesmo.

Esperava há muito tempo por uma resposta, um sinal... E em meio à cidade feita de um mar de concreto e sujeiras, nenhum farol para indicar o caminho, apenas mais um corpo a deriva, a espera, a espera...

Do alto do seu reino de poucos metros quadrados, era capitão de si mesmo e um naufrago, do que diz respeito a sua vida. Ao desviar seu olhar para a janela percebe que seu corpo esta pesado e sua garganta não ousa dizer uma palavra se quer.

O peso dos sentimentos que nunca foram colocados a prova faziam se afogar lentamente, um fardo que o puxava cada vez mais para o fundo e não era capaz de largar tudo aquilo. Ao que parece todos temos nossas pequenas riquezas para se apegar em um momento de quase vida.

Os braços lentamente se moviam, em um movimento quase que sutil de quem não tem muita força dentro si, abrindo lentamente a janela na esperança de que o vento lhe traga um sopro de vida, embora demonstre receio no que possa sentir.

Uma voz absurdamente sedutora rasga o silencio do seu pensar, mesmo sendo quase impossível de outras pessoas ouvirem, um grito de socorro em forma de pedido lhe é feito:

- Volta para a cama! Volta para a cama!

Vira seu corpo em direção à voz e pensa consigo mesmo questionando, se isto era um pedido de alguém que tem medo da solidão ou apenas de quem quer ter um pouco mais de prazer mesmo sem compreender o quão profundo aquele gesto possa significar.

Mal sabia nadar no mar de suas emoções e teria que servir de bote salva vidas para mais uma pessoa, ironicamente a sua única conquista naqueles dias frios e de tempestade dentro do seu corpo.

Os passos que fizeram o trajeto, pareciam desbravar aquilo que a muito tempo parecia perdido e confuso, de forma quase que mecânica fechava seus olhos na esperança de se mostrar forte o suficiente para servir de porto.

Em um abraço aonde mais parecia que dois corpos tentavam se envolver para não serem atingidos pela fúria da cidade, a carne era pressionada quase unindo as duas almas.

Naquela noite ambos pareciam estar a salvos, naquelas horas que precediam mais um dia, suas aflições pareciam domadas, poderiam quem sabe ter forças para mais um mergulho no intimo de seus desejos, tentando ao menos por um momento, fugir da escuridão.


Pablo Danielli

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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Um poema







Eu fiz um poema




Que fala sobre o amor... 


Desejos e tesão, 


Que dele, faz parte. 










Mas faltava teus olhos! 


Não tinha a tua boca! 










Então... 


Tudo que se fala sobre paixão, 


É incompleto. 






Porque para sentir 


Estas palavras, 


É necessário tocar 


Teu corpo... 






Nu e cru, 


Despido de toda vergonha 


E pudor. 






Só assim, 


Este poema teria sentido. 






Só assim, 


Este sexo não seria casual. 






Somente assim, 


Poderia ter um poema, 


Que fale de amor... 


De uma forma visceral!




Pablo Danielli





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