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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Reis e peões

Uma morte
Não tem a ver,
Com a outra.
Um vida conhecida
Vale mais, que qualquer uma...
Desconhecida.
A dor não tem sentido
Quando não pode ser,
Explorada.
Pratica de guerra
Jogar peões contra peões,
Enquanto os reis...
Continuam a explorar
Manipulando imagens e leis.
Pablo Danielli

Um poema


Eu fiz um poema
Que fala sobre o amor...
Desejos e tesão,
Que dele, faz parte.

Mas faltava teus olhos!
Não tinha a tua boca!

Então...
Tudo que se fala sobre paixão,
É incompleto.

Porque para sentir
Estas palavras,
É necessário tocar
Teu corpo...

Nu e cru,
Despido de toda vergonha
E pudor.

Só assim,
Este poema teria sentido.

Só assim,
Este sexo não seria casual.

Somente assim,
Poderia ter um poema,
Que fale de amor...
De uma forma visceral!
Pablo Danielli

terça-feira, 28 de abril de 2015

Reflexão da Alma

Sonhas comigo, do mesmo jeito que sonho contigo,
então saberei que teu amor, meu amor,
não é vazio,
Mas sim cheio de ti e de mim, de vida, de paz e de olhares,
teus e meus, que só a lua tenho como testemunha,
de sua história, minha história.

Unindo corpo, alma, coração, em um só,
teu e meu amor.
Assim te quero, assim me queres,
Sem pensar, sem olhar, para apenas tocar,
tua boca, teu corpo, tua alma.

Quero e isso por si só não basta,
quero teu cheiro, sorriso, lagrima.
Não por um minuto, um momento,
mas sim para eternidade,

Da mesa forma que o amor e o coração,
da mesma forma que a lágrima e os olhos.
Simples da forma mais simples, fácil como deve ser,
assim como você e eu.
Pablo Danielli

Chama da Esperança

Como pode não ouvir minha alma gritar teu nome,
pela madrugada, um grito que ecoa pelas ruas vazias,
 desertas, procurando por um rosto, teu rosto.
Um grito que aos poucos some, fica fraco, sente tua falta.

Teus ouvidos que fazem por menos meu lamento,
meu olhar pra ti nada significa, nem ao menos para mim olhas,
apenas teu nome possuo e dele faço uma história, uma vida.
Esperando quem sabe outrora se torne real.

Assim tenho em mim a chama da esperança,
pois, a chama do amor me negas,
 da mesma forma que me negas a vida,
morro aos poucos, dias mais, dias menos.

No entanto não deixo,
que em mim morra a vontade de ter,
ao menos em meus braços,
uma vez,  teu corpo, tua alma, teu amor,
para mim, pelo menos uma vez..
Pablo Danielli

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Casa sem morada



Pessoas sem vida,
Dividem agonias.
Entre tabuas,
E frestas no telhado...
Lá vai esperança,
Com o passar dos dias.
Entre aguas passadas,
Falta lhe faz a pureza,
Da alegria roubada.
Casa sem morada...
É como uma pessoa,
Sem alma.
Não ri...
Não luta...
Não chora...
Conformado, mendiga!
O sol, não aquece a casa,
A esperança, não encontra ninguém,
No barraco, proclamado lar...
Dividido entre corpos,
Cozinha e sala.


Pablo Danielli

Flor de primavera

O doce de tão doce, amargo se tornou.
A chuva fria, fina, lava a alma,
os olhares não negam,
o fim se aproxima, a flor da primavera morre.
O toque no vazio, o corpo presente o pensamento ausente,
o sol não ilumina a lua não brilha,
o beijo não mais me alucina.
Sem norte, sem rumo, sem pudor,
assim fica um homem sem amor,
Sem teu amor.
Pablo Danielli

Escolhas

De que lhe serve tanta maquiagem
Se o que vejo,
Somente pode ser contemplado, por olhos puros.

Não seria utópico
Imaginar traços verdadeiros,
Diante das lagrimas carregadas de pesar.

As ranhuras de tua pele
Demonstram o tom, no qual sua pobre vida segue,
Abrindo e fechando cicatrizes
Com a facilidade de quem muda o caminho,
Com a ferocidade de quem ver morrer uma alma, uma flor.

Servindo apenas as necessidades do próprio corpo
Enterrando, sufocando, seu próprio coração,
E como quem escolhe uma nova decoração
Escolhe para seu pobre corpo,
Morrer ao invés de viver na solidão.
Pablo Danielli

sábado, 25 de abril de 2015

O amor supera tudo

Como dois amantes,
Caminhamos pelas ruas, entre muros pichados da cidade,
Contemplando toda desigualdade,
Com o céu de testemunha das lagrimas e de nosso amor.

Pelos becos escuros, famigerados,
Sem tetos e famintos, observam
A soberba, fartura de nosso amor.

O mau cheiro das sarjetas,
Este, já não nos atrapalha mais,
E assim, passeamos por praças quebradas,
Mal iluminadas e abandonadas.

Contemplamos a beleza de ser diferente,
Em um universo igual.
E pelas calçadas esburacadas, chegamos ao nosso destino final,
Para nos amarmos ao som de balas cruzadas,
Em meu apartamento de vinte metros quadros,
Distribuídos entre sala e quarto,
Na periferia da cidade.
Pablo Danielli

Alegrias

“ Lírios, corvos e um pouco de poesia servem certas vezes para alegrar a vida.”

Pablo Danielli

Sincronismo

O tempo
O sorriso
O amor
Você
Minha vida
Esta no ar
Esta em mim
Esta em você
O toque
O beijo
As mãos
A esperança
O dia
A noite
A verdade
Os olhos
As pessoas
Eu, você,
Perfeito
Seu amor
Minhas lagrimas
O novo
O velho
Passado
Presente
Futuro
Eu
Você
Amor.
Pablo Danielli

Mortalidade

O Cheiro selvagem,
aflora, aguça os sentidos,
fazendo arrepiar os pêlos.

Nua, crua, sentida como o nascer do sol,
um coração partido,
viril, másculo, sente o teu suor e cheiro.
Ergue tua voz, ecoa teu grito de prazer.

Sente as curvas dadas pela vida,
aproxima teu paraiso da mortalidade.
E nesta mistura torna-se história,
lenda, imortal e sedutora.
Pablo Danielli

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Amor

"O amor não está aonde se pode ver. Ele se encontra aonde se permite sentir".
Pablo Danielli

Toxina

"Alguns desejos são impossíveis de sentir apenas pelas palavras. É necessário se permitir viver, desejar e sofrer. Porque o que corre nas veias não pode ser apenas sangue, mas há de ser... Também amor".


As paredes ásperas transpiravam o desejo e se você por acaso, há dois dias passados me pergunta-se se era amor?

Eu lhe responderia sem pensar:
Hoje não, mas amanhã e se o corpo quiser... Poder ser!

Porque o tempo de ontem, não é o mesmo de hoje e amanhã certamente vai fazer sol.
(Mesmo que você insista em chorar).

Porque o corpo não escolhe quando quer sentir, é como uma toxina e você não percebe que corre nas veias.

E quando as pernas tremem, você sente o efeito e cai... Porque o amor antes de voar, te derruba!

Mesmo que o silencio dos teus olhos insistam em me falar que não dói e que tua dor é apenas prazer.

 Insiste que tocar tua pele e sentir teu suor é lavar a boca com um pedaço do paraíso.

Teu gemido é como musica que corta a solidão, à noite e o medo. Que quando chega, vai embora com todo pudor e direito de perdão. E com todos os nãos possíveis, a noite traz o dia. Mostrando seu desprezo para com o prazer impossível de se viver em poucas horas.

As marcas não são apenas de arranhões e mordidas, são na alma... Que se fazem lembrar e relembrar, por incontáveis horas. Fantasiando em um mundo particular os significados das palavras sim, não e mais. Ditos em um momento de total incompreensão, compreendidos apenas pelo desejo.

Amantes desejam a carne, poetas as letras e palavras, pessoas cobiçam a rotina, mas eu... Espero apenas mais uma vez, sentir correr nas veias, em ritmo frenético esta toxina.
Pablo Danielli

Amores e corações partidos


"O amor
A vida,
Um sonho...
Um coração inteiro
Divido por duvidas,
Que pairam no ar".


De todos os amores vividos de forma visceral, os que foram folhados em paginas de livros e apenas estes, não deixaram seu coração amargo.

Não deixaram seus lábios secos, ficando apenas uma sensação de provocação, instinto de um pobre coração pulsante, a espera de algo a mais, que suas pernas fiquem bambas e suas mãos, tremulas.

Do sol que cortava sua pele, ao entrar pela janela, cedendo uma pitada poética ao seu quarto, levemente desorganizado, mas ainda assim confortável, como seu coração... Revirado, mas a espera de confortar um novo amor.

Musicas incessantes, que insistem em lhe ensinar que lá fora e em cada esquina existe vida, vendida em pequenas bancas, estendidas em cordas, como ofertas de jornais.

Basta ter coragem suficiente de pagar o seu preço, um pouco de sorrisos, algumas lagrimas, em algum momento amores e corações partidos.

E dentro de si, bate de forma violenta a duvida:
E depois? O que será de mim?
O que resta depois do prazer, do sexo e da dor?
E seu silencio de forma simples e caótica responde:
Será o que tiver der ser e se assim tiver o direito de viver.

O mundo conspira contra você, que se quer abriu a porta do quarto. Respirou ar novo, soltou o velho por entre as lembranças, buscou novas palavras... Esperança vendida em pequenos frascos, leves e rasos, oriundos de alguma parte do velho mundo.

A insanidade do relógio insiste no passar das horas, o tempo para algumas memórias soa como castigo e você prefere trancar em algum canto escuro da história. Seus pés tocam o chão, puxando o peso do seu corpo para a realidade confusa, que brinca com sua vida sem parar.
 
Você deseja tornar a deitar, viver sem o gosto da boca seca, sem precisar cobiçar, mas a vida que bate em sua porta, insiste, persiste em lhe chamar, tentando lhe iludir de que seus olhos irão se encantar, quando novamente e mesmo perdida, você tornar a amar.
Pablo Danielli

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Pedaços



Num pedaço de sonho
Um pouco de chão,
Numa gota de lagrima
Um sonho realizado.
Na tua sombra que se desfaz
A paisagem surge logo ai,
Mostrando a beleza de ser
Capaz de lembrar, mortal.

Pablo Danielli

Lá fora!



Distante dos sorrisos
Meias verdades,
Ou mentiras inteiras.
Cantos escuros da memoria
Que ignora o fato de tudo
Dia ou menos dia
Ter uma volta.
Círculos viciosos
De uma vida mal jogada
Mal dita às palavras,
Que em um jogo desprezível
São capazes de ferir ou iludir.
Fecha as cortinas da sala
Tranca a porta dos quartos
Esconde-se entre cobertores,
Enquanto a vida passa!
Bem ou mal
Lá fora.

Pablo Danielli

Liberdade Assistida

Liberdade assistida, vida enjaulada
Entre botões e programas,
Que mantém sua fé!
No apelo brutal, da falsa ideia?
De beleza e realidade.
Você ignora seus sentidos
Em busca de apelos e motivos.
Escravo de letras garrafais
Em fosco ou neon, indicando um caminho,
Para continuar na trilha, para consumir ou sobreviver,
Em um mundo comum ou dito extraordinário, tanto faz!

Pablo Danielli

sábado, 18 de abril de 2015

Ensaio sobre a razão



Tudo que havia para ser dito, a principio já foi falado, tudo que havia para ser escrito, a primeira vista já o foi feito, já possui seu espaço preenchido. E se hoje vive, é por que um dia certamente estava morto e se hoje morre, um dia talvez fosse considerado belo.

O caminhar do tempo, não nos prova absolutamente nada, no máximo nos entristece. Por nos mostrar o tamanho de nossa insignificância no universo! O tempo, o tempo não ensina e ele nada nos convence, são nossas escolhas e nossas mal faladas palavras, nossas atitudes diante do improvável que nos define inevitavelmente.

Se a evolução faz parte do homem, como explicar que tantos ainda insistam em viver na ignorância parcial ou total sobre a vida, caracterizando o mais primitivo dos pensares. No qual mostra a fraqueza humana diante do contraditório, a falha que existe no ego, proporcionando um verdadeiro espetáculo de soberba.

Afinal, o que seria do mundo moderno e de seus seres pensantes e racionais, se não fosse à existência da própria duvida? Bem estar, ética, amor, coerência, certo e errado, o homem moderno faz questão de exaltar seu pensamento perfeito sobre o mundo. Enaltecendo suas virtudes e faz questão de gritar para o nada, que é o único ser racional da terra.

Sendo assim questiono-me qual a racionalidade de ser superior se o objetivo é sermos iguais. Somos uma espécie que supostamente, temos o livre arbítrio, em um mundo aonde a liberdade é vigiada, calculada e administrada, com o intuito de uma “ordem” a ser mantida. Seria possível então dizer realmente que somos seres livres? Se o que ocorre realmente é uma pujança de regras, que nos impedem de fazer realmente o que desejamos ou pensamos ser certo para o momento.

Em sua era primitiva, na qual se considerava estarmos em evolução, tínhamos a liberdade de fazer qualquer coisa. Nada nos impedia de ir ou vir, o ser humano caçava, era infiel e se necessário matava para fazer sua tribo prevalecer em determinado território. Não era julgado ou considerado imoral, alias, imoralidade era uma palavra que não tinha significado algum na época.

Lógico, guardada as devidas comparações, com suas respectivas épocas, o questionamento é simples, com o pensar, a chamada inteligência, perdemos nossa liberdade com o passar do tempo ou nos privamos de certas atitudes em razão de um pensamento conjunto. Pois me digam, aonde o interesse social, prevalece sempre sobre o interesse próprio?

Gosta-se de pensar e dizer que o ser humano é imagem e semelhança de Deus, mas alguém considerado normal em sua plenitude mental, já viu Deus para fazer tal afirmação? O homem moderno acomoda-se na ideia banal de que o mundo gira, para as suas vontades e não de que ele faz parte de um todo. Um organismo único e vivo no qual o equilíbrio é a palavra chave, para o bom funcionamento da vida.

É neste ponto que chegamos a um fato, no qual a discussão se estende por séculos, ciência e fé. Não é de todo erro afirmar que o homem a partir do momento que foi adquirindo inteligência, começou a se questionar sobre sua existência. Logo seu pensar mostrou que não estamos teoricamente sós no universo, aumentando com sua inteligência, também sua ignorância.

Por mera consequência começou o culto a lua, o sol e terra, mas não bastando isso, criou-se o mito homem! Deuses de carne e osso, pois nunca nos passava pela cabeça que seres dotados de inteligência, um Deus, não serem a própria imagem do homem, uma amostra do seu próprio ego e sua autoafirmação de domínio sobre as criaturas terrestres.

Tais pontos servem apenas para firmação da figura caricata que somos, tentando dia a pós dia, firmar posição firma de certezas nem sempre verdadeiras, somos homens, somos deuses e quase sempre mortais.

Nunca nos imaginamos como uma partícula muito pequena de um todo, assim sempre tentando fazer se sobressair diante do próximo. Somos o reflexo de nosso pensar e quase sempre a figura da ignorância.

Pablo Danielli

Alento

De quem são aquelas sombras
Perdidas como outras tantas,
Sem nomes, sem retratos,
Espalhadas como sujeiras
Pelos pedaços de calçadas.
Não sabe o que é frio
Não imagina o que é calor,
Sem cor, sem sentimento.
Esperando, o tempo, o momento,
Alguma forma de alento.

Pablo Danielli

Conteúdo Expresso



Com conteúdo ou sem conteúdo, com figura ou sem figura, colorido ou preto e branco? A final de contas que tipo de pensador é você? O que você constrói ou destrói? Que tipo de sociedade você vive ou sobrevive.

Paranoia visual em um mundo decadentemente avesso a cultura das letras, imagens rápidas e de apelo fácil, pouco texto para assimilar. Se existe figura e quanto maior e mais coloridas forem, acaba por garantir o sucesso instantâneo e fugaz de um conteúdo sem corpo, embora de um apelo popular inquestionável ou fortemente questionável?

De uma forma clara, acaba por mostrar uma tendência que vem tomando conta das pessoas de forma geral, o conteúdo expresso. Lê-se apenas manchetes de noticias, apenas frases famosas e figuras coloridas, criam-se palpiteiros de meia obra literária, críticos de meias palavras e pensadores de meia tigela.

Na mesma velocidade que se distribui falsas ilusões, a mídia vende em seus meios de comunicação o retrocesso cultural, em forma de musicas que nada dizem, em forma de programas vazios, em forma de arte inexistente. Oferece-se o obvio e não mais o extraordinário, em parte porque a sociedade deixou de ser algo além do comum, a banalidade produz a figura de si própria e vende como se fosse algo inédito.

Estamos vivendo em uma época aonde a tribo tem preguiça de pensar, agir e falar além do seu próprio círculo de conforto. Vendemos o corpo e não mais as ideias, alugamos a imagem e não mais as teorias, os nerdes não são mais aqueles que estudam em demasia e sim quem joga vídeo game e se veste de determinada forma.

O dinheiro substitui todas as nossas formas e vontades artísticas livres, pois pensar de mais, inventar um estilo novo e fugir da regra não sustenta a casa ou não dá retorno financeiro suficiente para viver em um mundo de apelo visual. Hoje não se pensa e vive de forma livre, e sim de forma apenas rentável, o que deixa a maioria das pessoas em uma escolha óbvia, entre ser o primeiro a fazer algo novo ou viver sem riscos e de forma agradável diante da sociedade, escolhe-se a de menos riscos.

O que nos leva a uma reflexão, sobre o que somos e o que desejamos ser, pois se o mundo está assim é porque inclusive você e eu, participamos desta nova forma de viver. Se as figuras coloridas predominam, se a banalidade toma conta com os diálogos vazios, são sobras de textos e obras nuca lidas ou escritas, e a pergunta se torna inevitável: A final de contas que tipo de pensador é você?

Pablo Danielli

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Olhares perdidos

Entrelaçado com olhares perdidos, a liberdade perde o sentido quando se está sutilmente preso a um desejo. Embora bocas quando sentem somente se calam e fazem todo ar ser raro nos pulmões.

Quanto mais o desejo toma conta das mãos tremulas, o corpo fica embriagado e a mente fica trocando passos com as idéias, um lento e demorado ritual aonde não existe pudor, apenas vida.

O corpo escorrega pelo tempo e os segundos são como pequenos instantes que não se podem ser guardados em fotografias, a memória insiste que apenas ela possua tal prazer e não mais, os olhos.

Não há luz e a escuridão tão pouco se faz presente, apenas seu lábios, vermelhos e contendo toda carne que um homem pode desejar tocar. Viciantes e mortais e tão leves quanto o vento, que cortam tudo que toca deixando marcas, que não se podem ver.

Lentamente os olhos piscam, lentamente as mãos se movem, aos poucos os pés dominam o espaço que lhe é permitido. Como uma pancada inesperada o mundo torna a girar, o som e as sensações rotineiras e tão mortais quanto um veneno a conta gotas preenchem o ambiente.

Mas todo o espaço que ocupa com sua beleza continua intocável, como se nada pudesse abalar, uma mulher absolutamente devastadora. Cujo único mal que faz é deixar homens aos seus pés.

Puxo o ar lentamente tentando recuperar o fôlego, por um instante que não seria para sempre, que não seria mais que alguns segundos de absoluta felicidade.

Corro minhas mãos pelo balcão, seus olhos acompanham em um movimento sutil imperceptível a outras pessoas. Encosto meus dedos em um copo, aonde tendo buscar em meio à bebida, um não motivo para simplesmente tentar.

Sem perceber, dou-me conta que minha mente me trai e agora observo apenas suas costas, que revelam pouco, mas que a fazem desejar, seus passos lentamente carregam minhas vontades para longe.

Transformando toda tensão e imaginação em apenas mais um lugar, mais uma noite e mais um quase amor, que o tempo, o desejo e o momento, quase deixaram estar.
Pablo Danielli

Armas e poesias


Pessoas armadas,
Com palavras...
Prontas para ferir e marcar.
Quem sabe um dia,
Usem seus lábios,
Também e quem sabe...
Para amar.

Pablo Danielli

Os segundos

Daquele segundo nada ficou solido, olhares soltos e palavras se perdiam conforme os corpos se tocavam. Tudo era exato e tudo era uma duvida uma interrogação do que vem depois do beijo, do abraço e do sexo.

As fotos nas paredes escondiam o medo quase que como uma mascara, mas ambos sabíamos que a noite muitas vezes não significa o nascer de um novo dia... Às vezes apenas significa mais um fim, de um quase amor.

Assim são as pessoas e assim são os que amam e aqueles que não sentem. Ao cair em outros braços, somos mais duvidas que certezas, mesmo que o tempo mude e o sol saia.

Tudo o que importa é o momento, mesmo que este instante seja liquido e se evapore junto com o suor e toda sujeira nele guardado.
Corpos que se unem para dividir o prazer, para amenizar a dor, fugir da realidade em uma fantasia que dura o tempo necessário do sentir e o esquecer.

O toque não é o mesmo, o olhar não é o mesmo e o coração bate em descompasso com a vida, então aos poucos ao abrir os olhos lentamente, percebe que a entrega não foi do corpo, mas da alma e por alguns segundos se sente completo, alegre e sem amarras com o que te prende ao chão.

Você descobre que a leveza não está no ter, mas sim no ser e no sentir. Ao completar outro corpo, outra alma, na transpiração do desejo, em meio a um mundo cinza e morto, você ilumina e se torna... Vida.
Pablo Danielli

quinta-feira, 16 de abril de 2015

A deriva

Os olhos grandes e negros olhavam fixamente para o espelho, buscando como em uma ultima tentativa encontrar ao menos um pequeno fecho de luz. Mas o anoitecer ao que parece, muda não só o dia, mas a sensação de vida dentro si mesmo.

Esperava há muito tempo por uma resposta, um sinal... E em meio à cidade feita de um mar de concreto e sujeiras, nenhum farol para indicar o caminho, apenas mais um corpo a deriva, a espera, a espera...

Do alto do seu reino de poucos metros quadrados, era capitão de si mesmo e um naufrago, do que diz respeito a sua vida. Ao desviar seu olhar para a janela percebe que seu corpo esta pesado e sua garganta não ousa dizer uma palavra se quer.

O peso dos sentimentos que nunca foram colocados a prova faziam se afogar lentamente, um fardo que o puxava cada vez mais para o fundo e não era capaz de largar tudo aquilo. Ao que parece todos temos nossas pequenas riquezas para se apegar em um momento de quase vida.

Os braços lentamente se moviam, em um movimento quase que sutil de quem não tem muita força dentro si, abrindo lentamente a janela na esperança de que o vento lhe traga um sopro de vida, embora demonstre receio no que possa sentir.

Uma voz absurdamente sedutora rasga o silencio do seu pensar, mesmo sendo quase impossível de outras pessoas ouvirem, um grito de socorro em forma de pedido lhe é feito:

- Volta para a cama! Volta para a cama!

Vira seu corpo em direção à voz e pensa consigo mesmo questionando, se isto era um pedido de alguém que tem medo da solidão ou apenas de quem quer ter um pouco mais de prazer mesmo sem compreender o quão profundo aquele gesto possa significar.

Mal sabia nadar no mar de suas emoções e teria que servir de bote salva vidas para mais uma pessoa, ironicamente a sua única conquista naqueles dias frios e de tempestade dentro do seu corpo.

Os passos que fizeram o trajeto, pareciam desbravar aquilo que a muito tempo parecia perdido e confuso, de forma quase que mecânica fechava seus olhos na esperança de se mostrar forte o suficiente para servir de porto.

Em um abraço aonde mais parecia que dois corpos tentavam se envolver para não serem atingidos pela fúria da cidade, a carne era pressionada quase unindo as duas almas.

Naquela noite ambos pareciam estar a salvos, naquelas horas que precediam mais um dia, suas aflições pareciam domadas, poderiam quem sabe ter forças para mais um mergulho no intimo de seus desejos, tentando ao menos por um momento, fugir da escuridão.
Pablo Danielli

Coito interrompido


O brasileiro não goza mais, tanto o homem quanto a mulher estão passando por uma mudança genética governamental. Não se tem mais prazer, não se pode mais ter tranquilidade e a carga diária de preocupações extrapola qualquer limite, fomos castrados de toda e qualquer forma de tesão.

O governo brasileiro na ânsia de controlar as taxas de natalidade, acabou encontrando o método contraceptivo mais eficaz possível, simplesmente tirou o prazer de viver das pessoas.

Muito mais econômico que investir em propagandas, camisinhas ou pilulas, bastou que se aumentasse os impostos, a corrupção e a falta de vergonha na cara, políticos são todos inocentes, culpado é a população que os colocou aonde não deveriam estar.

Casais cada vezes mais estão tento menos filhos, ao menos os que pagam impostos. A educação é cara, a saúde é cara e a segurança um assalto... E se quer ao menos temos a garantia de bons serviços.

Nem ao menos temos mais prazer na conversa, por mais que se esforce, os problemas insistem em atravessar assuntos, fomos castrados do prazer da fala e nem ao menos nos pediram licença para tal.

Tudo o que se observa nas ruas, são rostos cansados, pessoas com olhares tristes e num súbito e inesperado ato de pensar podemos concluir: Essas pessoas não gozam mais!

Pessoas murchas de vida, de sensações, de ideias e prazer, pequenos seres vivendo sua grande infelicidade e sem perspectivas de mudanças, deixamo-nos enganar pela propaganda bonita e pela necessidade de sermos salvos por alguém, deixamos de aprender a nadar e estamos todos afogados, seja no ego ou na sociedade.

Tivemos sem perceber, lentamente arrancado de todos, o pequeno prazer que restava. Porque indiretamente não nos atingia, porque não batia a nossa porta... Mas esquecemos a janela a berta e os ventos da mudança deixaram todos resfriados, sem perceber tivemos o coito interrompido.



Pablo Danielli

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Flutuar


Olho para o céu agora e me pergunto, se tem cabimento não enxergar teus olhos nas estrelas? Questiono-me que pecado sem fim algum homem tem que ter cometido para ser privado de tuas lembranças, que um dia já foram tão presentes em minha vida.

Aos poucos vai se caminhando e por entre tantos passos perdidos, um tropeço sempre é aceitável, embora por vezes seja na própria sombra e dela tente fugir por achar sua insistente teimosia uma grande contradição.

O ar quase sempre pesado e frio dificulta o plainar de minha imaginação, não me permitindo sonhar com o teu iluminar, fazendo meus pés criarem raízes que tentam se ramificar em um solo seco e sem vida.

Assim o cheiro da agua me apetece, quase um afrodisíaco em meio à solidão de uma selva de pedra, tuas lagrimas que um dia derramaste por falsos motivos, hoje seriam sobrevida para a falta da minha.
E em dias e noites assim, o convite para ousadia é cada vez mais real, ultrapassar os limites do corpo, por em justa prova à própria vida. Para se sentir alguma coisa além do que falam em poesias, para preencher o vazio que tem o significado da palavra nada.

Mais um momento passa, mais um fechar de olhos, mais segundos que juram passar lentamente, torturando o relógio em um canto da parede. E tantas paredes vazias, sem lembranças penduradas, mais um dia que nasce, outra noite que vem, rotina, vazio, vontades que surgem do nada, eu aqui e você como um pássaro livre, seguindo seu caminho com o flutuar das asas.

Pablo Danielli

Calos


Os calos dos pés não folgavam e suspiravam lamentos, por entre os furos dos sapatos surrados. A cada pisar o ar saia em uma desorganizada sincronia, entre os dedos que se esfregavam e diziam:

Vida vadia!
Vida vadia!
Vida vadia!

Há muito não sabia o significado da vida mansa, escolheu não seguir regras e ficou escravo de suas palavras. Açoitando seu corpo para sempre, ir em frente e nunca olhar para trás, como se trás fosse passado, fosse outra vida e não aquela coisa com planos que deram errados.

A cada passo no asfalto que queimava, sua mente pensava: Não há sol que sufoque para sempre e nem chuva que eu sempre lamente. Há muito tempo sem saber o que é sentir, não poderia imaginar se seus dedos ralados ou seus sentimentos dilacerados o impediam de ver e crer no homem que aparece no comercial da TV.

Mas não se sentia estranho, tão pouco diferente, entre tantas pessoas vazias o seu vazio preenchia algum espaço, um corpo frio. Em meio a tantos olhares sem sentido, ainda possuía sua liberdade falsamente vivida.

E a cada passo dado seus pés repetiam:

Vida vazia!
Vida vadia!
Virou rotina!
Pablo Danielli

terça-feira, 14 de abril de 2015

Bomba


Por qual motivo você ama?


O que nos faz sentir diferentes em meio a milhões de pessoas, milhões de rostos espalhados pelo mundo e muitas histórias vividas das mais diversas formas. Por qual motivo devemos nos sentir especial, sentir valorizado, amado, importante para quem nos conhece?

O que move nossos atos, gestos, atitudes do dia a dia, somos tão diferentes assim um dos outros, ou apenas parecidos e não vemos que isto não faz de nós mais que meros espectadores da vida. Por qual motivo procuramos preservar, cuidar e amar quem consideremos especial, que temos apegos e que respeitamos, não parece à primeira vista uma questão muito complexa de se responder, mas se formos por em razões concretas, veremos que a vida que nos cerca é cheia de perguntas e nem sempre obtemos respostas.

Então por qual motivo você ama, por qual motivo amamos uns ao outros e diante do desconhecido somos tão indiferentes, aquelas pessoas também não são dignas de nosso respeito e amor? Somos mais cruéis do que podemos imaginar e temos mais compaixão escondida em nossos corpos do que podemos supor, tudo é variável de acordo com o momento que nos encontramos e a vida que vivemos.

Talvez se o ser humano compartilhar o amor que tem dentro de si, para as pessoas, não precisaria ser muito, apenas uma milésima parte estaria bom, já mudaria muita coisa, seria uma transformação incrível e sem precedentes para a humanidade, mas então vem à questão, por qual motivo você ama? 

Amamos para nos sentir importantes para outra pessoa, para recebermos o mesmo amor em troca, ou porque manda a cartilha que devemos amar ao próximo sem questionar, o motivo, o porque ou circunstância, e se o amor vem de berço porque não dividi-lo com o mundo. Mas por qual motivo amar, não é o motivo principal de as coisas estarem certas ou erradas, o que pode ser crucial é porque não amamos o próximo da mesma forma que nos amamos, pois todos somos, um pouco narcisistas, temos dentro de nós um ego que por vezes não nos deixa ver o que existe por fora desta casca, que por vezes é grossa e fere ao próximo e por vezes é delicada e não nos serve para nada.

O certo é que com ou sem motivo devemos conceder o melhor de nós sempre, mostrar que somos mais humanos ao invés de seres frios e calculistas, não procurar motivos para amar, sim procurar motivos para se deixar amar, pois será que somo seres tão perfeitos, a ponto de julgar necessário se precisamos disto ou daquilo, somos humanos, frágeis e com uma vida considerada curta, então devemos procurar deixar lembranças positivas e gestos de bondade, já que lembranças é o que levamos e é o que fica de nós para as outras pessoas e lógico o amor que compartilhamos.


Pablo Danielli

O preço da vaidade

Quando o corpo perece, aos caprichos da vida, morre um pouco de nossa sensatez. Não por mera coincidência nos custamos a nos entregar aos pecados da carne, pois sabemos que uma vez provado deste delicioso mal, os nossos corpos podem pedir mais, então seria tarde de mais para recuperar a pureza pela qual nossas almas são feitas.

Está em todos os lugares, em um olhar, no dizer malicioso de um bom dia, ou apenas em uma imaginação fixa de cobiça, pela linda menina que passa sem lhe perceber. Difícil talvez seja perceber, mas convenhamos ser muito fácil de se entregar, não é pura demagogia dizer que fomos feitos para o pecado, mas é tolice dizer que podemos resistir a todas as tentações que são postas em nossas mesas.
Um homem ama uma mulher, até então tudo normal, flores, poesias e carinhos no dia a dia, tudo certo, tudo legal, se não fosse o desejo carnal, o desejo de controle e sedução, de fazer coisas inimagináveis com quem esta ao seu lado, como quem tira as pétalas de uma flor uma a uma, sem lhe sobrar beleza para observar, sem restar o que apreciar, então parte para novas conquistas.

Assim tem inicio o jogo da vida, o jogo de sentimentos, o jogo das traições e o jogo das desculpas mal ditas, nessa forma que engolimos qualquer coisa para manter algo ou alguém ao nosso lado, possível que nosso orgulho nos domine, muito provável que o medo determine nossos próximos passos, se formos prestar bastante atenção, será possível observar que deixaremos muitas vezes de buscar a felicidade em outros portos, por se contentar com algo seguro aos nossos olhos, embora nossas mentes digam que se pode ter mais felicidade.

Então surge uma pergunta clara e direta em nossa cabeça, qual o preço da vaidade? A vaidade da vida, do que as pessoas vão pensar sobre nós, ditando assim nosso ritmo, impedindo cada pessoa de lutar pelo que se realmente quer. Esta preocupação em relação á própria imagem, o medo de enfrentar nossa própria imagem arranhada, em um gigante espelho, aonde todos procuram seus defeitos. 

Ficamos realmente pequenos diante do nosso desespero, mostramos a nós mesmos de que material somos feitos, e na maioria das vezes choramos, pela própria falta de atitude.

Somos será tão ínfimos assim? Ou apenas se contentamos em coexistir? O certo é que na maioria das vezes estamos errados, e não aceitando este erro grotesco, no qual abrimos mão, deixamos partir com ele uma parte preciosa de nossas vidas, na qual possivelmente se encontre a nossa alegria. Para tanto é necessário ser modesto, engolir o orgulho e procurar fazer o certo e o certo na maioria das vezes é o que se quer, não o que os outros querem.

Pablo Danielli




sexta-feira, 10 de abril de 2015

Armas e poesias

Pessoas armadas,
Com palavras...
Prontas para ferir e marcar.
Quem sabe um dia,
Usem seus lábios,
Também e quem sabe...
Para amar.

Pablo Danielli

Por qual motivo você ama?


Por qual motivo você ama?

O que nos faz sentir diferentes em meio a milhões de pessoas, milhões de rostos espalhados pelo mundo e muitas histórias vividas das mais diversas formas. Por qual motivo devemos nos sentir especial, sentir valorizado, amado, importante para quem nos conhece?

O que move nossos atos, gestos, atitudes do dia a dia, somos tão diferentes assim um dos outros, ou apenas parecidos e não vemos que isto não faz de nós mais que meros espectadores da vida. Por qual motivo procuramos preservar, cuidar e amar quem consideremos especial, que temos apegos e que respeitamos, não parece à primeira vista uma questão muito complexa de se responder, mas se formos por em razões concretas, veremos que a vida que nos cerca é cheia de perguntas e nem sempre obtemos respostas.

Então por qual motivo você ama, por qual motivo amamos uns ao outros e diante do desconhecido somos tão indiferentes, aquelas pessoas também não são dignas de nosso respeito e amor? Somos mais cruéis do que podemos imaginar e temos mais compaixão escondida em nossos corpos do que podemos supor, tudo é variável de acordo com o momento que nos encontramos e a vida que vivemos.

Talvez se o ser humano compartilhar o amor que tem dentro de si, para as pessoas, não precisaria ser muito, apenas uma milésima parte estaria bom, já mudaria muita coisa, seria uma transformação incrível e sem precedentes para a humanidade, mas então vem à questão, por qual motivo você ama? 

Amamos para nos sentir importantes para outra pessoa, para recebermos o mesmo amor em troca, ou porque manda a cartilha que devemos amar ao próximo sem questionar, o motivo, o porque ou circunstância, e se o amor vem de berço porque não dividi-lo com o mundo. Mas por qual motivo amar, não é o motivo principal de as coisas estarem certas ou erradas, o que pode ser crucial é porque não amamos o próximo da mesma forma que nos amamos, pois todos somos, um pouco narcisistas, temos dentro de nós um ego que por vezes não nos deixa ver o que existe por fora desta casca, que por vezes é grossa e fere ao próximo e por vezes é delicada e não nos serve para nada.

O certo é que com ou sem motivo devemos conceder o melhor de nós sempre, mostrar que somos mais humanos ao invés de seres frios e calculistas, não procurar motivos para amar, sim procurar motivos para se deixar amar, pois será que somo seres tão perfeitos, a ponto de julgar necessário se precisamos disto ou daquilo, somos humanos, frágeis e com uma vida considerada curta, então devemos procurar deixar lembranças positivas e gestos de bondade, já que lembranças é o que levamos e é o que fica de nós para as outras pessoas e lógico o amor que compartilhamos.


Pablo Danielli

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O som do silencio

O espumante espalhado pelo chão molhava a ponta dos pés, do corpo que estava estendido em meio ao quarto bagunçado. A janela, entreaberta permitia que a chuva tocasse os papeis rasurados em cima da mesa.

Molhando palavras sobre o amor, alguma coisa sobre a dor. Lavando o que o silencio escreveu, como a pessoa não conseguiu fazer. Limpando os sentimentos que estes estavam sujos.

O vento que rompia a cortina fazia dispersar o odor, da vida, da morte e do sexo casual. O toca discos não conseguia seguir para a próxima musica, ficava repetindo o verso riscado do “LP”, em forma de um blues lento e dramático. Assim como muitos pensamentos antes de transpor a porta do quarto, riscavam a mente de forma repetitiva.

A marca de dedos no espelho, as roupas amassadas em cima da cama, a meia luz deixando um clima intimo e tenso. Um som destoa o equilíbrio do ambiente, sutilmente uma voz rouca canta versos, de maneira imperceptível a outros corações.
Seus pés moviam-se de forma firme e lenta, em direção ao corpo estendido no chão.  Os dedos ásperos pressionavam o dorso e as coxas, quase que rasgando a pele como seda. Deixando suspenso no ar um amontoado de sentimentos, jogando de forma brusca sob a cama e em um gesto impensado de desapego carnal.

Os olhos despertam, enquanto a boca lentamente desfere um beijo, que como arma abate qualquer reação desnecessária. Alguns silêncios são mais intensos que qualquer palavra, falam muito mais que algumas paginas rabiscadas. Alguns silêncios rompem o espaço, preenchem o vazio deixado, completam um olhar.

Alguns silêncios rompem a noite e falam por si só. Alguns silêncios são como um beijo que desafia a vida, como o amor que desafia a morte. Amor que mata e também liberta, que ressuscita em noites frias ou dias quentes.
Pablo Danielli

Cem anos de solidão

Cem anos de solidão


Tudo é tempo, tudo é vida.
São anos em dias
São muitos sonhos lutando,
Contra a própria insatisfação.



São dias de gloria
E noites de solidão,
São pessoas ausentes
Saudades de objetos,
Que nunca serão.



É o vazio no peito
É o olhar cheio, da falsa beleza,
Presenteada com o horizonte
Distante e frio.



Há tantos caminhos
E tantas pontes, embora nenhuma,
Me leve ao seu coração.



São dias e noites
Com pensamentos soltos,
Que para quem não me conhece
Mais parece, cem anos de solidão.

Pablo Danielli

Janela


terça-feira, 7 de abril de 2015

Sociedade


Sinfonia dos Sonhos

Na noite que serve para levar com o vento os sonhos,
A deusa, que em seu leito de culpa e pesar,
Derrama lágrimas por aquele que não foi capaz
De um sorriso, fazer brotar nos doces lábios.


Canta para si, cantigas de amor,
Enxuga as lágrimas com o vento,
Que faz sentir-se só.



E como a quem pede a Morfeu,
Apenas paz para sua alma,
Que aos poucos se perde na pálida e sombria noite,
Fazendo com que suas escolhas,
Sejam um enorme fardo a carregar.



Tornando a beleza que tem como dom,
Ser vista apenas como uma pétala
E não mais como flor,
Com a qual desperta para vida.
No florescer de primavera em pleno verão
Fazendo enaltecer Vênus,
Em um doce acorde de harpa,
Faz com que até os anjos,
A sintam em tamanha beleza.



Capaz de fazer do Éden um mero jardim,
Dom natural com o brilho de uma fonte inesgotável de bondade,
Consegue que seu sorriso,
Seja mais belo que todas as estrelas da noite,
Que há observam em seu leito de sonhos.

Pablo Danielli

facebook

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Xícara de chá

Uma boa conversa
Com palavras soltas pelo ar,
Olhares presos,
Imaginação no que ainda não há.


Atenção nos lábios que se movem
Lentamente, com sorrisos bobos,
Que teimam em encantar.



O sol do fim de tarde faz contraste
Com sua pele, macia como seda,
Que sinto vontade de abraçar.



Podemos por hora negar
Podemos até fingir, disfarçar,
Mas o que nos envolve
É bem mais do que um simples chá.

Pablo Danielli

Anacrônico


Aparou as arestas que a vida insistia em lhe fazer sobrar, forrou o chão com recortes de lembranças que desejava esquecer, mesmo que isso significasse alguns segundos de paz.

Respirou uma, duas, três vezes... Roubando o ar de toda terra para si, mostrando ao mundo que aquele momento era apenas dela e de mais ninguém. Não haveria substancia magica ou palavra escrita que a fizesse mudar de ideia, de rumo ou de sorte.

No jogo da vida, os dados ao rolarem na mesa, hora davam números pares e em alguns momentos cambaleavam quase bêbados números impares... Fazendo dar um pouco de sentido a bagunça quase perfeita, que eram seus romances e sua vida.

Arrastava seus pés para além da terra de sua imaginação e sonhava com dias anacrônicos, para ser a gota de cor no meio de uma multidão perfeita com suas vidas feitas de cristal.

O que cheirava a velho e antiquado como seus livros, tinham mais valor... Parecia que cada pagina compunha um pedaço de sua vida, cada passar de mão por capas, fazia se sentir mais inteira e mais forte.

 Dentro de seu pensar, além de seus segredos íntimos, estavam à fonte de toda sua força, escondido quase sufocado pelo dia a dia, lá aonde não se poderia tocar, estava sua imaginação.

Não estava pronta para sentir uma vida, com textos de romantismo apelativamente baratos, desejava o requinte de ser única, o glamour de só ela saber, como é se sentir de uma forma desesperadamente viva.

Capturar na retina, a imagem delirante que apenas uma alma capaz de entrar em ebulição pode sentir. Enquanto algumas buscam o ar de purificação, ela diferentemente, gostaria de sentir todos os pecados do mundo. E para isso, sabia que além de viver, é necessário abrir os olhos.
Pablo Danielli

Facebook

Pequenas doses de sonhos

Este nobre ladrão de corações
Roubo-lhe o fôlego mais uma vez,
Ceifou-lhe a chance de se defender,
A atirou no fosso de mais uma paixão.


Morrer por amor,
Por mais trágico que pareça, não dói.
O que machuca são as lagrimas
Que embora sinceras,
Derramadas em vão.



Pobre mulher vive da ilusão
Pobre homem, não tem solução,
Vai e volta, são sempre os mesmo erros
Mudam-se o jargão.
Ficam os nomes, dor e solidão,
Querer viver por amor
É perder esse tão desejado calor.



São pequenas doses de sonhos
Misturadas a realidade,
Que no fim cobram seu valor

Pablo Danielli

sábado, 4 de abril de 2015

Silencio, inocente.

Você ouve o silencio, inocente...
Longe dos barulhos da alma,
Das inquietações do corpo.


A violência das palavras,
É abafada por ele,
E nada mais resta...



Não se percebe a cidade caótica,
Com sombras de pessoas,
Que se autoproclamam,
Humanos...



O silencio rasga a noite
Foge por entre as arestas,
E toma conta do dia.



Transformando
Tudo que é podre,
Em poesia.

Pablo Danielli

Tão incertos

Como dois pássaros livres 
Que se encontram ao acaso,
Em um bater de asas sem fim...
Vindo de muitos lugares, sem chegar a lugar nenhum!
Levando com o vento as incertezas de uma vida,
Esperando pela morada certa, pela certeza do sim.
Somos tão incertos quanto há vida que nos cerca,
Tão conhecedores de nosso próprio destino, 
Quanto à morte da vida...
Que nos resta apenas, fazer felizes um ao outro.
Mesmo que seja por poucos segundos, 
Mesmo que seja por um momento no ar.
Mesmo que signifique...
Nascer e morrer em um único dia de verão,
Tão intenso e tão forte, 
Como um beijo como o amor, como a paixão.


Pablo Danielli

quinta-feira, 2 de abril de 2015

E ela estava só,
Observava as coisas ao seu redor...
E via com clareza, que estava fora do lugar.
Talvez seu mundo não fosse aquele,
Mas foram suas escolhas, que fizeram chegar até esse lugar,
Mas mesmo assim, ela estava só.
Estava só com suas idéias,
Estava apenas na companhia de suas letras,
Vivia na ilusão da melodia,
De uma musica que não mais existia.
Tudo triste e sem vida, sem cor... Azar dela que assim o via.
Mas em meio às pessoas na calçada,
Ela se sentia só, com seus pensamentos...
Fora deste tempo, longe dos tormentos,
Ela estava só.

Pablo Danielli

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Milagreiro

A agonia de um homem
Não começa quando ele trabalha,
Mas sim, quando ele recebe.

Quando o feijão não dá
E quando alguma conta fica para trás,
É quando ele resolve mudar de lugar
Em busca de esperança,
E está pouco irá durar.

É quando o choro da fome
Cede lugar a insônia,
E as preocupações tomam conta
De suas rezas.

Quando ele troca o dia pela noite
Ou quando ele nem percebe onde está.

E em pequenos pedaços
De folhas encontradas ao chão,
Escreve alguma prece,
Como quem pede
Por clemência e pão.

Tem dó!  Pobre homem.
Tem dó!De viver.
Milagreiro de uma vida
Com direito a passagem só de ida,
E sofrer sem merecer.

Pois apenas os erros
São cometidos mais de uma vez,
Querer já não faz mais parte de você.

Nem a luz da lua
Dá-se ao luxo de lhe aparecer.

Não sabe mais o peso que tem
Seus passos e suas sombras que vagam,
Por algum lugar sem saber,
E perguntando-se,
Para que motivo viver?

Tem dó!  Pobre homem.
Tem dó!De viver.
Milagreiro de uma vida
Com direito a passagem só de ida,
E sofrer sem merecer.
Pablo Danielli

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Pequeno conto

Um pequeno conto sobre amor
Com corações partidos,
Sorrisos e lagrimas.
Olhares trocados
Papéis rabiscados,
Juras de amor
Dor, sem pudor.

Pablo Danielli

Voar

De todos os remédios
Que poderia tomar,
Ler a bula de um livro
Foi o que te serviu...
Para saciar a loucura!
Para curar o marasmo!
Para flutuar...
Mesmo com tantas amarras,
E os pés descalços
Indecisos e sem saber,
Se podem... Pisar, correr ou voar.

Pablo Danielli

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