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sexta-feira, 31 de julho de 2015



Eu abri as portas do paraíso,
Em um grande livro que estava perdido,
Pelos caminhos feitos de ouro eu te procurei,
Atrás da luz que fazia sentindo,
Em busca de uma linha guia.
Evitando o final, buscando forças,
Para superar perdas, para imaginar você,
Chances desperdiçadas, espalhadas aos céus,
As portas estão abertas, não precisa bater,
Somente entrar, pois a dor passou.
Tudo parece tão real, que me pergunto,
Se é mesmo possível, se você consegue me ver,
Pois eu sinto você, tão sutil quanto à brisa,
Tão intensa quanto à vida, quase posso tocar seu corpo.
Segure em minha mão, deixe lhe mostrar,
Que o que viveu não é nada,
E se atravessar a porta posso te guiar,
E te mostrar o que sinto.


Pablo Danielli

quinta-feira, 30 de julho de 2015



E ela estava só,
Observava as coisas ao seu redor
E via com clareza, que estava fora do lugar.
Talvez seu mundo não fosse aquele,
Mas foram suas escolhas, que fizeram chegar até esse lugar,
Mas mesmo assim ela estava só.
Estava só com suas idéias,
Estava apenas na companhia de suas letras,
Vivia na ilusão da melodia,
De uma musica que não mais existia.
Tudo triste e sem vida, sem cor azar dela que assim o via,
Mas em meio às pessoas na calçada,
Ela se sentia só, com seus pensamentos,
Fora deste tempo, longe dos tormentos,
Ela estava só.


Pablo Danielli

quarta-feira, 29 de julho de 2015


Dança



Seu corpo parecia flutuar,
A cada movimento sutil,
A cada toque de seus pés,
Faziam daquela simples dança, um ritual.

Seu corpo, respirava o momento,
Passava para todos que lhe observavam,
Através de sua transpiração, sua paixão pela musica.

Fazendo com que tudo ao seu redor fosse ignorado,
E todos mantivessem seus olhos nela, apenas nela,
Despida de qualquer timidez ou pudor,
Fazendo da imensa solidão do palco,
Se encher com os aplausos da platéia.

Hipnotizados pela entrega e união,
De seu corpo, alma e coração,
Em uma exuberante exibição de dança e paixão.

Pablo Danielli

segunda-feira, 27 de julho de 2015



O abismo que existe entre o sorriso e a lagrima
É tão tênue quanto à seda que cobre teu corpo.
A luz que não me deixa ver e por vezes cega,
Chega me confundir com teu brilho,
Embora não ilumine meu caminho esta noite.
Ainda assim, minha mente passeia,
Nos mistérios da escuridão.


Pablo Danielli


I olha Marinez, o que você fez!
Há Beatriz, nada fiz!
Peguei apenas um pouco de giz!
Pobre coitado é o Luiz!
Coitadinho ta todo infeliz!
É que está como o relacionamento por um triz,
E o Pedro amigo dele o que diz?
Quer que o Luiz seja feliz!
Nem que seja com a meretriz.
E da política o que me diz?
Política nesse país?
Não sabia que está tudo por um triz?
Acho melhor pegar meu giz e ir pra sala dar aula,
Se não vão dizer que a culpa de tudo nesse país,
Começa na sala de aula, ai coitada da Paula!
Que ainda diz que dá para gente ser feliz!





Pablo Danielli

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A certeza do errado.

A certeza do errado.

Em outros tempos, não muito distante desses vividos, existiam formas menos intensas e rápidas de comunicação. Telefone discado, carta e quando muito relevante a opinião de uma pessoa, (geralmente especialista) por meio de radio ou televisão.
Pois bem, a velocidade da tecnologia nos trouxe comodidades e meios aprimorados de comunicação. Novos pensadores surgiram, novas formas de diálogos se criaram e novos verbetes foram agregados ao dicionario.
Em um espaço curto de tempo a escrita sofreu variações que em décadas e seculos não havia passado. Porém o pensamento humano não acompanhou esta transformação, somos boçais ao pensar com um ferramenta de tecnologia de ponta. O resultado não poderia ser outro, se não  o da completa falta de educação e respeito.
O teclado se transformou em uma metralhadora capaz de ferir mais gente por segundo que a guerra é capaz de fazer. A tela do computador é como um capuz aonde o ser se esconde para destilar ódio, raiva e disseminar criticas sem nenhum fundamento.
Mas a vida real não reflete a virtual ao menos não a luz do dia, somos cordeiros sem a tecnologia e lobos ao te-las em nossas mãos. Nunca se teve tantos especialistas sem diplomas em diversos assuntos  como se observa agora, todos são juízes e ninguém gosta se ser julgado.
Tais fatos apenas mostram um caráter individualista, egoísta e pobre mentalmente do ser humano que somos, ao final de tudo somos todos animais irracionais. Somos bons em criticar, julgar e executar sem questionar.
Essa raiva toda contida e destilada nas teclas, a necessidade constante de estar certo, de massacrar o desconhecido com uma foto nas redes sócias, sem saber sua história, sem ter o conhecimento de suas dificuldades, sem ao menos ter a certeza do que se fala, demonstra um desvio de caráter e uma falta de compreensão do mundo em que se habita absurda.
O homem que reza na igreja é o mesmo que agride no estadio de futebol, a mulher que acaricia seu filho é a mesma que ofende a outra por causa da inveja, o jovem que aparentemente é um bom filho é o mesmo que usa da violência por não aceitar a escolha sexual do seu semelhante.
O tronco, o chicote e a algema apenas trocaram de forma, a faca o revolver e a corda apenas foram substituídos por uma rede inviável, usada para muitas vezes proteger o covarde que não tem coragem de faze-lo na vida real, assim o mundo virtual é um terreno sem lei, sem dono, um faroeste a moda antiga.
São tantos tipos diferentes de agressores,  que a internet foi o único instrumento capaz de junta-los em um espaço virtual, para se enfrentarem em uma batalha diária de ofensas, irracionalidade e incertezas. Que a conclusão plausível que se pode obter é que a única certeza que se pode ver, é que todos estão errados.

Pablo Danielli



“Os homens
são feitos da mesma matéria,
mas não dos mesmos sonhos”.

Pablo Danielli

Mulher

Que direitos são estes que ferem
Não só o corpo, mas a alma,
Que luta é essa que maltrata
Dilacera a coragem, faz crescer o medo?

Que culpa tão grande é essa
Que faz desejar não viver,
É a beleza, o aroma ou o sorriso encantador?
Seus cabelos ao vento, não podem servir como chicotes!

Um silencio, que fere!
Dilacera e maltrata.
Mas os olhares tão tristes
Com esses dias tão incompreensíveis
Não fingem.

Existe vida além-mar?
Existe esperança além da dor?
Existe força aonde só há terror?

Tantas perguntas em um corpo tão frágil
Capaz de fazer surgir à vida,
Mas ainda incapaz
De viver com a dor.

Não é pela violência sofrida
Não é pelo desespero nela contida,
Não é pelas marcas que não cicatrizam!

É pela alma ferida
Pela pureza perdida
Pelo corpo que deveria receber
Somente o calor
E sentir apenas o amor.

É o direito de viver
De ser feliz,
Que alguns ainda não conseguem
Se permitir.
Pablo Danielli

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Soldadinho de chumbo

Esquerda, direita!
Esquerda, direita!
Esquerda, direita!
Esquerda, direita!
Marchem!

Soldadinho de chumbo
Que obedece sem questionar,
Dia a pós dia...
Enquanto a internet deixar.

Esquerda, direita!
Esquerda, direita!
Esquerda, direita!
Sentido!

Lustra as botas do teu superior,
Enquanto come o pão...
Que “teu” (governante) amassou.


Esquerda, direita!
Esquerda, direita!


Certo ou errado,
Honesto ou corrupto...
Obedecer, obedecer...
Como mula, perecer.

Esquerda? Direita?
Sacrificados na guerra,
Soldadinhos de chumbo
São como moedas de troca...
Morrem pela boca,
Sem perceber.

Esquerda e direita
Não tem sentido,
E nem objetivo.

Se não...
O de enriquecer.

Pablo Danielli

O conto



O melhor conto desatado sobre a vida, feito no ultimo momento de alegria, era na verdade uma grande e inédita mentira.

Contado a conta gotas, para saciar de palavras bonitas os ouvidos de quem os ouviam, lambuzar a boca de quem o proferia. Meias palavras, compostas por mentiras inteiras, feitas sob medida para conformar, agradar, muito mais que velhos livros, com novas formulas de autoajuda.

Falava sobre tudo o que a mente imaginava e mentes apaixonadas conseguem fazer algo que muitas outras evitam no seu dia a dia, mentes dopadas conseguem voar! Deixam à caretice dos gestos decorados e mecânicos a margem dos sonhos.


Cria-se todo um universo com nomes, momentos e prazeres. Insaciável vontade de ser feliz, faz de qualquer mulher uma meretriz, qualquer homem um cafetão. Mistura-se boa postura com verdade nua e crua e nesse conto, a verdade machuca muito mais que poucas frases de impacto.

Feitas como encomendas, entregues diretamente a qualquer ser que trate a vida com certo desdém.

Os parágrafos datilografados com letras e mais letras que se embaralhavam as incertezas, faziam o homem pensar e a mulher chorar. Um mundo de palavras, casas feitas com vírgulas e pontos, prazeres que se misturavam a virada de uma pagina. Um orgasmo em forma de ponto final!

O conto não tinha nenhuma obrigação, não fazia questão de ser diferente, não tinha pretensão de ser o que não merecia ter. Era apenas feito para cumprir sua função, emaranhado de histórias, felizes, tristes, que faziam amar, odiar e sentir.

Julgado, criticado e depreciado pelos que não conseguiam ver além de um pedaço de papel, sociedade feita de pré-conceitos, estabelecidos por seres que não conseguiam criar, para tanto tentavam podar a imaginação, que aquelas paginas traziam consigo.

O conto seguia sua rotina, passando de mão em mão, dedos diferentes buscavam o mesmo resultado, imediato como se fosse um remédio, uma formula na qual ele não fazia parte.

Mas para ele próprio, se considerava apenas uma folha, um conjunto de memorias, mesmo que outros insistissem ele desejava apenas cumprir com a sua função de ser apenas e justamente um conto.




Pablo Danielli


Explique noite,
Porque meus olhos não sentem?
Explique pálida noite,
Porque meus dedos estão anestesiados...
Porque enfim, meu coração não pulsa.
E então, porque minha boca cala,
Quando meus lábios deveriam bravejar!
Porque teu silencio,
Tomou conta do meu corpo,
E meu calor em forma de alma...
Já não aquece outras formas.
Agora,
Tão pouco o peso das moedas,
Faz diferença.
O algodão e a seda,
Não me fazem sentir importante.
E tudo o que vejo é você,
Tudo o que me cerca é escuridão...
Tudo parece simples,
O ar, leve e puro!
Não há palmas para meu ego,
Nem espectadores para meus gestos.
Somente tu!
Nua e silenciosa, tomando meu corpo...
Por carne podre.
Sem ao menos se importar,
Com um nome, uma posição ou passado feito.
Sou mais uma peça,
Que não se completa nos teus caprichos.
Sou agora...
Mais uma história a ser coletada,
E esquecida.
Assim como tu, triste noite!
Que ao amanhecer,
Levara contigo toda forma de vida...
Mesmo sendo nova ou velha,
Nunca compreendida.





Pablo Danielli

terça-feira, 21 de julho de 2015



Todo dia, escuridão!
Toda manchete, um tapa!
Toda injustiça, um tombo!
A morte das certezas,
A duvida da justiça.
E agora José?
A honestidade falha,
O governo corrompe?
A população alienada?
Nada faz, nada faz...
Canibalismo a nível social,
Pré-conceito como resposta formal.
Aonde erramos a curva?
Aonde deixamos tudo ficar como esta?
E agora João?
O que fazer Maria?
Não há para onde correr,
A casa é uma prisão...
As ruas da liberdade,
Tem o preço do sangue.
Trabalhadores inocentes,
Assassinos, covardes e ladrões!
Impossível identificar,
Aonde só existe solidão.
Aonde uma pátria se esconde,
Atrás de uma chuteira...
Pé na bunda, parece brincadeira!
Justiça para que?
Justiça para quem?
Acreditamos sempre no discurso na tv,
Aceitamos o dinheiro como verdade,
E quando nos damos conta, a “conta”? Vem!
Em forma de eleição...
Em pacotes de desdém.
Na falta de leitos
O leito da morte,
Faz mais um refém.
Enquanto fechamos os olhos
E esperamos que as coisas melhorem,
Sempre no mês que vêm.


Pablo Danielli


Correm lagrimas seca
Pelos corredores da solidão,
É o pó que se levanta
Que toma conta dos vazios,
Que insistem em surgir
Em dias de sol e em dias frios.
Ânsia, forte batida, sentimentos,
Caminhar na contradição.
Um certo olhar triste
Quando passa despercebido,
Praticamente esquecido
Como folhas ao vento,
Iniciando, uma outra estação.


Pablo Danielli


“O amor é assim, surge como uma chama que não sabe esperar e se esvai por entre nossos dedos como grãos de areia no tempo.”

Pablo Danielli

segunda-feira, 20 de julho de 2015


Em algum momento


De o primeiro passo
Gaste a primeira sola,
Crie as primeiras marcas.
A vida tem dessas surpresas
Estas aventuras do acaso,
Marcas acontecem para quem vive
Não para quem apenas sobrevive.
Ouse com alguns olhares
Derrube muros com alguns sorrisos,
Deixa extrapolar alguns gritos!
A alegria não foi feita para ser guardada
Em pequenos potes ou em pequenos vidros.
Suspiros não nascem do nada
Requerem ousadia, tem que se permitir sentir,
Arriscar para poder perder
E para poder, em algum momento viver.

Pablo Danielli

sábado, 18 de julho de 2015


Palavras Repetidas


As ondas vão me levando, por quase todo o oceano, sinto a doce brisa bater em meu rosto, levando todas as duvidas que um dia tive, fico calado, observando e me pego sonhando, sonhando sobre a vida a morte o mundo e seus mistérios, esperando por um porto seguro, onde eu possa ter certeza de que nada poderá acontecer de errado, mas sei ser impossível, raro momento, cada vez mais longe de meus olhos, mais ainda sim perto do coração, deixo o vento me levar, mostrar o caminho, e apenas segui-lo.

Uma busca que sei que mesmo no escuro, com os olhos vendados pela impureza de meus pensamentos e a crueldade de minhas palavras, espero achar, deixando de pensar na realidade para viver em algo que não existe, que traz paz e conforto, mas que um dia se acaba, como uma flor e como o amor.

Faço tudo o que posso, a nosso favor somente as estrelas e mesmo assim minha alma não quer partir, insiste e persiste em ficar , lutar por algo que perdi no tempo, que se espalhou no espaço e que somente vive dentro dela, palavras sinceras que fazem sorrir, para entender os pensamentos que surgem de todos os lados, para todas as horas lembrar de algo bom, que mesmo que já não exista, lembrar que aconteceu.

Crescer é uma eterna aventura, talvez mais difícil que a figura de um anjo caindo do céu e se despedaçando aos poucos por apenas tentar amar, com a pureza de uma criança e a inocência de que tem os pensamentos mais puros do universo, o tempo passa e não retorna mais e quando o sol se por e a chuva cair, uma estrela surgira, mostrando a todos a esperança de um novo dia, folhas secas caindo pelo chão mostrando um novo caminho, uma nova vida, dando um novo sentido, um novo colorido, renovando a fé.

Pessoas buscam um amor eu tento encontrar a paz, na simplicidade das coisas do dia a dia, no perfume de uma rosa no sorriso de uma mulher e na delicada boca que a beija.

Para despertar o sentimento, a loucura e insensatez e a paixão, o olhar não deixa mentir, entrega, faz e desfaz, o toque o beijo provas de algo maior que eu, te ver passar e sorrir é lindo maravilhoso, dona do céu, capaz de deslumbrar, despertar paixões, encantar, iluminar a escuridão, despertar um coração da solidão, e capaz de dar vida a quem a muito já não vive, que a muito não sabe o que é viver.

A tempestade não tem hora, não espera, chega de repente, não avisa, e destrói tudo em seu caminho, causando dor, sofrimento e até solidão, momentos difíceis sempre existiram, sempre haverá problemas sempre haverá um amanha e sempre haverá a calmaria para curar tudo, tão certo quanto a vida, tão certo quanto a dor o amor, tão certo quanto a paz e a guerra, tão certo quanto eu e você.

As vezes palavras são ditas mesmo sem querer, olhares se cruzam sem perceber e bocas se tocam sutilmente, assim como eu e você...

É fácil falar do lindo azul do céu, da cor de seus olhos e do perfeito sincronismo, mesmo sendo normal, comum e ate banal, fácil é falar do vento, do sol e da lua, fácil é explicar a vida e o rumo que elas tomam, fácil é colocar palavras em um papel e deixa-las para o tempo contradize-las...

Mas não é fácil falar de algo que pouco se conhece, que não se tem controle, que poucos viveram ou dizem ter vivido, como explicar, como dizer ou ate explicar algo tão abstrato raro, incomum, que é capaz de mudar as pessoas, capaz de fazer sorrir ou chorar....

Todos tem decepções, não sou diferente tenho as minhas, todos se iludem inclusive eu, todos gostam, todos odeiam, não sou diferente, sou mortal, ao alcance de erros e acertos, gestos e atitudes, se hoje falho é porque no passado em algum lugar errei, se acerto é porque sem querer fiz algo bom...

Lagrimas caem não porque é triste o fim, não porque sou digno de falhas, mas porque como todos sou simplesmente mortal, normal, comum, onde em cada esquina tem um, onde não é raro o erro, não é raro o pecado e não é raro pensamentos impuros e que não é raro a desilusão....

Por trás da aparência de tudo bem, de que ta tudo certo, há uma coisa frágil fácil de quebra, passível de sofrimento, de dor e com palavras soltas no ar não melhora somente piora, destrói, mas algo está guardado num lugar seguro onde, nada poderá atingir, nada poderá destruir, as frases, as alegrias, sorrisos, favores, delicadeza, sentimento, para um outro alguém...

O tempo de esperar já passou, o tempo de boas novas é chegado, e dele espero muito mais do que recebi no passado dele espero paz, alegria e talvez alguém especial....

Pablo Danielli

sexta-feira, 17 de julho de 2015



E a chama que tomava conta do meu corpo, destruiu as fronteiras da carne, espalhou-se pelo ar e pintou aquele por do sol, com tons de laranja forte, quase vermelho! Foi impossível não guardar na retina o belo quadro que a vida me presenteou, a mistura do vento com as ondas do mar, transformou em sinfonia todo o silêncio que eu guardava dentro de mim.


Por momentos fui maior, por momentos fui mais forte que a própria terra, na qual me sustentava úmida e terrivelmente fértil, pela brisa que me empunha lagrimas aos olhos, pela brisa que tocava o solo, assim como as lembranças que iam e vinham, transformando aquele exato momento em um balé, com movimentos tão sutis, tão encantadores, capaz de esconder toda a dor de uma pobre sombra ao viver aquela dança.


Não existia qualquer possibilidade de medir o tempo, não havia ao menos motivos possíveis para fazê-lo, apenas eu, o horizonte e a vida. Em algum tipo de ritual tão simples que chegava a ser complicado compreender o quão profundo e complexo era este sentimento. Segundo, minutos, horas, tudo tão superficial, distante da realidade que me foi apresentada, que as rugas, feitas pela maresia, já não me importavam mais, apenas o momento, apenas respirar aquele momento.


Não existia tecnologia capaz de me tirar deste transe, não existia apelo forte o suficiente para fazer com que eu me levantasse daquele lugar, no qual eu me encaixei perfeitamente, no qual foi feito de uma forma perfeita para mim. A humanidade era apenas mais um objeto que compunha um cenário inimaginável de tranquilidade interior, sem apelos, sem atritos, apenas paz, tão completa e real que aos poucos me surgiam sorrisos, em tons laranja e vermelhos de pura e simples alegria.






Pablo Danielli


Todo dia, escuridão!
Toda manchete, um tapa!
Toda injustiça, um tombo!
 A morte das certezas,
A duvida da justiça.
E agora José?
A honestidade falha,
O governo corrompe?
A população alienada?
Nada faz, nada faz...
Canibalismo a nível social,
Pré-conceito como resposta formal.
Aonde erramos a curva?
Aonde deixamos tudo ficar como esta?
E agora João?
O que fazer Maria?
Não há para onde correr,
A casa é uma prisão...
As ruas da liberdade,
Tem o preço do sangue.
Trabalhadores inocentes,
Assassinos, covardes e ladrões!
Impossível identificar,
Aonde só existe solidão.
Aonde uma pátria se esconde,
Atrás de uma chuteira...
Pé na bunda, parece brincadeira!
Justiça para que?
Justiça para quem?
Acreditamos sempre no discurso na tv,
Aceitamos o dinheiro como verdade,
E quando nos damos conta, a “conta”? Vem!
Em forma de eleição...
Em pacotes de desdém.
Na falta de leitos
O leito da morte,
Faz mais um refém.
Enquanto fechamos os olhos
E esperamos que as coisas melhorem,
Sempre no mês que vêm.



Pablo Danielli

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Nunca, amores de vitrine!


Um amor indivisível
Com todas as sobras possíveis,
Com todo o afeto desnecessário.
Com todas as lagrimas e sorrisos
Transbordáveis.
Com todos os sonhos intransponíveis,
E com todos os problemas risíveis.
Mas nunca, um amor de vitrine.
Pablo Danielli

O velho e o garoto

Certa vez, sentado, a beira de um lago, um garoto tentava escrever uma carta romântica para sua amada, pensava ele que devia ser fácil, pois é só postar algumas palavras bonitas e frases de impacto, que tudo sairia de modo que as palavras fluiriam naturalmente de sua boca, mas se caso isso não acontecer bastava fazer algumas cópias de livros e tudo estaria resolvido, embora pensasse assim o garoto sabia que o que ele estaria escrevendo não seria dele e nem sairia do seu sentimento.
       Mas ao observar ao seu redor, viu que naquele lago havia um velho com aparência muito serena, um ancião por assim dizer, o garoto percebera que o velho olhava para o lago, para as folhas e rabiscava algo em um papel que trazia consigo, o modo com que fazia e a naturalidade com que fazia lhe chamaram a atenção do garoto, pois como pode ele (o velho) olhar para qualquer coisa e escrever sem parar, em pedaços de papel que em momentos lhe chegavam a faltar-lhe por culpa de sua imaginação.
    O garoto começou a pensar consigo mesmo, até em alguns momentos achando haver algo errado com ele, pois escrever uma carta não poderia ser tão difícil assim, já que todos o fazem, por que ele, justo ele não faria também?
    A tarde passava junto com a paciência do garoto, que se desesperava com sua própria mente e seu coração, pois se nada conseguia tirar de bom deles, por que haveria sentido em viver? Ao entardecer, um lindo por do sol se estendia pelo lago, refletindo todo esplendor da linda tarde que com uma suave brisa derrubava algumas folhas amarelas e outras marrons de suas arvores, em uma perfeita tarde de outono, junto com as folhas caia também por terra toda a esperança que havia no garoto, então olhou novamente para o velho e viu um sorriso que a muito não via no rosto de uma pessoa, um sorriso simples e puro que fazia contraste com sua barba e cabelos brancos, feito neve.
    Ao ver tal coisa, o jovem levantou-se e caminhou contornando o lago em direção ao velho, em passos ritmados, sem pressa, pensando no que iria dizer-lhe e como faria para explicar o que acontecia com ele, ao se aproximar do velho, o garoto senta ao seu lado num vasto gramado que cerca o lago, em num gesto de humildade lhe dá a mão lhe falando boa tarde.
   O silêncio pairava no ar, o velho não lhe respondera o cumprimento, então o garoto começou a pensar no que dizer, pois havia se tornado em uma situação embaraçosa, juntando seus papeis e seu lápis, o garoto começa a se levantar para sair, de repente não mais que de repente em um momento inesperado ouve um amistoso boa tarde do velho.
    O garoto volta a sentar, abrindo um sorriso que a muito não fazia, e o velho com toda a sua sabedoria e maestria que só o tempo pode lhe dar, pergunta ao garoto que tanto lhe atormentava, já que havia percebido descrença e temor em suas palavras.
    Com a pureza de uma criança o garoto lhe fala o que aconteceu, e pede conselhos ao velho, pois percebera que talvez por sua vasta experiência, teria facilidade em fazer fluir as palavras, procurando um pouco de sabedoria para poder escrever coisas bonitas para sua amada, o velho levantou-se e convidou o garoto para caminhar com ele, os caminhos que se faziam ao longo do lago.
    Com uma voz rouca castigada pelo tempo, o velho começa a lhe falar da vida de tudo que a segue seus temores e virtudes, ouvindo atentamente tudo o jovem procura anotar cada palavra que o velho lhe fala, para poder usar tudo em seus textos, mas o velho ao perceber isso, pede ao garoto que largue seu lápis e papel e lhe faz uma pergunta com a qual deveria haver resposta imediata, o velho lhe pergunta o que o garoto percebeu, o que ele notou nessa caminhada, o que ele aprendeu com tudo o que se passou ali.
    O garoto respondeu-lhe que havia prestado atenção em cada palavra dita e que observou tudo que o velho fazia para não perder nenhum detalhe, o velho olhou então para o garoto e falou que ele ainda não estava preparado para ouvir suas palavras, que se fazia necessário muito mais que simplesmente prestar atenção em suas palavras, era necessário compreende-las.
    Não entendendo o que ele quis lhe dizer, o garoto pediu ajuda para o velho para poder compreender e entender o mundo da forma que ele via e não da qual pensava ser, o velho então lhe falou que era tarde e pediu ao garoto que voltasse no dia seguinte, que então lhe explicaria o que ele queria saber.
   Chegando perto da mesma hora do dia anterior, o garoto vai para o lago, a tarde era fria mais nada impediu de ir ao encontro do velho, que estava no mesmo lugar sentado e rabiscando alguns versos em um pequeno pedaço de papel, ao se aproximar o velho pediu a garoto que sentasse, e lhe fez a mesma pergunta novamente, ao ver que o garoto não havia encontrado resposta o velho começa a lhe explicar, o porquê da pergunta e o que ela tem haver com a sua vida.
    O velho lhe explicou que quando o convidou para caminhar não foi para prestar atenção nas pessoas, mas sim nos pássaros, arvores, animais que ali estavam, no ar, no sol e no céu, o garoto interrompendo lhe perguntou o porque disso e o velho lhe falou, que as pessoas são apenas figuras que compõem um meio, são pequenas peças de um grande quebra-cabeça e que para compreender isso o garoto teria que prestar a atenção nos detalhes que a vida oferece, se perguntar o porque das coisas serem daquele jeito e  não de outro, se perguntar por que a vida nos oferece o poder e ir e vir, sentir, falar e ouvir, que quando ele o chamou pra caminhar era para sentir o ar puro, respirar fundo e sentir o doce sabor da vida, era para perceber que a vida é feita de pequenos momentos, que juntos se fazem valer por uma vida intera, era pra ele perceber que a vida não é feita só de alegria, mas de tristeza também, que nada se perde, tudo é um aprendizado constante e que as pessoas que cruzam nossas vidas são especiais, da forma que são e não por serem quem são.
   Também explicou que nunca se pode deixar de lado aquele momento, de dar um abraço, um beijo em que se gosta ou se tem admiração, que muitas vezes pecamos por não dar valor às coisas simples, pois só nelas que se encontra a verdadeira felicidade, que deixamos de fazer o que pensamos por achar que os outros vão achar isso ou aquilo e na verdade todos têm fraquezas.
   O velho lhe falou que ao entender essas palavras, o garoto saberia então o verdadeiro significado da vida e que as palavras sairiam naturalmente de sua cabeça, que então teria sabedoria o suficiente para escrever sobre a vida e sobre o amor, que não importa o que escrevam se não for de coração de nada vale, falou pra valorizar e aproveitar a sua vida, pois o fato de tê-la já é uma dádiva.
    O garoto ficou surpreso com tais palavras, ficou mudo por alguns instantes e com os olhos cheios de água falou que aquilo tudo era lindo e que nunca havia passado se quer pensamento parecido com aquilo na sua mente, agradeceu o velho por tais palavras e falou que já poderia escrever a sua carta com sentimento puro e verdadeiro, disse que entendeu o significado de suas palavras.
   Falou que aproveitaria a vida, viveria, porém, com responsabilidade sem perder a pureza, e pediu qual era seu nome, o velho, há o velho, com toda sua sabedoria, simplesmente lhe falou: Eu sou o ar, a terra, os pássaros, a vida, a morte, eu garoto, eu sou simplesmente um velho.
Pablo Danielli

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Contradança

È fácil se perder no ritmo dela, seus olhos vão de um lado ao outro procurando deixar-me sem jeito, eu como bom cavalheiro que sou, ora porque não, retribuo e levemente disfarço o sorriso, quem sabe, ela perceba e retribua, mas que idéia a minha, pensar que ela com todo seu glamour e beleza possa perceber a intenção de apenas um sorriso, se tantos são os que ela recebe.
      Aos poucos fico leve, à vontade no salão, falta-me apenas coragem para falar de minhas intenções, quem sabe algo sério ou apenas uma contradança se quiser, não ela não deve ser destas que queira ser de um homem somente por uma noite, mas por outro lado, pensando melhor casar com ela seria cansativo, pois com tantos pretendentes deve ser mimada.
      Mas que estou dizendo, claro que com toda certeza já tem namorado, como não pensei nisso antes, ou até mesmo casada, será mesmo, mas não vejo anel em seus dedos e chegou apenas com as amigas, só pode ser solteira, quem sabe apenas esteja esperando por mim, que loucura porque penso nisso, ela apenas percorreu seus olhos pelo salão nem ao menos deve ter notado.
      Olha para um lado olha para o outro e conversa com suas amigas, será que fala sobre mim, talvez esteja reparando em meu cabelo, meu deus será que está arrumado? Pobre de mim e agora, o que faço eu, vou ao banheiro ver como está, mas se eu voltar e tiver ido embora, ou até mesmo um desses aproveitadores for falar com ela, será meu fim e terei perdido para sempre ela.
      O tempo passou e nem vi já é quase meia-noite, quanto tempo mais será que vai ficar, talvez se eu oferecer carona a ela, sim, isso mesmo ai então poderia falar sobre o que sinto, mas que bobagem de minha cabeça, nem ao menos me conhece é claro que não aceitaria, o que diria a ela? Oi muito prazer, meu nome é Adurbal aceita uma carona, com certeza não daria certo, acho que vou tomar uma bebida, quem sabe assim eu crie coragem e fale com ela, mas ai ela vai perceber vou ficar com gosto de cerveja na boca, se eu beijá-la ela ira notar e será meu fim, uma tragédia, sem falar nas manchetes, seria realmente a piada no dia seguinte.
      Meu coração parece que vai saltar pela boca, minhas pernas tremem, porque ela provoca isso tudo em mim, não entendo, alguém está indo falar com ela, meu deus é uma homem, o que será que conversam, será o fim de minhas esperanças, abraçou ela, está convidando ela para uma contradança, agora sim, será mesmo o fim, eu sabia ela gosta de homens mais velhos, este alias, parece ter quase o triplo de sua idade, como vou competir com ele, meu deus está saindo da pista abraçada nele, vou até lá, me declaro e vejo o que acontece, mas que idéia nunca ela aceitaria sem falar na vergonha que ela passaria, ela está saindo da baile com ele, é mesmo meu fim, o que vou fazer só me resta sofrer de amor, não, vou atrás dela, vou falar com as amigas dela.
      Falarei com Margarete, lhe expliquei toda a situação então ela riu, pensei eu, eu sabia meu fim agora serei realmente piada na cidade, então ela me falou que ela tinha me achado bonitinho, e estava esperando que fosse falar com ela, meu deus, a perdi por falta de atitude nunca perdoarei por isso, foi então que Margarete me deu esperanças, aquele homem é o pai dela, foi então que meu rosto ficou com um sorriso enorme, ainda há esperança pensei, no próximo baile tomo coragem e ai sim lhe convido para dançar.
Pablo Danielli

terça-feira, 14 de julho de 2015

Feira do Livro


Margens

As margens dos olhos
Lagrimas são como alento,
Que dão vida ao sentimento.

Todo sonho cria forma
Como a palavra que se espalha,
Dentro da mente.

Mas o silencio que doma o corpo
É com amarra, que segura o tempo...
Deixando a insegurança permanecer.

E no horizonte que se forma
Entre a retina e a pálpebra...
Ganha conforto,
Com o calor que toma a alma.

Com o abrir e fechar de olhos
Luz e sombra tomam forma,
Vida e morte se misturam...

Com o se pôr e nascer do dia.
Pablo Danielli

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Pálida noite


Explique noite,
Porque meus olhos não sentem?
Explique pálida noite,
Porque meus dedos estão anestesiados...
Porque enfim, meu coração não pulsa.
E então, porque minha boca cala,
Quando meus lábios deveriam bravejar!
Porque teu silencio,
Tomou conta do meu corpo,
E meu calor em forma de alma...
Já não aquece outras formas.
Agora,
Tão pouco o peso das moedas,
Faz diferença.
O algodão e a seda,
Não me fazem sentir importante.
E tudo o que vejo é você,
Tudo o que me cerca é escuridão...
Tudo parece simples,
O ar, leve e puro!
Não há palmas para meu ego,
Nem espectadores para meus gestos.
Somente tu!
Nua e silenciosa, tomando meu corpo...
Por carne podre.
Sem ao menos se importar,
Com um nome, uma posição ou passado feito.
Sou mais uma peça,
Que não se completa nos teus caprichos.
Sou agora...
Mais uma história a ser coletada,
E esquecida.
Assim como tu, triste noite!
Que ao amanhecer,
Levara contigo toda forma de vida...
Mesmo sendo nova ou velha,
Nunca compreendida.
Pablo Danielli

Anacrônico



Aparou as arestas que a vida insistia em lhe fazer sobrar, forrou o chão com recortes de lembranças que desejava esquecer, mesmo que isso significasse alguns segundos de paz.

Respirou uma, duas, três vezes... Roubando o ar de toda terra para si, mostrando ao mundo que aquele momento era apenas dela e de mais ninguém. Não haveria substancia magica ou palavra escrita que a fizesse mudar de ideia, de rumo ou de sorte.

No jogo da vida, os dados ao rolarem na mesa, hora davam números pares e em alguns momentos cambaleavam quase bêbados números impares... Fazendo dar um pouco de sentido a bagunça quase perfeita, que eram seus romances e sua vida.

Arrastava seus pés para além da terra de sua imaginação e sonhava com dias anacrônicos, para ser a gota de cor no meio de uma multidão perfeita com suas vidas feitas de cristal.

O que cheirava a velho e antiquado como seus livros, tinham mais valor... Parecia que cada pagina compunha um pedaço de sua vida, cada passar de mão por capas, fazia se sentir mais inteira e mais forte. Dentro de seu pensar, além de seus segredos íntimos, estavam à fonte de toda sua força, escondido quase sufocado pelo dia a dia, lá aonde não se poderia tocar, estava sua imaginação.

Não estava pronta para sentir uma vida, com textos de romantismo apelativamente baratos, desejava o requinte de ser única, o glamour de só ela saber, como é se sentir de uma forma desesperadamente viva.

Capturar na retina, a imagem delirante que apenas uma alma capaz de entrar em ebulição pode sentir. Enquanto algumas buscam o ar de purificação, ela diferentemente, gostaria de sentir todos os pecados do mundo. E para isso, sabia que além de viver, é necessário abrir os olhos.


Pablo Danielli

Tons de laranja e vermelho

E a chama que tomava conta do meu corpo, destruiu as fronteiras da carne, espalhou-se pelo ar e pintou aquele por do sol, com tons de laranja forte, quase vermelho! Foi impossível não guardar na retina o belo quadro que a vida me presenteou, a mistura do vento com as ondas do mar, transformou em sinfonia todo o silêncio que eu guardava dentro de mim.

Por momentos fui maior, por momentos fui mais forte que a própria terra, na qual me sustentava úmida e terrivelmente fértil, pela brisa que me empunha lagrimas aos olhos, pela brisa que tocava o solo, assim como as lembranças que iam e vinham, transformando aquele exato momento em um balé, com movimentos tão sutis, tão encantadores, capaz de esconder toda a dor de uma pobre sombra ao viver aquela dança.

Não existia qualquer possibilidade de medir o tempo, não havia ao menos motivos possíveis para fazê-lo, apenas eu, o horizonte e a vida. Em algum tipo de ritual tão simples que chegava a ser complicado compreender o quão profundo e complexo era este sentimento. Segundo, minutos, horas, tudo tão superficial, distante da realidade que me foi apresentada, que as rugas, feitas pela maresia, já não me importavam mais, apenas o momento, apenas respirar aquele momento.

Não existia tecnologia capaz de me tirar deste transe, não existia apelo forte o suficiente para fazer com que eu me levantasse daquele lugar, no qual eu me encaixei perfeitamente, no qual foi feito de uma forma perfeita para mim. A humanidade era apenas mais um objeto que compunha um cenário inimaginável de tranquilidade interior, sem apelos, sem atritos, apenas paz, tão completa e real que aos poucos me surgiam sorrisos, em tons laranja e vermelhos de pura e simples alegria.

Pablo Danielli

sábado, 11 de julho de 2015

"Não é apenas um olhar, é uma forma de sorriso de quem apenas não decidiu chorar".
Pablo Danielli

Despertar



“Depois daquele dia, decidiu que nada mais escreveria para ela, pois se o amor pode lhe ferir ao invés de fazer-lhe sorrir, não poderia demonstrar tais sentimentos por alguém tão frio.

Jurou por Deus, que jamais as flores pagariam por tal pecado, hora morno, hora um amor sem laços, desatou a fita que lhe vendava, podendo assim, sentir a verdade. E por vezes a verdade faz arder até mesmo o mais puro sentimento.

Com um pouco do que sobrou em seu copo, gole a gole, experimentava os arranhões, ali tão presentes, que insistiam em sair de sua alma, tornando as lágrimas um dia azedas em presente tão doce.

Coube distribuir apenas o que restou para o mundo novo, sorriu e sorriu, meio amarelo, de canto e sem graça, como quem diz que depois de palhaço, resta apenas distribuir risadas. Tamanha foi sua sorte, que não poderia imaginar, em sua pequena platéia, mesmo com um espetáculo tão sem graça, alguém admirou seu sofrer.”


Pablo Danielli


sexta-feira, 10 de julho de 2015

Curta - Metragem

Curta-metragem A ideia de conflito de pensamento do jovem, não importando se é cidade grande ou pequena...Que os pensamentos são parecidos, e a motivação pela vida pode levar a novas descobertas. Uma viagem que levará ao descobrimento do próprio ser. Cada segundo é único e cada segundo sentindo inesquecível.



quarta-feira, 8 de julho de 2015

Amores enlatados





Peça teatral comédia/drama, uma critica baseada na utilização de redes sociais e demais sites de relacionamentos para encontrar pessoas. Conta á história de uma mulher que não consegue arrumar namorados, assim procurando um novo método e com a ajuda da amiga acabam encontrando pessoas de diversos tipos e entrando em situações inimagináveis.



Link para peça

Cruzes

Cruza a vida
Cruzes á morte!
Tropeça nas escolhas
Joga com a própria sorte!
Pablo Danielli

terça-feira, 7 de julho de 2015

Plantar


Soar como Cancão

De fato
Os galhos moveram-se
Com o tocar do vento.

Como não poderia deixar de ser
Algumas folhas, foram ao chão...

Assim
Como amores,
Sentidos em uma tarde qualquer...
Como promessas que nunca foram ditas.

Perderam-se com o vento
Que carregado de emoção,
Pelo caminho toca os galhos
Ouvidos e coração.

(Em alguns momentos...
Juro por segundos,
Soar como canção).
Pablo Danielli

Miséria

Na terra da oportunidade
Reina a miséria!
No clima tropical
Tudo é inferno!
Sorrisos de propagandas
Forjados por lagrimas,
Sem pena dos miseráveis.
Aonde vinte comem
Meia duzia trabalham,
Assistencialismo barato
A peso de ouro,
Carregado por poucos tolos
Que se dizem espertos.
Mas são como marionetes
Do teatro corrupto nacional.
Vestem dinheiro
Cagam orgulho,
Com a falta de pensamento
Somem a coerência das palavras.
Hastear a bandeira
Mão no peito, fingir um hino,
Baixar as calças
Enquanto te fode
Á pátria amada!

Pablo Danielli

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Apaixone-se pelo gesto e não pelo objeto!

Deixe de lado as revistas e os blogs de beleza, o apelo da mídia por corpos definido como “perfeitos”.  Não há motivos para simplesmente esquecer o ser e cultivar o ter, apenas uma marca, uma forma de esconder nossas carências afetivas.

O melhor sapato, o melhor perfume e a melhor roupa, itens que são esfregados em nossa cara como forma de ser uma pessoa melhor, custa tempo e vida para comprá-los, embora tudo isso se acabe com o tempo assim como nossos corpos.

Pratique esporte para ter uma vida saudável, vista-se para sentir-se confortável não simplesmente para sentir-se importante. Deixe o detalhe preencher este espaço, aquela falha (marca) que apenas você tem e lhe torna único.

Isto é o que deve realmente encantar, o gesto... E o resto não passa de item de colecionadores de decepções, de invejas, de lagrimas e rancores.

Um bom carro pode te levar a muitos lugares, mas somente os pés molhados pela chuva, fazem você lembrar-se de como é bom ser humano. Não há motivos de temer aquilo que nunca tivemos, nunca vivemos e nunca sentimos.

Desapegue-se do material e cultive o essencial, ninguém vive sem amor, sem carinho, o dinheiro abre portas, o abraço abre corações.
Cultive a mente, o coração e sorriso e não se preocupe com á lagrima deixe-a cair para semear.

 Trouxemos para o mundo, apenas nosso corpo ao nascer e ao morrer nem ele levaremos, então que fiquem ao menos as lembranças, alimentemos a alma, porque o corpo, esse é objeto.
Pablo Danielli

Retratos

Jogou pedra na cruz
Palavras ao vento,
Olhares vazios.
Trocou a roupa
Escolheu os sapatos,
Enfeitou as palavras.
A melhor marca, o melhor sonho,
A unica forma individual de viver.
O coração blindado
O sentimento escondido,
Para dar valor a insignificâncias.
Apagou a luz, deitou e dormiu,
Mais um dia perdido, obsoleto e vazio,
Escolheu ser mais um retrato na parede
Do que uma cor perdida, que pinta alegrias,
Na paisagem cinza da vida.
Pablo Danielli

Tem fé

Tem fé
Tem dó,
Tem força!

Contra o uso
Da ignorância!

Contra a arma
Politica!

Contra a policia
Armada!

Tem fé!
Que pra violência
Do dia...

Tem a paz e a lagrima
Da madrugada.
Pablo Danielli

sábado, 4 de julho de 2015

Mentes estranhas

Assim, sob a luz cinza...
E com o vento cortante do inverno,
Trás a vida, quem nem ao menos existia.
Corações gelados ignoram,
Mentes frias fingem não ver...
Entre uma esquina e uma marquise,
Uma calçada esburacada, um buraco de vida,
É quase gente, quase enfeite da cidade.
Indigente que é incomodo,
Para aqueles que não conseguem perceber...
Que a fome e o frio, não são de cultura.
E lagrimas não matam a sede,
De vida, de amor, de sentir-se humano.
Mentes estranhas, mentem...
Que correm atrás de sonhos,
Para se esconder.
Enquanto alguns
Fingem existir...
Para sobreviver.


Pablo Danielli

Pulsar

Quantos desejos são necessários
Para cicatrizar a carne?
Que caminhos, os dedos devem percorrer,
Para sentir o calor?
Quantos lábios,
A mentira é capaz de tocar?
A boca pode negar,
Mas olhares e corpos entregam...
Para sentir o corpo pulsar,
É preciso arriscar.
Deixar tombar a razão,
Para ter um pouco de emoção.
Pablo Danielli

Cirandas


Uma constante caminhada
Contraste de luz,
De entre brilhos no olhar.
Retratos em preto e branco
Misturados ao colorido da vida.
Retalhos de um coração desejado
Pelo amor, pela dor, pelo calor,
Cirandas de algo, que nunca se deixou.

Pablo Danielli

sexta-feira, 3 de julho de 2015

O conto

O melhor conto desatado sobre a vida, feito no ultimo momento de alegria, era na verdade uma grande e inédita mentira. Contado a conta gotas, para saciar de palavras bonitas os ouvidos de quem os ouviam, lambuzar a boca de quem o proferia. Meias palavras, compostas por mentiras inteiras, feitas sob medida para conformar, agradar, muito mais que velhos livros, com novas formulas de autoajuda.
Falava sobre tudo o que a mente imaginava e mentes apaixonadas conseguem fazer algo que muitas outras evitam no seu dia a dia, mentes dopadas conseguem voar! Deixam à caretice dos gestos decorados e mecânicos a margem dos sonhos.
Cria-se todo um universo com nomes, momentos e prazeres. Insaciável vontade de ser feliz, faz de qualquer mulher uma meretriz, qualquer homem um cafetão. Mistura-se boa postura com verdade nua e crua e nesse conto, a verdade machuca muito mais que poucas frases de impacto. Feitas como encomendas, entregues diretamente a qualquer ser que trate a vida com certo desdém.
Os parágrafos datilografados com letras e mais letras que se embaralhavam as incertezas, faziam o homem pensar e a mulher chorar. Um mundo de palavras, casas feitas com vírgulas e pontos, prazeres que se misturavam a virada de uma pagina.  Um orgasmo em forma de ponto final!
O conto não tinha nenhuma obrigação, não fazia questão de ser diferente, não tinha pretensão de ser o que não merecia ter. Era apenas feito para cumprir sua função, emaranhado de histórias, felizes, tristes, que faziam amar, odiar e sentir.
Julgado, criticado e depreciado pelos que não conseguiam ver além de um pedaço de papel, sociedade feita de pré-conceitos, estabelecidos por seres que não conseguiam criar, para tanto tentavam podar a imaginação, que aquelas paginas traziam consigo. O conto seguia sua rotina, passando de mão em mão, dedos diferentes buscavam o mesmo resultado, imediato como se fosse um remédio, uma formula na qual ele não fazia parte.
Mas para ele próprio, se considerava apenas uma folha, um conjunto de memorias, mesmo que outros insistissem ele desejava apenas cumprir com a sua função de ser apenas e justamente um conto.
Pablo Danielli

tempo

Outros tempos,
Tempos difíceis,
Tempos controversos?
 Tempos que não são
Como outros tantos!
 Nem ao menos tão bonitos
Ou lentamente feios,
 Quanto se espera deles o tempo todo.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Sentir a verdade

Certas vezes a loucura bate
Outras tantas a realidade,
E você vai seguindo sem saber
Se é cedo ou tarde, pra mudar a vida,
Pra sentir a verdade.
Pablo Danielli

Universo


“Cada um tem a parte que lhe é cabida no universo, nem mais, nem menos”.


Pablo Danielli

Menino da vida

O menino sorriu,
O menino dormiu,
O menino sonhou,
O menino chorou,
Sentiu frio,
Sentiu fome,
Sentiu falta de amor,
Sentiu falta do calor,
Sentiu-se abandonado,
Desolado e jogado,
Vivendo como um rato,
Menino de rua,
Menino drogado,
Sem lar, sem paz, sem pais,
Mais um famigerado,
Menino da vida,
Menino de Deus,
Apenas abandonado,
A própria sorte deixado.
Pablo Danielli

quarta-feira, 1 de julho de 2015

QUANDO A ESTRUTURA FRACASSA

Quando quem devia lhe dar suporte é quem na verdade oferece as costas, quando não há para onde correr, a quem recorrer, a pergunta que se faz é o que fazer? Democracia não é tão somente aceitar tudo, mas saber que questionar, opinar e buscar soluções faz parte desta palavra. Vivemos eventos que não se podem mais esconder, vivemos uma nova realidade, um despertar que somente o tempo nos dirá pra que direção nos levará.

Aprendemos deste o tempo de colégio, que todos participamos de uma democracia, temos hierarquias e nossos representantes são eleitos pelo voto popular. Aprendemos a respeitar leis e que de certa forma temos direitos e deveres, o que a principio no papel parece ser lindo e eficaz.

Passa o tempo e acabamos por descobrir, que é função do governo garantir bom atendimento na área de saúde, segurança para todos e educação de qualidade, inevitavelmente começamos a nos deparar com questionamentos, se é função do governo aplicar a pesada carga tributaria para o bem do povo, por que o povo não o recebe da forma correta?

Vemos com o passar das eleições que entra partido e sai partido, as ideologias nas propagandas são diferentes, mas as atitudes na realidade são as mesmas. Acusações de privatizações e corrupção.

O governo é uma estrutura que teoricamente não visa lucro, ele recolhe impostos e com estes impostos ele melhora a qualidade de vida de seu povo. Quando ele privatiza ou terceiriza um serviço, ou entrega um bem publico para ser dirigido por pessoas do núcleo privado o foco muda, passa-se a visar o lucro, pois diferente do governo empresas que assumem esse papel visam cifras e muitas vezes não o beneficio do povo.

Mas os impostos não diminuem mesmo essas estruturas estando administrados por terceiros, uma despesa a menos para o governo e uma carga tributaria a menos para o povo, um bom sonho. Mas não basta apenas demonstrar incapacidade de gerir a maquina publica, é necessário corrompe-la, desviar a verba publica.

Hoje em dia a politica é vista como uma forma de enriquecer, muitas pessoas entram nesse meio não para melhorar suas cidades e estados, mas porque sabem que os salários fora da realidade o farão mudar de patamar, ter melhor vida, já que o trabalhador comum pena com uma renda que beira o vexatório.

As manchetes de revistas e jornais são sempre as mesmas, denuncias e mais denuncias, apenas um reflexo das escolhas mal feitas e da cultura imposta no país. Mas em determinados momentos, raros momentos a estrutura racha, fica praticamente insuportável suporta-la, é quando os protestos começam a ganhar força.

Está escrito na história do mundo, grandes mudanças somente acontecem quando o povo se une por um ideal, não importa a nação, quando as pessoas chegam ao seu limite, quando elas saem do estado de letargia se dá inicio a mudanças significativas na estrutura e na cultura de um país.

Isto não é mais raro de acontecer, com o avanço da comunicação, do esclarecimento, da informação na velocidade da luz, está cada vez mais rápido tomar conhecimento da dilaceração que existe na politica. O que nos remete a varias perguntas como se estamos no modelo de economia certo, se estamos no modelo politico correto e se estamos no modelo de sociedade ideal.

Ter cidadania, ser justo e correto nem sempre é aceitar o que se apresenta como verdade, é questionar e buscar mais respostas, e se não encontra-las, exercer o direito legitimo de liberdade de expressão. Talvez as pessoas tenham confundido, pagar impostos, calar-se diante das indiferenças, estar confortável em seu sofá muitas vezes é estar tendo uma existência mecânica, viver muitas vezes exige riscos e sentir-se vivo é lutar pelos seus ideais, mesmo que muitas vezes sozinho.

Pablo Danielli

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