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quinta-feira, 23 de julho de 2015

A certeza do errado.

A certeza do errado.

Em outros tempos, não muito distante desses vividos, existiam formas menos intensas e rápidas de comunicação. Telefone discado, carta e quando muito relevante a opinião de uma pessoa, (geralmente especialista) por meio de radio ou televisão.
Pois bem, a velocidade da tecnologia nos trouxe comodidades e meios aprimorados de comunicação. Novos pensadores surgiram, novas formas de diálogos se criaram e novos verbetes foram agregados ao dicionario.
Em um espaço curto de tempo a escrita sofreu variações que em décadas e seculos não havia passado. Porém o pensamento humano não acompanhou esta transformação, somos boçais ao pensar com um ferramenta de tecnologia de ponta. O resultado não poderia ser outro, se não  o da completa falta de educação e respeito.
O teclado se transformou em uma metralhadora capaz de ferir mais gente por segundo que a guerra é capaz de fazer. A tela do computador é como um capuz aonde o ser se esconde para destilar ódio, raiva e disseminar criticas sem nenhum fundamento.
Mas a vida real não reflete a virtual ao menos não a luz do dia, somos cordeiros sem a tecnologia e lobos ao te-las em nossas mãos. Nunca se teve tantos especialistas sem diplomas em diversos assuntos  como se observa agora, todos são juízes e ninguém gosta se ser julgado.
Tais fatos apenas mostram um caráter individualista, egoísta e pobre mentalmente do ser humano que somos, ao final de tudo somos todos animais irracionais. Somos bons em criticar, julgar e executar sem questionar.
Essa raiva toda contida e destilada nas teclas, a necessidade constante de estar certo, de massacrar o desconhecido com uma foto nas redes sócias, sem saber sua história, sem ter o conhecimento de suas dificuldades, sem ao menos ter a certeza do que se fala, demonstra um desvio de caráter e uma falta de compreensão do mundo em que se habita absurda.
O homem que reza na igreja é o mesmo que agride no estadio de futebol, a mulher que acaricia seu filho é a mesma que ofende a outra por causa da inveja, o jovem que aparentemente é um bom filho é o mesmo que usa da violência por não aceitar a escolha sexual do seu semelhante.
O tronco, o chicote e a algema apenas trocaram de forma, a faca o revolver e a corda apenas foram substituídos por uma rede inviável, usada para muitas vezes proteger o covarde que não tem coragem de faze-lo na vida real, assim o mundo virtual é um terreno sem lei, sem dono, um faroeste a moda antiga.
São tantos tipos diferentes de agressores,  que a internet foi o único instrumento capaz de junta-los em um espaço virtual, para se enfrentarem em uma batalha diária de ofensas, irracionalidade e incertezas. Que a conclusão plausível que se pode obter é que a única certeza que se pode ver, é que todos estão errados.

Pablo Danielli



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