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sexta-feira, 17 de julho de 2015



E a chama que tomava conta do meu corpo, destruiu as fronteiras da carne, espalhou-se pelo ar e pintou aquele por do sol, com tons de laranja forte, quase vermelho! Foi impossível não guardar na retina o belo quadro que a vida me presenteou, a mistura do vento com as ondas do mar, transformou em sinfonia todo o silêncio que eu guardava dentro de mim.


Por momentos fui maior, por momentos fui mais forte que a própria terra, na qual me sustentava úmida e terrivelmente fértil, pela brisa que me empunha lagrimas aos olhos, pela brisa que tocava o solo, assim como as lembranças que iam e vinham, transformando aquele exato momento em um balé, com movimentos tão sutis, tão encantadores, capaz de esconder toda a dor de uma pobre sombra ao viver aquela dança.


Não existia qualquer possibilidade de medir o tempo, não havia ao menos motivos possíveis para fazê-lo, apenas eu, o horizonte e a vida. Em algum tipo de ritual tão simples que chegava a ser complicado compreender o quão profundo e complexo era este sentimento. Segundo, minutos, horas, tudo tão superficial, distante da realidade que me foi apresentada, que as rugas, feitas pela maresia, já não me importavam mais, apenas o momento, apenas respirar aquele momento.


Não existia tecnologia capaz de me tirar deste transe, não existia apelo forte o suficiente para fazer com que eu me levantasse daquele lugar, no qual eu me encaixei perfeitamente, no qual foi feito de uma forma perfeita para mim. A humanidade era apenas mais um objeto que compunha um cenário inimaginável de tranquilidade interior, sem apelos, sem atritos, apenas paz, tão completa e real que aos poucos me surgiam sorrisos, em tons laranja e vermelhos de pura e simples alegria.






Pablo Danielli

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