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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O direito de errar



Há... Seres desprezíveis! Que visam sua própria comodidade, que fazem politica barata e que exploram o povo. Com discursos aveludados, que com uma mão acariciam enquanto com a outra tiram...

Sim, esses seres de moral celibatária, inquestionáveis e que podem tudo em nome de um único proposito, cada dia que passa me convencem mais e mais de que são os donos da verdade, do mundo e da sociedade.

Classes opressoras que fazem politica doutrinadora nas escolas, que invadem casas, bairros e cidades com falsos pretextos de salvadores. Há... Se nossa ignorância não fosse tão grande!

Ao povo o que é do povo, aos políticos o que ao povo já não pertencem mais, e para os donos dessa moral inquestionável, toda nossa dignidade e vergonha por optar pensar de forma diferente da deles.

O direito do erro, agora pertence somente aos cães raivosos com falso discurso moralista que prega a paz. O direito de tomar, de matar em prol de um discurso comum, de um ideal comum, é apenas desses seres que espumam “sabedoria” pelas suas mandíbulas sedentas de capital opressor.

Com um discuso que não tem sustentação pratica, com militantes que não praticam o próprio dizer, parece que apenas o que importa é ouvir o som da própria voz.

O que importa é distorcer feitos históricos de suas doutrinas, esconder os esqueletos em baixo de camas de quem não tem a mesma fome de poder.

Vocês que tem uma luta histórica, que transcende décadas, apenas vocês tem o direito de errar, de poder dizer que pessoas não souberam aplicar sua doutrina e continuar a espalhar miséria e fome por onde passam.

Mais uma vez, a tentação do poder, do dinheiro fácil por meio de países subdesenvolvidos bate a sua porta. Uma vez mais sua razão histórica faz aflorar o desejo de controle absoluto do gozar da vida.

Como uma praga que toma de assalto qualquer lugar que tenha recursos dos quais possa aproveitar, acabando com os recursos naturais e com o trabalho das pessoas, uma peste negra que tira ate a ultima gota de vida e suor de quem ali se encontra, sem força para se levantar.

Depois procura outro pais para impor suas ideologias, assim destruindo qualquer possibilidade de vida, com o discurso de que por onde passou não deu certo porque as pessoas não souberam aplicar suas ideias puritanas.

Sim fantasma silencioso, é apenas teu o direito de errar, porque nas paginas da historia não passas de um sombra que cobre a visão de pessoas desavisadas. Tenta se reinventar com o passar dos anos, tenta abraçar causas que nunca foram tuas na expectativa de arrebatar novos “fãs”.

Mas assim como uma febre que acaba quando medicada, tua doutrina se esvai pelos segundos, horas e dias da história, pelo simples fato de que um dia todos terem que trabalhar para ter o próprio sustento.

Mas sim caro fantasma, tua moral é questionável, o teu direito de errar é questionável, porque nasceste de um ser cuja única tarefa de vida foi viver da desordem e da sombra de outros.

Há se teus seguidores e árduos defensores fingissem não saber de tua vocação parasita, de teus muitos lideres sem escrúpulos e assassinos, talvez assim o direito de errar fosse dado a nós cidadãos comuns, talvez a moral há ser questionada não fosse a nossa e sim a qual vocês ousam dizer ter direito.

A única revolução possível é feita pela liberdade do ser e a coleira a qual usufrui, parece ser apertada demais para o atual mundo em que vivemos.

Então porque como um derrotado, insiste em permanecer na cabeça de falsos “profetas” que apenas usam do dinheiro publico, escondendo suas fortunas dos olhos dos outros, para não ter que dividir com o próximo?

Livra o mundo de tuas correntes, elas impedem as pessoas de buscarem vida aonde só existe miséria e morte, alivia o próximo do peso de tuas ferramentas, não percebe que teu rancor, transforma tudo em dor?

Mas eu sei, que enquanto existir mentes manipuláveis, pessoas com fome de poder, tu ainda há de existir! Não tenho duvidas de que enquanto houver governos corruptos, com lideres sem escrúpulos, tu ainda há de existir!

Não tenho duvida de que enquanto existir pessoas com o intuito de sugar da maquina do estado, sem precisar mover um dedo para isso, tuas lembranças continuarão a rondar.

Por que, enquanto vozes que deveriam falar se calam, diante da tua opressão e nada fazem, teu fantasma ainda continuara a sombrar.
Pablo Danielli

terça-feira, 29 de setembro de 2015


Calcanhares


Lentamente os calcanhares tomavam o corpo de assalto, voltando os passos dados, como uma tentativa de retroceder no tempo. Em vão, assim como o olhar lançado ao espaço vazio, cortando os sentimentos confundidos, em alguns momentos parecia ser amor e em outros parecia apenas mais uma noite de solidão.

Não havia a possibilidade de um dialogo por menor que fosse a vontade, pois as palavras não faziam qualquer questão de confortar. Era apenas alguém, um objeto, como tantos outros, que ali se deitaram na esperança de esquentar um corpo, preencher um coração, fingir uma emoção.

Crônicas absurdas lidas ao avesso, mais parecidas com notas musicais tortas, para combinar com a imperfeição dos corpos e todos os defeitos que se tentavam esconder, mesmo com o apagar das luzes, o escuro consegue enganar os olhos, mas não consegue confundir a mente.

Não há roupa ou maquiagem suficiente, para tapar tantos prazeres que a carne, mesmo a boca dizendo não, insiste em se entregar. Pode ser um alguém, pode ter um nome ou ser dono de um sorriso, logo abandonado, logo esquecido e quando acaba a sede, por momentos se mostra triste.

Olha as paredes, observa o teto, faz criticas pela falta de organização, pela falta de bom gosto na decoração. Fala e revela para si mesmo que aquela é a única vez, a ultima tentativa de ser mais individuo vazio.

Pensa em alguma desculpa, sem a necessidade de ser convincente, apenas como rota de fuga ou ponto final. Imagina uma boa cerveja gelada esperando por você. Não se importa em saber que não haverá próxima vez.

Essa é a vida, são assim que as escolhas ditas banais são feitas, parecendo filmes com roteiros programados. Ouve um sussurro ao fundo, mesmo tentando ignorar, responde com a voz calma, para não entregar... Vai fechar a porta, não vai ligar e se o acaso ajudar, será apenas um pecado a mais para perdoar.



Pablo Danielli

Palestra SESC Medianeira

segunda-feira, 28 de setembro de 2015


O conto

O melhor conto desatado sobre a vida, feito no ultimo momento de alegria, era na verdade uma grande e inédita mentira. Contado a conta gotas, para saciar de palavras bonitas os ouvidos de quem os ouviam, lambuzar a boca de quem o proferia. Meias palavras, compostas por mentiras inteiras, feitas sob medida para conformar, agradar, muito mais que velhos livros, com novas formulas de autoajuda.

Falava sobre tudo o que a mente imaginava e mentes apaixonadas conseguem fazer algo que muitas outras evitam no seu dia a dia, mentes dopadas conseguem voar! Deixam à caretice dos gestos decorados e mecânicos a margem dos sonhos.

Cria-se todo um universo com nomes, momentos e prazeres. Insaciável vontade de ser feliz, faz de qualquer mulher uma meretriz, qualquer homem um cafetão. Mistura-se boa postura com verdade nua e crua e nesse conto, a verdade machuca muito mais que poucas frases de impacto. Feitas como encomendas, entregues diretamente a qualquer ser que trate a vida com certo desdém.

Os parágrafos datilografados com letras e mais letras que se embaralhavam as incertezas, faziam o homem pensar e a mulher chorar. Um mundo de palavras, casas feitas com vírgulas e pontos, prazeres que se misturavam a virada de uma pagina. Um orgasmo em forma de ponto final!

O conto não tinha nenhuma obrigação, não fazia questão de ser diferente, não tinha pretensão de ser o que não merecia ter. Era apenas feito para cumprir sua função, emaranhado de histórias, felizes, tristes, que faziam amar, odiar e sentir.

Julgado, criticado e depreciado pelos que não conseguiam ver além de um pedaço de papel, sociedade feita de pré-conceitos, estabelecidos por seres que não conseguiam criar, para tanto tentavam podar a imaginação, que aquelas paginas traziam consigo. O conto seguia sua rotina, passando de mão em mão, dedos diferentes buscavam o mesmo resultado, imediato como se fosse um remédio, uma formula na qual ele não fazia parte.

Mas para ele próprio, se considerava apenas uma folha, um conjunto de memorias, mesmo que outros insistissem ele desejava apenas cumprir com a sua função de ser apenas e justamente um conto.


Pablo Danielli

LUZES VERMELHAS


Algumas marcas ficam, persistem e invadem o intimo. Detalhes de uma vida, um dia, uma noite, uma realidade ou mentira, vivida só ou a dois. O segredo por trás do sentimento, o sentimento por trás das escolhas, uma forma oculta de se viver, ser julgado, sem direito a defesa, culpado por tentar sobreviver.

Luzes vermelhas, letreiros em neon, mais uma rua, mais uma esquina, uma palavra, uma saída. Caminhar sutil, que fere a calçada, alienado diante da vida, uma ou duas janelas entre abertas, vento que invade a intimidada, insanidade.

Entre tantos porquês, ninguém parece se importar se é noite ou se é dia, produto corrosivo a tal da alegria, prazo de validade contado em porcentagem conforme passa o dia. Lábios que ferem, olhares que matam, pelas indiferenças, pelo dinheiro que vem em busca de um falso amor, que se esvai por bueiros entupidos de uma cidade fantasma.

Não há santo que faça milagre, nem crucifixo na parede que perdoe. Uma fé lascada e despedaçada, confundida com a solidão de suas lagrimas. Segundos vividos em preto e branco, sem significado algum, sem pudor ou possível orgulho que possa ainda querer respirar.

Junta os cacos daquele belo vaso, tenta selar seu destino, além do azar que lhe impõe a mão sobrecarregada do acaso. Jura uma vez mais erguer os olhos, mesmo com seu intimo dilacerado, por seres vazios.

O passar dos ponteiros mostra que não há espaço para sentimentos baratos e que levantar mesmo com suas cicatrizes é para pura e simplesmente tentar sobreviver.

Pablo Danielli

domingo, 27 de setembro de 2015

Calos

Os calos dos pés não folgavam e suspiravam lamentos, por entre os furos dos sapatos surrados. A cada pisar o ar saia em uma desorganizada sincronia, entre os dedos que se esfregavam e diziam:

Vida vadia!
Vida vadia!
Vida vadia!

Há muito não sabia o significado da vida mansa, escolheu não seguir regras e ficou escravo de suas palavras. Açoitando seu corpo para sempre, ir em frente e nunca olhar para trás, como se trás fosse passado, fosse outra vida e não aquela coisa com planos que deram errados.

A cada passo no asfalto que queimava, sua mente pensava: Não há sol que sufoque para sempre e nem chuva que eu sempre lamente. Há muito tempo sem saber o que é sentir, não poderia imaginar se seus dedos ralados ou seus sentimentos dilacerados o impediam de ver e crer no homem que aparece no comercial da TV.

Mas não se sentia estranho, tão pouco diferente, entre tantas pessoas vazias o seu vazio preenchia algum espaço, um corpo frio. Em meio a tantos olhares sem sentido, ainda possuía sua liberdade falsamente vivida.

E a cada passo dado seus pés repetiam:

Vida vazia!
Vida vadia!
Virou rotina!


Pablo Danielli

Anacrônico

Aparou as arestas que a vida insistia em lhe fazer sobrar, forrou o chão com recortes de lembranças que desejava esquecer, mesmo que isso significasse alguns segundos de paz.

Respirou uma, duas, três vezes... Roubando o ar de toda terra para si, mostrando ao mundo que aquele momento era apenas dela e de mais ninguém. Não haveria substancia magica ou palavra escrita que a fizesse mudar de ideia, de rumo ou de sorte.

No jogo da vida, os dados ao rolarem na mesa, hora davam números pares e em alguns momentos cambaleavam quase bêbados números impares... Fazendo dar um pouco de sentido a bagunça quase perfeita, que eram seus romances e sua vida.

Arrastava seus pés para além da terra de sua imaginação e sonhava com dias anacrônicos, para ser a gota de cor no meio de uma multidão perfeita com suas vidas feitas de cristal.

O que cheirava a velho e antiquado como seus livros, tinham mais valor... Parecia que cada pagina compunha um pedaço de sua vida, cada passar de mão por capas, fazia se sentir mais inteira e mais forte.

Dentro de seu pensar, além de seus segredos íntimos, estavam à fonte de toda sua força, escondido quase sufocado pelo dia a dia, lá aonde não se poderia tocar, estava sua imaginação.

Não estava pronta para sentir uma vida, com textos de romantismo apelativamente baratos, desejava o requinte de ser única, o glamour de só ela saber, como é se sentir de uma forma desesperadamente viva.

Capturar na retina, a imagem delirante que apenas uma alma capaz de entrar em ebulição pode sentir. Enquanto algumas buscam o ar de purificação, ela diferentemente, gostaria de sentir todos os pecados do mundo. E para isso, sabia que além de viver, é necessário abrir os olhos.

Pablo Danielli

sábado, 26 de setembro de 2015


A deriva


Os olhos grandes e negros olhavam fixamente para o espelho, buscando como em uma ultima tentativa encontrar ao menos um pequeno fecho de luz. Mas o anoitecer ao que parece, muda não só o dia, mas a sensação de vida dentro si mesmo.

Esperava há muito tempo por uma resposta, um sinal... E em meio à cidade feita de um mar de concreto e sujeiras, nenhum farol para indicar o caminho, apenas mais um corpo a deriva, a espera, a espera...

Do alto do seu reino de poucos metros quadrados, era capitão de si mesmo e um naufrago, do que diz respeito a sua vida. Ao desviar seu olhar para a janela percebe que seu corpo esta pesado e sua garganta não ousa dizer uma palavra se quer.

O peso dos sentimentos que nunca foram colocados a prova faziam se afogar lentamente, um fardo que o puxava cada vez mais para o fundo e não era capaz de largar tudo aquilo. Ao que parece todos temos nossas pequenas riquezas para se apegar em um momento de quase vida.

Os braços lentamente se moviam, em um movimento quase que sutil de quem não tem muita força dentro si, abrindo lentamente a janela na esperança de que o vento lhe traga um sopro de vida, embora demonstre receio no que possa sentir.

Uma voz absurdamente sedutora rasga o silencio do seu pensar, mesmo sendo quase impossível de outras pessoas ouvirem, um grito de socorro em forma de pedido lhe é feito:

- Volta para a cama! Volta para a cama!

Vira seu corpo em direção à voz e pensa consigo mesmo questionando, se isto era um pedido de alguém que tem medo da solidão ou apenas de quem quer ter um pouco mais de prazer mesmo sem compreender o quão profundo aquele gesto possa significar.

Mal sabia nadar no mar de suas emoções e teria que servir de bote salva vidas para mais uma pessoa, ironicamente a sua única conquista naqueles dias frios e de tempestade dentro do seu corpo.

Os passos que fizeram o trajeto, pareciam desbravar aquilo que a muito tempo parecia perdido e confuso, de forma quase que mecânica fechava seus olhos na esperança de se mostrar forte o suficiente para servir de porto.

Em um abraço aonde mais parecia que dois corpos tentavam se envolver para não serem atingidos pela fúria da cidade, a carne era pressionada quase unindo as duas almas.

Naquela noite ambos pareciam estar a salvos, naquelas horas que precediam mais um dia, suas aflições pareciam domadas, poderiam quem sabe ter forças para mais um mergulho no intimo de seus desejos, tentando ao menos por um momento, fugir da escuridão.


Pablo Danielli

Olhares perdidos


Entrelaçado com olhares perdidos, a liberdade perde o sentido quando se está sutilmente preso a um desejo. Embora bocas quando sentem somente se calam e fazem todo ar ser raro nos pulmões.


Quanto mais o desejo toma conta das mãos tremulas, o corpo fica embriagado e a mente fica trocando passos com as idéias, um lento e demorado ritual aonde não existe pudor, apenas vida.


O corpo escorrega pelo tempo e os segundos são como pequenos instantes que não se podem ser guardados em fotografias, a memória insiste que apenas ela possua tal prazer e não mais, os olhos.


Não há luz e a escuridão tão pouco se faz presente, apenas seu lábios, vermelhos e contendo toda carne que um homem pode desejar tocar. Viciantes e mortais e tão leves quanto o vento, que cortam tudo que toca deixando marcas, que não se podem ver.


Lentamente os olhos piscam, lentamente as mãos se movem, aos poucos os pés dominam o espaço que lhe é permitido. Como uma pancada inesperada o mundo torna a girar, o som e as sensações rotineiras e tão mortais quanto um veneno a conta gotas preenchem o ambiente.


Mas todo o espaço que ocupa com sua beleza continua intocável, como se nada pudesse abalar, uma mulher absolutamente devastadora. Cujo único mal que faz é deixar homens aos seus pés.


Puxo o ar lentamente tentando recuperar o fôlego, por um instante que não seria para sempre, que não seria mais que alguns segundos de absoluta felicidade.


Corro minhas mãos pelo balcão, seus olhos acompanham em um movimento sutil imperceptível a outras pessoas. Encosto meus dedos em um copo, aonde tendo buscar em meio à bebida, um não motivo para simplesmente tentar.


Sem perceber, dou-me conta que minha mente me trai e agora observo apenas suas costas, que revelam pouco, mas que a fazem desejar, seus passos lentamente carregam minhas vontades para longe.


Transformando toda tensão e imaginação em apenas mais um lugar, mais uma noite e mais um quase amor, que o tempo, o desejo e o momento, quase deixaram estar.


Pablo Danielli

Cai a noite

De toda morte que paira sobre o mundo, a única que nos preocupa é a do nosso próprio corpo. Mesmo que a insignificância da rotina e o apelo miserável do consumismo nos tomem como completos idiotas.

Ficamos a pensar que nossa fala não pode calar, nossos olhos não podem parar de desejar e tolamente coexistimos com falsas razões.

Esperando o cair da noite, o nascer do dia, de forma repetida e ininterrupta, como se tal fato fosse à salvação para nossos pecados. Alguns dias, rezamos mais e em outros tantos de forma vã, pecamos menos.

Estamos reféns de uma cegueira coletiva, aonde tão somente poderá dar-se ao luxo da visão aquele que ousar desatar os nós da mente.

Dias, anos, décadas e séculos correm livremente ao vento e tudo tende a ir e voltar, a história é recontada apenas mudando peças, mas é sempre a mesma e cansativa ladainha.


Pablo Daniell

sexta-feira, 25 de setembro de 2015



O silêncio absurdo
Penetra como uma faca
Na solidão!
Dilacerando
Suas certezas,
Expondo sobre a mesa
Sua inquietação.
A chuva caindo
O gotejar de sua torneira
Rompem o vazio,
Preenchido
Com a fúria irritante
Do caminhar das horas.
Um espelho
Que o desprezava,
Restos de vinho
Em uma arranhada taça.
Sobras
De duvidas,
Inacabadas.
Fechar os olhos
Abrir a mente
Saco de pancada da vida,
Há quem finja que aguente.
Fim trágico
Se conformar
Em ser mais um,
Como tanta gente.
A luz que brilha
É apenas um reflexo,
Da escuridão que se faz
Tão presente.


Pablo Danielli


Incógnita duvida
Não me conhece além dos pecados,
E tão pouco parece saber.

Mas é intima estranhamente
Assim como o tempo,
Inexplicavelmente desperdiçado.


Acompanha-me e dissipa-se nas duvidas
Escondido por entre noites,
É a sede pela luz
que a torna tão intrusa.

E dança comigo!
Como uma louca desconhecida,
Testando meus limites
Da dor, do prazer!

A cada vazio feito pelo medo
A morte tão fria, que me cerca
É o amor, que a vida
Nunca vai ter!

Pablo Danielli

quinta-feira, 24 de setembro de 2015



A morte corta o ar
Um corpo se perde
Frágil, mancha de lágrimas,
O pedaço que é proclamado
Seu resto de chão.
Sutil perda da sensibilidade
Cada sopro que nos toca,
Parte com ele um pouco
De nossa humanidade.
De todos os sonhos possíveis
O de sorrir sem motivos,
É o mais triste.
De todas as sensações perdidas
As causadas pelo próprio homem,
É o que eu mais faz almas perdidas.
De todos os olhares tortos
O Julgamento fica por conta,
Daqueles que se dizem superiores
Mas são pobres de espirito.


Pablo Danielli


Apenas mais uma sombra
Invisível á tantas outras
Que dormem.
Uma peça lascada
De uma cidade despedaçada.
Quadros vivos
De uma paisagem petrificada,
Pouco admirada
Lembrada ou amada.
Quem sabe ao amanhecer
Mais uma mancha de sangue
Se destaque na calçada.
Revestida por corpos
Pequenas diferenças
Que por hora não são nada.


Pablo Danielli

quarta-feira, 23 de setembro de 2015



Uma salva de palmas
Para o livro que geme,
O que fala e o que viaja,
O livro que te faz sonhar!
Sorte da pessoa e do ser
Que se deixar, por ele encontrar,
Iluminar por suas paginas.
Preencher sua mente
Com palavras, sabedoria!
Deixar de ser mais um na multidão
Para poder viver, mesmo que por instantes,
No mundo da imaginação.


Pablo Danielli


La fora a vida não para
La fora a vida trincada,
Insistentemente fingi que sorri.
Seja pela janela ou pela fotografia
Cinza que volta e meia fica suja,
Com cores e tintas que sem desejar, colori.
La fora os passos são invisíveis
O vento é frio e os abraços,
São tão rápidos que não se sentiu.
La fora os olhares são perdidos
A dor é inevitável, o desejo incontrolável,
Que a morte parece um caminho feliz.
La fora a vida é latente
Mesmo com tanta coisa
Fingindo ser gente.
La fora acontece a todo momento
Para quem não tem medo,
De arriscar e perder receio
De sofrer e ser feliz!


Pablo Danielli

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Sobre a educação, porcos e diamantes.

Pela qualidade de comentários de alguns professores que surgem nas minhas atualizações, percebo que o problema da educação de forma geral não é somente de salários (o que é um direito de todos!).

Mas alguns deveriam realmente mudar de profissão, já que ensinar é um dom que pelo visto nem todos têm, alguns deveriam ensinar aos seus alunos o que é democracia e politica e não apenas vestir uma bandeira partidária.

Existem falhas no âmbito municipal, estadual e federal, mas como boas "mulas" que somos (no sentido do carregar peso) observamos apenas a bandeira partidária, como se PT, PMDB e PSDB não tivessem as mesmas falhas e desvios de caráter.

A nobre profissão do professor parece estar contaminada por algumas pessoas que a usam como bandeira politica, para atacar adversários, expor fraquezas e nada mais.

Escolas continuam com condições precárias, materiais didáticos são atualizados de acordo com a bandeira que veste o partido politico que manda. E ao contrario do que manda a cartilha, cada vez se tira mais ao invés de se investir na educação.

O descaso e desmando tornou-se um problema crônico, tudo que é do âmbito publico no país esta em período de falência, é muito mais fácil deixar o interesse privado tomar conta, menos oneroso e da menos dor de cabeça.

A profissão de politico e de professor hoje em dia tem algumas coisas em comum, vira politico quem provavelmente não deu certo em outras coisas ou quer resolver seus problemas financeiros, da mesma forma hoje, algumas pessoas viram professores. Seja por falta de oportunidade de empregos bem remunerados ou a falta do próprio emprego aonde mora, acabam vendo uma oportunidade de não se incomodar e ganhar um fixo.

Ambos têm contato direto com a formação de uma sociedade, a diferença básica é o montante de dinheiro envolvido e que ainda existem bons professores que se dedicam de corpo e alma, pensando em moldar pessoas melhores, seres humanos de caráter, pequenos diamantes a serem lapidados.

Existem exemplos positivos e negativos na educação, não é necessário ir longe, vá até escola do seu bairro e observe o que esta sendo feito e ensinado, tente perceber se o ensino naquele local é uma obrigação ou é algo desenvolvido e pensado no bem estar daqueles que ali estão trabalhando e frequentando.

Devemos fazer o nosso melhor e não apenas o possível, enquanto lutamos por melhorias, fazer o básico qualquer um faz, a diferença esta sim, são poucos que tem coragem de ser.

Políticos são frutos da educação brasileira, os chamamos carinhosamente de ladrões, porcos e safados, seria essa a definição para nossa sociedade? Pois não chegaram lá puros, foram moldados pelo o que os rodeia. Ironicamente quem está ao seu lado é o cidadão comum, é o pai, a mãe e o professor.

Quando abandonamos algo, o deixamos de lado, esta coisa, fica com poeira, obsoleta e as traças tomam conta, o ensino no Brasil esta dessa forma, abandonado e como tal começa a ser tomado por pessoas sem interesse nenhum, sufocando aqueles que lá estão para lutar por algo melhor.

Como em outras profissões existem boas pessoas que se destacam e algumas de insistem em deixar uma imagem negativa. Existem dificuldades, problemas que somente quem está no dia a dia sabe que existe e tem que conviver.

Por muitos anos a sociedade tem sido fruto da educação (boa ou má), no atual momento que vivemos é necessário que a sociedade abrace o ensino publico, para melhorarmos não penas salários e bonificações, mas a qualidade do que é oferecido a alunos e profissionais que lá estão.

É preciso que professores entrem em salas de aula sem medo de serem agredidos, sem salas com 40 ou 50 alunos e que eles tenham ao menos um bom material para poder moldar o a mente e o caráter humano de quem está ali.

O problema da educação é muito mais grave que se mostra na tv, é muito mais grave que possivelmente algumas das pessoas que lá estão imaginam. É algo enraizado que necessita de cuidado imediato, não apenas de promessas de campanha nunca realizadas, o problema da educação hoje... Esta dentro de cada um de nós.
Pablo Danielli

Necrose




Certa vez
Eu vi um homem,
E ele estava só.


Assim como a noite
Tão escura,
Quanto suas ideias.

Não havia vida
Em seus olhos.

Não havia cultura
Em sua boca.

Tão vazio
Quanto o espaço
Que habitava.

Sobravam-lhe passos
Quando suas palavras
Findavam.

Suas vestes simples
Apenas refletiam,
A exclusão em que vivia.

Seus ouvidos cansados
Confundiam palavras,
Embriagados com tanta mentira.
Mesmo assim,
Este homem sobrevivia!

O cheiro que exalava
Facilmente se confundia,
Com sarjetas, esgotos, agonia.

Seus movimentos, lentos,
Não eram calculados,
Tal homem, não conseguiria.

Era fraqueza, luta!
Pelas sobras do meio dia,
Restos de uma sociedade
Rompida pela hipocrisia.

Não se via os traços de sua mão
Esfolada, os calos não permitiam.

Ao longe
Impossível saber,
Se era ele branco, preto ou amarelo.

Havia tantas vidas mortas
Naquele corpo, que dificilmente,
Algum sonho, sobreviveria.

Sim,
Eu vi este homem só!
Despido de toda carne podre ao seu redor.

Livre de pré-conceitos
Humilhado o suficiente,
Para não julgar.

Sem dinheiro, sem limites,
Sem crimes, para se condenar.

Este homem
Não tinha permissão da vida,
Para a morte lhe causar.

Não seria esta noite
Fria e só...
Que poderia repousar!

A sociedade uma vez mais
Teria que lhe usar,
Como exemplo!

Como lamento, como espelho.
De como um homem só
Embora livre!

Não lhe seja permitido
Chorar.


Pablo Danielli

segunda-feira, 21 de setembro de 2015



A figura afoita
Caminha manca,
Em meio a solidão!

Olha besta com chifres
Raivosa, com a cara manchada,
Á escoria, desiludida, pavão!


Toca com seu saltitar
O som da ruína,
Melodia da sociedade corrompida.

Cega pelo vil metal
Por desejos além do pão!

Suga toda a esperança
Vinda das veias rasgadas
Da vida, que ao lado da indiferença,
Pergunta! insistentemente?

Quem em meio a cobiça
Não merce morrer?
Se não se valoriza a vida!

Filho da ferida
Que nunca cicatriza,
Meretriz caída
Amor, desilusão.

Pablo Danielli
Correm lagrimas seca
Pelos corredores da solidão,
É o pó que se levanta
Que toma conta dos vazios,
Que insistem em surgir
Em dias de sol e em dias frios.
Ânsia, forte batida, sentimentos,
Caminhar na contradição.
Um certo olhar triste
Quando passa despercebido,
Praticamente esquecido
Como folhas ao vento,
Iniciando, uma outra estação.

Pablo Danielli

domingo, 20 de setembro de 2015

Eu ouvi as vozes
E elas clamavam por amor.
Sofriam vagando,
Sem rumo, sem sorte,
Não sentiam calor.
No seu timbre
Notava-se o temor
Do dia e da noite,
Sem amor.

Pablo Danielli
Somos corações vagando
A procura de emoção,
Somos pedaços de história
Esperando algum bom leitor.
Olhares perdidos a procura de direção
Mãos vazias, esperando tocar as nuvens,
Sem ter o risco de tirar os pés do chão.

Pablo Danielli

sábado, 19 de setembro de 2015

Cem anos de solidão


Tudo é tempo, tudo é vida.
São anos em dias
São muitos sonhos lutando,
Contra a própria insatisfação.


São dias de gloria
E noites de solidão,
São pessoas ausentes
Saudades de objetos,
Que nunca serão.


É o vazio no peito
É o olhar cheio, da falsa beleza,
Presenteada com o horizonte
Distante e frio.


Há tantos caminhos
E tantas pontes, embora nenhuma,
Me leve ao seu coração.


São dias e noites
Com pensamentos soltos,
Que para quem não me conhece
Mais parece, cem anos de solidão.



Pablo Danielli
Eu abri as portas do paraíso,
Em um grande livro que estava perdido,
Pelos caminhos feitos de ouro eu te procurei,
Atrás da luz que fazia sentindo,
Em busca de uma linha guia.
Evitando o final, buscando forças,
Para superar perdas, para imaginar você,
Chances desperdiçadas, espalhadas aos céus,
As portas estão abertas, não precisa bater,
Somente entrar, pois a dor passou.
Tudo parece tão real, que me pergunto,
Se é mesmo possível, se você consegue me ver,
Pois eu sinto você, tão sutil quanto à brisa,
Tão intensa quanto à vida, quase posso tocar seu corpo.
Segure em minha mão, deixe lhe mostrar,
Que o que viveu não é nada,
E se atravessar a porta posso te guiar,
E te mostrar o que sinto.


Pablo Danielli
Paredes murmuram verdades
Que nunca serão ditas.
A noite esconde segredos
Que nunca serão vistos.
E tua mente...
Mente!
Para disfarçar a verdade,
Como forma de conforto...
Para não esconder o rosto,
Mesmo a contragosto.

Pablo Danielli

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O direito de errar


Há... Seres desprezíveis! Que visam sua própria comodidade, que fazem politica barata e que exploram o povo. Com discursos aveludados, que com uma mão acariciam enquanto com a outra tiram...

Sim, esses seres de moral celibatáriainquestionáveis e que podem tudo em nome de um único proposito, cada dia que passa me convencem mais e mais de que são os donos da verdade, do mundo e da sociedade.

Classes opressoras que fazem politica doutrinadora nas escolas, que invadem casas, bairros e cidades com falsos pretextos de salvadores. Há... Se nossa ignorância não fosse tão grande!

Ao povo o que é do povo, aos políticos o que ao povo já não pertencem mais, e para os donos dessa moral inquestionável, toda nossa dignidade e vergonha por optar pensar de forma diferente da deles.

O direito do erro, agora pertence somente aos cães raivosos com falso discurso moralista que prega a paz. O direito de tomar, de matar em prol de um discurso comum, de um ideal comum, é apenas desses seres que espumam “sabedoria” pelas suas mandíbulas sedentas de capital opressor.

Com um discuso que não tem sustentação pratica, com militantes que não praticam o próprio dizer, parece que apenas o que importa é ouvir o som da própria voz.

O que importa é distorcer feitos históricos de suas doutrinas, esconder os esqueletos em baixo de camas de quem não tem a mesma fome de poder.

Vocês que tem uma luta histórica, que transcende décadas, apenas vocês tem o direito de errar, de poder dizer que pessoas não souberam aplicar sua doutrina e continuar a espalhar miséria e fome por onde passam.

Mais uma vez, a tentação do poder, do dinheiro fácil por meio de países subdesenvolvidos bate a sua porta. Uma vez mais sua razão histórica faz aflorar o desejo de controle absoluto do gozar da vida.

Como uma praga que toma de assalto qualquer lugar que tenha recursos dos quais possa aproveitar, acabando com os recursos naturais e com o trabalho das pessoas, uma peste negra que tira ate a ultima gota de vida e suor de quem ali se encontra, sem força para se levantar.

Depois procura outro pais para impor suas ideologias, assim destruindo qualquer possibilidade de vida, com o discurso de que por onde passou não deu certo porque as pessoas não souberam aplicar suas ideias puritanas.

Sim fantasma silencioso, é apenas teu o direito de errar, porque nas paginas da historia não passas de um sombra que cobre a visão de pessoas desavisadas. Tenta se reinventar com o passar dos anos, tenta abraçar causas que nunca foram tuas na expectativa de arrebatar novos “fãs”.

Mas assim como uma febre que acaba quando medicada, tua doutrina se esvai pelos segundos, horas e dias da história, pelo simples fato de que um dia todos terem que trabalhar para ter o próprio sustento.

Mas sim caro fantasma, tua moral é questionável, o teu direito de errar é questionável, porque nasceste de um ser cuja única tarefa de vida foi viver da desordem e da sombra de outros.

Há se teus seguidores e árduos defensores fingissem não saber de tua vocação parasita, de teus muitos lideres sem escrúpulos e assassinos, talvez assim o direito de errar fosse dado a nós cidadãos comuns, talvez a moral há ser questionada não fosse a nossa e sim a qual vocês ousam dizer ter direito.

A única revolução possível é feita pela liberdade do ser e a coleira a qual usufrui, parece ser apertada demais para o atual mundo em que vivemos.

Então porque como um derrotado, insiste em permanecer na cabeça de falsos “profetas” que apenas usam do dinheiro publico, escondendo suas fortunas dos olhos dos outros, para não ter que dividir com o próximo?

Livra o mundo de tuas correntes, elas impedem as pessoas de buscarem vida aonde só existe miséria e morte, alivia o próximo do peso de tuas ferramentas, não percebe que teu rancor, transforma tudo em dor?

Mas eu sei, que enquanto existir mentes manipuláveis, pessoas com fome de poder, tu ainda há de existir! Não tenho duvidas de que enquanto houver governos corruptos, com lideres sem escrúpulos, tu ainda há de existir!

Não tenho duvida de que enquanto existir pessoas com o intuito de sugar da maquina do estado, sem precisar mover um dedo para isso, tuas lembranças continuarão a rondar.

Por que, enquanto vozes que deveriam falar se calam, diante da tua opressão e nada fazem, teu fantasma ainda continuara a sombrar.



Pablo Danielli
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Venho com os pés descalços
Sem pedras na mão,
Venho com as mãos calejadas,
Com dor no coração.
Trago na mente cansada
Esperança e um pouco de ilusão.
A fome já não faz diferença
Para quem a noite chora,
Implorando por morte
No amanhecer da solidão.
A dor, por ser invisível,
Machuca apenas e somente meu coração.
Já não trago em meus olhos a certeza
De que dias melhores, em algum momento virão.
Pobre de mim indigente,
Que sobrevivo às margens da sociedade,
Implorando por piedade, água e pão.


Pablo Danielli
São apenas nomes
Ditos da boca pra fora,
Sem rostos ou sentimentos
São apenas nomes.

São desconhecidos sem esperança
É a falta de sorriso, a morte da vida,
Dilacerada nas esquinas, sem rimas.

São corpos mutilados pelo chão
Pedaços de sonhos esfarelados,
Por agulhas, pedras e pó.

São marionetes nas mãos erradas
São olhares perdidos nas madrugadas
Em busca do falso prazer,
Que sempre acaba em dor, no vazio, no nada.

São lagrimas caídas que não brotam
Vazios sem se preencher no coração,
São famílias acabadas, desestruturadas,
Papeis com pequenos projetos, jogados fora.

São apenas nomes
Esquecidos pelo tempo,
Jogados ao vento.

São apenas sentimentos
Esquecidos, em algum lugar,
Esperando pela salvação,
Por alguém que lhes de a mão.

São apenas amigos, irmãos
Perdidos, consumidos pelo medo,
São apenas nomes
Ditos da boca pra fora.

Pablo Danielli

terça-feira, 15 de setembro de 2015


Gotas de sangue


O sentimento é popular
O sofrimento é particular,
Quem os olhos muito brilham
Pouco da verdade conseguem observar.
Para ser ouvido, não basta gritar,
Tem que saber o que falar.
E cartazes escritos com sangue
Tem lá seu charme particular,
Pois nunca houve guerra vencida
Sem gotas de sangue para se derramar.
Uma revolução se faz,
Não somente com paus e pedras,
Pois no final é a caneta que sela
O que o destino nos trás.

Pablo Danielli



Verdades obsoletas




Nasce sem pedir, parte sem querer ir,

Não é o inicio, não é o meio, nem o fim.

A maioria dos relacionamentos

Tem o mesmo problema,

O silencio acaba se tornando

A frase favorita neles.

A maioria dos amantes

Tem o mesmo objetivo,

Se sentir desejado.

Não se pode pedir para mentir,

Não se pode pedir para julgar,

Não se pode pedir para amar.

A trilha do sol é sempre mais quente,

Mas quem quer se queimar?

A trilha da chuva é sempre mais fria,

Mas quem quer se molhar?

Sempre sorri no inicio,

Mas nunca quer chorar no fim.

Sentiu medo

Mas não chorou,

Sentiu frio

Mas não se esquentou,

Sentiu amor

Mas não se empolgou.

Verdades obsoletas

Em um mundo de redundâncias,

Salve, salve, nossa ignorância.




Pablo Danielli

sexta-feira, 11 de setembro de 2015



O pão sobre a mesa
Sem sobremesa, apenas o pão,
Na mesa, sem gentilezas.
A fome nas cadeiras
Ocupando lugares vazios,
O espaço, que transborda,
Ecoa o grito do vento
No prato vazio, que treme,
De fome, de frio.


Pablo Danielli

quinta-feira, 10 de setembro de 2015



Chorou a criança por causa da fome
Sentiu o adulto por não ter como acudir,
Mas um dia isso muda, mas um dia isso passa,
Só não sabe se vai ter cura.
Porque o tempo pra quem não tem nada,
É uma desgraça, não faz falta, até sobra.
Barriga vazia, só com o ar não para,
Alias quem disse que eles sabem,
São olhos que não vêem,
Coração que não sente,
Mas que lá no fundo sabe
Que alguma coisa esta errada.


Pablo Danielli

quarta-feira, 9 de setembro de 2015



Há dias que o sol não sai
Existem momentos que a chuva não para,
E o silêncio, é o único som que se ouve.
Existem casas feitas com paredes de medo,
E algumas que a parede há muito tempo já virou pó.
Olhares que gritam e bocas que perderam a voz,
E aquele abraço quente, é a única coisa que esfria seu corpo.
E em pé, em frente há um grande espelho,
E o único objeto que não tem reflexo, é o seu corpo.
Você para, olha para os lados e nada vê,
Flerta noites inteiras com a morte,
Sem saber, que a única forma de vencer o medo,
É viver.


Pablo Danielli


Nasce sem pedir, parte sem querer ir,
Não é o inicio, não é o meio, nem o fim.
A maioria dos relacionamentos
Tem o mesmo problema,
O silencio acaba se tornando
A frase favorita neles.
A maioria dos amantes
Tem o mesmo objetivo,
Se sentir desejado.
Não se pode pedir para mentir,
Não se pode pedir para julgar,
Não se pode pedir para amar.
A trilha do sol é sempre mais quente,
Mas quem quer se queimar?
A trilha da chuva é sempre mais fria,
Mas quem quer se molhar?
Sempre sorri no inicio,
Mas nunca quer chorar no fim.
Sentiu medo
Mas não chorou,
Sentiu frio
Mas não se esquentou,
Sentiu amor
Mas não se empolgou.
Verdades obsoletas
Em um mundo de redundâncias,
Salve, salve, nossa ignorância.


Pablo Danielli

terça-feira, 8 de setembro de 2015



São apenas nomes
Ditos da boca pra fora,
Sem rostos ou sentimentos
São apenas nomes.


São desconhecidos sem esperança
É a falta de sorriso, a morte da vida,
Dilacerada nas esquinas, sem rimas.

São corpos mutilados pelo chão
Pedaços de sonhos esfarelados,
Por agulhas, pedras e pó.

São marionetes nas mãos erradas
São olhares perdidos nas madrugadas
Em busca do falso prazer,
Que sempre acaba em dor, no vazio, no nada.

São lagrimas caídas que não brotam
Vazios sem se preencher no coração,
São famílias acabadas, desestruturadas,
Papeis com pequenos projetos, jogados fora.

São apenas nomes
Esquecidos pelo tempo,
Jogados ao vento.

São apenas sentimentos
Esquecidos, em algum lugar,
Esperando pela salvação,
Por alguém que lhes de a mão.

São apenas amigos, irmãos
Perdidos, consumidos pelo medo,
São apenas nomes
Ditos da boca pra fora.

Pablo Danielli


O sentimento é popular
O sofrimento é particular,
Quem os olhos muito brilham
Pouco da verdade conseguem observar.
Para ser ouvido, não basta gritar,
Tem que saber o que falar.
E cartazes escritos com sangue
Tem lá seu charme particular,
Pois nunca houve guerra vencida
Sem gotas de sangue para se derramar.
Uma revolução se faz,
Não somente com paus e pedras,
Pois no final é a caneta que sela
O que o destino nos trás.


Pablo Danielli

sábado, 5 de setembro de 2015


Terra, santa?


Como uma melodia silenciosa
Explode o desespero...
Daqueles que não tem paz.
A inquietação
Dos corpos estendidos,
Em valas, pensando ser passado.
Mas ao acordar...
Lembra-se, que é tudo atual.
Rompendo a pureza da terra
O sangue sujo pela cobiça,
Veda os olhos,
De quem tem sede...
Verdadeiros animais!
O sorriso se esconde
Por entre nuvens,
De um sol, que já não é capaz...
De alegrar, fazer brotar, iluminar.
O medo rasga a carne,
Mas, não atinge o coração!
Porque as lagrimas, que a noite surgem do desespero,
Ao nascer o dia, forjam as paredes da alma,
Com esperança.
E em meio aos escombros
Ao ver a figura de uma criança,
É possível crer em algo mais...
Talvez, quando já não houver corpos,
Para serem dilacerados,
Teremos, esperança e paz.



Pablo Danielli

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Semana Literária SESC! 

Vai la e confere a programação!

Semana Literária




Peças lascadas


Apenas mais uma sombra
Invisível á tantas outras
Que dormem.
Uma peça lascada
De uma cidade despedaçada.
Quadros vivos
De uma paisagem petrificada,
Pouco admirada
Lembrada ou amada.
Quem sabe ao amanhecer
Mais uma mancha de sangue
Se destaque na calçada.
Revestida por corpos
Pequenas diferenças
Que por hora não são nada.


Pablo Danielli

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Violência desmedida
Ficar passivo não pode
Ser a única saída.
Mais uma família destruída
Sonhos e sorrisos jogados fora,
Por uma briga estupida
De bar, de bola, pouco caso,
Descaso do governo.
Suicídio coletivo
Em capaz de jornais,
Por becos escondidos
O grito do inocente que cai,
É só mais uma mãe, um filho, um pai.

Pablo Danielli
Já...
Não fala mais,
A voz, que calada,
Se prende, a dor.
Enrosca na garganta,
Por entre cordas vocais
E letras, mudas...
Que choram.
Lagrimas que apenas,
Suas entranhas podem ver.
A selvageria das pessoas,
A acuou por entre vírgulas e pontos.
De fraca, quase não se ouve!
Perdeu a coragem, pela falta de passagem,
Desbastaram-na!
Taxaram como dissimulada,
E sem ouvidos para tocar,
A voz, perdeu a razão.




Pablo Danielli

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

“Descrever em pequenos espaços, por meio de frases nossos sentimentos,
se conseguir tal fato, sentir-me-ei realizado.”

Pablo Danielli
Sorriu...
Quando ninguém sabia,
Contagiou com amor,
Velhos pensamentos vazios.
Fez o coração pulsar,
Quando já não havia, esperança de vida,
Ao olhar sem desejar, tocou almas para curar.
Por fim...
A criança coloriu a casa,
Com a única coisa que possuía,
Sua alegria!

Pablo Danielli

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Criança da vida
Da alegria que contagia,
Do sorriso sem malicia,
Que enche a casa de alegria.
Criança que vive,
Que pula, que brinca,
Criança que inventa.
Frágil, inocente e pequena,
Pequeno anjo, que ensina a amar.
Pequeno anjo que ensina a perdoar,
Que contagia e nos faz sonhar.

Pablo Danielli

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