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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Luzes vermelhas


Luzes vermelhas, letreiros em neon, mais uma rua, mais uma esquina, uma palavra, uma saída. Caminhar sutil, que fere a calçada, alienado diante da vida, uma ou duas janelas entre abertas, vento que invade a intimidada, insanidade.

Entre tantos porquês, ninguém parece se importar se é noite ou se é dia, produto corrosivo a tal da alegria, prazo de validade contado em porcentagem conforme passa o dia. Lábios que ferem, olhares que matam, pelas indiferenças, pelo dinheiro que vem em busca de um falso amor, que se esvai por bueiros entupidos de uma cidade fantasma.


Não há santo que faça milagre, nem crucifixo na parede que perdoe. Uma fé lascada e despedaçada, confundida com a solidão de suas lagrimas. Segundos vividos em preto e branco, sem significado algum, sem pudor ou possível orgulho que possa ainda querer respirar.

Junta os cacos daquele belo vaso, tenta selar seu destino, além do azar que lhe impõe a mão sobrecarregada do acaso. Jura uma vez mais erguer os olhos, mesmo com seu intimo dilacerado, por seres vazios.

O passar dos ponteiros mostra que não há espaço para sentimentos baratos e que levantar mesmo com suas cicatrizes é para pura e simplesmente tentar sobreviver.


Pablo Danielli

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