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terça-feira, 31 de maio de 2016

Terra, santa?

Como uma melodia silenciosa
Explode o desespero...
Daqueles que não tem paz.
A inquietação
Dos corpos estendidos,
Em valas, pensando ser passado.
Mas ao acordar...
Lembra-se, que é tudo atual.
Rompendo a pureza da terra
O sangue sujo pela cobiça,
Veda os olhos,
De quem tem sede...
Verdadeiros animais!
O sorriso se esconde
Por entre nuvens,
De um sol, que já não é capaz...
De alegrar, fazer brotar, iluminar.
O medo rasga a carne,
Mas, não atinge o coração!
Porque as lagrimas, que a noite surgem do desespero,
Ao nascer o dia, forjam as paredes da alma,
Com esperança.
E em meio aos escombros
Ao ver a figura de uma criança,
É possível crer em algo mais...
Talvez, quando já não houver corpos,
Para serem dilacerados,
Teremos, esperança e paz.

Pablo Danielli

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Palavra

Que coisa é a palavra...
Uma hora agrada,
Outra não diz nada!
Simples, composta, abstrata.
Hoje, arranca sorrisos,
Amanhã... Lagrimas.
Pablo Danielli

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Senhores

Os senhores dos desejos
Cobiçam o impossível,
Sonham com o inevitável...
Trocam afagos com o invisível.
Os senhores dos desejos
Não querem o desejo alheio,
Tão pouco...
O sonho, mal sonhado!
És-lhe permitido
Em seu pequeno mundo,
A vida, a morte...
Inquebrável e indivisível,
Autoridade.
Multiplicam-se
Pelas ruas e espelhos...
Trincando imagens.
Hora... Bons! Hora... Maus!
Partidos e corruptos...
Na falsa liberdade,
Tal imagem do pai
É a do filho.
Pablo Danielli

terça-feira, 24 de maio de 2016


Vira lata

Vira lixo!
Vira lata?
Sem cara...
Com alma
De homem,
Sem casa.
Pablo Danielli

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Palavras

Fala boca!
Fala para teus amigos,
Para os teus inimigos?
Mas fala...
Não te cala diante das duvidas,
Não silencia no teu medo...
Agride o vento,
E profere contra ele,
Palavras!
Pablo Danielli

sexta-feira, 20 de maio de 2016


Sete heresias


Sete corações

Cantam uma canção,

Um dia sobre o amor...

E outra sobre perdão.

Um servia de guardião

Os outros seis,

Para sentir emoção.

Um coração para cada pecado

Um pecado para cada dia,

Por meio de fantasias,

Iam fazendo a vida.

Sete corações

Que escondem um segredo,

Um guarda a chave,

E os outros serviam de espelho.

Sussurram por vinte e oito paredes,

Os segredos escondidos da mente...

Condenado pelo corpo

Por heresia...

Queimavam amor,

Enquanto podiam.

Sete corações

Que estavam a sete palmos,

Mudos, os tolos cantavam...

Mas com sentimentos eternos

Que nunca calaram.


Pablo Danielli

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Gatuno

Como se tivesse sete vidas
Troca olhares com a noite,
Nas pontas dos pés...
Desafia o silencio.
Sua beleza
Não há de ser comparada,
Se não, além do bem...
Que faz para alma.
Entre uma insinuação e outra,
Ganha corações...
Em meio a alguns desafetos.
Somente ama, quem é capaz de lhe amar.
Pablo Danielli

O Poço


No fundo do poço
Estava a vida...
O pouco da dignidade,
E um resto de amor.
As palavras presas
Entre as paredes,
Faziam afogar.
A esperança...
Era como um muro alto,
Intransponível.
E o fundo do poço,
Era morto, sem luz...
Por que há muito
Os olhos não veem ou brilham.
Ninguém era capaz de ouvir ,
Os gritos eram tão fortes,
Quanto a indiferença...
De quem por ali passava.
Usado pela cidade,
Desprezado pela sociedade,
Esquecido como um eco...
Preso na memoria.
Antes fonte de vida,
Agora, agoniza.
Porque todo ser que ali bebeu
Esqueceu-se de retribuir,
Por que uma vida,
Só deixa de ser fonte,
Quando é apenas usada...
E esquecida.


Pablo Danielli

Mordaça


A palavra,
É uma expressão da vida.
O silencio,
É uma expressão da morte.
A palavra que é pensada,
E não é dita...
Já nasce morta.
A palavra dita sem pensar,
Afoga-se...
Pois não significa nada.
Da mesma forma,
Que os pulmões, necessitam do ar,
A boca, também necessita de mordaça...
E em algum outro momento,
A oportunidade da fala.


Pablo Danielli

quarta-feira, 18 de maio de 2016



E Deus com isso?



Aonde esta Deus?

Talvez nas esquinas,

Com as putinhas…

Que são fuga de vidas.

Nas ruas aonde corpos caem,

Com a violência, ódio e fome.

Deus não existe…

Para quem não come!

Deus não existe…

Para quem não come!

Não existe almoço para agradecer.

Em que parte do mundo,

Deus se esconde?

Em que parte do homem,

Ele se faz?

A cada tapa da criatura,

A cada lágrima que cai…

Só o silêncio fala!

Só o silêncio cala!

Covarde é o ser,

Que se esconde em um nome.

Injusto é o ser,

Que o usa como arma.

Não existem almas para se escravizar,

Em terras secas.

Não é obra do acaso,

Que pobre, feio e ladrão,

Não possam sonhar...

Mesmo que a prece não tenha rosto.

E Deus com isso?

E eu com aquilo?

Na esfera da terra,

Chute em bunda,

Dos desprezados.

Não há salvação,

Para quem não tem posse.

Nos templos e igrejas…

Apenas se permite sentir,

O cheiro do banho e de perfumes caros.

E Deus, sente cheiro?

E ele, tem cheiro?

Qual o odor do corpo,

Quando a alma é podre?

Sapatos caros,

Levando caráter barato,

Engana, mas não convém.

A esmola é descarrego para a mente,

Porque o indigente já é morto,

Não vive, é enfeite na cidade.

Pobre é propaganda para bondade.

Sociedade de hipócritas,

Servem seus restos, lavagem…

Preces com olhares de piedade.

E Deus com esses doentes?

Fartura para os escolhidos,

Sofrimento, para os ausentes.

Tantos nomes, tantos rostos diferentes.

E o que tem Deus pra essa gente!

A fila de pedidos…

Não é maior que o próprio umbigo.

Aonde se esconde Deus,

Nesses momentos decadentes?

Pendurado em alguma parede,

Estigma social?

Folclore nacional.


Pablo Danielli

Muda


Muda...

Muda de lugar,

Muda de canal,

Muda de vida.




Mas quando a mente não pensa...

Toda palavra proferida,

É uma palavra muda.

Que não ocupa espaço,

E nem muda.


Pablo Danielli

Múrmuros



Paredes murmuram verdades
Que nunca serão ditas.
A noite esconde segredos
Que nunca serão vistos.
E tua mente...
Mente!
Para disfarçar a verdade,
Como forma de conforto...
Para não esconder o rosto,
Mesmo a contragosto.

Pablo Danielli

quinta-feira, 12 de maio de 2016


Porta


Quem és tu!
Que bate a minha porta,
Há esta hora?

Que trás consigo
O calor das ruas,
E o silêncio da fé.

Que esconde o rosto,
E a voz, não se faz ouvir.

Apenas uma sombra
Em busca de um corpo,
Para ter um dono.

Que és tu!
Que antes, não se fazia notar!

E agora...
Faz-se, de um carregado pesar.

Tu, que não veste cores!
Tu, que antes não batia!

Agora...
Insiste em ser luz.

Em que momento
Entre o luxo e a miséria,
Despertou teu desejo?

Quem és tu,
Que bate, bate e bate...
Mesmo imaginando,
Que não há alma sóbria,
Para lhe receber.

Quem és tu!
Quem sou eu?
O que somos nós...


Se não, o tudo e o nada.
O vazio e o cheio.
A loucura e a sanidade.
O amor e o ódio...
A carne e a alma.

Quem és tu,
Que se faz martelo...

Quem sou eu,
Que se faz porta...

O que somos nós.



Pablo Danielli

sexta-feira, 6 de maio de 2016


9.

Sou um poema ambulante
Com interrogação, exclamação e ponto final.
Hora, versos que fazem sentido,
Hora, com rimas quebradas.
Com palavras que choram...
Com letras que fazem rir...
Um poema para ser lido,
Algo para ser refletido.
Sou uma estrutura,
Que foge do papel.
Que não requer tempo certo,
Para ser lido.
Sou um poema incompleto
Que se escreve no dia,
No meio da multidão.
Que se ajusta na noite,
Na reflexão.
Um poema sujo.
Um poema Belo.
Simples e complexo.
Alguns olhares irão compreender,
Outros simplesmente...
Passarão.

Pablo Danielli

terça-feira, 3 de maio de 2016

A culpa é de Darwin


Caro leitor, andei pensando muito ao ver as ultimas noticias imparciais (parcial), dos telejornais neste nobre país. São tantas coisas acontecendo, caos na educação, saúde publica, segurança e política, que refleti comigo mesmo, que o meu desejo era voltar no tempo! Sim, voltar no tempo, mas não para avisar as pessoas de como esta ruim, pois não adiantaria, não para sugerir soluções ou mostrar o caminho das coisas, pois de nada adiantaria.

O meu motivo para voltar no tempo e muitos e muitos anos atrás, seria para cometer um crime, sim, mas não se espantem, seria para o bem de todos os brasileiros, pois pensando muito sobre o que acontece no país hoje, eu mataria o Darwin, aquele da teoria da evolução, de se adaptar para sobreviver, evoluir, sei que surgem duvidas sobre isso e até certo espanto ao correr os olhos por estas linhas mal escritas.

Cheguei à conclusão de que o brasileiro é fã de Darwin, que os políticos leram e releram sua grande obra e se assim não fizeram, assimilaram suas palavras de forma inconsciente, pois para onde olhamos vemos sinais de que as pessoas desde belo país aplicam teoria tão antiga quanto nossos governantes.

Durante toda a história deste país, a população de uma forma geral se adapta as circunstancias, arrumando novas formas de conviver com a sociedade, planejando e articulando para sempre tirar vantagem. Em uma comparação grotesca, Darwin esta para políticos, malandros e corruptos, assim como Deus está para os religiosos, é uma divindade, suas palavras são seguidas e difundidas e não há perspectiva de mudanças no horizonte.

Vemos promessas, vemos acusações e vemos aperto de mãos como se tudo fosse natural, igual e banal, estamos tão acostumados com esse jogo de interesses e falta de escrúpulo que achamos tudo muito natural, não nos assustamos e nem nos indignamos mais, talvez todos sem saber aderimos a sua teoria.

Bem, talvez para não ser tão radical, nem ser acusado de assassinato de uma das figuras mais importantes da história, levaria comigo nesta viagem do tempo, jornais, revistas e demais adereços para mostrar para tal criador, que os brasileiros destorceram tal teoria. Quem sabe ao divulga-la, ele escreveria uma nota de observação ao final da sua teoria da evolução, exceto para os brasileiros, políticos, malandros e afins.


Pablo Danielli

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Canta Maria


Canta Maria, canta!
Canta o que ninguém mais ouve
Espalha com tua doce voz
O que tantas Marias sentem.
Seca tuas lágrimas, Maria
Teus olhos foram feitos para brilhar
Teus lábios para beijar
Teu corpo para amar!
Vai, Maria, segue em frente!
Mostra o que ninguém consegue mais ver
Ama tua vida, como quem ama um filho teu
Ah linda flor, não nasceste para sofrer.
Maria de todas as cores
Maria de todas as vozes
Maria de todos os amores
Maria de todas as dores.
Mulher de todas as noites
Mulher da luta, do dia a dia
Mulher do sim e do não
Mulher do perdão.
Mostra pra eles, Maria...
O que a cegueira impede que outros possam ver
Que embora calejado, teu coração é puro!
Porque com a vida, aprendeste a amar.


Pablo Danielli

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