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quinta-feira, 30 de junho de 2016

(Pálida noite)
Explique noite,
Porque meus olhos não sentem?
Explique pálida noite,
Porque meus dedos estão anestesiados...
Porque enfim, meu coração não pulsa.
E então, porque minha boca cala,
Quando meus lábios deveriam bravejar!
Porque teu silencio,
Tomou conta do meu corpo,
E meu calor em forma de alma...
Já não aquece outras formas.
Agora,
Tão pouco o peso das moedas,
Faz diferença.
O algodão e a seda,
Não me fazem sentir importante.
E tudo o que vejo é você,
Tudo o que me cerca é escuridão...
Tudo parece simples,
O ar, leve e puro!
Não há palmas para meu ego,
Nem espectadores para meus gestos.
Somente tu!
Nua e silenciosa, tomando meu corpo...
Por carne podre.
Sem ao menos se importar,
Com um nome, uma posição ou passado feito.
Sou mais uma peça,
Que não se completa nos teus caprichos.
Sou agora...
Mais uma história a ser coletada,
E esquecida.
Assim como tu, triste noite!
Que ao amanhecer,
Levara contigo toda forma de vida...
Mesmo sendo nova ou velha,
Nunca compreendida.

Pablo Danielli

segunda-feira, 27 de junho de 2016



{O pão sobre a mesa}


O pão sobre a mesa

Sem sobremesa, apenas o pão,

Na mesa, sem gentilezas.

A fome nas cadeiras

Ocupando lugares vazios,

O espaço, que transborda,

Ecoa o grito do vento

No prato vazio, que treme,

De fome, de frio.


Pablo Danielli

sexta-feira, 24 de junho de 2016

quinta-feira, 23 de junho de 2016

terça-feira, 21 de junho de 2016

quinta-feira, 16 de junho de 2016

quarta-feira, 15 de junho de 2016

terça-feira, 14 de junho de 2016

Poesia Urbana

Que nasce dos esgotos,
Sarjetas entupidas de indigentes.
Que pensa ser gente...
Que sonha em ser a gente.
Prédios feitos de pecados,
Indiferenças...
Corpos que não votam,
Não servem para propaganda.
Entre um passo e outro,
Esmola, para salvar a alma...
Podre, com a lama do dia a dia.
Pessoas que fingem não ver,
Insistem em fingir...
Que elas próprias existem.
A cidade é silêncio!
A cidade é a musica!
A cidade é a alma!
Daqueles que nada tem,
Há não ser o vazio,
Que se preenche com o ego.
Um pedaço de pão e concreto.


Pablo Danielli

sexta-feira, 10 de junho de 2016

sexta-feira, 3 de junho de 2016



(A deriva)





Os olhos grandes e negros olhavam fixamente para o espelho, buscando como em uma ultima tentativa encontrar ao menos um pequeno fecho de luz. Mas o anoitecer ao que parece, muda não só o dia, mas a sensação de vida dentro si mesmo.





Esperava há muito tempo por uma resposta, um sinal... E em meio à cidade feita de um mar de concreto e sujeiras, nenhum farol para indicar o caminho, apenas mais um corpo a deriva, a espera, a espera...





Do alto do seu reino de poucos metros quadrados, era capitão de si mesmo e um naufrago, do que diz respeito a sua vida. Ao desviar seu olhar para a janela percebe que seu corpo esta pesado e sua garganta não ousa dizer uma palavra se quer.





O peso dos sentimentos que nunca foram colocados a prova faziam se afogar lentamente, um fardo que o puxava cada vez mais para o fundo e não era capaz de largar tudo aquilo. Ao que parece todos temos nossas pequenas riquezas para se apegar em um momento de quase vida.





Os braços lentamente se moviam, em um movimento quase que sutil de quem não tem muita força dentro si, abrindo lentamente a janela na esperança de que o vento lhe traga um sopro de vida, embora demonstre receio no que possa sentir.





Uma voz absurdamente sedutora rasga o silencio do seu pensar, mesmo sendo quase impossível de outras pessoas ouvirem, um grito de socorro em forma de pedido lhe é feito:


- Volta para a cama! Volta para a cama!


Vira seu corpo em direção à voz e pensa consigo mesmo questionando, se isto era um pedido de alguém que tem medo da solidão ou apenas de quem quer ter um pouco mais de prazer mesmo sem compreender o quão profundo aquele gesto possa significar.





Mal sabia nadar no mar de suas emoções e teria que servir de bote salva vidas para mais uma pessoa, ironicamente a sua única conquista naqueles dias frios e de tempestade dentro do seu corpo.





Os passos que fizeram o trajeto, pareciam desbravar aquilo que a muito tempo parecia perdido e confuso, de forma quase que mecânica fechava seus olhos na esperança de se mostrar forte o suficiente para servir de porto.





Em um abraço aonde mais parecia que dois corpos tentavam se envolver para não serem atingidos pela fúria da cidade, a carne era pressionada quase unindo as duas almas.





Naquela noite ambos pareciam estar a salvos, naquelas horas que precediam mais um dia, suas aflições pareciam domadas, poderiam quem sabe ter forças para mais um mergulho no intimo de seus desejos, tentando ao menos por um momento, fugir da escuridão.





Pablo Danielli

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