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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

[32.]


Muitas vidas que não acontecem,
Não existe compreensão...
A boca que pede perdão,
Não estende a mão!
Quem criou o caos?
Quem criou o caos?
A morte, não permite chorar,
É preciso sobreviver, lutar!
Esta noite,
Não há historias para contar...
Não se houve cantigas
De ninar...
Filhos mortos,
Não podem escutar.
Existe a penas o pesar,
A perda e a dor.
Lagrimas, feitas de sangue,
Que marcam para sempre,
O chão que se passou.
A fronteira que separa,
Limita também, a cabeça e o coração.
O desespero vira capa de jornal,
Gera ibope na TV...
Emoção que passa,
Depois do comercial.
Em algum lugar do mundo,
Alguém sorri...
Pensa (?), ainda bem,
Não é aqui!
Em alguma cama, alguém deita,
Sem o peso dos mortos nas costas.
Os pecados de poucos,
São castigados com o sofrimento de muitos.
Fazendo da vida,
Algo inacabado...
A marcha dos excluídos,
Toma conta do mundo.
Porque, todos temos,
Nossos mortos, para enterrar.
A miséria que a noite esconde,
O dia revela!
E nada sobra do nosso reflexo...
Da um beijo de despedida,
No corpo do teu filho,
E parte sem destino.
Porque o sangue,
Que mancha a terra,
Não é culpa tua!
Os gritos calam,
Mas a dor é eterna.
Para quem sente,
Que o vento de agosto,
Trás apenas o temor...
De um setembro sangrento.
Acende uma vela e reza,
A espera de perdão e compreensão,
De quem pode, mas finge não saber como...
Salvar.
Oferece apenas um pedaço de pão,
Enquanto no silêncio da noite,
Cala-se, mais um coração.


Pablo Danielli

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