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terça-feira, 7 de novembro de 2017

[Tudo é silêncio]

Tudo é silêncio
Vento, boca, palavra,
Na noite, que não se vê.
Nos olhos que não piscam
No corpo que deseja,
Que caído, dorme...
Mas não descansa.
Tudo é silêncio
Os segundos, o tempo, o vazio...
Que toma a casa de assalto.
As promessas,
Que calam...
As promessas,
Que calam...
Mas ecoam,
Entre paredes frias,
Sem vida...
Sem movimento aparente.
Porque tudo é silêncio!
Rasgando as certezas
Purificando as dúvidas,
Nas sobras da noite...
Nas sombras que a noite se esconde.
Pudor, desejo, sexo.
Silêncios abstratos
Gravados em pedaços da memória.
Sobras, restos de histórias,
Que calam na madrugada,
Subjugados, despedaçados,
Enlatados em forma de nó...
Na garganta.
Ausências, esperanças, que se perdem.
Porque tudo é silêncio
Mesmo com corpos entrelaçados,
A deriva, na noite...
Fragmentada.



 Pablo Danielli

terça-feira, 10 de outubro de 2017



[Teus]

Quando minha boca
Toca teus lábios,
Minhas palavras...
Se tornam suas.

Quando meus dedos
Tocam teu corpo,
Meus gestos...
Se tornam seus.

Quando minha vontade
Foge para teus braços,
Teus desejos...
Se tornam os meus.


Pablo Danielli

sexta-feira, 23 de junho de 2017



[Sal da Terra]

A lagrima é o sal da terra,
Aonde a vida seca...
Não adoça esperança.
Chão partido,
Não brota vida.
Qual o tamanho do mundo,
Quando o horizonte é pó!
Perdão, pelas orações mesquinhas...
Perdão! Pelas orações mesquinhas?
É que o sol do meio dia,
Faz a vida ficar pequena,
É o vazio da existência.
Que só, se vive... 
Não se lê, não se escreve,
Em nenhuma linha.
É sina, é agonia, é vida...
Não existe escolha,
Para quem tem o pé esfolado.
Sorrisos trincados,
Em um fim de mundo,
Num mundo lotado.
É o sal da terra,
Que seca a boca...
Afogando esperanças,
De mãos esfoladas.
Que mesmo estendidas...
Não tem preces atendidas.
É o que não se vê...
É o que não se sente...
É o que se ignora...
A vida partida,
De um ser invisível.
É a noite só,
O dia ausente.
É o sal da terra,
Vida de indigente.


Pablo Danielli

segunda-feira, 19 de junho de 2017


[Cinza]

Uma segunda-feira cinza
Com sorrisos cinza,
Com pessoas sinistras.
Uma grande neblina,
Que nos impede de ver
O que há na esquina,
E deixa nossas mentes vazias.
Sombrias, pessoas cinza e sem vida,
Que nada fazem para colorir o dia,
E resmungam pelos cantos, com suas mentes,
Estranhamente vazias.

Pablo Danielli

quarta-feira, 7 de junho de 2017


[Terra, santa?]

Como uma melodia silenciosa
Explode o desespero...
Daqueles que não tem paz.
A inquietação
Dos corpos estendidos,
Em valas, pensando ser passado.
Mas ao acordar...
Lembra-se, que é tudo atual.
Rompendo a pureza da terra
O sangue sujo pela cobiça,
Veda os olhos,
De quem tem sede...
Verdadeiros animais!
O sorriso se esconde
Por entre nuvens,
De um sol, que já não é capaz...
De alegrar, fazer brotar, iluminar.
O medo rasga a carne,
Mas, não atinge o coração!
Porque as lagrimas, que a noite surgem do desespero,
Ao nascer o dia, forjam as paredes da alma,
Com esperança.
E em meio aos escombros
Ao ver a figura de uma criança,
É possível crer em algo mais...
Talvez, quando já não houver corpos,
Para serem dilacerados,
Teremos, esperança e paz.



Pablo Danielli

segunda-feira, 29 de maio de 2017



[Os pássaros]

Senta, observa os pássaros
Percebe que eles cantam
Percebe que é musica pura.
Mostrando a beleza da vida
No bico e no bater de asas
De uma pequena criatura.


Pablo Danielli

quinta-feira, 25 de maio de 2017


Acompanhe as postagens com poesias e cronicas pelo facebook:



Pablo Danielli



terça-feira, 23 de maio de 2017



[Da felicidade]

E a felicidade
Estapeou sua cara,
Somente pelo prazer
De lhe provar,
Que nunca poderia doma-la.
Tal pedaço do paraíso
Escondido por trás dos dentes,
Que serrados combinavam
Um tímido sorriso.
Continuava lá, sentado...
Há contar ás horas
Ás estações e migalhas,
Que tentava aproveitar.
Poderia ser mortal!
Ser intenso ou puro frenesi.
Á tal momento
Tudo que poderia,
Morrer ou viver...
Está ao alcance
De seus tristes olhos.
E suas mãos não desejavam,
Folhar alguma pagina, a mais sobre a vida.
Deseja o momento eterno de felicidade,
Cobiçava estar diante do paraíso.
Mas á vida...
Insistia em lhe mostrar
Que ao menos para si,
Alegria vã é acompanhada
Pelo sacrifício tolo.
E a eterna...
Por pequenos monólogos de tristeza,
Anunciando a loucura popular,
Por segundos, explorada,
De algum tipo de sorriso.


Pablo Danielli

quinta-feira, 18 de maio de 2017



Será que agora as pessoas entendem que a lava jato não é golpista e que a corrupção está no sistema e não apenas em um partido?

Que grampo e delação premiada tem valor nas investigações?

Que ter politico de estimação é burrice?


Que enquanto o povo se mata entre esquerda e direita os políticos roubam todos.

Que PT, PSDB, PMDB e afins sempre lutaram pelo dinheiro e poder. Nunca pelo povo!

Somente um tolo, ficaria numa comparação esdruxula de quem roubou isso ou aquilo, quem roubou mais ou menos, ou ainda quem tem mais citados na operação. São todos corruptos, e todos os partidos querem o fim da operação.

Parece que ainda não aprenderam que hoje o citado é de um partido, amanha sera de outro.

Ontem o grampo era em um ex presidente, hoje é no atual.

Aceite, eles não estão nem ai para vocês!

Cadeia para todos!

sexta-feira, 12 de maio de 2017




A IMBECILIDADE NA FORMA POLITICA




[A politica de hoje, é a ruína da sociedade do amanhã. A omissão das pessoas hoje... É a morte da democracia em sua forma sã.

Dentre todos os regimes postos e impostos, o do silencio ainda é o que mata mais pessoas e esperança.]


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Um discurso bonito, um terno bem cortado, lagrima nos olhos ao falar das pessoas e seu sofrimento... Este tipo de descrição certamente deve levar sua imaginação ao mundo dos políticos. A pergunta que ecoa pelo vazio da mente, certamente é: Se o discurso é bonito, porque as suas atitudes são baratas?




"A política é constituída por homens sem ideais e sem grandeza."

Camus, Albert



O que podemos perceber é que não existem mais ideologias partidárias, direita alia-se com esquerda, e moderados fazem o acordo que bem entendem, apenas para ter uma secretaria, uma porta de entrada no governo, partidos são criados apenas para arrecadar verba publica e tempo de televisão. São como carrapatos que se alimentam da maquina governamental.

Manchetes e mais noticias são apenas para delatar casos de corrupção, acordos feitos à surdina, para conseguir mais poder, mais influencia, a politica na sua essência é um jogo de influencia e poder, o dinheiro é visto como um bônus por aqueles que estão na roda.

Ser tratado como uma espécie de salvador, todas as glorias possíveis por jogar migalhas ao povo, estar acima do bem e do mau e ter o aval da justiça para isto. E nem ao menos podemos falar que há luz no fim do túnel, porque volta e meia corremos o risco do apagão.

O país se comparado a outras estruturas politicas, pode ser considerado ainda uma pequena criança, que começa a amadurecer, temos pouco mais de quinhentos anos e talvez por isso ainda cometemos erros primários.

O Brasil hoje vive uma politica de divisão entre classes sociais, é mais fácil falar que uma classe dominante oprime outra menos favorecida, do que o governo assumir sua culpa na falta de uma boa politica social e se engana quem pensa que politica social é tirar do rico para dar ao pobre.

Nos temos cotas, nos temos impostos, nos temos propagandas governamentais que incitam o ódio entre classes e nos temos ainda mais falho que tudo, os nossos políticos com seus narizes empinados pensando que toda critica é injusta e que toda oposição é burra.


"Em política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades."


Tocqueville , Charles



Estamos em uma espécie de lodo, aonde quanto mais tentamos se envolver ou se livrar, mais acabamos por nos sujar independente da intenção ou da ação proposta. Teorias e mais perguntas são formuladas tentando encontra uma explicação logica para esse fenômeno que se apodera das pessoas que entram no circo politico.

Somente os políticos seriam corruptos ou a população de forma geral vê na politica uma forma de se beneficiar e enriquecer de forma fácil e rápida? O terno e a gravata seriam apenas uma vestimenta que nos permite mostrar a verdadeira natureza com a certeza da impunidade, ou apenas nos obrigamos a entrar no jogo?

Será que de fato estamos preparados para lidar com o poder? A palavra politica vem de tempos antigo, mais precisamente do grego Politeía, que vem da arte de dominar a organização e administração de uma nação ou estado. Significa ainda, a sociedade e sua coletividade, engloba tudo referente ao individuo, no seu intimo e no seu coletivo.


“O homem é um animal politico”.

Aristóteles


Por mais que de forma geral, falemos que não gostamos ou não queremos envolvimento com as questões politicas do país, praticamos no nosso dia a dia este ato, a politica partidária é apenas uma das mais variadas forma de exercê-la.

Que soluções seriam possíveis, que horizonte nos espera além de um próximo mandado de acordos e noticias de descaso, independente da bandeira partidária. A mudança acontece de forma lenta quase imperceptível, talvez em cem ou duzentos anos seja possível, uma organização confiável aos olhos do povo.

Acabar com a farra partidária, com as negociações e com o dinheiro que corre de forma descontrolada seria uma opção. Criar três grandes blocos políticos, esquerda, centro e direita, sem meio termo, já que os partidos hoje são feitos apenas para negociação.

Dividir o tempo de propaganda de forma igual entre os três blocos, assim evitando acordos por tempo de exibição. Limitar o teto de gastos da campanha, não é concebível que se gaste mais que trinta por cento do que o politico irá receber de salario. Certamente quando se extrapola esse limite, usara de favores ou outros meios para recupera o “investimento”.

Acabar coma imunidade parlamentar, roubo e desvio de verba, são crimes e devem ser punidos como tal. Acabar com a reeleição, mandato único de seis anos e fim do voto obrigatório, em uma democracia ser obrigado a fazer algo, é uma ditadura falsificada.

Muitas outras medidas seriam necessárias, mas com mudanças básicas grande parte da corrupção começaria ser evitada. É necessária uma mudança de comportamento da população em não apenas ver na politica uma forma de ganhar, mas sim, de agregar valor a comunidade, a sociedade de forma geral.

Politica não se trata de enriquecer, mas sim de dividir, valores morais, éticos e sociais. Uma sociedade só é justa quando todos têm os mesmos direitos e não apenas quando quem esta no poder tem o direito.

Todos têm que aprender a viver a politica e sermos políticos, independente de partidos ou do interesse que isso possa desenvolver.



“Em política, os aliados de hoje são os inimigos de amanhã.”

Nicolau Maquiavel




Pablo Danielli



quarta-feira, 10 de maio de 2017



[Carniceiros]







Na escuridão, 


A espera, a espera...


Uma cadeira velha, 




Uma janela quebrada. 


Casa, que não é lar, 


Tão pouco, morada... 


Uma cidade presa, 


Na calada, da noite. 


Gritos se escondem, 


Em becos escuros, 


Batizados pelo mijo, 


Sangue de bêbado. 


Corpos protegidos, 


Pela fé, Pela sorte, 


Por paredes erguidas pelo medo. 


Suor, lagrimas ou acaso? 


Realidades maleáveis... 


Sonhos manipuláveis... 


Jornais que batem a porta, 


Trazendo números, 


Mais um morto, mais um morto. 


Carniceiros se amontoam, 


Sobre manchetes que escondem o chão. 


Tudo serve de espetáculo, para chamar atenção. 


A alma podre é um prato cheio, 


Para aqueles que vivem... 


De desilusões. 


Em cidades de concreto e asfalto, 


O sangue rega o pouco da terra, 


Em forma de perdão. 


Um desconhecido. 


Um amigo. 


Um irmão. 


Carniceiros veem pequenos presentes 


Como oferendas a um rei morto, 


Manipulação. 


O cheiro já não incomoda, 


Ter um Deus pouco importa, 


Faces perdidas pelas ruas, 


Aflição. 


Tempo que escorrega pelas sarjetas, 


Levando a dignidade... 


Dilacerando o pouco de humanidade, 


Ombros que carregam o mundo, 


Sucumbem ao umbigo. 


Estar vivo, estar morto, 


Já não importa mais. 


O ar já não é fresco, 


A água tem um gosto insuportável 


Da verdade. 


E o que mais cresce, 


Em meio ao silencio, 


São os campos da morte. 


Chora a criança, 


Desespera-se o jovem... 


Lamenta o adulto. 


O miserável apenas sobrevive, 


As favelas apenas sobrevivem, 


Bairros nobres são como prisões, 


Vigiadas, assistidas e impossíveis de chegar, 


Que resistem em meio à realidade assistida. 


O mundo não para... 


O universo não para... 


Não é tua a verdade, 


Não é minha a mentira. 


Há muitas coisas não ditas, 


Existem muitas palavras distorcidas, 


Que não se explicam. 


É a chuva que afoga, 


O sol que castiga, 


Culpa da vida que não tem dono. 


Culpa da dignidade que tem preço. 


O sexo não da prazer... 


O coito não dá gozo... 


A boca não seduz... 


São apenas feridas, 


Desejos da carne, 


Que já não se satisfaz. 


Rotina, rotina, rotina. 


Nada surpreende, 


A vida é banal. 


A morte é casual. 


O que importa é o clique, 


A audiência que gera a cifra, 


Ceifadores da discórdia. 


Mesmo que seja necessário, 


Culpar, sem se desculpar. 


O que importa da história 


É o começo e o fim... 


O meio se justifica, 


Como propaganda, 


Como desculpa, 


Números na conta. 


O cheiro do esgoto... 


O cheiro da merda... 


O cheiro das ruas... 


Tantas realidades, 


Que se misturam. 


Animal, animal, animal... 


Em meio ao ato civilizatório 


Somos todos irracionais. 


Primatas que acham que o cheiro, 


Dó próprio cú é perfume, 


Que o arroto é musica, 


E que o pinto e a buceta, 


São do tamanho do nosso ego. 


Orgulho que nos manipula. 


Fé que nos cega. 


Vaidade que nos corrompe. 


Somos todos escravos, 


De diferentes verdades. 


Somos todos prisioneiros, 


De nossas próprias ironias. 


Somos todos mortos vivos, 


Carniceiros, apodrecendo, escondidos, 


Na escuridão... 


A espera, a espera. 












Pablo Danielli






terça-feira, 9 de maio de 2017

[Vida]

Desejos descartáveis
Planos que não se realizam,
Tudo acaba ao amanhecer.
Como uma dura sinfonia
Que ninguém escuta.
E você se pergunta:
Sou o único, a sobreviver...
A uma noite triste?
Tantos porquês...
Tantas certezas...
Que os segundos levam,
E fazem esquecer,
O que é ser especial.
Você se distrai
Com o controle da tv,
E na outra mão...
Os anos passam.
E nada é capaz de fazer voltar
Os olhares perdidos.
Sem perceber, como uma marca...
Feita ferro em brasa,
Fica a pergunta martelando sua mente:
Como vim parar aqui?
Faltou fé?
Não desejou com toda força?
O chão não recebeu lagrimas o suficiente?
Um sopro leva seu corpo,
Sua mente não percebe...
Então suas fantasias desmoronam.
É a vida que acontece.
São os dias que passam.
Passos que não deixam marcas feitas
Em cidades de concreto,
Por pessoas de plástico.


Pablo Danielli

segunda-feira, 8 de maio de 2017



Olha 
Revolta,
Volta!
A sua volta
O vazio
Revolucionando
O nada.
Perdeu-se
A utilidade,
Seu prazo
De validade?
Ainda Vale!
Volta
Olha a sua volta,
E se revolta!
Como em antigos 
Mares!
Hoje, navegáveis.


Pablo Danielli
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quarta-feira, 26 de abril de 2017

(Cinco Poemas)

Fiz cinco poemas para você
E todos falavam de amor,
Com direito a frases prontas e criações próprias,
Cada poema representava uma fase de nossas vidas
Cada fase um sorriso, um lagrima e uma linha.

Explicando porque nosso dia a dia
Não era monotonia, era uma aventura,
Louca e divertida, que somente a gente entendia.
E ninguém mais sabia e nem imaginava,
Os dias que agente passava.

Fiz este poema, usando todas as letras,
Tive que buscar inspiração nas estrelas,
Para escrevê-lo e lê-lo para minha princesa.
Encanta-la e fazer dela rainha e bela,
Com as flores que só nascem na primavera.

Fiz estes cinco poemas, pensando em ler,
Para todo mundo ver e saber, que meu amor por você,
É muito mais que um bem querer,
É para sempre amarrado e gravado,
Em nossos corpos marcados.

Nas folhas deste livro estarão
Guardados além de nossos corações,
Cinco poemas de amor,
Que soaram com quatro canções,
E uma oração de amor.

Pablo Danielli

quinta-feira, 20 de abril de 2017



[Noite dos cachorros perdidos]

Enquanto o latido
Toma conta das ruas,
Restos são jogados
Como banquete.
Na tentativa
De amordaçar,
Bocas famintas.
Como uma sinfonia absurda
A raiva espumando pela boca,
Já contamina as diferentes formas de vida.
Dessem-lhe pauladas!
Duchas generosas de agua!
Por um breve momento recuam
Mas fome é tanta,
Que seu amo assustado recua.
Corre e com medo se esconde,
Atrás de falsas propagandas
De alegrias gratuitas.


Pablo Danielli

terça-feira, 18 de abril de 2017


Pulso;

A cidade Pulsa...
A cidade, pulsa...
Pulsa, pulsa, pulsa.
Mesmo quando,
Ninguém vê.
Mesmo quando,
Ninguém sente.
No dia, na noite...
Em meio a rostos estranhos.
Pulsa!
Mesmo quando o barulho,
Não permite ouvir.
Mesmo quando o ódio,
Não permite enxergar.
A cidade, pulsa...
Nas suas veias abertas,
Esconde-se a vida,
E a morte, em forma de esgoto.
Rico, pobre,
Branco, negro...
Tantos nomes, tantos corpos.
Que a cidade faminta,
Apenas os engole,
E pulsa...



Pablo Danielli

quarta-feira, 12 de abril de 2017



[No mês que vêm]

Todo dia, escuridão!
Toda manchete, um tapa!
Toda injustiça, um tombo!


A morte das certezas,
A duvida da justiça.

E agora José?

A honestidade falha,
O governo corrompe?
A população alienada?
Nada faz, nada faz...

Canibalismo a nível social,
Pré-conceito como resposta formal.

Aonde erramos a curva?
Aonde deixamos tudo ficar como esta?

E agora João?
O que fazer Maria?

Não há para onde correr,
A casa é uma prisão...
As ruas da liberdade,
Tem o preço do sangue.

Trabalhadores inocentes,
Assassinos, covardes e ladrões!
Impossível identificar,
Aonde só existe solidão.

Aonde uma pátria se esconde,
Atrás de uma chuteira...
Pé na bunda, parece brincadeira!

Justiça para que?
Justiça para quem?

Acreditamos sempre no discurso na tv,
Aceitamos o dinheiro como verdade,
E quando nos damos conta, a “conta”? Vem!
Em forma de eleição...
Em pacotes de desdém.

Na falta de leitos
O leito da morte,
Faz mais um refém.

Enquanto fechamos os olhos
E esperamos que as coisas melhorem,
Sempre no mês que vêm.

Pablo Danielli

sábado, 8 de abril de 2017


[Ilusão]

Entre um gole
E outro de falsa ilusão,
A realidade rasga a garganta
Do pobre cidadão.

Pablo Danielli

sexta-feira, 7 de abril de 2017


[Mordaça]

A palavra,
É uma expressão da vida.
O silencio,
É uma expressão da morte.
A palavra que é pensada,
E não é dita...
Já nasce morta.
A palavra dita sem pensar,
Afoga-se...
Pois não significa nada.
Da mesma forma,
Que os pulmões, necessitam do ar,
A boca, também necessita de mordaça...
E em algum outro momento,
A oportunidade da fala.


Pablo Danielli

quinta-feira, 6 de abril de 2017


Saber


Fecha tua boca
Para o conhecimento entrar,
Deixa tua mente flutuar.
Ocupa o vazio do olhar
Com o (real)izar.
Deixa tua fome e sede
Não ser apenas física,
Permite-se apetite...
De saber, sede de viver!
Não se acostume em ser apenas um corpo,
Libere o lado humano, sufocado e escondido,
Compartilhe e abuse do saber.


Pablo Danielli

segunda-feira, 3 de abril de 2017

[Tosco]

Tosco!
Não vê que riem de ti?
Tua cara deformada...
Manchada pela vergonha da miséria,
Ainda achas solução para tudo!
Pesa teu choro, põe tua mascara de palhaço e vai à luta!
Não te envergonhes de teu nariz pintado...
Não são maiores que tuas costas largas.


Pablo Danielli


domingo, 2 de abril de 2017

[Majestoso momento]


Do pó que se levanta aos poucos,
Das longas passadas dadas,
Em movimentos que parecem estar
Além da nossa compreensão...
Parece flutuar junto com pedaços de gramas
Arrancados pelos artistas, em um palco sem igual.
Do suor que cai aos poucos, mistura com a roupa suja,
A adrenalina de um momento que parece ficar congelado,
Em mentes que observam atentas a tudo.
Ecoa o grito de um guerreiro, 
Que comemora a vitória sobre seus adversários,
E a conquista de um novo reino...
Absoluto e majestoso o momento do gol no futebol.




Pablo Danielli


sábado, 1 de abril de 2017


[O amor supera tudo]


Como dois amantes,
Caminhamos pelas ruas, entre muros pichados da cidade,
Contemplando toda desigualdade,
Com o céu de testemunha das lagrimas e de nosso amor.

Pelos becos escuros, famigerados,
Sem tetos e famintos, observam
A soberba, fartura de nosso amor.

O mau cheiro das sarjetas,
Este, já não nos atrapalha mais,
E assim, passeamos por praças quebradas,
Mal iluminadas e abandonadas.

Contemplamos a beleza de ser diferente,
Em um universo igual.
E pelas calçadas esburacadas, chegamos ao nosso destino final,
Para nos amarmos ao som de balas cruzadas,
Em meu apartamento de vinte metros quadros,
Distribuídos entre sala e quarto,
Na periferia da cidade.

Pablo Danielli

sexta-feira, 31 de março de 2017


[No mês que vêm]


Todo dia, escuridão!
Toda manchete, um tapa!
Toda injustiça, um tombo!

A morte das certezas,
A duvida da justiça.

E agora José?

A honestidade falha,
O governo corrompe?
A população alienada?
Nada faz, nada faz...

Canibalismo a nível social,
Pré-conceito como resposta formal.

Aonde erramos a curva?
Aonde deixamos tudo ficar como esta?

E agora João?
O que fazer Maria?

Não há para onde correr,
A casa é uma prisão...
As ruas da liberdade,
Tem o preço do sangue.

Trabalhadores inocentes,
Assassinos, covardes e ladrões!
Impossível identificar,
Aonde só existe solidão.

Aonde uma pátria se esconde,
Atrás de uma chuteira...
Pé na bunda, parece brincadeira!

Justiça para que?
Justiça para quem?

Acreditamos sempre no discurso na tv,
Aceitamos o dinheiro como verdade,
E quando nos damos conta, a “conta”? Vem!
Em forma de eleição...
Em pacotes de desdém.

Na falta de leitos
O leito da morte,
Faz mais um refém.

Enquanto fechamos os olhos
E esperamos que as coisas melhorem,
Sempre no mês que vêm.



Pablo Danielli

quinta-feira, 30 de março de 2017

quarta-feira, 29 de março de 2017


O plano


O plano
Era usar as palavras,
Era gastar sem ninguém perceber.
Fazer propaganda com palavras bonitas
Usar a manipulação da tv!
O plano era simples
Composto por pessoas simples,
Mas com gostos complexos em excesso.
Era erguer um muro
De ideologias e falsos dizeres,
Para se defender.
O plano sempre teve na pauta
A palavra reeleger...
Afogar a cultura...
Matar o pensamento...
Transformar o povo em um jumento!
O plano...
Sempre foi distrair.
Com alguma discussão vazia,
Enquanto milhares morrem,
Em filas, de fome, alucinação coletiva?
Mata mais que a guerra fria!
Era um plano perfeito
Feito para políticos de respeito,
Que excluía qualquer tipo de sujeito
Que luta por cidadania.
O único problema do plano
É que ele não sacia,
O apetite voraz de quem escraviza.

Pablo Danielli

terça-feira, 28 de março de 2017


[Ciranda]


Você sente
Disfarça, canta e encanta!
Esconde a tristeza
Corre da solidão,
E lamenta a falta
Da esperança.
Tenta se apaixonar
Jura não chorar,
Entrega seu coração
Mas foge da emoção.
Joga ciranda
Faz os olhos brilharem
Finge-se de forte,
Faz papel de ingênua.
Mas continua sendo
A saudade buscando
Um porto, um abrigo,
Para descansar o coração.
E poder se perder
Em largos sorrisos,
E alguns momentos
A razão.

Pablo Danielli

segunda-feira, 27 de março de 2017


Indi(Gente)!



        As mãos sujas pelo mau trato da vida, vasculha de forma bruta o saco junto ao meio fio, a cada volta da sua mão na aquele paraíso de sobras humanas, faz escapar o fedor de toda uma sociedade que ignora sua existência.
       O rosto baixo com o corpo meio curvado e os olhos tristes, como quem se esconde de outros olhares falsamente piedosos, ouve múrmuros quase imperceptíveis, embora sua cabeça insista em lhe alucinar, que seja sobre sua humilhação.
     Sem saber que horas são, sem se importar que seja dia, noite, ou madrugada a fora, sem obrigações legais, sem obrigações sociais, sem falsas ideologias ou filosofias baratas. Apenas com a esperança de encontrar uma sobra que possa comer, ou vender para conseguir poucos centavos.
        Mesmo que seu sofrer lhe de motivos para sorrir, dificilmente saberia que se trata de felicidade, pois a pele queimada do sol e marcada pelo descaso, já não tem a sensibilidade necessária para sentir algo além da dor. Acostumou-se a dar passos vazios, há ser invisível, há ignorar seus sonhos e desejos, não poderia ser nada além de alguma coisa qualquer, quase que um objeto decorativo, essencial em qualquer sociedade trincada e obsoleta.
        Percebe que não é bem vindo, percebe que não sabe para onde está indo, e que de alguma forma é motivo de risos, indelicados e indecisos. Que com suas marcas estampadas, seres ligados no automático esquecem-se de vestir-se de humanidade. Seu olhar corre pelas calçadas mal cuidadas, pelos muros pichados, uma cidade morta, cinza e explorada pela incessante busca de poder aquisitivo, que não se lembra mais qual é seu verdadeiro objetivo.
        Pensa com sigo mesmo, como mudar, como sobreviver a esses tempos tão incertos, não poderia ser ele o único invisível em um lugar que parece ser bom apenas para sobreviver. Aos poucos se levanta, exalando o cheiro de seu viver pelos poros entupidos de verdades nunca ditas, abandona o saco, já sem nada para lhe oferecer, da alguns poucos passos com seus pés calejados, prostrando em frente aquilo que pode ser mais uma refeição, cai uma lagrima lhe dando esperança de que ainda não foi totalmente destruído e que lhe resta uma gota de humanidade e assim segue sua sina, imposta por outras línguas que não conseguem identificar o sentido da vida.


Pablo Danielli

[Liberdade assistida]

Liberdade assistida, vida enjaulada
Entre botões e programas,
Que mantém sua fé!
No apelo brutal, da falsa ideia?
De beleza e realidade.
Você ignora seus sentidos
Em busca de apelos e motivos.
Escravo de letras garrafais
Em fosco ou neon, indicando um caminho,
Para continuar na trilha, para consumir ou sobreviver,
Em um mundo comum ou dito extraordinário, tanto faz!

Pablo Danielli

quarta-feira, 22 de março de 2017



[Democracia]

Quando ouvi os gritos,
Tampei meus ouvidos.
Quando senti a fumaça,
Cobri meus olhos e nariz.
Quando o sangue respingou em mim,
Apenas lavei minhas mãos.
Quando a minoria estava nas ruas,
Tranquei-me na sala e liguei a tv.
Enquanto o governo coagia,
E a policia batia, minha omissão falava.
Com a coleira de ajuda e salários mínimos,
A sociedade me oprimia.
Só percebi que o caminho não tinha mais volta,
Quando amanhecia o dia.
Manchetes de jornal em sua maioria,
São sempre as mesmas e vazias.
Eu morria sem envelhecer,
Escravo de um sistema brutal,
Disfarçado de democracia.
A ilusão vendida à conta gotas,
Esmola para mentes vazias,
E isto sem perceber, havia me custado uma vida.


Pablo Danielli

sexta-feira, 17 de março de 2017

quinta-feira, 16 de março de 2017

Olhos de jabuticaba
Noite que não passa,
Chuva na janela...
Cor de chocolate,
Vicio delirante.


Pablo 
Danielli






[O plano]

O plano
Era usar as palavras,
Era gastar sem ninguém perceber.
Fazer propaganda com palavras bonitas
Usar a manipulação da tv!
O plano era simples
Composto por pessoas simples,
Mas com gostos complexos em excesso.
Era erguer um muro
De ideologias e falsos dizeres,
Para se defender.
O plano sempre teve na pauta
A palavra reeleger...
Afogar a cultura...
Matar o pensamento...
Transformar o povo em um jumento!
O plano...
Sempre foi distrair.
Com alguma discussão vazia,
Enquanto milhares morrem,
Em filas, de fome, alucinação coletiva?
Mata mais que a guerra fria!
Era um plano perfeito
Feito para políticos de respeito,
Que excluía qualquer tipo de sujeito
Que luta por cidadania.
O único problema do plano
É que ele não sacia,
O apetite voraz de quem escraviza.


Pablo Danielli

terça-feira, 14 de março de 2017

sábado, 11 de março de 2017



[Sal da Terra]

A lagrima é o sal da terra,
Aonde a vida seca...
Não adoça esperança.
Chão partido,
Não brota vida.
Qual o tamanho do mundo,
Quando o horizonte é pó!
Perdão, pelas orações mesquinhas...
Perdão! Pelas orações mesquinhas?
É que o sol do meio dia,
Faz a vida ficar pequena,
É o vazio da existência.
Que só, se vive... 
Não se lê, não se escreve,
Em nenhuma linha.
É sina, é agonia, é vida...
Não existe escolha,
Para quem tem o pé esfolado.
Sorrisos trincados,
Em um fim de mundo,
Num mundo lotado.
É o sal da terra,
Que seca a boca...
Afogando esperanças,
De mãos esfoladas.
Que mesmo estendidas...
Não tem preces atendidas.
É o que não se vê...
É o que não se sente...
É o que se ignora...
A vida partida,
De um ser invisível.
É a noite só,
O dia ausente.
É o sal da terra,
Vida de indigente.


Pablo Danielli

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