terça-feira, 29 de maio de 2018


[A gaiola, a vida e a sociedade].


Entre tantos passos nas calçadas, tantos rostos que procuram esconder insatisfações e problemas, a fuga parece estar em um sorriso falso, uma foto bacana nas redes sociais ou um frase, sem ao menos ler o livro e tê-la com lema de vida.

Estamos presos a falsas escolhas que basicamente se resumem a X ou Y, quando se busca um Z como resultado. Trancados em nossos desejos, como pássaros em gaiolas, que cantam para disfarçar a tristeza de não poder se fazer livre.

Liberdade na palma da mão e nas pontas dos dedos, tão liquida que escorre pelas nossas angustias, frustrações, nos deixando longe de qualquer possibilidade de realização.

E pensamos volta e meia, precisamos continuar para mostrar a sociedade que não somos mais um, derrotado e infeliz, mesmo que o preço da vitrine seja o castigo da alma. Acabamos por não sorrir de forma verdadeira, não somos bons na nossa essência, esquecemo-nos de viver, para apenas sobreviver entre dividas e corpos vazios.

Um amontoado de palavras fica engasgado na garganta, servindo com chicote e marcando o corpo, vivemos presos as nossas gaiolas, sem estarmos preparados para sentir a liberdade, e ainda escolhemos nossa forma de punição, seja ela no futebol, politica, religião ou vícios.

Apegamo-nos a qualquer coisa que nos de uma possível sensação de segurança, quando de fato estar seguro muitas vezes significa não estar preso a nada. Não somos seres preparados para pensar e agir de acordo com nossas vontades, estamos sempre em função de algo ou algum bem do qual ele nos tem como posse.

Vivemos em uma enorme fantasia chamada sociedade, o canto que ouvimos certas vezes serve para disfarçar, em outras um pedido de socorro. Embora sempre busquemos alguma forma de nos sentirmos equilibrados e não acabarmos em um hospício por ter uma forma diferente de ver o mundo.

Ao final somos tão infelizes quanto qualquer animal em um zoológico, que ironicamente serve para nossa distração.

Pablo Danielli

domingo, 27 de maio de 2018


[Segundos]


Daquele segundo nada ficou solido, olhares soltos e palavras se perdiam conforme os corpos se tocavam. Tudo era exato e tudo era uma duvida uma interrogação do que vem depois do beijo, do abraço e do sexo.

As fotos nas paredes escondiam o medo quase que como uma mascara, mas ambos sabíamos que a noite muitas vezes não significa o nascer de um novo dia... Às vezes apenas significa mais um fim, de um quase amor.

Assim são as pessoas e assim são os que amam e aqueles que não sentem. Ao cair em outros braços, somos mais duvidas que certezas, mesmo que o tempo mude e o sol saia.

Tudo o que importa é o momento, mesmo que este instante seja liquido e se evapore junto com o suor e toda sujeira nele guardado.
Corpos que se unem para dividir o prazer, para amenizar a dor, fugir da realidade em uma fantasia que dura o tempo necessário do sentir e o esquecer.

O toque não é o mesmo, o olhar não é o mesmo e o coração bate em descompasso com a vida, então aos poucos ao abrir os olhos lentamente, percebe que a entrega não foi do corpo, mas da alma e por alguns segundos se sente completo, alegre e sem amarras com o que te prende ao chão.

Você descobre que a leveza não está no ter, mas sim no ser e no sentir. Ao completar outro corpo, outra alma, na transpiração do desejo, em meio a um mundo cinza e morto, você ilumina e se torna... Vida.


Pablo Danielli

sexta-feira, 25 de maio de 2018


Cai a noite

De toda morte que paira sobre o mundo, a única que nos preocupa é a do nosso próprio corpo. Mesmo que a insignificância da rotina e o apelo miserável do consumismo nos tomem como completos idiotas.

Ficamos a pensar que nossa fala não pode calar, nossos olhos não podem parar de desejar e tolamente coexistimos com falsas razões.

Esperando o cair da noite, o nascer do dia, de forma repetida e ininterrupta, como se tal fato fosse à salvação para nossos pecados. Alguns dias, rezamos mais e em outros tantos de forma vã, pecamos menos.

Estamos reféns de uma cegueira coletiva, aonde tão somente poderá dar-se ao luxo da visão aquele que ousar desatar os nós da mente.

Dias, anos, décadas e séculos correm livremente ao vento e tudo tende a ir e voltar, a história é recontada apenas mudando peças, mas é sempre a mesma e cansativa ladainha.


Pablo Danielli

quarta-feira, 23 de maio de 2018


Tempo

Como seres racionais aprendemos a contar o tempo, pelos segundos, minutos e horas. Fatiamos e planejamos, tudo de forma organizada para que nada saia ou fuja de um cronograma ou dentro do que é esperado.

Embora isto não signifique certezas, pensamos dessa forma, mas esquecemos que o tempo apresentado de modo cronológico é uma invenção humana para ter a falsa sensação de controle de fatos e acontecimentos.

Não lembramos que “tempo” pode significar sentir o momento, não nos passa pela cabeça que esse girar da terra também pode ser contado a partir de sentimentos e lembranças não programadas ou manipuladas.

Passamos infância, juventude e vida adulta com o mesmo pensar, contaminado na mente da grande maioria, de que somos senhores do tempo e não que de fato estamos a mercê dele.

Pequenos grãos de areia no universo, que tem direito e voz sobre os outros pelo simples fato de poder “comprar” o segundos ou horas do dia de alguém. Somo pequenos de fato ate na forma de agir e pensar.

O dia nasce, passa e morre ao entardecer, pessoas nascem, “vivem” e morrem com a mesma velocidade sem perceber ou questionar sua própria forma de vida. Somos capazes de construir grandes prédios, carros confortáveis, descobrir a gravidade, embora ainda não saibamos expressar o sentimento contido dentro de cada um de nós.

O domínio que pensamos ter sobre objetos e seres não “racionais” nos dá a sensação de poder e acabamos por não perceber que ficamos reféns destas escolhas, acabamos por viver vidas que a sociedade quer, acabamos por sentir o que a televisão e revistas acham correto e pensamos que com o tempo, tudo se esquece ou tudo se resolve.

O calendário define nossas alegrias e tristezas, nossas escolhas e desejos. Ainda não aprendemos a viver de acordo com nossos sentimentos, não sabemos lidar com adversidade que impõe outras rotas, nos desesperamos porque somos reféns do nosso próprio empo.




Pablo Danielli

segunda-feira, 21 de maio de 2018


Sobre a educação, porcos e diamantes.


Pela qualidade de comentários de alguns professores que surgem nas minhas atualizações, percebo que o problema da educação de forma geral não é somente de salários (o que é um direito de todos!).

Mas alguns deveriam realmente mudar de profissão, já que ensinar é um dom que pelo visto nem todos têm, alguns deveriam ensinar aos seus alunos o que é democracia e politica e não apenas vestir uma bandeira partidária.

Existem falhas no âmbito municipal, estadual e federal, mas como boas "mulas" que somos (no sentido do carregar peso) observamos apenas a bandeira partidária, como se PT, PMDB e PSDB não tivessem as mesmas falhas e desvios de caráter.

A nobre profissão do professor parece estar contaminada por algumas pessoas que a usam como bandeira politica, para atacar adversários, expor fraquezas e nada mais.

Escolas continuam com condições precárias, materiais didáticos são atualizados de acordo com a bandeira que veste o partido politico que manda. E ao contrario do que manda a cartilha, cada vez se tira mais ao invés de se investir na educação.

O descaso e desmando tornou-se um problema crônico, tudo que é do âmbito publico no país esta em período de falência, é muito mais fácil deixar o interesse privado tomar conta, menos oneroso e da menos dor de cabeça.

A profissão de politico e de professor hoje em dia tem algumas coisas em comum, vira politico quem provavelmente não deu certo em outras coisas ou quer resolver seus problemas financeiros, da mesma forma hoje, algumas pessoas viram professores. Seja por falta de oportunidade de empregos bem remunerados ou a falta do próprio emprego aonde mora, acabam vendo uma oportunidade de não se incomodar e ganhar um fixo.

Ambos têm contato direto com a formação de uma sociedade, a diferença básica é o montante de dinheiro envolvido e que ainda existem bons professores que se dedicam de corpo e alma, pensando em moldar pessoas melhores, seres humanos de caráter, pequenos diamantes a serem lapidados.

Existem exemplos positivos e negativos na educação, não é necessário ir longe, vá até escola do seu bairro e observe o que esta sendo feito e ensinado, tente perceber se o ensino naquele local é uma obrigação ou é algo desenvolvido e pensado no bem estar daqueles que ali estão trabalhando e frequentando.

Devemos fazer o nosso melhor e não apenas o possível, enquanto lutamos por melhorias, fazer o básico qualquer um faz, a diferença esta sim, são poucos que tem coragem de ser.

Políticos são frutos da educação brasileira, os chamamos carinhosamente de ladrões, porcos e safados, seria essa a definição para nossa sociedade? Pois não chegaram lá puros, foram moldados pelo o que os rodeia. Ironicamente quem está ao seu lado é o cidadão comum, é o pai, a mãe e o professor.

Quando abandonamos algo, o deixamos de lado, esta coisa, fica com poeira, obsoleta e as traças tomam conta, o ensino no Brasil esta dessa forma, abandonado e como tal começa a ser tomado por pessoas sem interesse nenhum, sufocando aqueles que lá estão para lutar por algo melhor.

Como em outras profissões existem boas pessoas que se destacam e algumas de insistem em deixar uma imagem negativa. Existem dificuldades, problemas que somente quem está no dia a dia sabe que existe e tem que conviver.

Por muitos anos a sociedade tem sido fruto da educação (boa ou má), no atual momento que vivemos é necessário que a sociedade abrace o ensino publico, para melhorarmos não penas salários e bonificações, mas a qualidade do que é oferecido a alunos e profissionais que lá estão.

É preciso que professores entrem em salas de aula sem medo de serem agredidos, sem salas com 40 ou 50 alunos e que eles tenham ao menos um bom material para poder moldar o a mente e o caráter humano de quem está ali.

O problema da educação é muito mais grave que se mostra na tv, é muito mais grave que possivelmente algumas das pessoas que lá estão imaginam. É algo enraizado que necessita de cuidado imediato, não apenas de promessas de campanha nunca realizadas, o problema da educação hoje... Esta dentro de cada um de nós.

Pablo Danielli

sexta-feira, 18 de maio de 2018


Apaixone-se pelo gesto e não pelo objeto!

Deixe de lado as revistas e os blogs de beleza, o apelo da mídia por corpos definido como “perfeitos”. Não há motivos para simplesmente esquecer o ser e cultivar o ter, apenas uma marca, uma forma de esconder nossas carências afetivas.

O melhor sapato, o melhor perfume e a melhor roupa, itens que são esfregados em nossa cara como forma de ser uma pessoa melhor, custa tempo e vida para comprá-los, embora tudo isso se acabe com o tempo assim como nossos corpos.

Pratique esporte para ter uma vida saudável, vista-se para sentir-se confortável não simplesmente para sentir-se importante. Deixe o detalhe preencher este espaço, aquela falha (marca) que apenas você tem e lhe torna único.

Isto é o que deve realmente encantar, o gesto... E o resto não passa de item de colecionadores de decepções, de invejas, de lagrimas e rancores.

Um bom carro pode te levar a muitos lugares, mas somente os pés molhados pela chuva, fazem você lembrar-se de como é bom ser humano. Não há motivos de temer aquilo que nunca tivemos, nunca vivemos e nunca sentimos.

Desapegue-se do material e cultive o essencial, ninguém vive sem amor, sem carinho, o dinheiro abre portas, o abraço abre corações.
Cultive a mente, o coração e sorriso e não se preocupe com á lagrima deixe-a cair para semear.

Trouxemos para o mundo, apenas nosso corpo ao nascer e ao morrer nem ele levaremos, então que fiquem ao menos as lembranças, alimentemos a alma, porque o corpo, esse é objeto.


Pablo Danielli

quarta-feira, 16 de maio de 2018


A certeza do errado.

Em outros tempos, não muito distante desses vividos, existiam formas menos intensas e rápidas de comunicação. Telefone discado, carta e quando muito relevante a opinião de uma pessoa, (geralmente especialista) por meio de radio ou televisão.

Pois bem, a velocidade da tecnologia nos trouxe comodidades e meios aprimorados de comunicação. Novos pensadores surgiram, novas formas de diálogos se criaram e novos verbetes foram agregados ao dicionario.

Em um espaço curto de tempo a escrita sofreu variações que em décadas e seculos não havia passado. Porém o pensamento humano não acompanhou esta transformação, somos boçais ao pensar com um ferramenta de tecnologia de ponta. O resultado não poderia ser outro, se não o da completa falta de educação e respeito.

O teclado se transformou em uma metralhadora capaz de ferir mais gente por segundo que a guerra é capaz de fazer. A tela do computador é como um capuz aonde o ser se esconde para destilar ódio, raiva e disseminar criticas sem nenhum fundamento.

Mas a vida real não reflete a virtual ao menos não a luz do dia, somos cordeiros sem a tecnologia e lobos ao te-las em nossas mãos. Nunca se teve tantos especialistas sem diplomas em diversos assuntos como se observa agora, todos são juízes e ninguém gosta se ser julgado.

Tais fatos apenas mostram um caráter individualista, egoísta e pobre mentalmente do ser humano que somos, ao final de tudo somos todos animais irracionais. Somos bons em criticar, julgar e executar sem questionar.

Essa raiva toda contida e destilada nas teclas, a necessidade constante de estar certo, de massacrar o desconhecido com uma foto nas redes sócias, sem saber sua história, sem ter o conhecimento de suas dificuldades, sem ao menos ter a certeza do que se fala, demonstra um desvio de caráter e uma falta de compreensão do mundo em que se habita absurda.

O homem que reza na igreja é o mesmo que agride no estadio de futebol, a mulher que acaricia seu filho é a mesma que ofende a outra por causa da inveja, o jovem que aparentemente é um bom filho é o mesmo que usa da violência por não aceitar a escolha sexual do seu semelhante.

O tronco, o chicote e a algema apenas trocaram de forma, a faca o revolver e a corda apenas foram substituídos por uma rede inviável, usada para muitas vezes proteger o covarde que não tem coragem de faze-lo na vida real, assim o mundo virtual é um terreno sem lei, sem dono, um faroeste a moda antiga.

São tantos tipos diferentes de agressores, que a internet foi o único instrumento capaz de junta-los em um espaço virtual, para se enfrentarem em uma batalha diária de ofensas, irracionalidade e incertezas. Que a conclusão plausível que se pode obter é que a única certeza que se pode ver, é que todos estão errados.


Pablo Danielli

terça-feira, 15 de maio de 2018


A tempestade

Começa lentamente, sem fazer barulho, como uma chuva fina que toma aos poucos a cidade. Um murmúrio que pouco a pouco ocupa os espaços e seduz os ouvidos. Sem se dar conta de que o tempo passa e mesmo assim tudo parece estático, sem movimento, sem vida, apenas olhares fixos e fiéis, em vislumbrar o nada.

Existe alguns poucos que ao perceberem se levantam e caminham até a janela, apoiando no parapeito o que resta de dignidade e há quem diga é apenas mais um dia e continuam trocando passos com uma vida sofrida.

Mensageiros com palavras embriagadas que seduzem, pensamentos e objetivos que distorcem. Mentes que estão secas, não são capazes de manter a sanidade, tão pouco uma visão clara, pois a chuva, turva os olhos e a razão.

Erros que se repetem sem parar, sem pensar, muda-se os nomes, os motivos, troca-se símbolos mas a sede é a mesma, a vontade é a mesma e a luz temporária serve apenas para disfarçar a escuridão.

A chuva parece acalmar, saciar o ego de quem com um guarda-chuva, oferece abrigo, gestos sutis em forma de afago, para mostrar-se útil, deixando molhar apenas o que lhe convém. Escondendo sem que notem, a dependência que se forma, como um elo, entre vida e morte.

Em meio a tanto pensar… cala! Porque sabe que a palavra é mordaça, é arma para quem vive da força dos outros, para aqueles que ouvem a chuva e distorcem o trovão. A tempestade abafa as palavras, e sem elas acaba-se lentamente perdendo a sensatez.

O que era suave se torna agressivo, o que era apreciado, se torna motivo de medo, sem se dar conta, a água que traz consigo vida, também é capaz de causar morte.

Os becos começam a ter seus espaços tomados, pobres miseráveis a margem de tudo, são levados a força. O que antes refrescava, agora pela quantidade de lamentos que trazem consigo, destrói.

Os murmúrios da cidade, que cercada por barreiras mentais, apenas se enxergam pichadas, palavras antes de ordem, mas agora com a realidade tomando as ruas, vilas e bairros, se tornam sem nexo. Frases que são levadas pelas águas, o que era esperança agora se torna caos.

Os corpos enrugados apodrecem lentamente, pois não é possível construir jangadas com ilusão, a festa que se fazia com o chuvisco agora é luto. Lentamente as vielas começam a secar, os prédios e árvores, castigados pela umidade começam a receber raios de luz.

Pessoas que se encontravam isoladas, sem noção do que acontecia, envolvidas pelo diluvio, aos poucos tomam as ruas. Os seres que vendiam as boas novas com a chegada da garoa, se encontravam acoados, dizendo não compreender a destruição causada.

Pessoas envolvidas antes pela seca, agora não desejavam mais sentir o sabor da abundante água. Os mensageiros ainda praguejavam suas doutrinas para que o vento ainda pudessem espalhá-las, em vão. Pois poucos desejavam se afogar em pequenos milagres que ouviram falar em velhas histórias.

Os livros e jornais não existiam mais, molhados acabaram perdendo a utilidade. Não havia registros do que aconteceu, tudo parecia aos poucos, uma lenda que se conta em conversas de terror. Mesmo que naquele momento, tais pessoas haviam compreendido que palavras suaves, não são capazes de compreender a dor.

Nunca mais se ouviu falar dos mensageiros, volta e meia algum visionário misturava palavras com o que aconteceu, tentando mostrar uma nova forma de saciar a sede. Em vão, pois corpos afogados apenas desejavam a dosagem certa.

Alguns murmúrios, soltos com o vento, correm as ruas insinuando que em algum outro lugar, ameaça ser tomado pela garoa que se torna tempestade. Mesmo que o tempo demonstre, algumas civilizações precisam passar pela ilusão. Para aprender a nadar é necessário não ter medo de se afogar.

Pablo Danielli

segunda-feira, 14 de maio de 2018


Caminhos tortos


A vida é como as margens de um rio e nós somos de certa forma a água que o preenche, somos levados por diferentes caminhos, sendo hora em momentos calmos e em outros tantos, cheios de pedras, quedas e sujeiras.


Conforme vamos avançando, tomamos espaços e lugares, em certos momentos e não raramente podemos nos juntar a outros rios, ganhar força, ficarmos maiores. Em tantos outros continuamos seguindo sós, aumentando ou diminuindo nossa capacidade, nosso volume conforme as margens nos permitem ser.


Quando somos influenciados pelo que nos cerca, podemos transbordar ou apenas secar. Durante este trajeto, as margens nos permitem ver cidades, pessoas, florestas, servir de fonte ou apenas descarte.
Um rio sabe onde nasce, mas não sabe aonde vai desaguar, pode ser uma represa ou um oceano, tudo vai depender do que as margens da vida nos reservar.


Pablo Danielli

segunda-feira, 7 de maio de 2018


[O direito de errar]

Há... Seres desprezíveis! Que visam sua própria comodidade, que fazem política barata e que exploram o povo. Com discursos aveludados, que com uma mão acariciam enquanto com a outra tiram... Sim, esses seres de moral celibatária, inquestionáveis e que podem tudo em nome de um único propósito, cada dia que passa me convencem mais e mais de que são os donos da verdade, do mundo e da sociedade.
Classes opressoras que fazem política doutrinadora nas escolas, que invadem casas, bairros e cidades com falsos pretextos de salvadores. Há... Se nossa ignorância não fosse tão grande!
Ao povo o que é do povo, aos políticos o que ao povo já não pertencem mais, e para os donos dessa moral inquestionável, toda nossa dignidade e vergonha por optar pensar de forma diferente da deles.
O direito do erro, agora pertence somente aos cães raivosos com falso discurso moralista que prega a paz. O direito de tomar, de matar em prol de um discurso comum, de um ideal comum, é apenas desses seres que espumam “sabedoria” pelas suas mandíbulas sedentas de capital opressor.
Com um discurso que não tem sustentação pratica, com militantes que não praticam o próprio dizer, parece que apenas o que importa é ouvir o som da própria voz.
O que importa é distorcer feitos históricos de suas doutrinas, esconder os esqueletos em baixo de camas de quem não tem a mesma fome de poder.
Vocês que tem uma luta histórica, que transcende décadas, apenas vocês tem o direito de errar, de poder dizer que pessoas não souberam aplicar sua doutrina e continuar a espalhar miséria e fome por onde passam.
Mais uma vez, a tentação do poder, do dinheiro fácil por meio de países subdesenvolvidos bate à sua porta. Uma vez mais sua razão histórica faz aflorar o desejo de controle absoluto do gozar da vida.
Como uma praga que toma de assalto qualquer lugar que tenha recursos dos quais possa aproveitar, acabando com os recursos naturais e com o trabalho das pessoas, uma peste negra que tira até a última gota de vida e suor de quem ali se encontra, sem força para se levantar.
Depois procura outro pais para impor suas ideologias, assim destruindo qualquer possibilidade de vida, com o discurso de que por onde passou não deu certo porque as pessoas não souberam aplicar suas ideias puritanas.
Sim fantasma silencioso, é apenas teu o direito de errar, porque nas páginas da história não passas de um sombra que cobre a visão de pessoas desavisadas. Tenta se reinventar com o passar dos anos, tenta abraçar causas que nunca foram tuas na expectativa de arrebatar novos “fãs”.
Mas assim como uma febre que acaba quando medicada, tua doutrina se esvai pelos segundos, horas e dias da história, pelo simples fato de que um dia todos terem que trabalhar para ter o próprio sustento.
Mas sim caro fantasma, tua moral é questionável, o teu direito de errar é questionável, porque nasceste de um ser cuja única tarefa de vida foi viver da desordem e da sombra de outros.
Há se teus seguidores e árduos defensores fingissem não saber de tua vocação parasita, de teus muitos líderes sem escrúpulos e assassinos, talvez assim o direito de errar fosse dado a nós cidadãos comuns, talvez a moral a ser questionada não fosse a nossa e sim a qual vocês ousam dizer ter direito.
A única revolução possível é feita pela liberdade do ser e a coleira a qual usufrui, parece ser apertada demais para o atual mundo em que vivemos.
Então porque como um derrotado, insiste em permanecer na cabeça de falsos “profetas” que apenas usam do dinheiro público, escondendo suas fortunas dos olhos dos outros, para não ter que dividir com o próximo?
Livra o mundo de tuas correntes, elas impedem as pessoas de buscarem vida aonde só existe miséria e morte, alivia o próximo do peso de tuas ferramentas, não percebe que teu rancor, transforma tudo em dor?
Mas eu sei, que enquanto existir mentes manipuláveis, pessoas com fome de poder, tu ainda há de existir! Não tenho dúvidas de que enquanto houver governos corruptos, com líderes sem escrúpulos, tu ainda há de existir!
Não tenho dúvida de que enquanto existir pessoas com o intuito de sugar da máquina do estado, sem precisar mover um dedo para isso, tuas lembranças continuarão a rondar. Por que, enquanto vozes que deveriam falar se calam, diante da tua opressão e nada fazem, teu fantasma ainda continuará assombrar.

Pablo Danielli


[Malandro]  O malandro pulou carnaval  Virou música, arte moderna no museu...  Furou a fila  Passou o rodo,  ...