segunda-feira, 19 de novembro de 2018

[Sete heresias]
Sete corações 
Cantam uma canção,
Um dia sobre o amor...
E outra sobre perdão.
Um servia de guardião
Os outros seis,
Para sentir emoção.
Um coração para cada pecado
Um pecado para cada dia,
Por meio de fantasias,
Iam fazendo a vida.
Sete corações 
Que escondem um segredo,
Um guarda a chave,
E os outros serviam de espelho.
Sussurram por vinte e oito paredes,
Os segredos escondidos da mente...
Condenado pelo corpo
Por heresia...
Queimavam amor,
Enquanto podiam.
Sete corações 
Que estavam a sete palmos,
Mudos, os tolos cantavam...
Mas com sentimentos eternos
Que nunca calaram.

Pablo Danielli

terça-feira, 30 de outubro de 2018

[A filosofia do povo]

Se Sócrates ou Platão, tivessem pensando em uma forma de limpar a bunda, sem machucar o cú, ao invés de ficar delirando sobre a vida... Eles seriam lembrados por muito mais gente e não apenas por uma classe de universitários que se colocam acima do bem e do mal.
A falta de conexão com a realidade e o ser humano comum, faz com que a classe intelectual não tenha relevância nenhuma para aldeia, para vila, para a cidade ou para o mundo.
As pessoas tem um prazo de vida diferente em alguns lugares, porém se colocarmos na média de 70/80 anos, ninguém se importa pra onde vai e de onde vem. De uma forma geral o desejo é comprar, gastar, se divertir, sexo e quando não se pode evitar, chorar.
A pessoas desejam apenas segurança nesse processo chamado vida. Questões existenciais servem apenas para “gurus” e “pseudo intelectuais” ganharem dinheiro vendendo palestras. Falando o logico, para pessoas que não querem fazer o obvio.
O buraco profundo da filosofia, apenas faz perguntas rasas, quem não motivam o giro da roda, com dizeres enfadonhos e decorados. Por estas razões, quando a crise da existência bate à porta, os reles mortais buscam refúgio e respostas na religião.
Ninguém acostumado com a rotina, está preocupado com a história do universo. Apenas em ser feliz, sem ter que exercer sacrifícios. Animais nascem, vivem e morrem em ciclos viciosos. O ser humano por se dizer “racional”, não raramente esquece, que também possui os mesmos instintos de outros tantos que habitam a terra.
Por não compreender essa realidade é que vemos um meio intelectual ressentido, buscando sempre afirmação sobre os demais. Colocando-se como arauto da sabedoria, por vezes acreditando que seu intelecto deva ser mais valorizado que a mão de obra de uma gari ou faxineira. Mesmo que no mundo em que habitamos não vivemos sem os dois últimos. Porém o primeiro se torna totalmente dispensável em tempos de crise.
A filosofia do povo baseia-se no dia a dia, no café, almoço e janta. Entre um ônibus e outro a caminho ou volta do trabalho dá-se ao luxo de questionar sua insignificância no universo. E acaba sempre sendo interrompido pela chega no ponto final.
O mais perto possível de mitologias e literatura universal que as pessoas comuns chegam, é quando autores de novelas acrescentam em suas tramas tais fatos. Fazendo o público de uma forma geral acreditar, ser inédito o que se passa na tela da tv.
Universidades acabam sendo pequenas ilhas, aonde pessoas saciam-se lambendo o próprio saco na expectativa de serem elogiado por esse gesto. É por isso que especialistas sempre erram suas previsões, o universo intelectual sempre habita a orbita do universo real, mas nunca funde-se com ele, ficando aquém realidade das pessoas.
Na filosofia do povo, ganha dinheiro e atenção o banal. Aquilo que nunca sai do lugar, porque quem trabalha pra sobreviver, não tempo de ler pra se entreter.

Pablo Danielli

quinta-feira, 25 de outubro de 2018


[Morto]

Morto
Sem ter aberto os olhos.
Sem ter sentido o gosto
Da vida na boca.
Morto
Sem ter o nome lembrado.
Sem imaginar o que é afeto.
Apenas a violência dos gestos,
O desespero da sobrevivência
Em meio ao luto diário.
De uma miséria penetrada na carne,
Que exala dor e odor do caos disfarçado
Que carinhosamente chamamos de tempero.
Morto
Das ordens que nunca cessam.
Refém do silêncio,
Que assombra a noite.
Dos sonhos que viram pesadelos
Por desejos nunca satisfeitos.
Morto
E isso basta.

Pablo Danielli

quarta-feira, 24 de outubro de 2018


[Novos velhos]

Os novos velhos
Não desejam rédeas ideológicas,
Tão pouco, obedecer anciões...
Com novas ganâncias.

A lógica que surta, através da rotina,
Esperando por respostas que nunca chegam.

O tempo do relógio, sempre está em descompasso,
Com o desejo do infinito...
Mesmo que tenha um fim em nós.

Número de certidão, RG e CPF.
Números de placas, endereços e amores.
Número de Obituário.
Contando a vida, sem que alguém se importe.

Tanto faz o sentido daquilo
Que nunca está lá...

Tanto faz, o desejo que nunca se satisfaz.
Tanto faz se a engrenagem gira sem parar...

Os novos velhos
Querem se encontrar.

Acreditando nas recompensas
Ao se arriscar no abismo de nossas consciências.

O desespero de quem abre os olhos
E percebe que o norte está invertido.

Zona de conforto
Que escondem meias verdades,
Descobrir-se nu
Sem cordas para se salvar...

E dar um passo adiante,
Aceitando nossas limitações.

A eternidade que se encontra na liberdade,
Para os novos velhos, não morrerem de tedio,
Ou terem motivos pra se revoltar.

Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar.

Pablo Danielli

terça-feira, 23 de outubro de 2018


[Preço]

Pelo que, você vendeu seu corpo hoje?
Seus joelhos estão ralados,
Por desejo, humildade ou prazer?
Quanto dinheiro foi capaz de comprar sua honra?
Quantos likes fizeram você tirar a roupa?
Que banalidade fez seu mundo girar...
As sirenes do caos, tocam no seu ouvido?
Ou é apenas seu ego, pedindo mais...
Qual a marca que veste seu caráter?
Qual o restaurante que te serve boas fotos?
Qual o santo vai te salvar do pecado,
Quando mesmo a luz do dia...
Sua ganância, engole o que ainda existia da humanidade.
O cheiro da pobreza te causa náuseas?
Ou o cheiro do teu corpo...
É forte o suficiente pra te fazer especial?
Quantas vezes você treinou o sorriso no espelho,
Enquanto você ignora o que acontece ao seu redor?
Um futuro brilhante...
Para pessoas que brilham apenas pelas suas vontades.
Cheias de certezas fúteis,
Que não fazem o universo girar.
Quem você salvou hoje?
Esperando receber elogios
Por ser alguém engajado,
Em se autopromover.
Um pop star, das redes sociais?
Ou alguém, que disfarça a solidão...
Colocando preço
Em tudo o que faz.

Pablo Danielli

sexta-feira, 5 de outubro de 2018



[Destempero] 



Para o homem... 

Os sapatos, são mais importantes que os pés. 

Os anéis, mais necessários que os dedos. 

O preço da roupa, define o tamanho da fila. 

A fama é passaporte para as certezas, 

E a dúvida, apenas pra quem tem fome. 

É importante, quem tem nome nas revistas. 

Mesmo que seja por cinismo... 

Ser “descolado” é depender dos próprios pais, 

Problematizar na web é passatempo de quem vaga nas horas. 

Realidade só bate na porta de quem sobrevive, 

Perdendo tempo, sendo jumento de um estado social. 

Enquanto a honestidade parece ser item raro 

Em uma sociedade de ideologias recicladas. 

Gravatas bonitas 

Acompanhadas por discursos vazios, 

Fé cega, que cega até quem se diz “pensante”. 

No circo da mídia 

A vida é prato raso, servida morna... 

Com destempero casual dos jornais. 

O cheiro do ralo, 

Não afeta condomínios fechados, 

Porque podre é quem não tem rosto 

Em um mundo feito de fotos falsas. 

Os profetas contemporâneos 

Vendem livros sem solução, 

Repetem discursos batidos 

Pra fugir da realidade, evitar o obvio... 

Que aflige de Sócrates ao seu Zé povão. 



Pablo Danielli

quarta-feira, 12 de setembro de 2018


“A cadela do fascismo está sempre no cio”. Mas é a cadela do comunismo que está sempre prenha! E volta e meia deixa filhotes em forma de ditadores, políticos e “isentões” em países subdesenvolvidos.   

Pablo Danielli

terça-feira, 4 de setembro de 2018



[Carniceiros]

Na escuridão, 
A espera, a espera...


Uma cadeira velha, 
Uma janela quebrada.

Casa, que não é lar,
Tão pouco, morada...

Uma cidade presa, 
Na calada, da noite.

Gritos se escondem, 
Em becos escuros,
Batizados pelo mijo, 
Sangue de bêbado.

Corpos protegidos, 
Pela fé, Pela sorte,
Por paredes erguidas pelo medo.

Suor, lagrimas ou acaso?

Realidades maleáveis... 
Sonhos manipuláveis...

Jornais que batem à porta,
Trazendo números,
Mais um morto, mais um morto.

Carniceiros se amontoam, 
Sobre manchetes que escondem o chão.

Tudo serve de espetáculo, para chamar atenção.
A alma podre é um prato cheio,
Para aqueles que vivem...
De desilusões.

Em cidades de concreto e asfalto,
O sangue rega o pouco da terra,
Em forma de perdão.

Um desconhecido.
Um amigo.
Um irmão.

Carniceiros veem pequenos presentes
Como oferendas a um rei morto,
Manipulação.

O cheiro já não incomoda,
Ter um Deus pouco importa,
Faces perdidas pelas ruas,
Aflição.

Tempo que escorrega pelas sarjetas,
Levando a dignidade...

Dilacerando o pouco de humanidade,
Ombros que carregam o mundo,
Sucumbem ao umbigo.

Estar vivo, estar morto,
Já não importa mais.

O ar já não é fresco,
A agua tem um gosto insuportável
Da verdade.

E o que mais cresce,
Em meio ao silencio,
São os campos da morte.

Chora a criança,
Desespera-se o jovem...
Lamenta o adulto.

O miserável apenas sobrevive,
As favelas apenas sobrevivem,
Bairros nobres são como prisões,
Vigiadas, assistidas e impossíveis de chegar,
Que resistem em meio à realidade assistida.

O mundo não para...
O universo não para...

Não é tua a verdade,
Não é minha a mentira.

Há muitas coisas não ditas,
Existem muitas palavras distorcidas,
Que não se explicam.

É a chuva que afoga,
O sol que castiga,
Culpa da vida que não tem dono.
Culpa da dignidade que tem preço.

O sexo não dá prazer...
O coito não dá gozo...
A boca não seduz...

São apenas feridas,
Desejos da carne, 
Que já não se satisfaz.

Rotina, rotina, rotina.

Nada surpreende,
A vida é banal.
A morte é casual.

O que importa é o clique,
A audiência que gera a cifra,
Ceifadores da discórdia.

Mesmo que seja necessário,
Culpar, sem se desculpar.

O que importa da história
É o começo e o fim...

O meio se justifica,
Como propaganda,
Como desculpa,
Números na conta.

O cheiro do esgoto...
O cheiro da merda...
O cheiro das ruas...

Tantas realidades,
Que se misturam.

Animal, animal, animal...

Em meio ao ato civilizatório 
Somos todos irracionais.

Primatas que acham que o cheiro, 
Dó próprio cú é perfume,
Que o arroto é música,
E que o pinto e a buceta,
São do tamanho do nosso ego.

Orgulho que nos manipula.
Fé que nos cega.
Vaidade que nos corrompe.

Somos todos escravos,
De diferentes verdades.
Somos todos prisioneiros,
De nossas próprias ironias.

Somos todos mortos vivos,
Carniceiros, apodrecendo, escondidos,
Na escuridão...

A espera, a espera.

Pablo Danielli

sábado, 1 de setembro de 2018

[Noite dos cachorros perdidos]

Enquanto o latido
Toma conta das ruas,
Restos são jogados
Como banquete.
Na tentativa
De amordaçar,
Bocas famintas.
Como uma sinfonia absurda
A raiva espumando pela boca,
Já contamina as diferentes formas de vida.
Dessem-lhe pauladas!
Duchas generosas de agua!
Por um breve momento recuam
Mas fome é tanta,
Que seu amo assustado recua.
Corre e com medo se esconde,
Atrás de falsas propagandas
De alegrias gratuitas.

Pablo Danielli

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

[O Poço]

No fundo do poço
Estava a vida...
O pouco da dignidade,
E um resto de amor.
As palavras presas
Entre as paredes,
Faziam afogar.
A esperança...
Era como um muro alto,
Intransponível.
E o fundo do poço,
Era morto, sem luz...
Por que há muito
Os olhos não veem ou brilham.
Ninguém era capaz de ouvir ,
Os gritos eram tão fortes,
Quanto a indiferença...
De quem por ali passava.
Usado pela cidade,
Desprezado pela sociedade,
Esquecido como um eco...
Preso na memoria.
Antes fonte de vida,
Agora, agoniza.
Porque todo ser que ali bebeu
Esqueceu-se de retribuir,
Por que uma vida,
Só deixa de ser fonte,
Quando é apenas usada...
E esquecida.

Pablo Danielli

sábado, 25 de agosto de 2018



[Mulher]
Que direitos são estes que ferem
Não só o corpo, mas a alma,
Que luta é essa que maltrata
Dilacera a coragem, faz crescer o medo?

Que culpa tão grande é essa
Que faz desejar não viver,
É a beleza, o aroma ou o sorriso encantador?
Seus cabelos ao vento, não podem servir como chicotes!

Um silencio, que fere!
Dilacera e maltrata.
Mas os olhares tão tristes
Com esses dias tão incompreensíveis
Não fingem.

Existe vida além-mar?
Existe esperança além da dor?
Existe força aonde só há terror?

Tantas perguntas em um corpo tão frágil
Capaz de fazer surgir à vida,
Mas ainda incapaz
De viver com a dor.

Não é pela violência sofrida
Não é pelo desespero nela contida,
Não é pelas marcas que não cicatrizam!

É pela alma ferida
Pela pureza perdida
Pelo corpo que deveria receber
Somente o calor
E sentir apenas o amor.

É o direito de viver
De ser feliz,
Que alguns ainda não conseguem
Se permitir.

Pablo Danielli

[Sete heresias] Sete corações  Cantam uma canção, Um dia sobre o amor... E outra sobre perdão. Um servia de guardião Os outr...