quarta-feira, 8 de maio de 2019

[Á deriva]

Do teu silêncio,
Fez-se a tempestade.
Teu choro, um oceano.
E teu pesar...
Uma ancora.
Quem ousaria navegar,
Em aguas tão profundas?
Que arriscaria liberdade,
No que não tem leme...
A deriva, em meios aos pensamentos,
Faz de boia, tua esperança,
Para não afogar em teu desejo.
Ser, de um mar sem fim.
Ser, de si mesmo o norte.
Para não naufragar em outros corpos,
Sem rumo, na noite.

Pablo Danielli

quarta-feira, 17 de abril de 2019


[X]


O silêncio gritou
Páginas cheias de ideias,
Vítimas de borrachas ideológicas.

Quem antes gritava contra
Agora, fiscaliza os portões da mordaça.

Tua ofensa, minha ofensa...
Vigiada, por quem não produz...

A boca, a caneta e o vídeo...
Inimigos de quem tem o poder,
Políticos e seres “sensíveis”.
Que com a desculpa de ser,
Dentro de si mesmo, Ingênuo...
Culpa o próximo pelo próprio fracasso.

Soldados, identificados com suas baboseiras
Vigiam redes sociais, caçando desordeiros.

Para julgamento em praça pública!

Fogueira virtual, linchamento em nome da ordem.
Era medieval, em pleno século virtual.

Ilhas de Juízes.
Ilhas desprezíveis.
Ilhas medíocres.

Afogadas em egos, com o poder de julgar
Esquisitices...

Ditadores de teclados,
Campos de concentração dentro de um quarto.

Aqueles que não ousamos citar...
Aqueles que não ousamos criticar...
Aqueles que não ousamos, não ousamos...

Militância virtual, para caçar um liberdade antes real.

Riem de quem é feito refém,
Riem daqueles que perdem batalhas diárias...
Sem perceber que a queda do teu “inimigo”,
Precede o silêncio em pouco tempo, do teu” amigo”.

Quem antes gritava contra
Agora, fiscaliza os portões da mordaça.

Quem antes gritava contra
Agora ri da tua irrelevância.

Quem antes gritava contra
Agora já não fala mais...

Porque aonde um cala
O restante aos poucos,
Também cai.

Pablo Danielli

quarta-feira, 3 de abril de 2019


[Vazios]

O que é uma cidade?
Seus prédios, suas ruas?
O ar melancólico que o inverno trás,
Fazendo o sol tocar a escuridão em dias de inverno?
As pessoas, que esbarram entre si
Sem saber nome ou guardar rostos?
O ar pesado...
Da dos passos apresados.
As janelas fechadas
As luzes acessas,
Mostrando a solidão coletiva.
O que é a cidade,
Vista de cima, de perto...
Seus detalhes, que ninguém se importa.
Um amontoado de emoções
Misturados ao concreto nú...
Frio, que busca nos corpos
Novas formas de vida.
Um cigarro acesso,
Garrafas pela metade
Tentando preencher lacunas.
Loucuras estampadas em outdoor
Alucinação, felicidade coletiva.
Vazios, que se fazem presente.
5 vivos / 2 mortos
Rotina que cega lentamente.
Sucumbi ao relógio...
As memorias...
Corroendo o concreto.

Aos anos, que ninguém percebe.
Neon, que parece veias irrigando caminhos.
Mostrando a cidade
Pra quem não sabe, que faz parte.
Que continua a se perguntar,
De que lado da rua, é o seu lugar?

Pablo Danielli


terça-feira, 12 de março de 2019


[Círculos]

Há sombra do que sou
Sou menos do que penso ser,
E desse devaneio...
Respiro, tentando não esmorecer,
Tropeçando em um eu sem fim.
Deixando de seguir instintos
Gastando o que resta de mim
Criando calos, por andar em círculos invisíveis.
Corroendo aquilo que passa e não se pode ver,
E o reflexo do que sinto,
Não é mais aquilo que costumava ser.
Porque eu...
Sou um eu sem fim
Que mesmo com o silêncio da mente
Persisto aonde nada brota,
Com medo de descobrir novas portas, outros corpos.
Deixando antigas rotas de colisão,
Encontrarem o nada.
Vazios absolutos que domam o corpo,
Mesmo quando a vida insiste em sair por frestas,
Deixadas por marcas, que ali não estavam.
Um corpo perambulando
Exprimido entre tantos outros,
Caminhos que se definem, por um sopro.



Pablo Danielli

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018


[Mundo]

Todo mundo, no mundo
Em algum momento,
Está sozinho.
Qualquer pessoa pode se encontrar
Perdido, desiludo...
Em uma rua qualquer.
Sem palavras,
Apenas com olhares, para o nada.
Não existe hora, momento ou lugar...
Que evite ou seja capaz de deixar,
Certas coisas para trás.
Todo mundo, tem um mundo dentro de si
Capaz de se perder em meio a solidão
E desejos...
Que mais ninguém se importa.
Todo mundo tem um nó na garganta
Que não desata,
Uma lágrima, que fica por cair.
Um sorriso amarelo de canto
Que é resposta, quando a aposta
Ri de você.
Todo mundo, no mundo
É um mundo, preso em um universo
Desconhecido, esperando se descobrir.
Um porta trancada que insiste em bater,
Dentro da cabeça, aonde ninguém vê.
Um suspiro que foge pelas frestas,
Buscando abrigo, em outros sonhos.
Porque certas vezes
Somos como ilhas,
Separadas por duvidas
Em forma de oceanos.
Que fazem os anos,
Passarem castigando a pele
Como sal do mar, no sol
Que ilumina o mundo,
Mas não o silêncio que existe
Dentro de nós.

Pablo Danielli

segunda-feira, 26 de novembro de 2018


[Curtido]

O chicote das palavras,
Escraviza línguas levianas.
Como um véu, cobrem
Os olhos da indiferença.
Jaulas, feitas para a voz ...
Lacradas por correntes
Ideológicas.
As lanternas,
Mesmo em mentes escuras...
Não são capazes de conter o efeito manada.
Joelhos fracos,
Se curvam diante de silabas
Mal escritas.
Todo universo pensante
Se afoga!
Em meias palavras...
Meias verdades...
Vendidas a conta gotas,
Em programas de auditório.
Folhetos baratos
De fim de feira,
Anunciando o ‘intelectual” da semana.
A vaidade, ainda é o centro do universo...
Que como um pendulo,
Lentamente rasga o papel como carne.
Porque a tinta da caneta
Se mistura ao sangue,
Daqueles que sem voz
São reféns,
Dos que se dizem pensantes.

Pablo Danielli

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

[Caminhar]
Não podemos ser,
Aquilo que não estejamos dispostos
A viver.
Os passos
Não nos levam, 
Além dos calos que podemos suportar.
Embora a imaginação permita...
É o corpo, que precisa do ato para nos satisfazer.
Olhares perdidos no horizonte
Nem sempre significam paz.
Por que asas,
Pertencem aos pássaros.
E mesmo em dias de tempestade...
Ao ser humano,
Está reservado o caminhar.

Pablo Danielli
[Palavras]
Fala boca!
Fala para teus amigos,
Para os teus inimigos?
Mas fala...
Não te cala diante das duvidas,
Não silencia no teu medo...
Agride o vento,
E profere contra ele,
Palavras!

Pablo Danielli

terça-feira, 20 de novembro de 2018

[Mordaça]
A palavra,
É uma expressão da vida.
O silencio,
É uma expressão da morte.
A palavra que é pensada,
E não é dita...
Já nasce morta.
A palavra dita sem pensar,
Afoga-se...
Pois não significa nada.
Da mesma forma,
Que os pulmões, necessitam do ar,
A boca, também necessita de mordaça...
E em algum outro momento,
A oportunidade da fala.

Pablo Danielli

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

[Sete heresias]
Sete corações 
Cantam uma canção,
Um dia sobre o amor...
E outra sobre perdão.
Um servia de guardião
Os outros seis,
Para sentir emoção.
Um coração para cada pecado
Um pecado para cada dia,
Por meio de fantasias,
Iam fazendo a vida.
Sete corações 
Que escondem um segredo,
Um guarda a chave,
E os outros serviam de espelho.
Sussurram por vinte e oito paredes,
Os segredos escondidos da mente...
Condenado pelo corpo
Por heresia...
Queimavam amor,
Enquanto podiam.
Sete corações 
Que estavam a sete palmos,
Mudos, os tolos cantavam...
Mas com sentimentos eternos
Que nunca calaram.

Pablo Danielli

terça-feira, 30 de outubro de 2018

[A filosofia do povo]

Se Sócrates ou Platão, tivessem pensando em uma forma de limpar a bunda, sem machucar o cú, ao invés de ficar delirando sobre a vida... Eles seriam lembrados por muito mais gente e não apenas por uma classe de universitários que se colocam acima do bem e do mal.
A falta de conexão com a realidade e o ser humano comum, faz com que a classe intelectual não tenha relevância nenhuma para aldeia, para vila, para a cidade ou para o mundo.
As pessoas tem um prazo de vida diferente em alguns lugares, porém se colocarmos na média de 70/80 anos, ninguém se importa pra onde vai e de onde vem. De uma forma geral o desejo é comprar, gastar, se divertir, sexo e quando não se pode evitar, chorar.
A pessoas desejam apenas segurança nesse processo chamado vida. Questões existenciais servem apenas para “gurus” e “pseudo intelectuais” ganharem dinheiro vendendo palestras. Falando o logico, para pessoas que não querem fazer o obvio.
O buraco profundo da filosofia, apenas faz perguntas rasas, quem não motivam o giro da roda, com dizeres enfadonhos e decorados. Por estas razões, quando a crise da existência bate à porta, os reles mortais buscam refúgio e respostas na religião.
Ninguém acostumado com a rotina, está preocupado com a história do universo. Apenas em ser feliz, sem ter que exercer sacrifícios. Animais nascem, vivem e morrem em ciclos viciosos. O ser humano por se dizer “racional”, não raramente esquece, que também possui os mesmos instintos de outros tantos que habitam a terra.
Por não compreender essa realidade é que vemos um meio intelectual ressentido, buscando sempre afirmação sobre os demais. Colocando-se como arauto da sabedoria, por vezes acreditando que seu intelecto deva ser mais valorizado que a mão de obra de uma gari ou faxineira. Mesmo que no mundo em que habitamos não vivemos sem os dois últimos. Porém o primeiro se torna totalmente dispensável em tempos de crise.
A filosofia do povo baseia-se no dia a dia, no café, almoço e janta. Entre um ônibus e outro a caminho ou volta do trabalho dá-se ao luxo de questionar sua insignificância no universo. E acaba sempre sendo interrompido pela chega no ponto final.
O mais perto possível de mitologias e literatura universal que as pessoas comuns chegam, é quando autores de novelas acrescentam em suas tramas tais fatos. Fazendo o público de uma forma geral acreditar, ser inédito o que se passa na tela da tv.
Universidades acabam sendo pequenas ilhas, aonde pessoas saciam-se lambendo o próprio saco na expectativa de serem elogiado por esse gesto. É por isso que especialistas sempre erram suas previsões, o universo intelectual sempre habita a orbita do universo real, mas nunca funde-se com ele, ficando aquém realidade das pessoas.
Na filosofia do povo, ganha dinheiro e atenção o banal. Aquilo que nunca sai do lugar, porque quem trabalha pra sobreviver, não tempo de ler pra se entreter.

Pablo Danielli

[Á deriva] Do teu silêncio, Fez-se a tempestade. Teu choro, um oceano. E teu pesar... Uma ancora. Quem ousaria navegar, Em...