quarta-feira, 12 de setembro de 2018


“A cadela do fascismo está sempre no cio”. Mas é a cadela do comunismo que está sempre prenha! E volta e meia deixa filhotes em forma de ditadores, políticos e “isentões” em países subdesenvolvidos.   

Pablo Danielli

terça-feira, 4 de setembro de 2018



[Carniceiros]

Na escuridão, 
A espera, a espera...


Uma cadeira velha, 
Uma janela quebrada.

Casa, que não é lar,
Tão pouco, morada...

Uma cidade presa, 
Na calada, da noite.

Gritos se escondem, 
Em becos escuros,
Batizados pelo mijo, 
Sangue de bêbado.

Corpos protegidos, 
Pela fé, Pela sorte,
Por paredes erguidas pelo medo.

Suor, lagrimas ou acaso?

Realidades maleáveis... 
Sonhos manipuláveis...

Jornais que batem à porta,
Trazendo números,
Mais um morto, mais um morto.

Carniceiros se amontoam, 
Sobre manchetes que escondem o chão.

Tudo serve de espetáculo, para chamar atenção.
A alma podre é um prato cheio,
Para aqueles que vivem...
De desilusões.

Em cidades de concreto e asfalto,
O sangue rega o pouco da terra,
Em forma de perdão.

Um desconhecido.
Um amigo.
Um irmão.

Carniceiros veem pequenos presentes
Como oferendas a um rei morto,
Manipulação.

O cheiro já não incomoda,
Ter um Deus pouco importa,
Faces perdidas pelas ruas,
Aflição.

Tempo que escorrega pelas sarjetas,
Levando a dignidade...

Dilacerando o pouco de humanidade,
Ombros que carregam o mundo,
Sucumbem ao umbigo.

Estar vivo, estar morto,
Já não importa mais.

O ar já não é fresco,
A agua tem um gosto insuportável
Da verdade.

E o que mais cresce,
Em meio ao silencio,
São os campos da morte.

Chora a criança,
Desespera-se o jovem...
Lamenta o adulto.

O miserável apenas sobrevive,
As favelas apenas sobrevivem,
Bairros nobres são como prisões,
Vigiadas, assistidas e impossíveis de chegar,
Que resistem em meio à realidade assistida.

O mundo não para...
O universo não para...

Não é tua a verdade,
Não é minha a mentira.

Há muitas coisas não ditas,
Existem muitas palavras distorcidas,
Que não se explicam.

É a chuva que afoga,
O sol que castiga,
Culpa da vida que não tem dono.
Culpa da dignidade que tem preço.

O sexo não dá prazer...
O coito não dá gozo...
A boca não seduz...

São apenas feridas,
Desejos da carne, 
Que já não se satisfaz.

Rotina, rotina, rotina.

Nada surpreende,
A vida é banal.
A morte é casual.

O que importa é o clique,
A audiência que gera a cifra,
Ceifadores da discórdia.

Mesmo que seja necessário,
Culpar, sem se desculpar.

O que importa da história
É o começo e o fim...

O meio se justifica,
Como propaganda,
Como desculpa,
Números na conta.

O cheiro do esgoto...
O cheiro da merda...
O cheiro das ruas...

Tantas realidades,
Que se misturam.

Animal, animal, animal...

Em meio ao ato civilizatório 
Somos todos irracionais.

Primatas que acham que o cheiro, 
Dó próprio cú é perfume,
Que o arroto é música,
E que o pinto e a buceta,
São do tamanho do nosso ego.

Orgulho que nos manipula.
Fé que nos cega.
Vaidade que nos corrompe.

Somos todos escravos,
De diferentes verdades.
Somos todos prisioneiros,
De nossas próprias ironias.

Somos todos mortos vivos,
Carniceiros, apodrecendo, escondidos,
Na escuridão...

A espera, a espera.

Pablo Danielli

sábado, 1 de setembro de 2018

[Noite dos cachorros perdidos]

Enquanto o latido
Toma conta das ruas,
Restos são jogados
Como banquete.
Na tentativa
De amordaçar,
Bocas famintas.
Como uma sinfonia absurda
A raiva espumando pela boca,
Já contamina as diferentes formas de vida.
Dessem-lhe pauladas!
Duchas generosas de agua!
Por um breve momento recuam
Mas fome é tanta,
Que seu amo assustado recua.
Corre e com medo se esconde,
Atrás de falsas propagandas
De alegrias gratuitas.

Pablo Danielli

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

[O Poço]

No fundo do poço
Estava a vida...
O pouco da dignidade,
E um resto de amor.
As palavras presas
Entre as paredes,
Faziam afogar.
A esperança...
Era como um muro alto,
Intransponível.
E o fundo do poço,
Era morto, sem luz...
Por que há muito
Os olhos não veem ou brilham.
Ninguém era capaz de ouvir ,
Os gritos eram tão fortes,
Quanto a indiferença...
De quem por ali passava.
Usado pela cidade,
Desprezado pela sociedade,
Esquecido como um eco...
Preso na memoria.
Antes fonte de vida,
Agora, agoniza.
Porque todo ser que ali bebeu
Esqueceu-se de retribuir,
Por que uma vida,
Só deixa de ser fonte,
Quando é apenas usada...
E esquecida.

Pablo Danielli

sábado, 25 de agosto de 2018



[Mulher]
Que direitos são estes que ferem
Não só o corpo, mas a alma,
Que luta é essa que maltrata
Dilacera a coragem, faz crescer o medo?

Que culpa tão grande é essa
Que faz desejar não viver,
É a beleza, o aroma ou o sorriso encantador?
Seus cabelos ao vento, não podem servir como chicotes!

Um silencio, que fere!
Dilacera e maltrata.
Mas os olhares tão tristes
Com esses dias tão incompreensíveis
Não fingem.

Existe vida além-mar?
Existe esperança além da dor?
Existe força aonde só há terror?

Tantas perguntas em um corpo tão frágil
Capaz de fazer surgir à vida,
Mas ainda incapaz
De viver com a dor.

Não é pela violência sofrida
Não é pelo desespero nela contida,
Não é pelas marcas que não cicatrizam!

É pela alma ferida
Pela pureza perdida
Pelo corpo que deveria receber
Somente o calor
E sentir apenas o amor.

É o direito de viver
De ser feliz,
Que alguns ainda não conseguem
Se permitir.

Pablo Danielli

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

[Democracia]
Quando ouvi os gritos,
Tampei meus ouvidos.
Quando senti a fumaça,
Cobri meus olhos e nariz.
Quando o sangue respingou em mim,
Apenas lavei minhas mãos.
Quando a minoria estava nas ruas,
Tranquei-me na sala e liguei a tv.
Enquanto o governo coagia,
E a policia batia, minha omissão falava.
Com a coleira de ajuda e salários mínimos,
A sociedade me oprimia.
Só percebi que o caminho não tinha mais volta,
Quando amanhecia o dia.
Manchetes de jornal em sua maioria,
São sempre as mesmas e vazias.
Eu morria sem envelhecer,
Escravo de um sistema brutal,
Disfarçado de democracia.
A ilusão vendida à conta gotas,
Esmola para mentes vazias,
E isto sem perceber, havia me custado uma vida.
Pablo Danielli

terça-feira, 14 de agosto de 2018

"Os piores erros que cometemos , não são aqueles que nos custam dinheiro. 
São os que nos custam tempo, o dinheiro se recupera... Os dias perdidos não".

Pablo Danielli

sexta-feira, 3 de agosto de 2018



Brasília é uma ilha
Cercada por uma mar de indigentes.

Por moribundos escravos...
Calados, invisíveis acorrentados
Aos impostos do estado.

Mão de obra barata
Para enriquecer paletós,
Sem caráter e gravatas importadas.

Brasília fica fora do mapa
Porque no brasil de verdade
A miséria faz escola.

E na escola da vida
Só o número de votos importa.

Enquanto a Receita
Fiscaliza seus gastos,
E fecha os olhos
Para os poderosos.

O congresso é um reino
Aonde o luxo e a falta de vergonha,
Não faz diferença em meio
A tanta gente bacana.

No bacanal da realeza
Ri, quem fode o povo...
Toda a semana.

A velha política,
E a nova política...
Tem o mesmo sobrenome
Correm nas veias o mesmo sangue.

É terra da justiça com preço
E a liberdade é moeda de troca,
Entre ministros preocupados
Com o valor da próprio toga.

Brasília não cabe no jornal
É tanta gente corrupta,
Que marca com rastro de lama...
O eixo monumental.

Os lacaios do Brasil
Sucumbem a Brasília!

Enquanto artistas e pensadores
Brincam de engajamento político,
O dinheiro vai pelo ralo...
Sem se importar com corpos,
Em hospitais quebrados.

Porque o que importa
É a verba da propaganda,
Propina pra fechar os olhos
Patrocínio pra moldar mentes!
Manchetes de revistas,
Polêmicas da semana.

Pablo Danielli

terça-feira, 24 de julho de 2018



[Enlatado] 



Pensadores 

Que vendem frases prontas, 

Especialistas 

Que não entendem a demanda. 



Governos que 

Sugam a manada. 



Propaganda, 

Com artistas que pensam ter 

A verdade nas palavras. 



Pequenas ilhas de hipocrisias 

Vivendo em mundo de fantasias, 

Aonde a realidade do dia a dia 

Não se ouve, não se vê... 

Causa alergia. 



Nada causa mais espanto 

Quem uma falha na engrenagem, 

Fazendo do horário comercial, algo especial... 

Enquanto se procura outra forma 

De se manter o privilegio, 

Sendo capa de jornal. 



A pobreza do homem 

O espirito quebrado, 

A ausência da mente... 

É um banquete, 

Para aqueles que se dizem coerentes. 



Livros de autoajuda, 

Palestras repetidas 

Incansavelmente. 



Conta-se nos dedos 

Seres que se dizem intelectuais, 

Que conseguem pensar com a própria mente. 



Tudo faz parte do esquema 

E o povo não tem convite, 

Para o banquete. 



Faz de conta, 

Na terra em que a verdade não se planta... 

Porque a miséria não é só do de comida 

Mas da mente, que com pouco se encanta. 



Fingir se importar 

Dá likes em redes sociais. 

Patrocínio de marcas, 

Comportamento exemplar... 

Discursos bonitos, 

Viram manchetes em sites globais. 



Tudo superficial 

Porque lá no chão 

Aonde sapatos caros não pisam 

Tem o povo, a realidade... 

Que se repetem todo dia. 

Medos e agonias... 

Fantasmas de uma gente sofrida. 



O suor causa nojo 

Em quem vive de ideologias. 



Como ser alguém 

Se o tempo não existe, 

Para aqueles pessoas 

Que são reféns da pobreza, 

Da falta de escolhas 

Aonde a única certeza 

É a morte... 

E uma vida de sobras, 

Daqueles que dizem se importar, 

Indignados, “mudam” sem sair do lugar. 



Produtos enlatados 

Com fórmulas prontas, 

Classificados de acordo 

Com o padrão social. 



Não se tem o direito de querer 

O que está além da embalagem, 

Porque o privilégio de ser ... 

É de acordo com o círculo social. 



Migalhas de um discurso bonito 

Falsa esperança, na expectativa 

De mudar apenas a data do calendário... 

Enquanto no país do samba, 

O certo, é que continue tudo exatamente no mesmo lugar. 



Pablo Danielli

quinta-feira, 19 de julho de 2018




[Malandro] 



O malandro pulou carnaval 

Virou música, arte moderna no museu... 



Furou a fila 

Passou o rodo, 

Carteiraço no hospital! 



Vendeu o voto 

Bebeu até se perder, 

Virou personagem de novela... 

Sucesso na televisão! 



Feriado pra homenagear 

Passeata, reinvindicação. 



Dominou o país, 

Eleito presidente, 

Decretou vagabundagem 

Lema, de um povo senil. 



O malandro tem lábia 

Fala mansa e malicia no olhar, 

Paga conta com dinheiro dos outros 

Por que vida boa, 

Precisa de alguém pra se sustentar. 



Virou rosto em camiseta 

Lema de intelectual de botequim, 



A capa do jornal grita: 

Melhor malandro 

Que um otário Infeliz! 



Pablo Danielli 



terça-feira, 17 de julho de 2018



[Sina] 



Entre calçadas 

Prédios se erguem, 

Na mesma velocidade 

Que as pessoas se afastam. 



Buracos em ruas mal feitas 

Que servem apenas para serem preenchidos, 

Com demagogias e discursos vazios. 



Pseudos intelectuais 

Com frases em outdoor... 

Liderando a manada 

Para lugar nenhum. 



Mais do mesmo 

Para massagear o ego, 

De uma classe que vive de distopias. 



Entre o nascer e o pôr do sol 

O tempo corre dentro de ônibus lotados, 

Mas vazios de esperança. 



Monotonia, rotina... 

Aflições do dia a dia, 

Tolices, de uma vida cretina. 



Reféns da estrutura, 

Da falta de escolhas. 

De oportunidades, 

Que nunca aconteceram. 



Repetindo orações, 

Lagrimas e medo. 

O poder muda de mãos 

Mas é sempre mais do mesmo. 



Nascer, sobreviver e morrer sem se perceber. 

Seres descartáveis, discursos para propaganda... 

Slogan, debate fútil da semana. 



Salvadores da pátria 

Não salvam a esperança, 

Afoga-se em palavras 

Repetidas no espelho. 



Tentando se convencer 

Ser o dono do poder, 

Velhas coroas... 

Para novos reis. 



A sina... 

Não se esconde de olhares 

Acostumados a sofrer. 



Uma hora, um dia, uma vida... 



Pra quem não existe, 

Tanto faz, como tanto fez. 



Pablo Danielli 

“A cadela do fascismo está sempre no cio”. Mas é a cadela do comunismo que está sempre prenha! E volta e meia deixa filhotes em forma de ...