sexta-feira, 4 de novembro de 2016



A deriva



Os olhos grandes e negros olhavam fixamente para o espelho, buscando como em uma ultima tentativa encontrar ao menos um pequeno fecho de luz. Mas o anoitecer ao que parece, muda não só o dia, mas a sensação de vida dentro si mesmo.

Esperava há muito tempo por uma resposta, um sinal... E em meio à cidade feita de um mar de concreto e sujeiras, nenhum farol para indicar o caminho, apenas mais um corpo a deriva, a espera, a espera... 

Do alto do seu reino de poucos metros quadrados, era capitão de si mesmo e um naufrago, do que diz respeito a sua vida. Ao desviar seu olhar para a janela percebe que seu corpo esta pesado e sua garganta não ousa dizer uma palavra se quer.

O peso dos sentimentos que nunca foram colocados a prova faziam se afogar lentamente, um fardo que o puxava cada vez mais para o fundo e não era capaz de largar tudo aquilo. Ao que parece todos temos nossas pequenas riquezas para se apegar em um momento de quase vida.

Os braços lentamente se moviam, em um movimento quase que sutil de quem não tem muita força dentro si, abrindo lentamente a janela na esperança de que o vento lhe traga um sopro de vida, embora demonstre receio no que possa sentir.

Uma voz absurdamente sedutora rasga o silencio do seu pensar, mesmo sendo quase impossível de outras pessoas ouvirem, um grito de socorro em forma de pedido lhe é feito: 

- Volta para a cama! Volta para a cama!

Vira seu corpo em direção à voz e pensa consigo mesmo questionando, se isto era um pedido de alguém que tem medo da solidão ou apenas de quem quer ter um pouco mais de prazer mesmo sem compreender o quão profundo aquele gesto possa significar.

Mal sabia nadar no mar de suas emoções e teria que servir de bote salva vidas para mais uma pessoa, ironicamente a sua única conquista naqueles dias frios e de tempestade dentro do seu corpo.

Os passos que fizeram o trajeto, pareciam desbravar aquilo que a muito tempo parecia perdido e confuso, de forma quase que mecânica fechava seus olhos na esperança de se mostrar forte o suficiente para servir de porto.

Em um abraço aonde mais parecia que dois corpos tentavam se envolver para não serem atingidos pela fúria da cidade, a carne era pressionada quase unindo as duas almas.


Naquela noite ambos pareciam estar a salvos, naquelas horas que precediam mais um dia, suas aflições pareciam domadas, poderiam quem sabe ter forças para mais um mergulho no intimo de seus desejos, tentando ao menos por um momento, fugir da escuridão.

Pablo Danielli 

terça-feira, 1 de novembro de 2016



[Cem anos de solidão]

Tudo é tempo, tudo é vida.
São anos em dias...
São muitos sonhos lutando,
Contra a própria insatisfação.


São dias de gloria
E noites de solidão,
São pessoas ausentes
Saudades de objetos,
Que nunca serão.

É o vazio no peito
É o olhar cheio, da falsa beleza,
Presenteada com o horizonte
Distante e frio.

Há tantos caminhos
E tantas pontes, embora nenhuma,
Me leve ao seu coração.

São dias e noites
Com pensamentos soltos,
Que para quem não me conhece
Mais parece, cem anos de solidão.

Pablo Danielli

segunda-feira, 31 de outubro de 2016





[Libertar]

O amor,
Não se pode afogar...
Nem em lagrimas,
Tão pouco em sorrisos,
Ele sempre foge,
Quando sufocado.


Seja para se libertar,
Ou para se esconder.

Diz-se das paredes
De um coração vazio...
Apenas sangue não serve.

Criam-se musgos,
O amor lava-o,
Mas não o preenche.

Por que amor sem desejo,
Sem carinho e sem crer...
Não tem força.

É necessário ter a volúpia da fé.

Pablo Danielli

quinta-feira, 27 de outubro de 2016



(Outonos e primaveras)

Será eterno
Apenas o momento,
Que escolheste viver!
O resto serão folhas.
Que caem nos outonos,
E sobras de amor...
Que florescem na primavera.


Pablo Danielli

terça-feira, 25 de outubro de 2016



[Um pouco de tempo]

Não há dor
Nem amor,
Que não se curem.
Com um pouco
De tempo,
Com um resto
De lagrima,
Com um vestígio
De solidão.
O que é a mistura dos dois
Se não a vida?
O que seria sua falta
Se não a morte?
De todos os amores sãos
O que deixa marca,
É a loucura!
De todas as loucuras
É o gesto simples.
Ao final, é piscar os olhos,
Disfarçar o peso das escolhas,
E vendar o cansado coração.
Dia sim, dia não!
Se a vida quiser,
Tropeço, numa nova paixão.


Pablo Danielli

segunda-feira, 24 de outubro de 2016



[Entre tantos passos]

Entre tantos passos
Perdi-me nos teus,
Entre tantos abraços
Aqueci-me no seu,
Entre tantos olhares
Apaixonei-me pelo teu,
Entre tantos corações
O ferido foi o meu.


Pablo Danielli

domingo, 23 de outubro de 2016



{Que culpa tem o tempo}

O tempo
Bate a porta,
Dessa ingrata
Á vida, pobre vida.
Gastando as rugas
Que sobraram em teu olhar.
Culpa teus erros
Por deixa-lo entrar assim,
E levar com ele
Todo teu sopro de juventude.
Dos frutos, da velha arvore,
Que um dia, mesmo com sua sabedoria,
Lhe faltará.


Pablo Danielli

sábado, 22 de outubro de 2016



{Voar}

De todos os remédios
Que poderia tomar,
Ler a bula de um livro
Foi o que te serviu...
Para saciar a loucura!
Para curar o marasmo!
Para flutuar...
Mesmo com tantas amarras,
E os pés descalços
Indecisos e sem saber,
Se podem... 
Pisar, correr ou voar.


Pablo Danielli

sexta-feira, 21 de outubro de 2016



{Os pássaros}

Senta, observa os pássaros
Percebe que eles cantam
Percebe que é musica pura.
Mostrando a beleza da vida
No bico e no bater de asas
De uma pequena criatura.


Pablo Danielli

quinta-feira, 20 de outubro de 2016



(A poesia)

A poesia feita
De palavras, sentimentos,
Duras verdades.
Um laço
Na cabeça, dos descrentes,
Um tiro no escuro
Eco no vazio da mente.
Voz
Para os que recusam,
Se expressar.
Olhos
Para aqueles que insistem,
Em não se desvendar.
Mentiras
Para aqueles que já não conseguem
Fingir amar.
Sem sentido, complexo,
Absurdamente lindo!
A poesia
Por mais esquecida
Que esteja,
Nunca tem fim!
Basta um olhar
Para recomeçar.


Pablo Danielli

Livro a venda!!!!

Lançamento!!! Mergulhe nas palavras e aproveite cada frase desta obra, selecionada especialmente para você leitor! A venda nas livrarias e s...