Poesias, crônicas, textos sobre a vida. Poems, essays, texts about life. Poesie, saggi, testi sulla vita. Des poèmes, des essais, des textes sur la vie. Gedichte, Essays, Texte über das Leben. Poemas, ensayos, textos sobre la vida.
quinta-feira, 16 de março de 2017
[O plano]
O plano
Era usar as palavras,
Era gastar sem ninguém perceber.
Fazer propaganda com palavras bonitas
Usar a manipulação da tv!
O plano era simples
Composto por pessoas simples,
Mas com gostos complexos em excesso.
Era erguer um muro
De ideologias e falsos dizeres,
Para se defender.
O plano sempre teve na pauta
A palavra reeleger...
Afogar a cultura...
Matar o pensamento...
Transformar o povo em um jumento!
O plano...
Sempre foi distrair.
Com alguma discussão vazia,
Enquanto milhares morrem,
Em filas, de fome, alucinação coletiva?
Mata mais que a guerra fria!
Era um plano perfeito
Feito para políticos de respeito,
Que excluía qualquer tipo de sujeito
Que luta por cidadania.
O único problema do plano
É que ele não sacia,
O apetite voraz de quem escraviza.
Pablo Danielli
terça-feira, 14 de março de 2017
sábado, 11 de março de 2017
[Sal da Terra]
A lagrima é o sal da terra,
Aonde a vida seca...
Não adoça esperança.
Chão partido,
Não brota vida.
Qual o tamanho do mundo,
Quando o horizonte é pó!
Perdão, pelas orações mesquinhas...
Perdão! Pelas orações mesquinhas?
É que o sol do meio dia,
Faz a vida ficar pequena,
É o vazio da existência.
Que só, se vive...
Não se lê, não se escreve,
Em nenhuma linha.
É sina, é agonia, é vida...
Não existe escolha,
Para quem tem o pé esfolado.
Sorrisos trincados,
Em um fim de mundo,
Num mundo lotado.
É o sal da terra,
Que seca a boca...
Afogando esperanças,
De mãos esfoladas.
Que mesmo estendidas...
Não tem preces atendidas.
É o que não se vê...
É o que não se sente...
É o que se ignora...
A vida partida,
De um ser invisível.
É a noite só,
O dia ausente.
É o sal da terra,
Vida de indigente.
Pablo Danielli
sexta-feira, 10 de março de 2017
[Ilusão]
Quantas verdades são necessárias,
Para construir uma mentira?
Quantas manchetes,
Para te fazer refém?
Falsas escolhas,
Diferentes ilusões...
Verdades feitas para atacar.
Presos de discursos,
Causas que servem
Apenas para interesses.
A falsa duvida...
Travestida de bondade.
Bonecos manipuláveis
Vestidos pela razão,
Um discurso de confetes...
Que não enche o prato de feijão.
Os novos (Reis?), agora...
Usam cargos políticos e manipulação.
Justiça seja feita?
Só pra quem tem o bolso cheio,
Pra servir de “inspiração”...
(Falta culhão ao cidadão!)
Pensar sem rédeas,
Faz gastar a sola do sapato.
Em um lugar aonde todos vivem cercados,
A morte é sempre certa...
Com ou sem escravidão.
Rei morto, rei posto...
Mudam-se os nomes
Continuam os luxos e os desejos,
Ao povo, migalhas...
Ilusão.
Pablo Danielli
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
Pulso;
A cidade Pulsa...
A cidade, pulsa...
Pulsa, pulsa, pulsa.
Mesmo quando,
Ninguém vê.
Mesmo quando,
Ninguém sente.
No dia, na noite...
Em meio a rostos estranhos.
Pulsa!
Mesmo quando o barulho,
Não
permite ouvir.
Mesmo
quando o ódio,
Não permite enxergar.
A
cidade, pulsa...
Nas
suas veias abertas,
Esconde-se
a vida,
E a
morte, em forma de esgoto.
Rico,
pobre,
Branco,
negro...
Tantos
nomes, tantos corpos.
Que a
cidade faminta,
Apenas
os engole,
E
pulsa...
Pablo Danielli
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
[Carniceiros]
Na escuridão,
A espera, a espera...
Uma cadeira velha,
Uma janela quebrada.
Casa, que não é lar,
Tão pouco, morada...
Uma cidade presa,
Na calada, da noite.
Gritos se escondem,
Em becos escuros,
Batizados pelo mijo,
Sangue de bêbado.
Corpos protegidos,
Pela fé, Pela sorte,
Por paredes erguidas pelo medo.
Suor, lagrimas ou acaso?
Realidades maleáveis...
Sonhos manipuláveis...
Jornais que batem a porta,
Trazendo números,
Mais um morto, mais um morto.
Carniceiros se amontoam,
Sobre manchetes que escondem o chão.
Tudo serve de espetáculo, para chamar atenção.
A alma podre é um prato cheio,
Para aqueles que vivem...
De desilusões.
Em cidades de concreto e asfalto,
O sangue rega o pouco da terra,
Em forma de perdão.
Um desconhecido.
Um amigo.
Um irmão.
Carniceiros veem pequenos presentes
Como oferendas a um rei morto,
Manipulação.
O cheiro já não incomoda,
Ter um Deus pouco importa,
Faces perdidas pelas ruas,
Aflição.
Tempo que escorrega pelas sarjetas,
Levando a dignidade...
Dilacerando o pouco de humanidade,
Ombros que carregam o mundo,
Sucumbem ao umbigo.
Estar vivo, estar morto,
Já não importa mais.
O ar já não é fresco,
A água tem um gosto insuportável
Da verdade.
E o que mais cresce,
Em meio ao silencio,
São os campos da morte.
Chora a criança,
Desespera-se o jovem...
Lamenta o adulto.
O miserável apenas sobrevive,
As favelas apenas sobrevivem,
Bairros nobres são como prisões,
Vigiadas, assistidas e impossíveis de chegar,
Que resistem em meio à realidade assistida.
O mundo não para...
O universo não para...
Não é tua a verdade,
Não é minha a mentira.
Há muitas coisas não ditas,
Existem muitas palavras distorcidas,
Que não se explicam.
É a chuva que afoga,
O sol que castiga,
Culpa da vida que não tem dono.
Culpa da dignidade que tem preço.
O sexo não da prazer...
O coito não dá gozo...
A boca não seduz...
São apenas feridas,
Desejos da carne,
Que já não se satisfaz.
Rotina, rotina, rotina.
Nada surpreende,
A vida é banal.
A morte é casual.
O que importa é o clique,
A audiência que gera a cifra,
Ceifadores da discórdia.
Mesmo que seja necessário,
Culpar, sem se desculpar.
O que importa da história
É o começo e o fim...
O meio se justifica,
Como propaganda,
Como desculpa,
Números na conta.
O cheiro do esgoto...
O cheiro da merda...
O cheiro das ruas...
Tantas realidades,
Que se misturam.
Animal, animal, animal...
Em meio ao ato civilizatório
Somos todos irracionais.
Primatas que acham que o cheiro,
Dó próprio cú é perfume,
Que o arroto é musica,
E que o pinto e a buceta,
São do tamanho do nosso ego.
Orgulho que nos manipula.
Fé que nos cega.
Vaidade que nos corrompe.
Somos todos escravos,
De diferentes verdades.
Somos todos prisioneiros,
De nossas próprias ironias.
Somos todos mortos vivos,
Carniceiros, apodrecendo, escondidos,
Na escuridão...
A espera, a espera.
Pablo Danielli
*A Gravura ( imagem ) pertence a Oswaldo Goeldi,Artista Carioca que viveu entre 1920 até 1961.
Para saber mais sobre o artista:
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
(Sem morada)
Vem desprezada
Humilhada por todos
Em silêncio
Passos lentos
Como uma puta manca.
Usada, dilacerada
Por seres desprezíveis
Em sua grande parte
De terno e gravata.
Já não tem casa
Escorraçada e sem morada
Esconde-se por debaixo
De mentiras pintadas
De verdades.
Bocas podres
Ou sutilmente limpas
Não a tocam mais.
Esquecida, esquecida, esquecida!
Como uma leprosa
Ninguém a toca.
A honestidade hoje
Está morta!
Pablo Danielli
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
Mordaça
A palavra,
É uma expressão da vida.
O silencio,
É uma expressão da morte.
A palavra que é pensada,
E não é dita...
Já nasce morta.
A palavra dita sem pensar,
Afoga-se...
Pois não significa nada.
Da mesma forma,
Que os pulmões, necessitam do ar,
A boca, também necessita de mordaça...
E em algum outro momento,
A oportunidade da fala.
Pablo Danielli
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
[32.]
Muitas vidas que não acontecem,
Não existe compreensão...
A boca que pede perdão,
Não estende a mão!
Quem criou o caos?
Quem criou o caos?
A morte, não permite chorar,
É preciso sobreviver, lutar!
Esta noite,
Não há historias para contar...
Não se houve cantigas
De ninar...
Filhos mortos,
Não podem escutar.
Existe a penas o pesar,
A perda e a dor.
Lagrimas, feitas de sangue,
Que marcam para sempre,
O chão que se passou.
A fronteira que separa,
Limita também, a cabeça e o coração.
O desespero vira capa de jornal,
Gera ibope na TV...
Emoção que passa,
Depois do comercial.
Em algum lugar do mundo,
Alguém sorri...
Pensa (?), ainda bem,
Não é aqui!
Em alguma cama, alguém deita,
Sem o peso dos mortos nas costas.
Os pecados de poucos,
São castigados com o sofrimento de muitos.
Fazendo da vida,
Algo inacabado...
A marcha dos excluídos,
Toma conta do mundo.
Porque, todos temos,
Nossos mortos, para enterrar.
A miséria que a noite esconde,
O dia revela!
E nada sobra do nosso reflexo...
Da um beijo de despedida,
No corpo do teu filho,
E parte sem destino.
Porque o sangue,
Que mancha a terra,
Não é culpa tua!
Os gritos calam,
Mas a dor é eterna.
Para quem sente,
Que o vento de agosto,
Trás apenas o temor...
De um setembro sangrento.
Acende uma vela e reza,
A espera de perdão e compreensão,
De quem pode, mas finge não saber como...
Salvar.
Oferece apenas um pedaço de pão,
Enquanto no silêncio da noite,
Cala-se, mais um coração.
Pablo Danielli
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