sábado, 25 de agosto de 2018



[Mulher]
Que direitos são estes que ferem
Não só o corpo, mas a alma,
Que luta é essa que maltrata
Dilacera a coragem, faz crescer o medo?

Que culpa tão grande é essa
Que faz desejar não viver,
É a beleza, o aroma ou o sorriso encantador?
Seus cabelos ao vento, não podem servir como chicotes!

Um silencio, que fere!
Dilacera e maltrata.
Mas os olhares tão tristes
Com esses dias tão incompreensíveis
Não fingem.

Existe vida além-mar?
Existe esperança além da dor?
Existe força aonde só há terror?

Tantas perguntas em um corpo tão frágil
Capaz de fazer surgir à vida,
Mas ainda incapaz
De viver com a dor.

Não é pela violência sofrida
Não é pelo desespero nela contida,
Não é pelas marcas que não cicatrizam!

É pela alma ferida
Pela pureza perdida
Pelo corpo que deveria receber
Somente o calor
E sentir apenas o amor.

É o direito de viver
De ser feliz,
Que alguns ainda não conseguem
Se permitir.

Pablo Danielli

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

[Democracia]
Quando ouvi os gritos,
Tampei meus ouvidos.
Quando senti a fumaça,
Cobri meus olhos e nariz.
Quando o sangue respingou em mim,
Apenas lavei minhas mãos.
Quando a minoria estava nas ruas,
Tranquei-me na sala e liguei a tv.
Enquanto o governo coagia,
E a policia batia, minha omissão falava.
Com a coleira de ajuda e salários mínimos,
A sociedade me oprimia.
Só percebi que o caminho não tinha mais volta,
Quando amanhecia o dia.
Manchetes de jornal em sua maioria,
São sempre as mesmas e vazias.
Eu morria sem envelhecer,
Escravo de um sistema brutal,
Disfarçado de democracia.
A ilusão vendida à conta gotas,
Esmola para mentes vazias,
E isto sem perceber, havia me custado uma vida.
Pablo Danielli

terça-feira, 14 de agosto de 2018

"Os piores erros que cometemos , não são aqueles que nos custam dinheiro. 
São os que nos custam tempo, o dinheiro se recupera... Os dias perdidos não".

Pablo Danielli

sexta-feira, 3 de agosto de 2018



Brasília é uma ilha
Cercada por uma mar de indigentes.

Por moribundos escravos...
Calados, invisíveis acorrentados
Aos impostos do estado.

Mão de obra barata
Para enriquecer paletós,
Sem caráter e gravatas importadas.

Brasília fica fora do mapa
Porque no brasil de verdade
A miséria faz escola.

E na escola da vida
Só o número de votos importa.

Enquanto a Receita
Fiscaliza seus gastos,
E fecha os olhos
Para os poderosos.

O congresso é um reino
Aonde o luxo e a falta de vergonha,
Não faz diferença em meio
A tanta gente bacana.

No bacanal da realeza
Ri, quem fode o povo...
Toda a semana.

A velha política,
E a nova política...
Tem o mesmo sobrenome
Correm nas veias o mesmo sangue.

É terra da justiça com preço
E a liberdade é moeda de troca,
Entre ministros preocupados
Com o valor da próprio toga.

Brasília não cabe no jornal
É tanta gente corrupta,
Que marca com rastro de lama...
O eixo monumental.

Os lacaios do Brasil
Sucumbem a Brasília!

Enquanto artistas e pensadores
Brincam de engajamento político,
O dinheiro vai pelo ralo...
Sem se importar com corpos,
Em hospitais quebrados.

Porque o que importa
É a verba da propaganda,
Propina pra fechar os olhos
Patrocínio pra moldar mentes!
Manchetes de revistas,
Polêmicas da semana.

Pablo Danielli

terça-feira, 24 de julho de 2018



[Enlatado] 



Pensadores 

Que vendem frases prontas, 

Especialistas 

Que não entendem a demanda. 



Governos que 

Sugam a manada. 



Propaganda, 

Com artistas que pensam ter 

A verdade nas palavras. 



Pequenas ilhas de hipocrisias 

Vivendo em mundo de fantasias, 

Aonde a realidade do dia a dia 

Não se ouve, não se vê... 

Causa alergia. 



Nada causa mais espanto 

Quem uma falha na engrenagem, 

Fazendo do horário comercial, algo especial... 

Enquanto se procura outra forma 

De se manter o privilegio, 

Sendo capa de jornal. 



A pobreza do homem 

O espirito quebrado, 

A ausência da mente... 

É um banquete, 

Para aqueles que se dizem coerentes. 



Livros de autoajuda, 

Palestras repetidas 

Incansavelmente. 



Conta-se nos dedos 

Seres que se dizem intelectuais, 

Que conseguem pensar com a própria mente. 



Tudo faz parte do esquema 

E o povo não tem convite, 

Para o banquete. 



Faz de conta, 

Na terra em que a verdade não se planta... 

Porque a miséria não é só do de comida 

Mas da mente, que com pouco se encanta. 



Fingir se importar 

Dá likes em redes sociais. 

Patrocínio de marcas, 

Comportamento exemplar... 

Discursos bonitos, 

Viram manchetes em sites globais. 



Tudo superficial 

Porque lá no chão 

Aonde sapatos caros não pisam 

Tem o povo, a realidade... 

Que se repetem todo dia. 

Medos e agonias... 

Fantasmas de uma gente sofrida. 



O suor causa nojo 

Em quem vive de ideologias. 



Como ser alguém 

Se o tempo não existe, 

Para aqueles pessoas 

Que são reféns da pobreza, 

Da falta de escolhas 

Aonde a única certeza 

É a morte... 

E uma vida de sobras, 

Daqueles que dizem se importar, 

Indignados, “mudam” sem sair do lugar. 



Produtos enlatados 

Com fórmulas prontas, 

Classificados de acordo 

Com o padrão social. 



Não se tem o direito de querer 

O que está além da embalagem, 

Porque o privilégio de ser ... 

É de acordo com o círculo social. 



Migalhas de um discurso bonito 

Falsa esperança, na expectativa 

De mudar apenas a data do calendário... 

Enquanto no país do samba, 

O certo, é que continue tudo exatamente no mesmo lugar. 



Pablo Danielli

quinta-feira, 19 de julho de 2018




[Malandro] 



O malandro pulou carnaval 

Virou música, arte moderna no museu... 



Furou a fila 

Passou o rodo, 

Carteiraço no hospital! 



Vendeu o voto 

Bebeu até se perder, 

Virou personagem de novela... 

Sucesso na televisão! 



Feriado pra homenagear 

Passeata, reinvindicação. 



Dominou o país, 

Eleito presidente, 

Decretou vagabundagem 

Lema, de um povo senil. 



O malandro tem lábia 

Fala mansa e malicia no olhar, 

Paga conta com dinheiro dos outros 

Por que vida boa, 

Precisa de alguém pra se sustentar. 



Virou rosto em camiseta 

Lema de intelectual de botequim, 



A capa do jornal grita: 

Melhor malandro 

Que um otário Infeliz! 



Pablo Danielli 



terça-feira, 17 de julho de 2018



[Sina] 



Entre calçadas 

Prédios se erguem, 

Na mesma velocidade 

Que as pessoas se afastam. 



Buracos em ruas mal feitas 

Que servem apenas para serem preenchidos, 

Com demagogias e discursos vazios. 



Pseudos intelectuais 

Com frases em outdoor... 

Liderando a manada 

Para lugar nenhum. 



Mais do mesmo 

Para massagear o ego, 

De uma classe que vive de distopias. 



Entre o nascer e o pôr do sol 

O tempo corre dentro de ônibus lotados, 

Mas vazios de esperança. 



Monotonia, rotina... 

Aflições do dia a dia, 

Tolices, de uma vida cretina. 



Reféns da estrutura, 

Da falta de escolhas. 

De oportunidades, 

Que nunca aconteceram. 



Repetindo orações, 

Lagrimas e medo. 

O poder muda de mãos 

Mas é sempre mais do mesmo. 



Nascer, sobreviver e morrer sem se perceber. 

Seres descartáveis, discursos para propaganda... 

Slogan, debate fútil da semana. 



Salvadores da pátria 

Não salvam a esperança, 

Afoga-se em palavras 

Repetidas no espelho. 



Tentando se convencer 

Ser o dono do poder, 

Velhas coroas... 

Para novos reis. 



A sina... 

Não se esconde de olhares 

Acostumados a sofrer. 



Uma hora, um dia, uma vida... 



Pra quem não existe, 

Tanto faz, como tanto fez. 



Pablo Danielli 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Escolhas e liberdade

         Em um país aonde a classe artística pensa ser dona da verdade e a classe política pensa ser dona do dinheiro. Para o povo, o significado da palavra liberdade nada mais é que sobreviver pagando contas assistindo novela.
         Seria um risco muito grande para a “democracia”, pessoas escolherem como gastar seu dinheiro e passar o seu tempo. A liberdade é uma arma muito poderosa para ficar nas mãos das pessoas, principalmente em países subdesenvolvidos com líderes feitos de ideologias ultrapassadas.

Pablo Danielli

quarta-feira, 11 de julho de 2018


Necrose


Certa vez
Eu vi um homem,
E ele estava só.




Assim como a noite
Tão escura,
Quanto suas ideias.


Não havia vida
Em seus olhos.


Não havia cultura
Em sua boca.


Tão vazio
Quanto o espaço
Que habitava.


Sobravam-lhe passos
Quando suas palavras
Findavam.


Suas vestes simples
Apenas refletiam,
A exclusão em que vivia.


Seus ouvidos cansados
Confundiam palavras,
Embriagados com tanta mentira.
Mesmo assim,
Este homem sobrevivia!


O cheiro que exalava
Facilmente se confundia,
Com sarjetas, esgotos, agonia.


Seus movimentos, lentos,
Não eram calculados,
Tal homem, não conseguiria.


Era fraqueza, luta!
Pelas sobras do meio dia,
Restos de uma sociedade
Rompida pela hipocrisia.


Não se via os traços de sua mão
Esfolada, os calos não permitiam.


Ao longe
Impossível saber,
Se era ele branco, preto ou amarelo.


Havia tantas vidas mortas
Naquele corpo, que dificilmente,
Algum sonho, sobreviveria.


Sim,
Eu vi este homem só!
Despido de toda carne podre ao seu redor.


Livre de pré-conceitos
Humilhado o suficiente,
Para não julgar.


Sem dinheiro, sem limites,
Sem crimes, para se condenar.


Este homem
Não tinha permissão da vida,
Para a morte lhe causar.


Não seria esta noite
Fria e só...
Que poderia repousar!


A sociedade uma vez mais
Teria que lhe usar,
Como exemplo!


Como lamento, como espelho.
De como um homem só
Embora livre!


Não lhe seja permitido
Chorar.




Pablo Danielli

terça-feira, 10 de julho de 2018


[Uma tarde de chuva]

Toda pessoa tem seus esqueletos no armário, segredos escondidos a sete chaves, gemidos perdidos em algum lugar. E em dias de chuva costumam frequentar a lembrança da mais pacata a mais atrevida mente, mesmo sendo ela sã.

Uma brisa para alguns, refresco para outros tantos, mas para dois corpos, uma tarde que brinda a vida com uma aconchegante chuva, é o convite em forma de poesia aos olhos curiosos do desejo.

Paredes em tons de roxo confundem a mente dos corpos se encontram em um despretensioso sexo casual, apenas mais algumas palavras sem sentido, arranhões superficiais, nada que a alma sentirá, tanto quanto a saudade do suor, sujo e promiscuo que contracena com a janela embaçada.

Taças de vinho com suas bordas manchadas pelo toque dos lábios, uma garrafa há meia altura, roupas espalhadas, dividindo-se entre cadeiras, escrivaninha e abajur, ao fundo tocando suavemente uma bossa. As mãos delicadas, que de forma abrupta possuem o corpo quase que instintivamente, a língua que procura o ouvido, murmurando os segredos vassalos, implorando por mais e mais.

A maravilhosa sensação que se tem ao perceber que toda timidez contida naquele corpo se esvai, ao toma-la em minhas mãos, libertando uma espécie de mulher antes nunca vista por outros, fogosa e surpreendente, tão viciante quanto a mais pura química já feita pelo homem.

Sensações tão a flor da pele que o tempo foge ao controle dos olhos, passam-se segundos, minutos e talvez horas. Restando abraços e palavras vazias, olhos que correm sobre seu corpo nu, macio e cheiroso, a chuva caindo e nos avisando que a tarde poderia sim ser emendada com a noite, que poderíamos repetir quantas vezes mais fossem possíveis, pois aqueles arranhões logo sairiam do corpo, restando apenas à lembrança de todo desejo alcançado, em uma tarde chuvosa de abril.

Pablo Danielli

domingo, 8 de julho de 2018


[O prazer da morte]


Os dedos moveram-se lentamente, quase com a delicadeza de quem toca um piano. Tão silencioso e tão mórbido, que o gesto quase passou despercebido, diante de aquele olhar fixo, hipnotizante.

Como quem diz: esta noite meu desejo toca o vento, mas logo será o seu corpo. Estava muito claro neste momento, que o desejo era carnal e mais, o olhar fixo denunciava. Não era por amor, era sim, pelo simples prazer da morte!

Até certo ponto poderia afirmar, que tal perigo aguçou minha curiosidade, o risco de não saber o que viria logo após o beijo, fez com que meus sentidos se estivessem dopados, era adrenalina que tomava conta aos poucos da minha mente.

Então, foi apenas uma questão de segundos para que seus lábios, tão apetitosos e convidativos, pronunciassem tais palavras. Impossível seria esquecê-las, estou pronta, você vem? Passaram neste momento, todas as possibilidades que a mente de um homem em tal situação poderia imaginar, mas o desejo por aqueles lábios, tão carnudos faziam perder a linha de qualquer pensamento logico.

Era simplesmente impossível recusar, o homem diante do desejo da carne se torna fraco, mas eu pensava, vem? Para aonde? Para que? A resposta vinha logo em seguida, formulada pelas ideias de desejos absurdas, para o prazer, depois a morte.

Lembro-me exatamente de cada passo que dava em sua direção, os pés deslizavam lentamente pelo assoalho gasto da cozinha, meus olhos observavam cada detalhe que pudesse ser usado para seu deleite, tudo parecia cuidadosamente desarrumado.

A sua respiração conforme me aproximava, ficava mais e mais ofegante, até o momento que fiquei a dois ou três dedos de sua boca, o pecado estava a minha frente, as palavras eram totalmente desnecessárias, o desejo era muito maior que o medo, sucumbi, fraco e sem resistência alguma.

Como um alfa em pleno frenesi, a dominei, tomei-a em meu braços com súbita força e a beijei. Estava feito, não havia mais volta, meu desejo e meu destino jogados na mão de uma estranha. Foi neste momento que senti o gosto, doce, tomando aos poucos minhas veias, correndo pelo corpo, tomando meu coração, era o seu veneno, disfarçado de desejo.

Agora estava dopado, domado, provara de uma fonte de prazer sem fim, ela com toda sua malicia havia feito uma vitima a mais, estava eu, morto pelo amor, escravo de seus caprichos, escravo do seu sexo. Em meu sangue, estava correndo o veneno mais perigoso de todos, o amor, letal a ponto de matar mil vezes e fazer renascer uma vez mais.

Ela mostrava um sorriso de canto, malicioso, de satisfação, como quem dizia, agora não existe mais volta, ira se render aos meus caprichos quantas vezes forem necessárias e se colocará de joelhos para meu prazer. Seus olhos me diziam tais palavras, seu corpo demonstrava tal sentimento, e eu rendido, me entreguei como uma presa abatida, por este sentimento.

Pablo Danielli

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