sexta-feira, 6 de julho de 2018


Sangria


Portas e janelas sem paisagens, lâmpadas sem brilho, algo na solidão á seduz. Não há mistério que seja tão grande quanto o seu ego. Passam lentamente as horas, passam lentamente os pensamentos e nada além de paredes cheias de palavras sem sentido, riscadas em algum momento ou por meio de um possível suspiro.

O frio parece aconchegante, o chão parece confortável, seus dedos dilacerados pelas verdades, não apresentam qualquer saída. Seu corpo treme, seu gemido é apenas de dor, algo invisível á todos, tortura deliberadamente seu sentimento.

Um ou dois gritos que como laminas afiadas, rasgam o vazio. Libertando-a de forma inútil da prisão que se tornou seu próprio corpo. Sua imagem se debate entre as paredes, deixando seus olhos marejados de aflição, algo além de sua própria vontade deseja explodir dentro de si.

Todos estão fora de controle, seus pensamentos, seus desejos, suas lagrimas, seus sorrisos, suas dores e seus dentes. No universo limitado de seu corpo, aos poucos não sobram caminhos inteiros para seguir.

Recai sobre si o peso da duvida, exala em seus poros o medo. Lentamente consumindo-a por desejos tão pesados que as sobras não serviriam de banquete aos urubus. Não se houve mais o irritante ponteiro das horas, que a cada volta lhe lembrava o que almejava esquecer, destruir.

Não restam forças, não lhe deixaram sonhos possíveis, seus joelhos por hora castigados, não conseguem levantar. Tudo aos poucos some, em seu olhar se perde qualquer linha que á trate como ser humano, que seja um guia, um horizonte. Saídas possíveis se tornaram pesadelos distantes, lentamente se torna invisível, á única sensação que agora sente é de seu próprio sangue. Forjando sua cama, seu ultimo descanso.

Pablo Danielli

quinta-feira, 5 de julho de 2018


[Significados]


Significado de Chacota
s.f. Zombaria, mofa.
Gracejos, sátiras.
Antiga canção popular; trovas burlescas.


Quando se observa os noticiários e ao folhar os jornais, casos de corrupção tomam grande parte das manchetes. Promessas de investigação, punição e mudanças tomam os rodapés juntamente com a credibilidade de nossos políticos.

Não é exagero afirmar que superficialmente o Brasil é uma nação com grande vocação para justiça, apenas esquece-se de fazê-la. Assim como se esquece de limpar a podridão existente no congresso, assim como não se lembra do povo fora da época de eleição, assim como as pessoas esquecem rapidamente os nomes das figuras envolvidas nos escândalos, que diariamente matam milhares de pessoas pelos desvios de verbas, na saúde, educação e segurança.

Estamos todos familiarizados com a corrupção, não ficamos chocados com tamanha falta de escrúpulos, o roubo de diferentes formas se tornou banal. O governo trabalha como uma maquina sem freio, anuncia corte de um lado e aumenta do outro, nunca perde. O uso de nossos impostos é mal aplicado, se gasta mais com benefícios próprios que com o investimento necessário para a população.

Somos todos reféns de nosso silencio, de nossa passividade diante das noticias que se seguem, de forma repita e acabamos por nos transformar em chacota, marionetes de poucos, que contam com a alienação de muitos. A pergunta que se segue é se a maquina não se encontra em seu limite, a engrenagem suportará o quanto mais do uso inapropriado do dinheiro e se a população já estaria em seu limite de tolerância.

Com a velocidade surpreendente e a veracidade incrível, políticos das mais variadas escalas do governo são denunciados por envolvimentos duvidosos. São acusados destituídos de seus postos e seus sucessores já assumem cargos com uma forte tendência a deixa-los da mesma forma.

Estão fazendo pouco caso da opinião publica, estão tratando as pessoas como meros espectadores de uma novela sem fim, falam com desdém de possíveis atos ilícitos, mesmo com gravações e provas contundentes. Eles riem com a certeza de que nada e absolutamente nada acontecerá com sua imagem, contando ainda com a memoria curta do povo brasileiro.

A única certeza que parece prevalecer é que ao abrir o jornal à manchete será de um politico envolvido, restando apenas saber se é vereador, deputado, senador ou ministro. As mesmas desculpas, as mesmas versões e a mesma certeza de que as pessoas logo esqueceram seus nomes, suas suspeitas e mais uma vez a certeza de impunidade no governo em qualquer escalão.


Pablo Danielli

terça-feira, 3 de julho de 2018

Passar adiante

Com o passar do tempo, algumas formas de se portar e falar acabam por fazer parte da nossa cultura.
São jargões populares, frases de novelas ou até uma propaganda que faça sucesso. As pessoas em sua grande maioria são altamente influenciáveis, pois não possuem o discernimento necessário para analisar o que é de fato qualidade e o que é empurrado "guela" a baixo, é a tal da cultura de passar adiante.

(O descartável no Brasil nem sempre pode ser considerado reciclável).

Infelizmente nossos governantes também aderiram a essa pitoresca forma de "solucionar" problemas por eles mesmos criados.
Seja ele qual for, saúde, educação, segurança,são mais e mais demonstrações de que uma boa desculpa, tem peso maior que uma boa solução.
É mais fácil privatizar estradas do que prestar conta dos impostos, muito mais tranquilo deixar escolas particulares tomarem conta do mercado do que investir em escolas publicas, convém muito mais avisar o bandido que se esta chegando, do que enfrenta-lo e prende-lo, mas não podemos esquecer que nossas prisões também estão sendo privatizadas, mais uma pequena amostra de que o dinheiro recolhido de forma brutal esta sendo mal utilizado.
Politico no país é praticamente uma figura folclórica, o "honesto"! exemplar raro??
Fazemos piadas deles nos bares, nas televisões e rádios, e eles riem da nossa cara ao difundirem jargões como "rouba, mas faz!".
Nossa cultura politica esta quebrada, a imagem está trincada, não ha fé o suficiente para mudar. E como é de costume ao procurar culpados, nos deparamos mais uma vez com o nosso passa adiante, passamos a culpa para a mídia que não mostra a verdade, para a policia que não prende (ou para o papa que não esconjura)!??
Passamos nossa culpa como cidadão, como pessoas que poderiam mudar as escolhas, para termos as "mão limpas". Se não é no meu jardim por que regar a flor do vizinho? Temos uma cultura individualista, diriam uns que a culpa é do capitalismo, outros diriam que é da esquerda hoje não mais tão socialista e os mais radicais culpariam a mida que escraviza.
Nestas terras tão distantes de soluções, só não se passa adiante os bens materiais, a bondade, a vontade de mudar.
Melhor é rir de frases prontas, rimas primitivas e ofensas a terceiros, que se tornam indigestas quando nos atingem.
Muito mais comodo não se importar e aos poucos, lentamente ver tudo ser consumido pela má administração publica.
Estamos acostumados a vender o que temos de melhor, certa época foi a madeira, em outras joias e ouro, hoje parece que o mundo já aceita mesmo com um pouco de desdem nossa passividade e ignorância.
Mas talvez este e apenas este, devêssemos deixar em casa e não tentar passar adiante.



A diante são os sonhos
Diante de nós os problemas,
Antes,apenas as reclamações.
Temos os motivos
Talvez as soluções,
Só nós falta a vontade!
Desejos além da acomodação.
Só se muda dando passos
Além do nosso quintal,
Estão a rua e o mundo!
Feito de odores e fé matinal.


Pablo Danielli

domingo, 1 de julho de 2018

Alguns passos

Se não fossem os passos lentos, que mais pareciam marcar o espaço, o tempo, o olhar hora solto e por momentos procurando atingir algum ponto. O ar levemente frio, com certas folhas jogadas ao chão, o desejo ardente de esquecer, não existir, apenas mais uma tarde em meio a tantas outras espalhadas pelos calendários, com datas pré-definidas de rotinas sem fim.

Apenas a cor amarela parece lhe chamar atenção, o vermelho cansado de velhos amores, de tantos ardores derramados, não faz mais a diferença que precisava, que tanto buscava. De todos os desejos passados em vida, os arrependimentos surgiram do que foi posto como forma negativa, mesmo sendo tão únicos, tão inteiros e tão seus.

As calçadas lentamente engoliam seus pés, os prédios tão aclamados e tão velhos em alguns momentos, pareciam sumir com seus sonhos, a cidade mais parecia um organismo vivo, pulsante, cujo único objetivo era deixar seu dia mais cinza, mais agressivo, mais dolorido.

Placas que procuram dar ordens ao invés de indicar, duvidas e medos perambulantes disfarçados com roupas cuidadosamente escolhidas para causar alguma falsa impressão.

Um esbarrão, uma palavra solta, um pedido de socorro em forma de sorriso. O vento segue, levando com sigo o rumo do acaso, o impulso do inesperado, acompanhado pelo vai e vem dos carros, pela garoa que começa a cair, pela pressa em não molhar com novo frescor as velhas hipocrisias.

O barulho já não faz mais diferença, em alguns minutos o silencio absoluto toma conta, tornando tudo tão frágil, tão vulnerável. Como quem pouco caso faz, continua indiferente a tanta falta de paixão ao seu redor, como quem com um simples toque se adapta facilmente a forma petrificada de vida na qual esta ligeiramente acostumado a viver.

Abre e fecham lentamente seus olhos, como quem de forma simples fala para si mesmo, recomeçar é apenas uma questão de teimosia e sentir uma opção de pessoas invisíveis, que persistem em colorir.

Pablo Danielli

sábado, 30 de junho de 2018


Muito além das entrelinhas

Existe algo dentro de você, que não percebe ou consegue ver em determinados momentos, mas que ligeiramente te conecta com o mundo, com as pessoas e objetos. Mas você sente, sabe que está lá, adormecido e pequenos olhares e gestos o fazem despertar.

Quando nos deparamos com algo que nos chama atenção, toca e nos prende de forma única, tão sutil, acabamos por descobrir pequenos tesouros e que provavelmente nenhuma outra pessoa no mundo entenderá ou dará o mesmo valor.

Pode ser em forma de uma frase, uma fotografia em preto e branco, uma caneca velha ou até mesmo um empoeirado LP, mas tão valioso quanto ouro ou diamante. O apego nos faz ter outra dimensão de valores, o que era errado se torna certo, o que é inútil acaba por ganhar nova vida.

Nossos olhos lentamente percorrem por entre pequenos objetos, apreciando, lendo e relendo suas cores, seus detalhes, passamos de simples admiradores para entendermos muito além do que se esta nas entre linhas. Começamos a compreender o sentimento que exerce sobre nós determinado nossos desejos, como se pudéssemos sentir sua energia. Quando percebemos, um acaba pertencendo ao outro, a identidade acaba por ser completa, mesmo que isso signifique ser estrando diante de outros olhos ou outras manias.

E esse visitante acaba por nos dar algo mais, diferenciando-nos uns dos outros, nos envolvendo em universo paralelo a realidade tão crua que vivemos. Começamos a sentir aromas diferentes, começamos a perceber cores que não sentíamos e há viver mundos que não imaginávamos.

Pablo Danielli

quarta-feira, 27 de junho de 2018


[Quando a estrutura fracassa]


Aprendemos deste o tempo de colégio, que todos participamos de uma democracia, temos hierarquias e nossos representantes são eleitos pelo voto popular. Aprendemos a respeitar leis e que de certa forma temos direitos e deveres, o que a principio no papel parece ser lindo e eficaz.

Passa o tempo e acabamos por descobrir, que é função do governo garantir bom atendimento na área de saúde, segurança para todos e educação de qualidade, inevitavelmente começamos a nos deparar com questionamentos, se é função do governo aplicar a pesada carga tributaria para o bem do povo, por que o povo não o recebe da forma correta?

Vemos com o passar das eleições que entra partido e sai partido, as ideologias nas propagandas são diferentes, mas as atitudes na realidade são as mesmas. Acusações de privatizações e corrupção.

O governo é uma estrutura que teoricamente não visa lucro, ele recolhe impostos e com estes impostos ele melhora a qualidade de vida de seu povo. Quando ele privatiza ou terceiriza um serviço, ou entrega um bem publico para ser dirigido por pessoas do núcleo privado o foco muda, passa-se a visar o lucro, pois diferente do governo empresas que assumem esse papel visam cifras e muitas vezes não o beneficio do povo.

Mas os impostos não diminuem mesmo essas estruturas estando administrados por terceiros, uma despesa a menos para o governo e uma carga tributaria a menos para o povo, um bom sonho. Mas não basta apenas demonstrar incapacidade de gerir a maquina publica, é necessário corrompe-la, desviar a verba publica.

Hoje em dia a politica é vista como uma forma de enriquecer, muitas pessoas entram nesse meio não para melhorar suas cidades e estados, mas porque sabem que os salários fora da realidade o faram mudar de patamar, ter melhor vida, já que o trabalhador comum pena com uma renda que beira o vexatório.

As manchetes de revistas e jornais são sempre as mesmas, denuncias e mais denuncias, apenas um reflexo das escolhas mal feitas e da cultura imposta no país. Mas em determinados momentos, raros momentos a estrutura racha, fica praticamente insuportável suporta-la, é quando os protestos começam a ganhar força.

Está escrito na história do mundo, grandes mudanças somente acontecem quando o povo se une por um ideal, não importa a nação, quando as pessoas chegam ao seu limite, quando elas saem do estado de letargia se dá inicio a mudanças significativas na estrutura e na cultura de um país.

Isto não é mais raro de acontecer, com o avanço da comunicação, do esclarecimento, da informação na velocidade da luz, está cada vez rápido tomar conhecimento da dilaceração que existe na politica. O que nos remete a varias perguntas como se estamos no modelo de economia certo, se estamos no modelo politico correto e se estamos no modelo de sociedade ideal.

Ter cidadania, ser justo e correto nem sempre é aceitar o que se apresenta como verdade, é questionar e buscar mais respostas, e se não encontra-las, exercer o direito legitimo de liberdade de expressão. Talvez as pessoas tenham confundido, pagar impostos, calar-se diante das indiferenças, estar confortável em seu sofá muitas vezes é estar tendo uma existência mecânica, viver muitas vezes exige riscos e sentir-se vivo é lutar pelos seus ideais, mesmo que muitas vezes sozinho.

Pablo Danielli

segunda-feira, 25 de junho de 2018


[Calcanhares]


Lentamente os calcanhares tomavam o corpo de assalto, voltando os passos dados, como uma tentativa de retroceder no tempo. Em vão, assim como o olhar lançado ao espaço vazio, cortando os sentimentos confundidos, em alguns momentos parecia ser amor e em outros parecia apenas mais uma noite de solidão.

Não havia a possibilidade de um dialogo por menor que fosse a vontade, pois as palavras não faziam qualquer questão de confortar. Era apenas alguém, um objeto, como tantos outros, que ali se deitaram na esperança de esquentar um corpo, preencher um coração, fingir uma emoção.

Crônicas absurdas lidas ao avesso, mais parecidas com notas musicais tortas, para combinar com a imperfeição dos corpos e todos os defeitos que se tentavam esconder, mesmo com o apagar das luzes, o escuro consegue enganar os olhos, mas não consegue confundir a mente.

Não há roupa ou maquiagem suficiente, para tapar tantos prazeres que a carne, mesmo a boca dizendo não, insiste em se entregar. Pode ser um alguém, pode ter um nome ou ser dono de um sorriso, logo abandonado, logo esquecido e quando acaba a sede, por momentos se mostra triste.

Olha as paredes, observa o teto, faz criticas pela falta de organização, pela falta de bom gosto na decoração. Fala e revela para si mesmo que aquela é a única vez, a ultima tentativa de ser mais individuo vazio.

Pensa em alguma desculpa, sem a necessidade de ser convincente, apenas como rota de fuga ou ponto final. Imagina uma boa cerveja gelada esperando por você. Não se importa em saber que não haverá próxima vez.

Essa é a vida, são assim que as escolhas ditas banais são feitas, parecendo filmes com roteiros programados. Ouve um sussurro ao fundo, mesmo tentando ignorar, responde com a voz calma, para não entregar... Vai fechar a porta, não vai ligar e se o acaso ajudar, será apenas um pecado a mais para perdoar.



Pablo Danielli

sábado, 23 de junho de 2018

[Calos]


Os calos dos pés não folgavam e suspiravam lamentos, por entre os furos dos sapatos surrados. A cada pisar o ar saia em uma desorganizada sincronia, entre os dedos que se esfregavam e diziam:

Vida vadia!
Vida vadia!
Vida vadia!

Há muito não sabia o significado da vida mansa, escolheu não seguir regras e ficou escravo de suas palavras. Açoitando seu corpo para sempre, ir em frente e nunca olhar para trás, como se trás fosse passado, fosse outra vida e não aquela coisa com planos que deram errados.

A cada passo no asfalto que queimava, sua mente pensava: Não há sol que sufoque para sempre e nem chuva que eu sempre lamente. Há muito tempo sem saber o que é sentir, não poderia imaginar se seus dedos ralados ou seus sentimentos dilacerados o impediam de ver e crer no homem que aparece no comercial da TV.

Mas não se sentia estranho, tão pouco diferente, entre tantas pessoas vazias o seu vazio preenchia algum espaço, um corpo frio. Em meio a tantos olhares sem sentido, ainda possuía sua liberdade falsamente vivida.

E a cada passo dado seus pés repetiam:

Vida vazia!
Vida vadia!
Virou rotina!




Pablo Danielli

[A morte do jornalismo]

A quantidade de likes é mais importante que o fato em si, está é a máxima do atual jornalismo. Isso mesmo caro leitor, a atual forma de buscar acesso precisa de manchetes escandalosas e que muitas vezes nem ao menos representem o conteúdo contido na matéria.
            O jornalismo perdeu o rumo com a chegada das mídias sociais, não soube se adaptar aos novos tempos, a rapidez com que as informações surgem deixou obsoleto as revistas semanais e os jornais de domingo. Ninguém, absolutamente ninguém quer pagar para ler o passado, a internet mostra na hora o acontecimento e ao vivo sem ser necessário pagar para ter a informação.
            Grandes corporações começaram definhar, lucros desabaram e cortes se fizeram necessários. Naturalmente a qualidade e conteúdo desceram a ladeira e muitos estão na sarjeta, praticamente sobrevivendo como veículos de fofocas em forma de sensacionalismo barato.
            É preciso compreender que essa revolução tecnológica também mudou a forma de arrecadar dinheiro e patrocínios de marcas e produtos. Tudo começou a ser medido em cliques, like e compartilhamento, quanto maior o acesso mais facilmente se move o dinheiro do patrocínio. Oferta e procura, lei básica do mercado.
            Os “profissionais” da mídia atentos a essas mudanças, também notaram uma mudança de comportamento do leitor em si. Na era da rapidez de informações, matérias com muito conteúdo fazem o leitor perder o interesse, fazendo com que o acesso as páginas de jornais e revistas diminua.
Em um país aonde a educação é desprezada, escolas estão no século passado e alunos em colégios públicos garantem passagem de serie apenas para cumprir metas do governo, ler e compreender o que se aparenta é luxo de poucos e dedicados alunos. Portanto caro leitor, se você se encontra neste momento lendo e compreendendo este trecho, pode se considerar acima da média do país.
            Desta forma deu-se início a um novo momento no jornalismo global, a disseminação da falsa informação, sem checagem dos fatos, sem pesquisa do que é escrito, apenas replicando manchetes de revista para revista, de jornal para jornal. Profissionais preguiçosos e mimados na esperança de serem descolados e com ideologias baratas invadem redações, uma patrulha da vida alheia é imposta na mídia de forma geral.
            Explode o termo “FAKE NEWS”, nesse novo momento o importante é o like e para isso não é necessário profissionais bem remunerados e capacitados, basta estagiários e pessoas sem escrúpulos para fazer qualquer coisa para ganhar dinheiro. A verdade se tornou fator secundário, o escândalo e o compartilhar a manchete é o fator primordial.
            A audiência a qualquer custo, a verdade manipulada e mastigada pra impressionar grande parte das pessoas. Cria-se novos fatos, esperando que a curiosidade das pessoas seja maior que sua vontade pela verdade. O tapa na cara e o julgamento em praça pública, caso se descubra o erro ou a mentira disseminada é a regra, apenas um pedido de desculpas em notas de rodapé quase imperceptível é permitido na maioria das vezes.
            O jornalismo como conhecemos está morto! A apuração dos fatos, imparcialidade e ética profissional são palavras apenas de dicionário, passado que volta e meia assombra os caçadores de like. E tudo que questione esses fatos, essa nova realidade é achincalhado e tantos adjetivos são acrescentados que não caberia em uma simples pagina.
            Tudo aos poucos se caminha para guerra ideológica, aonde pequenos indivíduos tentam desmentir grandes veículos de informação. Políticos tentam sem descansar encontrar meios de restringir notícias e acesso a informação da forma mais variada possível.
            Telejornais tentam se manter influentes, pseudos pensadores e especialistas afinam o discurso na mesma direção para que se crie uma única e incontestável verdade. Um pequeno grupo que deseja falar em nome de milhões.
            E você caro leitor, fica em meio a esse fogo cruzado de informações, sem saber o que ler, acessar ou em quem acreditar. Manchetes que mais parecem frase de outdoor, vídeos do youtube de pessoas que dizem lutar pelo certo. Até mesmo programas de televisão que mesmo sem audiência se dizem relevantes para o bem comum.
            O fato é que o atual jornalismo e veículos de comunicação estão mortos, apenas definhando como moribundos, tentando se manter relevantes mesmo sabendo que grande parte da população não se importa mais. 
O like não enterrou a verdade, apenas mostrou que muitas pessoas não sabem lidar com os fatos, como o de por exemplo, ser questionado pelas suas próprias palavras. A notícia na internet é rápida, porém ficará sempre na rede, a espera para ser relembrada, uma oportunidade de apontar o dedo para uma notícia falsa.
                O jornalismo está morto, porém as pessoas não estão. A notícia está sem casa, sem morada e solta pelo ar. Em tempos de desinformação um rosto famoso não é garantia de verdade absoluta, geralmente são usados para vender produtos. Desconfie da informação, confie nos fatos.

Pablo Danielli

quinta-feira, 21 de junho de 2018


[A falta da compreensão]



Eu não entendo,
O jornal não fala?
O governo disfarça...
Enquanto a farra não para!

Vivemos dias de incompreensão, de idéias, de palavras e de motivos. A principio poderia dizer que a população sofre de uma crise aguda, no que se diz respeito a caráter e honestidade e que automaticamente esta amplamente estampada na grande maioria de nossos políticos.

O descaso com a saúde, com a segurança e com a educação não surgiu nos últimos dias, nos últimos anos, apesar de sermos uma democracia que engatinha em comparação com tantas outras milenares pelo mundo, que também possuem problemas parecidos.

A falta de respeito e a nossa mania de acreditar, que com o dinheiro se compra tudo, possuem raízes mais antigas que estes novos dias que se apresentam conturbados.

O brasileiro começou a se importar, mas o quanto da população realmente se importa? A classe rica que começou a perder dinheiro ou a classe pobre que quer um pouco mais para parecer maneiro? Existe algum motivo que não seja o interesse próprio?

Parece que estamos aos poucos saindo de uma zona de conforto, mas não porque desejamos e sim porque a indiferença está batendo a nossa porta, cobrando providencias, a miséria esta estragando a vista da janela de nossas salas e isto incomoda.

O plano de saúde não é mais garantia de bom atendimento, as mensalidades altas de escolas privadas não garantem futuro promissor para seus alunos e hoje temos que pagar para ir e vir em nossas estradas.

Estamos levantando de nossas camas e saindo as ruas porque mexeram em nossos bolsos e não em nossas mentes. E como bons brasileiros, será que queremos mais do que podemos?

Somos escravos da falta de opções (eleitoral, cultural, emocional), da falta de leitura, da falta de compreensão do que nos falam, do que nos empurram e do que nos ditam. Falamos em mudanças mas somos os primeiros a atacar, atacamos a religião, agredimos a cor, ficamos enojados com opção sexual. Apenas olhamos para os lados e disfarçamos.

Vivemos um momento que em frente a outras pessoas falamos o que todos desejam ouvir, mas no nosso intimo dilaceramos palavras desrespeitosas, impiedosas sobre tudo e todos.

Não somos capazes de analisar um contexto, apenas pegamos uma fração, pequena parte do que nos agrada e fazemos disto uma bandeira, mesmo que rasgada.

Bons governos criam pensadores, maus governos criam eleitores, a formula aplicada é simples:

Descaso + Corrupção + Falta de solução + Manipulação= País escravo.

Acredito que a mudança não acontecera em poucos anos, levara décadas e séculos, possivelmente muitos não estarão vivos para ver tais maravilhas acontecerem.

Maus políticos para nossa sorte também envelhecem e morrem, os novos devem ter consciência disto também. O homem não teme a prisão no Brasil, principalmente quem tem dinheiro.

Mas teme ao morrer em ir para o inferno, pois apesar da alienação que religião provoca muitas vezes, ela tem um papel fundamental na ordem social.

Acreditar em céu ou inferno muitas vezes é o único fator que faz um ser humano mudar, não porque quer, mas porque teme o desconhecido. Ironicamente a religião de alguma forma, pode sim salvar.

Salvar-nos de uma esquerda aterrorizadora e de uma direita macabra, nos salvar da lábia, que insistimos em acreditar. Acreditamos na foto bonita, no discurso bem elaborado, acreditamos que não cometeram erros no passado.

São ditas mentiras e mais mentiras para esconder a verdade, que todos temem e que todos esquecem.

O nosso pequeno ciclo vicioso de pequenos favores e prazeres:

Tempo para esquecer + boa propaganda + dinheiro + favores = Eleição

Você caminha por pedaços de calçadas esburacadas, reza para quando chover não alagar a sua casa e se tiver sorte, não ser atropelado por algum individuo com pressa em te passar para trás. Somos apenas um reflexo de uma possível civilização, somos uma sombra de algo chamado humanidade.

Aprendemos a fazer promessas, mas não sabemos como cumpri-las, assim é na vida pessoal, assim é na vida publica, com nossos amadores políticos.

Poucos ainda se perguntam, se as manchetes de grande parte dos jornais maquiam a realidade, se a televisão fantasia a vida e a internet esconde teorias, no que podemos acreditar, como podemos compreender o que cerca esses olhares perdidos.

Somos um pequeno grão de areia, em um oceano de dizeres, que inundam nossa mente sedenta de conforto. Temos em parte o desejo pela verdade, mas falta a vontade de vê-la... Pois perceber que somos parte de um todo, de uma equação que não esta balanceada, é ver que somos parte de um problema.

E como bons seres, preferimos ver a pele trincada de nosso vizinho, ao cuidar de nossas rugas disfarçadas com alguns sorrisos.

Nosso estado latente de inércia, não nos permite aplicar moralismo algum, pois conta à lenda que como bons brasileiros, temos o dever de tirar proveito de qualquer falha na história.

Acomodação + Julgar + Promessas + Falso moralismo = Espelho.

Pablo Danielli



[Epifania]

Ciclos começam com choros sutis 

E terminam ao som do silêncio, 

Sem ao menos se perceber. 



Passando a vida em casulos, 

Maturando... 

Esperando até o último instante de calor, 

Para ser luz. 



Todo o intervalo 

Nele continho, 

Cheio ou vazio... 

Apenas chacoalham a casca, 

Mas não a quebram. 



Alguns ciclos levam dias ou meses, 

Outros anos... 

Mas a maioria precisa de décadas 

Para compreender. 



E mesmo assim, tornamos a voltar, 

Em novas cascas, sentindo outros ventos. 

Por não compreender os significado 

Da seiva, que a arvore da vida, 

Nos serve para despertar. 



Em quantos campos diferentes é necessário estar? 

Em quantos galhos diferentes é possível fazer morada? 

Quantas vezes 

O que chamamos de tempo, 

Deve nos engolir... 

Para compreendermos? 



Ciclos se encerram 

A todo momento, 

Enquanto outros 

Insistem em começar. 



A epifania da existência. 

A quebra do casulo. 

O abraço do universo. 

O compreender além vida. 

Partir, para existir. 





Pablo Danielli 












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