terça-feira, 23 de junho de 2015

Resto de chão

A morte corta o ar
Um corpo se perde
Frágil, mancha de lágrimas,
O pedaço que é proclamado
Seu resto de chão.
Sutil perda da sensibilidade
Cada sopro que nos toca,
Parte com ele um pouco
De nossa humanidade.
De todos os sonhos possíveis
O de sorrir sem motivos,
É o mais triste.
De todas as sensações perdidas
As causadas pelo próprio homem,
É o que eu mais faz almas perdidas.
De todos os olhares tortos
O Julgamento fica por conta,
Daqueles que se dizem superiores
Mas são pobres de espirito.
Pablo Danielli

Somente o sentir

Um abraço
É só um abraço,
Calma, vai passar!
Assim como a lagrima
Em algum momento,
Vai secar.
A partida é triste
Porque à volta,
É só alegria!
Assim o caminhar
Nos faz viver.
Criar uma casca
Para não deixar,
Nossos erros fugirem!
Nossas esperanças voarem!
Nossos sonhos evaporar!
Meia dúzia de sorrisos ganhos,
Meia dúzia de lagrimas perdidas,
E tudo que se quer
É sentir os pés na grama.
Tudo que se deseja
É o vento no rosto,
Sem pressas, sem amarras,
Somente o sentir.
Porque a alma livre de verdade,
Somente quer sorrir.
Pablo Danielli

Um pouco de tempo

Não há dor
Nem amor,
Que não se curem.
Com um pouco
De tempo,
Com um resto
De lagrima,
Com um vestígio
De solidão.
O que é a mistura dos dois
Se não a vida?
O que seria sua falta
Se não a morte?
De todos os amores sãos
O que deixa marca,
É a loucura!
De todas as loucuras
É o gesto simples.
Ao final, é piscar os olhos,
Disfarçar o peso das escolhas,
E vendar o cansado coração.
Dia sim, dia não!
Se a vida quiser,
Tropeço, numa nova paixão.
Pablo Danielli

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Margens

As margens dos olhos
Lagrimas são como alento,
Que dão vida ao sentimento.

Todo sonho cria forma
Como a palavra que se espalha,
Dentro da mente.

Mas o silencio que doma o corpo
É com amarra, que segura o tempo...
Deixando a insegurança permanecer.

E no horizonte que se forma
Entre a retina e a pálpebra...
Ganha conforto,
Com o calor que toma a alma.

Com o abrir e fechar de olhos
Luz e sombra tomam forma,
Vida e morte se misturam...

Com o se pôr e nascer do dia.
Pablo Danielli

temores

Eu ouvi as vozes
E elas clamavam por amor.
Sofriam vagando,
Sem rumo, sem sorte,
Não sentiam calor.
No seu timbre
Notava-se o temor
Do dia e da noite,
Sem amor.
Pablo Danielli

Tosco

Tosco,
Não vê que riem de ti,
Tua cara deformada,
Manchada pela vergonha da miséria,
Ainda achas solução para tudo!
Pesa teu choro e põe tua mascara de palhaço e vai a luta!
Não te envergonhes de teu nariz pintado,
Não são maiores que tuas costas largas!
Pablo Danielli

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A duvida que existe


Sempre existe a duvida, questionamentos sobre ser ou não ser, o que é ser ético, correto, justo. Mas como definir tais parâmetros diante de tantas mudanças, diante de tantas opiniões diferentes, a vida geralmente tratada como um mero jogo de interesses, públicos ou privados, aonde somente existem dois tipos de pessoas, as que ganham e as que perdem.

Somos meramente frutos daquilo que consumimos, fato mais do que comprovado, não temos o direito de julgar, pedir ou exigir de alguém algo com o qual provavelmente não esta adaptada ou acostumada a fazer. A sociedade usa quase sempre da hipocrisia para demonstrar seus valores, quase sempre não éticos, pendendo para qualquer lado, ou geralmente o de maior poder.

Todos são na verdade pequenas peças em um gigante tabuleiro, um jogo de xadrez jogado de forma intocável, por grandes corporações, mídias que tentam moldar opiniões e governos que jogam de acordo com seu interesse partidário. 

Muitos peões para poder sacrificar, com discussões vazias, distrações, enquanto a verdadeira maquina se movimenta de forma voraz, aniquilando sonhos, flores e poesias, dilacerando esperanças com o descaso social, criando uma divisão hierárquica praticamente inigualável, fruto da obsoleta mente da grande população.

Estamos vivendo tempos difíceis, aonde pensar e agir, é tão raro quanto uma espécie em extinção, se bem que ao pensar desta forma o ser humano é uma raça que está prestes há não existir mais, apenas coexistir. Porque seremos tantos recebendo ordens de tão poucos, que o futuro nada de interessante nos reserva.

O que promete vir no horizonte são apenas nuvens pesadas, distante de um mundo colorido que sempre se sonha, pois estamos acomodados em nossos sofás adquirindo mais e mais informação desnecessária, deveríamos como solução emergencial, criar um fundo para pagar as pessoas para pensar, um bolsa “mental”. 

Para quem sabe assim atrair as pessoas para a liberdade de expressão, de criação, a liberdade cultural, poder agir por si mesmo e analisar e lutar pelo que é certo e não simplesmente aceitar verdades impostas.

Se não for esse o caminho certo a percorrer, indiquem um novo, se a porta que adentramos nos levou para o nada, talvez devêssemos derrubar algumas paredes, pois estamos chegando ao exato momento, que se não agirmos, estaremos assinando nossa sentença de escravidão mental, absoluta e irreversível. E que os macacos tenham pena de nós, porque ninguém mais terá.


Pablo Danielli

sexta-feira, 12 de junho de 2015


Anacrônico



Aparou as arestas que a vida insistia em lhe fazer sobrar, forrou o chão com recortes de lembranças que desejava esquecer, mesmo que isso significasse alguns segundos de paz.

Respirou uma, duas, três vezes... Roubando o ar de toda terra para si, mostrando ao mundo que aquele momento era apenas dela e de mais ninguém. Não haveria substancia magica ou palavra escrita que a fizesse mudar de ideia, de rumo ou de sorte.

No jogo da vida, os dados ao rolarem na mesa, hora davam números pares e em alguns momentos cambaleavam quase bêbados números impares... Fazendo dar um pouco de sentido a bagunça quase perfeita, que eram seus romances e sua vida.

Arrastava seus pés para além da terra de sua imaginação e sonhava com dias anacrônicos, para ser a gota de cor no meio de uma multidão perfeita com suas vidas feitas de cristal.

O que cheirava a velho e antiquado como seus livros, tinham mais valor... Parecia que cada pagina compunha um pedaço de sua vida, cada passar de mão por capas, fazia se sentir mais inteira e mais forte.

 Dentro de seu pensar, além de seus segredos íntimos, estavam à fonte de toda sua força, escondido quase sufocado pelo dia a dia, lá aonde não se poderia tocar, estava sua imaginação.

Não estava pronta para sentir uma vida, com textos de romantismo apelativamente baratos, desejava o requinte de ser única, o glamour de só ela saber, como é se sentir de uma forma desesperadamente viva.

Capturar na retina, a imagem delirante que apenas uma alma capaz de entrar em ebulição pode sentir. Enquanto algumas buscam o ar de purificação, ela diferentemente, gostaria de sentir todos os pecados do mundo. E para isso, sabia que além de viver, é necessário abrir os olhos.
Pablo Danielli

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