segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Uma tarde de chuva





Toda pessoa tem seus esqueletos no armário, segredos escondidos a sete chaves, gemidos perdidos em algum lugar. E em dias de chuva costumam frequentar a lembrança da mais pacata a mais atrevida mente, mesmo sendo ela sã.

Uma brisa para alguns, refresco para outros tantos, mas para dois corpos, uma tarde que brinda a vida com uma aconchegante chuva, é o convite em forma de poesia aos olhos curiosos do desejo.

Paredes em tons de roxo confundem a mente dos corpos se encontram em um despretensioso sexo casual, apenas mais algumas palavras sem sentido, arranhões superficiais, nada que a alma sentirá, tanto quanto a saudade do suor, sujo e promiscuo que contracena com a janela embaçada.

Taças de vinho com suas bordas manchadas pelo toque dos lábios, uma garrafa há meia altura, roupas espalhadas, dividindo-se entre cadeiras, escrivaninha e abajur, ao fundo tocando suavemente uma bossa. As mãos delicadas, que de forma abrupta possuem o corpo quase que instintivamente, a língua que procura o ouvido, murmurando os segredos vassalos, implorando por mais e mais.

A maravilhosa sensação que se tem ao perceber que toda timidez contida naquele corpo se esvai, ao toma-la em minhas mãos, libertando uma espécie de mulher antes nunca vista por outros, fogosa e surpreendente, tão viciante quanto a mais pura química já feita pelo homem.

Sensações tão a flor da pele que o tempo foge ao controle dos olhos, passam-se segundos, minutos e talvez horas. Restando abraços e palavras vazias, olhos que correm sobre seu corpo nu, macio e cheiroso, a chuva caindo e nos avisando que a tarde poderia sim ser emendada com a noite, que poderíamos repetir quantas vezes mais fossem possíveis, pois aqueles arranhões logo sairiam do corpo, restando apenas à lembrança de todo desejo alcançado, em uma tarde chuvosa de abril.



Pablo Danielli

quinta-feira, 26 de julho de 2012


E a morte murmurou:

Dentre todos os que vagam,
Eu escolho você!

Para desafiar o sofrimento
E toda dor que é se libertar,
E teu grito abrirá os olhos dos demais.

Teu sangue lavara
A alma dos não puros,
As cicatrizes serão tua marca
E delas, será apontado por todos,
Como sujo, como tolo!

Sentirá o peso da culpa em tuas costas,
E tua mão fraca,
Não tocará a minha.

Em tal momento saberá
Que não adianta olhar para os lados,
Estará sozinho
E desta solidão, viverá!

Assim tua boca seca, partida,
Não poderá profanar meu nome.

Assim a companhia da morte
Será tentadora, embora tua mente covarde,
Não há deixe lhe acompanhar.

Vagará como indigente
Revivendo teus erros,
E tuas lagrimas secarão.

Será rei de tua loucura!
Peão dos teus desejos!
Escravo do teu sofrimento!

Em meio tua alma mutilada
O desejo lascivo por vida,
Se torna visceral!


Pablo Danielli

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A ponte



A ponte



É uma ponte, simples e velha,

Que faz com que tudo fique mais próximo

Que faz com que o abismo seja superado.

Que te leva novos sonhos e objetivos

É o cheiro da madeira velha,

A umidade dela ao passar em sua mão

Que te dopa da ilusão que é a realidade.

Que faz você deixar o passado

Como o ranger de seus passos,

Superando sua altura

Mesmo tão certo de suas próprias loucuras.

É o divisor do tempo

Com folhas sendo varridas pelo vento,

E teus olhos antes perdidos

Agora ao atravessa-la,

Encontra certo conforto e alento.

Pablo Danielli

Omissão


terça-feira, 27 de março de 2012

Treadmill


Treadmill

I was focused on the wheel
At the wheel of life.
That spinning
Here making victims.
As subtle as a falling leaf,
Mortal, as well as the charm of a woman.
So turns, starts and ends,
Made of alleys and outputs,
Mixes and divided opinions,
Sometimes clear, dark other,
So is the wheel of life.

Pablo Danielli

Roda viva

Estive focado na roda
Na roda da vida.
Que girando,
Segue fazendo vitimas.
Tão sutil, quanto cair de uma folha,
Mortal, tanto quanto o encanto de uma mulher.
Assim gira, começa e termina,
Feita de becos e saídas,
Misturas e opiniões divididas,
Por vezes claras, outras escuras,
Assim é a roda da vida.

Pablo Danielli


segunda-feira, 26 de março de 2012

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Milagreiro

Harmonia, doce harmonia

Entre tantos passos
Espaços, vazio, frio.
Entre tantas palavras
Solidão, amor, perdão.

E nossos olhares
Nunca se encontraram,
Nossos lábios
Nunca se tocaram,
Imaginação, medo, dor,
De não tentar, fracassar,
De o tempo passar.
De o vento soprar
E o silêncio tocar,
O sentimento.

Nada mais se pode
Nada mais eu posso,
Longe de tudo o olhar,
Perto de ti, o mundo.

Murmúrios soltos na parede
Rabiscados em um muro.
Sorte que o sentimento, não se vê,
Sorte minha, que as lágrimas mintam.
Pois em meio a tantas esquinas
Eu perdi o teu olhar,
Da minha vida.

As folhas continuam a cair
E o inverno longe do mundo,
Parece ser mais frio a cada dia.
Harmonia, doce harmonia,
Por direito, para quem tem um amor 
Na vida.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ilusão de ótica


Trabalhador sem perdão
Em busca de gratidão,
Sofrimento, pouco salário,
No fim do mês é pegar o terço
E rezar para não sofrer.
Pés descalços, despidos de luxo,
Olhares cansados, bitolados,
Da rotina que te faz viver.
Chega em casa e liga a tv
Descanso sistemático
Novelas e noticias, tudo programado,
Para te iludir que esta no comando.
Te ensinar a viver e gastar o que sobrou
Em porcarias desnecessárias,
Para ter regalias que em nenhum momento
Passou pela cabeça em obter.
Ilusão de ótica, a verdade bate em sua porta,
Neurótica, implorando para que não seja mais um otário.

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