segunda-feira, 6 de julho de 2015

Retratos

Jogou pedra na cruz
Palavras ao vento,
Olhares vazios.
Trocou a roupa
Escolheu os sapatos,
Enfeitou as palavras.
A melhor marca, o melhor sonho,
A unica forma individual de viver.
O coração blindado
O sentimento escondido,
Para dar valor a insignificâncias.
Apagou a luz, deitou e dormiu,
Mais um dia perdido, obsoleto e vazio,
Escolheu ser mais um retrato na parede
Do que uma cor perdida, que pinta alegrias,
Na paisagem cinza da vida.
Pablo Danielli

Tem fé

Tem fé
Tem dó,
Tem força!

Contra o uso
Da ignorância!

Contra a arma
Politica!

Contra a policia
Armada!

Tem fé!
Que pra violência
Do dia...

Tem a paz e a lagrima
Da madrugada.
Pablo Danielli

sábado, 4 de julho de 2015

Mentes estranhas

Assim, sob a luz cinza...
E com o vento cortante do inverno,
Trás a vida, quem nem ao menos existia.
Corações gelados ignoram,
Mentes frias fingem não ver...
Entre uma esquina e uma marquise,
Uma calçada esburacada, um buraco de vida,
É quase gente, quase enfeite da cidade.
Indigente que é incomodo,
Para aqueles que não conseguem perceber...
Que a fome e o frio, não são de cultura.
E lagrimas não matam a sede,
De vida, de amor, de sentir-se humano.
Mentes estranhas, mentem...
Que correm atrás de sonhos,
Para se esconder.
Enquanto alguns
Fingem existir...
Para sobreviver.


Pablo Danielli

Pulsar

Quantos desejos são necessários
Para cicatrizar a carne?
Que caminhos, os dedos devem percorrer,
Para sentir o calor?
Quantos lábios,
A mentira é capaz de tocar?
A boca pode negar,
Mas olhares e corpos entregam...
Para sentir o corpo pulsar,
É preciso arriscar.
Deixar tombar a razão,
Para ter um pouco de emoção.
Pablo Danielli

Cirandas


Uma constante caminhada
Contraste de luz,
De entre brilhos no olhar.
Retratos em preto e branco
Misturados ao colorido da vida.
Retalhos de um coração desejado
Pelo amor, pela dor, pelo calor,
Cirandas de algo, que nunca se deixou.

Pablo Danielli

sexta-feira, 3 de julho de 2015

O conto

O melhor conto desatado sobre a vida, feito no ultimo momento de alegria, era na verdade uma grande e inédita mentira. Contado a conta gotas, para saciar de palavras bonitas os ouvidos de quem os ouviam, lambuzar a boca de quem o proferia. Meias palavras, compostas por mentiras inteiras, feitas sob medida para conformar, agradar, muito mais que velhos livros, com novas formulas de autoajuda.
Falava sobre tudo o que a mente imaginava e mentes apaixonadas conseguem fazer algo que muitas outras evitam no seu dia a dia, mentes dopadas conseguem voar! Deixam à caretice dos gestos decorados e mecânicos a margem dos sonhos.
Cria-se todo um universo com nomes, momentos e prazeres. Insaciável vontade de ser feliz, faz de qualquer mulher uma meretriz, qualquer homem um cafetão. Mistura-se boa postura com verdade nua e crua e nesse conto, a verdade machuca muito mais que poucas frases de impacto. Feitas como encomendas, entregues diretamente a qualquer ser que trate a vida com certo desdém.
Os parágrafos datilografados com letras e mais letras que se embaralhavam as incertezas, faziam o homem pensar e a mulher chorar. Um mundo de palavras, casas feitas com vírgulas e pontos, prazeres que se misturavam a virada de uma pagina.  Um orgasmo em forma de ponto final!
O conto não tinha nenhuma obrigação, não fazia questão de ser diferente, não tinha pretensão de ser o que não merecia ter. Era apenas feito para cumprir sua função, emaranhado de histórias, felizes, tristes, que faziam amar, odiar e sentir.
Julgado, criticado e depreciado pelos que não conseguiam ver além de um pedaço de papel, sociedade feita de pré-conceitos, estabelecidos por seres que não conseguiam criar, para tanto tentavam podar a imaginação, que aquelas paginas traziam consigo. O conto seguia sua rotina, passando de mão em mão, dedos diferentes buscavam o mesmo resultado, imediato como se fosse um remédio, uma formula na qual ele não fazia parte.
Mas para ele próprio, se considerava apenas uma folha, um conjunto de memorias, mesmo que outros insistissem ele desejava apenas cumprir com a sua função de ser apenas e justamente um conto.
Pablo Danielli

tempo

Outros tempos,
Tempos difíceis,
Tempos controversos?
 Tempos que não são
Como outros tantos!
 Nem ao menos tão bonitos
Ou lentamente feios,
 Quanto se espera deles o tempo todo.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Sentir a verdade

Certas vezes a loucura bate
Outras tantas a realidade,
E você vai seguindo sem saber
Se é cedo ou tarde, pra mudar a vida,
Pra sentir a verdade.
Pablo Danielli

Universo


“Cada um tem a parte que lhe é cabida no universo, nem mais, nem menos”.


Pablo Danielli

Menino da vida

O menino sorriu,
O menino dormiu,
O menino sonhou,
O menino chorou,
Sentiu frio,
Sentiu fome,
Sentiu falta de amor,
Sentiu falta do calor,
Sentiu-se abandonado,
Desolado e jogado,
Vivendo como um rato,
Menino de rua,
Menino drogado,
Sem lar, sem paz, sem pais,
Mais um famigerado,
Menino da vida,
Menino de Deus,
Apenas abandonado,
A própria sorte deixado.
Pablo Danielli

quarta-feira, 1 de julho de 2015

QUANDO A ESTRUTURA FRACASSA

Quando quem devia lhe dar suporte é quem na verdade oferece as costas, quando não há para onde correr, a quem recorrer, a pergunta que se faz é o que fazer? Democracia não é tão somente aceitar tudo, mas saber que questionar, opinar e buscar soluções faz parte desta palavra. Vivemos eventos que não se podem mais esconder, vivemos uma nova realidade, um despertar que somente o tempo nos dirá pra que direção nos levará.

Aprendemos deste o tempo de colégio, que todos participamos de uma democracia, temos hierarquias e nossos representantes são eleitos pelo voto popular. Aprendemos a respeitar leis e que de certa forma temos direitos e deveres, o que a principio no papel parece ser lindo e eficaz.

Passa o tempo e acabamos por descobrir, que é função do governo garantir bom atendimento na área de saúde, segurança para todos e educação de qualidade, inevitavelmente começamos a nos deparar com questionamentos, se é função do governo aplicar a pesada carga tributaria para o bem do povo, por que o povo não o recebe da forma correta?

Vemos com o passar das eleições que entra partido e sai partido, as ideologias nas propagandas são diferentes, mas as atitudes na realidade são as mesmas. Acusações de privatizações e corrupção.

O governo é uma estrutura que teoricamente não visa lucro, ele recolhe impostos e com estes impostos ele melhora a qualidade de vida de seu povo. Quando ele privatiza ou terceiriza um serviço, ou entrega um bem publico para ser dirigido por pessoas do núcleo privado o foco muda, passa-se a visar o lucro, pois diferente do governo empresas que assumem esse papel visam cifras e muitas vezes não o beneficio do povo.

Mas os impostos não diminuem mesmo essas estruturas estando administrados por terceiros, uma despesa a menos para o governo e uma carga tributaria a menos para o povo, um bom sonho. Mas não basta apenas demonstrar incapacidade de gerir a maquina publica, é necessário corrompe-la, desviar a verba publica.

Hoje em dia a politica é vista como uma forma de enriquecer, muitas pessoas entram nesse meio não para melhorar suas cidades e estados, mas porque sabem que os salários fora da realidade o farão mudar de patamar, ter melhor vida, já que o trabalhador comum pena com uma renda que beira o vexatório.

As manchetes de revistas e jornais são sempre as mesmas, denuncias e mais denuncias, apenas um reflexo das escolhas mal feitas e da cultura imposta no país. Mas em determinados momentos, raros momentos a estrutura racha, fica praticamente insuportável suporta-la, é quando os protestos começam a ganhar força.

Está escrito na história do mundo, grandes mudanças somente acontecem quando o povo se une por um ideal, não importa a nação, quando as pessoas chegam ao seu limite, quando elas saem do estado de letargia se dá inicio a mudanças significativas na estrutura e na cultura de um país.

Isto não é mais raro de acontecer, com o avanço da comunicação, do esclarecimento, da informação na velocidade da luz, está cada vez mais rápido tomar conhecimento da dilaceração que existe na politica. O que nos remete a varias perguntas como se estamos no modelo de economia certo, se estamos no modelo politico correto e se estamos no modelo de sociedade ideal.

Ter cidadania, ser justo e correto nem sempre é aceitar o que se apresenta como verdade, é questionar e buscar mais respostas, e se não encontra-las, exercer o direito legitimo de liberdade de expressão. Talvez as pessoas tenham confundido, pagar impostos, calar-se diante das indiferenças, estar confortável em seu sofá muitas vezes é estar tendo uma existência mecânica, viver muitas vezes exige riscos e sentir-se vivo é lutar pelos seus ideais, mesmo que muitas vezes sozinho.

Pablo Danielli

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