segunda-feira, 13 de julho de 2015

Anacrônico



Aparou as arestas que a vida insistia em lhe fazer sobrar, forrou o chão com recortes de lembranças que desejava esquecer, mesmo que isso significasse alguns segundos de paz.

Respirou uma, duas, três vezes... Roubando o ar de toda terra para si, mostrando ao mundo que aquele momento era apenas dela e de mais ninguém. Não haveria substancia magica ou palavra escrita que a fizesse mudar de ideia, de rumo ou de sorte.

No jogo da vida, os dados ao rolarem na mesa, hora davam números pares e em alguns momentos cambaleavam quase bêbados números impares... Fazendo dar um pouco de sentido a bagunça quase perfeita, que eram seus romances e sua vida.

Arrastava seus pés para além da terra de sua imaginação e sonhava com dias anacrônicos, para ser a gota de cor no meio de uma multidão perfeita com suas vidas feitas de cristal.

O que cheirava a velho e antiquado como seus livros, tinham mais valor... Parecia que cada pagina compunha um pedaço de sua vida, cada passar de mão por capas, fazia se sentir mais inteira e mais forte. Dentro de seu pensar, além de seus segredos íntimos, estavam à fonte de toda sua força, escondido quase sufocado pelo dia a dia, lá aonde não se poderia tocar, estava sua imaginação.

Não estava pronta para sentir uma vida, com textos de romantismo apelativamente baratos, desejava o requinte de ser única, o glamour de só ela saber, como é se sentir de uma forma desesperadamente viva.

Capturar na retina, a imagem delirante que apenas uma alma capaz de entrar em ebulição pode sentir. Enquanto algumas buscam o ar de purificação, ela diferentemente, gostaria de sentir todos os pecados do mundo. E para isso, sabia que além de viver, é necessário abrir os olhos.


Pablo Danielli

Tons de laranja e vermelho

E a chama que tomava conta do meu corpo, destruiu as fronteiras da carne, espalhou-se pelo ar e pintou aquele por do sol, com tons de laranja forte, quase vermelho! Foi impossível não guardar na retina o belo quadro que a vida me presenteou, a mistura do vento com as ondas do mar, transformou em sinfonia todo o silêncio que eu guardava dentro de mim.

Por momentos fui maior, por momentos fui mais forte que a própria terra, na qual me sustentava úmida e terrivelmente fértil, pela brisa que me empunha lagrimas aos olhos, pela brisa que tocava o solo, assim como as lembranças que iam e vinham, transformando aquele exato momento em um balé, com movimentos tão sutis, tão encantadores, capaz de esconder toda a dor de uma pobre sombra ao viver aquela dança.

Não existia qualquer possibilidade de medir o tempo, não havia ao menos motivos possíveis para fazê-lo, apenas eu, o horizonte e a vida. Em algum tipo de ritual tão simples que chegava a ser complicado compreender o quão profundo e complexo era este sentimento. Segundo, minutos, horas, tudo tão superficial, distante da realidade que me foi apresentada, que as rugas, feitas pela maresia, já não me importavam mais, apenas o momento, apenas respirar aquele momento.

Não existia tecnologia capaz de me tirar deste transe, não existia apelo forte o suficiente para fazer com que eu me levantasse daquele lugar, no qual eu me encaixei perfeitamente, no qual foi feito de uma forma perfeita para mim. A humanidade era apenas mais um objeto que compunha um cenário inimaginável de tranquilidade interior, sem apelos, sem atritos, apenas paz, tão completa e real que aos poucos me surgiam sorrisos, em tons laranja e vermelhos de pura e simples alegria.

Pablo Danielli

sábado, 11 de julho de 2015

"Não é apenas um olhar, é uma forma de sorriso de quem apenas não decidiu chorar".
Pablo Danielli

Despertar



“Depois daquele dia, decidiu que nada mais escreveria para ela, pois se o amor pode lhe ferir ao invés de fazer-lhe sorrir, não poderia demonstrar tais sentimentos por alguém tão frio.

Jurou por Deus, que jamais as flores pagariam por tal pecado, hora morno, hora um amor sem laços, desatou a fita que lhe vendava, podendo assim, sentir a verdade. E por vezes a verdade faz arder até mesmo o mais puro sentimento.

Com um pouco do que sobrou em seu copo, gole a gole, experimentava os arranhões, ali tão presentes, que insistiam em sair de sua alma, tornando as lágrimas um dia azedas em presente tão doce.

Coube distribuir apenas o que restou para o mundo novo, sorriu e sorriu, meio amarelo, de canto e sem graça, como quem diz que depois de palhaço, resta apenas distribuir risadas. Tamanha foi sua sorte, que não poderia imaginar, em sua pequena platéia, mesmo com um espetáculo tão sem graça, alguém admirou seu sofrer.”


Pablo Danielli


sexta-feira, 10 de julho de 2015

Curta - Metragem

Curta-metragem A ideia de conflito de pensamento do jovem, não importando se é cidade grande ou pequena...Que os pensamentos são parecidos, e a motivação pela vida pode levar a novas descobertas. Uma viagem que levará ao descobrimento do próprio ser. Cada segundo é único e cada segundo sentindo inesquecível.



quarta-feira, 8 de julho de 2015

Amores enlatados





Peça teatral comédia/drama, uma critica baseada na utilização de redes sociais e demais sites de relacionamentos para encontrar pessoas. Conta á história de uma mulher que não consegue arrumar namorados, assim procurando um novo método e com a ajuda da amiga acabam encontrando pessoas de diversos tipos e entrando em situações inimagináveis.



Link para peça

Cruzes

Cruza a vida
Cruzes á morte!
Tropeça nas escolhas
Joga com a própria sorte!
Pablo Danielli

terça-feira, 7 de julho de 2015

Plantar


Soar como Cancão

De fato
Os galhos moveram-se
Com o tocar do vento.

Como não poderia deixar de ser
Algumas folhas, foram ao chão...

Assim
Como amores,
Sentidos em uma tarde qualquer...
Como promessas que nunca foram ditas.

Perderam-se com o vento
Que carregado de emoção,
Pelo caminho toca os galhos
Ouvidos e coração.

(Em alguns momentos...
Juro por segundos,
Soar como canção).
Pablo Danielli

Miséria

Na terra da oportunidade
Reina a miséria!
No clima tropical
Tudo é inferno!
Sorrisos de propagandas
Forjados por lagrimas,
Sem pena dos miseráveis.
Aonde vinte comem
Meia duzia trabalham,
Assistencialismo barato
A peso de ouro,
Carregado por poucos tolos
Que se dizem espertos.
Mas são como marionetes
Do teatro corrupto nacional.
Vestem dinheiro
Cagam orgulho,
Com a falta de pensamento
Somem a coerência das palavras.
Hastear a bandeira
Mão no peito, fingir um hino,
Baixar as calças
Enquanto te fode
Á pátria amada!

Pablo Danielli

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Apaixone-se pelo gesto e não pelo objeto!

Deixe de lado as revistas e os blogs de beleza, o apelo da mídia por corpos definido como “perfeitos”.  Não há motivos para simplesmente esquecer o ser e cultivar o ter, apenas uma marca, uma forma de esconder nossas carências afetivas.

O melhor sapato, o melhor perfume e a melhor roupa, itens que são esfregados em nossa cara como forma de ser uma pessoa melhor, custa tempo e vida para comprá-los, embora tudo isso se acabe com o tempo assim como nossos corpos.

Pratique esporte para ter uma vida saudável, vista-se para sentir-se confortável não simplesmente para sentir-se importante. Deixe o detalhe preencher este espaço, aquela falha (marca) que apenas você tem e lhe torna único.

Isto é o que deve realmente encantar, o gesto... E o resto não passa de item de colecionadores de decepções, de invejas, de lagrimas e rancores.

Um bom carro pode te levar a muitos lugares, mas somente os pés molhados pela chuva, fazem você lembrar-se de como é bom ser humano. Não há motivos de temer aquilo que nunca tivemos, nunca vivemos e nunca sentimos.

Desapegue-se do material e cultive o essencial, ninguém vive sem amor, sem carinho, o dinheiro abre portas, o abraço abre corações.
Cultive a mente, o coração e sorriso e não se preocupe com á lagrima deixe-a cair para semear.

 Trouxemos para o mundo, apenas nosso corpo ao nascer e ao morrer nem ele levaremos, então que fiquem ao menos as lembranças, alimentemos a alma, porque o corpo, esse é objeto.
Pablo Danielli

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