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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Menino da vida


O menino sorriu,
O menino dormiu,
O menino sonhou,
O menino chorou,
Sentiu frio,
Sentiu fome,
Sentiu falta de amor,
Sentiu falta do calor,
Sentiu-se abandonado,
Desolado e jogado,
Vivendo como um rato,
Menino de rua,
Menino drogado,
Sem lar, sem paz, sem pais,
Mais um famigerado,
Menino da vida,
Menino de Deus,
Apenas abandonado,
A própria sorte deixado.

Pablo Danielli

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Falência programada


A falência programada
Não é a corrupção fardada,
Tão pouco ladroes representando o poder.
A falência da sociedade
Começa quando ela desiste de lutar,
Pela sua liberdade e seus ideais.
Quando se contenta
Com migalhas e a morte banal,
E a falta do pensar.
A falência humana acontece...
Quando deixamos nos corromper,
Seja pelo dinheiro ou pelo poder.


Pablo Danielli

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

No mês que vêm



Todo dia, escuridão!
Toda manchete, um tapa!
Toda injustiça, um tombo!

A morte das certezas,
A duvida da justiça.

E agora José?

A honestidade falha,
O governo corrompe?
A população alienada?
Nada faz, nada faz...

Canibalismo a nível social,
Pré-conceito como resposta formal.

Aonde erramos a curva?
Aonde deixamos tudo ficar como esta?

E agora João?
O que fazer Maria?

Não há para onde correr,
A casa é uma prisão...
As ruas da liberdade,
Tem o preço do sangue.

Trabalhadores inocentes,
Assassinos, covardes e ladrões!
Impossível identificar,
Aonde só existe solidão.

Aonde uma pátria se esconde,
Atrás de uma chuteira...
Pé na bunda, parece brincadeira!

Justiça para que?
Justiça para quem?

Acreditamos sempre no discurso na tv,
Aceitamos o dinheiro como verdade,
E quando nos damos conta, a conta? Vem!
Em forma de eleição...
Em pacotes de desdém.

Na falta de leitos
O leito da morte,
Faz mais um refém.

Enquanto fechamos os olhos
E esperamos que as coisas melhorem,
Sempre no mês que vêm.




sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Democracia

Quando ouvi os gritos,

Tampei meus ouvidos.

Quando senti a fumaça,

Cobri meus olhos e nariz.

Quando o sangue respingou em mim,

Apenas lavei minhas mãos.

Quando a minoria estava nas ruas,

Tranquei-me na sala e liguei a tv.

Enquanto o governo coagia,

E a policia batia, minha omissão falava.

Com a coleira de ajuda e salários mínimos,

A sociedade me oprimia.

Só percebi que o caminho não tinha mais volta,

Quando amanhecia o dia.

Manchetes de jornal em sua maioria,

São sempre as mesmas e vazias.

Eu morria sem envelhecer,

Escravo de um sistema brutal,

Disfarçado de democracia.

A ilusão vendida à conta gotas,

Esmola para mentes vazias,

E isto sem perceber, havia me custado uma vida.

Pablo Danielli

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Desigual

É fome de estrutura
Sede de igualdade,
Vontade de viver
Em um país são,
Não tão desigual.

Pablo Danielli 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Outros

Outras ruas
Outros ecos,
Outras vozes
Outras mortes.

Entre tantos passos vazios
Sombras, formas deformadas,
Vidas, entre abismos!
Escolhas que se dizem,
Ser em algum momento sorte.

Desejou um sol
Cobiçou uma lua,
Dormiu com pedidos
Amanheceu de mãos vazias.

Entre uma folha
E outra história,
Contos sem fim
Sem final feliz.

Sede de amor
Fome de palavras!

Quer que um estranho lhe diga
Quer que um qualquer lhe toque,
Quer que a morte não lhe encontre
Mesmo que seja entre um copo e outro
Da mais cobiçada face.

Escancara as cicatrizes
Esconde os defeitos
Marcas de uma guerra,
Com falsos vencedores.

Não ha propaganda que sacie
Tão pouco sombra que refresque,
Valor tão barato de um sentimento
Que por hora é apenas lamento.

Azar daqueles que não brindam
Sorte daqueles que não vem,
Entre uma volta e outra da vida
O mundo parece te olhar com um certo desdém.

Pablo Danielli

quinta-feira, 14 de março de 2013

Sobras, scraps




Scraps


And leftovers are just that
Time, hope, disbelief
Food, of dreams, of curse.

Of humanity, dignity, kindness,
Offered to pigs, rats so despised.

Skins decaying, looks crooked
Buildings crumbling, corrupt society.

Evil sayings, which bring the old new!
An archaic idolatry pruning what is haunting.

And every shadow feels the pain of a soul colored
Even if it is wrapped in black bags
To protect themselves from the bitter fingers of fate.

They are remnants of stories, blending classic popular
Ignorance, indifference, distraction, corruption,
Ingredients of a weak socialization.

Pablo Danielli



Sobras


São sobras e apenas isto
De tempo, esperança, descrença
De comida, de sonhos, de maldição.

De humanidade, dignidade, bondade,
Oferecida aos porcos, ratos tão desprezados.

Peles em decomposição, olhares tortos
Prédios em ruínas, sociedade corrompida.

Mal dizeres, que trazem as velhas novas!
Uma idolatria arcaica que poda o que é assombro.

E toda sombra sente a dor de uma alma colorida
Mesmo que seja envolto de sacos pretos
Pra se proteger dos azedos dedos do destino.

São restos de histórias, mistura clássica popular
Ignorância, indiferença, distração, corrupção,
Ingredientes de uma fraca socialização.

Pablo Danielli

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