Poesias, crônicas, textos sobre a vida. Poems, essays, texts about life. Poesie, saggi, testi sulla vita. Des poèmes, des essais, des textes sur la vie. Gedichte, Essays, Texte über das Leben. Poemas, ensayos, textos sobre la vida.
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
O som do silêncio
O espumante espalhado pelo chão molhava a ponta dos pés, do corpo que estava estendido em meio ao quarto bagunçado. A janela, entreaberta permitia que a chuva tocasse os papeis rasurados em cima da mesa.
Molhando palavras sobre o amor, alguma coisa sobre a dor. Lavando o que o silencio escreveu, como a pessoa não conseguiu fazer. Limpando os sentimentos que estes estavam sujos.
O vento que rompia a cortina fazia dispersar o odor, da vida, da morte e do sexo casual. O toca discos não conseguia seguir para a próxima musica, ficava repetindo o verso riscado do “LP”, em forma de um blues lento e dramático. Assim como muitos pensamentos antes de transpor a porta do quarto, riscavam a mente de forma repetitiva.
A marca de dedos no espelho, as roupas amassadas em cima da cama, a meia luz deixando um clima intimo e tenso. Um som destoa o equilíbrio do ambiente, sutilmente uma voz rouca canta versos, de maneira imperceptível a outros corações.
Seus pés moviam-se de forma firme e lenta, em direção ao corpo estendido no chão. Os dedos ásperos pressionavam o dorso e as coxas, quase que rasgando a pele como seda. Deixando suspenso no ar um amontoado de sentimentos, jogando de forma brusca sob a cama e em um gesto impensado de desapego carnal.
Os olhos despertam, enquanto a boca lentamente desfere um beijo, que como arma abate qualquer reação desnecessária. Alguns silêncios são mais intensos que qualquer palavra, falam muito mais que algumas paginas rabiscadas. Alguns silêncios rompem o espaço, preenchem o vazio deixado, completam um olhar.
Alguns silêncios rompem a noite e falam por si só. Alguns silêncios são como um beijo que desafia a vida, como o amor que desafia a morte. Amor que mata e também liberta, que ressuscita em noites frias ou dias quentes.
Pablo Danielli
https://www.facebook.com/pages/Pablo-Danielli/135413313230522
http://lounge.obviousmag.org/palavras_soltas/2014/01/o-som-do-silencio.html
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Indi(Gente)!
Vai lá, da um lida!
http://lounge.obviousmag.org/palavras_soltas/2013/08/indigente.html
Indi(Gente)!
As mãos sujas pelo mau trato da vida, vasculha de forma bruta o saco junto ao meio fio, a cada volta da sua mão na aquele paraíso de sobras humanas, faz escapar o fedor de toda uma sociedade que ignora sua existência.
O rosto baixo com o corpo meio curvado e os olhos tristes, como quem se esconde de outros olhares falsamente piedosos, ouve múrmuros quase imperceptíveis, embora sua cabeça insista em lhe alucinar, que seja sobre sua humilhação.
Sem saber que horas são, sem se importar que seja dia, noite, ou madrugada a fora, sem obrigações legais, sem obrigações sociais, sem falsas ideologias ou filosofias baratas. Apenas com a esperança de encontrar uma sobra que possa comer, ou vender para conseguir poucos centavos.
Mesmo que seu sofrer lhe de motivos para sorrir, dificilmente saberia que se trata de felicidade, pois a pele queimada do sol e marcada pelo descaso, já não tem a sensibilidade necessária para sentir algo além da dor. Acostumou-se a dar passos vazios, há ser invisível, há ignorar seus sonhos e desejos, não poderia ser nada além de alguma coisa qualquer, quase que um objeto decorativo, essencial em qualquer sociedade trincada e obsoleta.
Percebe que não é bem vindo, percebe que não sabe para onde está indo, e que de alguma forma é motivo de risos, indelicados e indecisos. Que com suas marcas estampadas, seres ligados no automático esquecem-se de vestir-se de humanidade. Seu olhar corre pelas calçadas mal cuidadas, pelos muros pichados, uma cidade morta, cinza e explorada pela incessante busca de poder aquisitivo, que não se lembra mais qual é seu verdadeiro objetivo.
Pensa com sigo mesmo, como mudar, como sobreviver a esses tempos tão incertos, não poderia ser ele o único invisível em um lugar que parece ser bom apenas para sobreviver. Aos poucos se levanta, exalando o cheiro de seu viver pelos poros entupidos de verdades nunca ditas, abandona o saco, já sem nada para lhe oferecer, da alguns poucos passos com seus pés calejados, prostrando em frente aquilo que pode ser mais uma refeição, cai uma lagrima lhe dando esperança de que ainda não foi totalmente destruído e que lhe resta uma gota de humanidade e assim segue sua sina, imposta por outras línguas que não conseguem identificar o sentido da vida.
Pablo Danielli
http://lounge.obviousmag.org/palavras_soltas/2013/08/indigente.html
Indi(Gente)!
As mãos sujas pelo mau trato da vida, vasculha de forma bruta o saco junto ao meio fio, a cada volta da sua mão na aquele paraíso de sobras humanas, faz escapar o fedor de toda uma sociedade que ignora sua existência.
O rosto baixo com o corpo meio curvado e os olhos tristes, como quem se esconde de outros olhares falsamente piedosos, ouve múrmuros quase imperceptíveis, embora sua cabeça insista em lhe alucinar, que seja sobre sua humilhação.
Sem saber que horas são, sem se importar que seja dia, noite, ou madrugada a fora, sem obrigações legais, sem obrigações sociais, sem falsas ideologias ou filosofias baratas. Apenas com a esperança de encontrar uma sobra que possa comer, ou vender para conseguir poucos centavos.
Mesmo que seu sofrer lhe de motivos para sorrir, dificilmente saberia que se trata de felicidade, pois a pele queimada do sol e marcada pelo descaso, já não tem a sensibilidade necessária para sentir algo além da dor. Acostumou-se a dar passos vazios, há ser invisível, há ignorar seus sonhos e desejos, não poderia ser nada além de alguma coisa qualquer, quase que um objeto decorativo, essencial em qualquer sociedade trincada e obsoleta.
Percebe que não é bem vindo, percebe que não sabe para onde está indo, e que de alguma forma é motivo de risos, indelicados e indecisos. Que com suas marcas estampadas, seres ligados no automático esquecem-se de vestir-se de humanidade. Seu olhar corre pelas calçadas mal cuidadas, pelos muros pichados, uma cidade morta, cinza e explorada pela incessante busca de poder aquisitivo, que não se lembra mais qual é seu verdadeiro objetivo.
Pensa com sigo mesmo, como mudar, como sobreviver a esses tempos tão incertos, não poderia ser ele o único invisível em um lugar que parece ser bom apenas para sobreviver. Aos poucos se levanta, exalando o cheiro de seu viver pelos poros entupidos de verdades nunca ditas, abandona o saco, já sem nada para lhe oferecer, da alguns poucos passos com seus pés calejados, prostrando em frente aquilo que pode ser mais uma refeição, cai uma lagrima lhe dando esperança de que ainda não foi totalmente destruído e que lhe resta uma gota de humanidade e assim segue sua sina, imposta por outras línguas que não conseguem identificar o sentido da vida.
Pablo Danielli
terça-feira, 16 de julho de 2013
2 - O garçom corno
Essa crônica não tem qualquer
compromisso com a realidade ou com algo moral.
Se você for dessas pessoas
moralistas ou que não se permite uma leitura despretensiosa, faça um favor a si
mesmo e não leia. Se a caso ler, não reclame.
É uma serie de crônicas que relata
a vida de um personagem fictício, Chamado de “A rotina de Paulo”.
2
- O garçom corno
O
problema da noite, tirando a ressaca é que sempre vem o dia seguinte. E
qualquer sol que insista em nascer em um país como o Brasil é uma merda, porque
com certeza vai trazer muitos problemas com ele.
Levantei
querendo deitar, assim como em muitas outras manhãs, olhei pela janela do meu
apartamento, aquele enorme formigueiro, correndo de um lado ao outro, aquele
quebra cabeça humano, aonde nenhuma peça se encaixa, puto esforço
desnecessário, no fim ninguém leva nada, pensei comigo mesmo.
Fui
a passos lentos até o banheiro e tomei um banho pra tirar a carniça do corpo,
passei uma escova nos dentes pra disfarçar um pouco o hálito, me deparei com o
espelho e acabei por me encarar, pensando comigo mesmo: Tu é um puto de um
fudido!
Depois
dessa linda reflexão desci as escadas, provavelmente cruzei com minha vizinha
mal comida, e nessas horas madame nem olha na cara, porque acha que dinheiro
fala mais que educação.
Como
o de costume caminhei em direção ao boteco da esquina, uma espelunca, que só
dava bêbado e gente sem futuro como dizia minha finada mãe. O refugio dos
perdedores pensei, inclusive o meu, falei baixo comigo mesmo, para as pessoas
não acharem que além de bêbado “louco”!
Sentei
na cadeira de sempre, na mesa de sempre num canto escondido pra ninguém ficar
enchendo meu saco, de longe ergui a mão e falei, gambá traz uma dose pra firmar
o pulso, coitado do garçom trabalhava dia todo aguentando uns infelizes de uns
filhos da puta, ganhava uma merda e ainda era corno! Que vida desgraçada!
Rolava
algumas histórias por aquelas ruas, que a mulher dele já tinha dado pra meio
bairro e a outra metade negava até a morte porque era tudo casado, isso incluía
minha pessoa, mas sabe como são, apenas histórias. O problema não é ser corno e
aguentar as piadas sem graças depois, o pior é ser corno de mulher feia! Mostra
que o cara não serve pra nada, esse estava pagando os pecados na terra com
juros.
Mas
era gente boa, coitado só fingia que não sabia, a mulher fingia que não dava e
a gente fingia que não comia e assim a vida seguia! E eu achava que eu era um
merda, tinha gente que tinha a vida bem pior que a minha, porque a final
trabalhar de biscateiro em um condomínio fuleiro não era tão ruim assim. O
garçom só devia fazer o que eu fazia pra aguentar a porcaria da vida e a puta
da rotina, ele sofria e eu bebia!
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
The price of vanity, O preço da vaidade
The price of vanity
When the body perishes, the vagaries of life, dies a little of our sanity. Not by coincidence custamos us to give ourselves to the sins of the flesh, because we know that once tasted this delicious evil, our bodies can ask for more, then it would be too late to recover the purity by which our souls are made.
You are everywhere, in a look, in the words of a malicious good day, or just on a fixed imagination of greed, the beautiful girl who goes by without you noticing. It may be difficult to realize, but admit being very easy to surrender, is not pure demagoguery to say that we were made for sin, but it is foolish to say that we can resist all temptations that are put on our tables.
A man loves a woman, until then everything normal, flowers, poetry and caresses on a daily, all right, all legal, if not for the carnal desire, the desire to control and seduction, doing unimaginable things to her with whom this hand, as one who takes the petals of a flower one by one, without her beauty left over to watch, without assessing what remains, then leaves for new conquests.
So has the early game of life, of feeling the game, the game and the game of betrayals excuses evil spoken of, in this way we swallow anything to keep something or someone beside us, our pride that can dominate us, very likely that the fear determine our next steps, if we pay close attention, you will notice that often leave to pursue happiness in other ports, by settling for something safe in our eyes, our minds say though that you can have more happiness.
So the question arises clear and direct in our heads, what price vanity? The pride of life, of what people will think about us, thus dictating our rhythm, keeping everyone up to fight for what you really want. This concern in thier own image, fear of facing our own image scratched in a giant mirror, where everyone is looking for his faults. We were really small before our despair, we show ourselves that stuff we are made, and most times we cried, the very lack of attitude.
We will be negligible as well? Or just be content to coexist? The truth is that most of the time we are wrong, and not accepting this grotesque mistake, in which we let go, let go with him a precious part of our lives, in which possibly find our joy. Therefore it is necessary to be modest, swallow your pride and try to do right and right most of the time is what you want, not what others want.
Pablo Danielli
O preço da vaidade
Quando o corpo perece, aos caprichos da vida, morre um pouco de nossa sensatez. Não por mera coincidência nos custamos a nos entregar aos pecados da carne, pois sabemos que uma vez provado deste delicioso mal, os nossos corpos podem pedir mais, então seria tarde de mais para recuperar a pureza pela qual nossas almas são feitas.
Está em todos os lugares, em um olhar, no dizer malicioso de um bom dia, ou apenas em uma imaginação fixa de cobiça, pela linda menina que passa sem lhe perceber. Difícil talvez seja perceber, mas convenhamos ser muito fácil de se entregar, não é pura demagogia dizer que fomos feitos para o pecado, mas é tolice dizer que podemos resistir a todas as tentações que são postas em nossas mesas.
Um homem ama uma mulher, até então tudo normal, flores, poesias e carinhos no dia a dia, tudo certo, tudo legal, se não fosse o desejo carnal, o desejo de controle e sedução, de fazer coisas inimagináveis com quem esta ao seu lado, como quem tira as pétalas de uma flor uma a uma, sem lhe sobrar beleza para observar, sem restar o que apreciar, então parte para novas conquistas.
Assim tem inicio o jogo da vida, o jogo de sentimentos, o jogo das traições e o jogo das desculpas mal ditas, nessa forma que engolimos qualquer coisa para manter algo ou alguém ao nosso lado, possível que nosso orgulho nos domine, muito provável que o medo determine nossos próximos passos, se formos prestar bastante atenção, será possível observar que deixaremos muitas vezes de buscar a felicidade em outros portos, por se contentar com algo seguro aos nossos olhos, embora nossas mentes digam que se pode ter mais felicidade.
Então surge uma pergunta clara e direta em nossa cabeça, qual o preço da vaidade? A vaidade da vida, do que as pessoas vão pensar sobre nós, ditando assim nosso ritimo, impedindo cada pessoa de lutar pelo que se realmente quer. Esta preocupação em relação á própria imagem, o medo de enfrentar nossa própria imagem arranhada, em um gigante espelho, aonde todos procuram seus defeitos. Ficamos realmente pequenos diante do nosso desespero, mostramos a nós mesmos de que material somos feitos, e na maioria das vezes choramos, pela própria falta de atitude.
Somos será tão ínfimos assim? Ou apenas se contentamos em coexistir? O certo é que na maioria das vezes estamos errados, e não aceitando este erro grotesco, no qual abrimos mão, deixamos partir com ele uma parte preciosa de nossas vidas, na qual possivelmente se encontre a nossa alegria. Para tanto é necessário ser modesto, engolir o orgulho e procurar fazer o certo e o certo na maioria das vezes é o que se quer, não o que os outros querem.
Pablo Danielli
Pablo Danielli
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
No meio da noite, In the middle of the night
And in the middle of the night she came,
Full lush, stealing the brightness of the moon,
In full beauty, my attention was all his.
There is no way to describe this feeling,
It is much more than a simple accident,
Is the touch, the smell is the kiss is,
It is very intense and desire.
And in its glow, she hallucinated,
In her steps she showed
Just how sexy she was,
And how much I coveted.
Hostage to her silence,
That told me tonight
It was all for me,
And if I really wanted
This desire would be sated,
In a night of endless love.
Pablo Danielli
No meio da noite
E no meio da noite ela surgiu,
Plena exuberante, roubando o brilho da lua,
Em beleza plena, minha atenção era toda sua.
Não há como descrever tal sensação,
É muito mais que um simples querer,
É o toque, é o cheiro é o beijo,
É muito e intenso desejo.
E em seu brilho, ela me alucinava,
Em seus passos ela mostrava
O quão sensual ela estava,
E o quanto eu a cobiçava.
Refém de seu silêncio,
Que me dizia que essa noite
Era toda para mim,
E que se eu realmente quisesse
Este desejo seria saciado,
Em uma noite de amor sem fim.
Pablo Danielli
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