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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Selva

Essa selva de pedra
Em constante movimento,
Feita de sonhos, lagrimas,
Feita de gente.
Tantas ruas que se cruzam
Sorrisos surgem de repente,
Placas que nada dizem
Olhares que se entregam, assim sem mais,
Supreendentemente.
Dias cinzas, bons para novos amores,
Uma xicara de chá, desinteresse!
A loucura de uma grande colmeia
Que corre nas veias dessas pessoas
Que fingem ser gente.
O concreto, o pó, o asfalto,
Uma droga viciante
Que, quem vive isso mesmo por um instante,
Não consegue mais sair.
É o gozo de prazer
De quem já não consegue viver sem
As palavras duras, olhares tristes,
Que se escondem em forma de arquitetura
Iludindo qualquer sobrevivente.

Pablo Danielli

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Necrose

Certa vez
Eu vi um homem,
E ele estava só.

Assim como a noite
Tão escura,
Quanto suas ideias.

Não havia vida
Em seus olhos.

Não havia cultura
Em sua boca.

Tão vazio
Quanto o espaço
Que habitava.

Sobravam-lhe passos
Quando suas palavras
Findavam.

Suas vestes simples
Apenas refletiam,
A exclusão em que vivia.

Seus ouvidos cansados
Confundiam palavras,
Embriagados com tanta mentira.
Mesmo assim,
Este homem sobrevivia!

O cheiro que exalava
Facilmente se confundia,
Com sarjetas, esgotos, agonia.

Seus movimentos, lentos,
Não eram calculados,
Tal homem, não conseguiria.

Era fraqueza, luta!
Pelas sobras do meio dia,
Restos de uma sociedade
Rompida pela hipocrisia.

Não se via os traços de sua mão
Esfolada, os calos não permitiam.

Ao longe
Impossível saber,
Se era ele branco, preto ou amarelo.

Havia tantas vidas mortas
Naquele corpo, que dificilmente,
Algum sonho, sobreviveria.

Sim,
Eu vi este homem só!
Despido de toda carne podre ao seu redor.

Livre de pré-conceitos
Humilhado o suficiente,
Para não julgar.

Sem dinheiro, sem limites,
Sem crimes, para se condenar.

Este homem
Não tinha permissão da vida,
Para a morte lhe causar.

Não seria esta noite
Fria e só...
Que poderia repousar!

A sociedade uma vez mais
Teria que lhe usar,
Como exemplo!

Como lamento, como espelho.
De como um homem só
Embora livre!

Não lhe seja permitido
Chorar.

Pablo Danielli

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Necrose

Certa vez
Eu vi um homem,
E ele estava só.

Assim como a noite
Tão escura,
Quanto suas ideias.

Não havia vida
Em seus olhos.

Não havia cultura
Em sua boca.

Tão vazio
Quanto o espaço
Que habitava.

Sobravam-lhe passos
Quando suas palavras
Findavam.

Suas vestes simples
Apenas refletiam,
A exclusão em que vivia.

Seus ouvidos cansados
Confundiam palavras,
Embriagados com tanta mentira.
Mesmo assim,
Este homem sobrevivia!

O cheiro que exalava
Facilmente se confundia,
Com sarjetas, esgotos, agonia.

Seus movimentos, lentos,
Não eram calculados,
Tal homem, não conseguiria.

Era fraqueza, luta!
Pelas sobras do meio dia,
Restos de uma sociedade
Rompida pela hipocrisia.

Não se via os traços de sua mão
Esfolada, os calos não permitiam.

Ao longe
Impossível saber,
Se era ele branco, preto ou amarelo.

Havia tantas vidas mortas
Naquele corpo, que dificilmente,
Algum sonho, sobreviveria.

Sim,
Eu vi este homem só!
Despido de toda carne podre ao seu redor.

Livre de pré-conceitos
Humilhado o suficiente,
Para não julgar.

Sem dinheiro, sem limites,
Sem crimes, para se condenar.

Este homem
Não tinha permissão da vida,
Para a morte lhe causar.

Não seria esta noite
Fria e só...
Que poderia repousar!

A sociedade uma vez mais
Teria que lhe usar,
Como exemplo!

Como lamento, como espelho.
De como um homem só
Embora livre!

Não lhe seja permitido
Chorar.

Pablo Danielli

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

a vida essa nobre vadia

Nenhum homem
É tão homem,
Que não possa chorar.
E não ha mulher traída
Que não volte a amar!
Regras da vida essa nobre vadia
Que vai dia e volta dia,
Insiste em mudar.
O que passou, é a graça,
História para contar!

Pablo Danielli

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Milagreiro


A agonia de um homem
Não começa quando ele trabalha,
Mas sim, quando ele recebe.

Quando o feijão não dá
E quando alguma conta fica para trás,
É quando ele resolve mudar de lugar
Em busca de esperança,
E está pouco irá durar.

É quando o choro da fome
Cede lugar a insônia,
E as preocupações tomam conta
De suas rezas.

Quando ele troca o dia pela noite
Ou quando ele nem percebe onde está.

E em pequenos pedaços
De folhas encontradas ao chão,
Escreve alguma prece,
Como quem pede
Por clemência e pão.

Tem dó!  Pobre homem.
Tem dó!De viver.
Milagreiro de uma vida
Com direito a passagem só de ida,
E sofrer sem merecer.

Pois apenas os erros
São cometidos mais de uma vez,
Querer já não faz mais parte de você.

Nem a luz da lua
Dá-se ao luxo de lhe aparecer.

Não sabe mais o peso que tem
Seus passos e suas sombras que vagam,
Por algum lugar sem saber,
E perguntando-se,
Para que motivo viver?

Tem dó!  Pobre homem.
Tem dó!De viver.
Milagreiro de uma vida
Com direito a passagem só de ida,
E sofrer sem merecer.

Pablo Danielli

terça-feira, 8 de julho de 2014

sábado, 25 de janeiro de 2014

sábado, 17 de agosto de 2013

Ensaio sobre a razão

http://lounge.obviousmag.org/palavras_soltas/2013/08/ensaio-sobre-a-razao.html



Tudo que havia para ser dito, a principio já foi falado, tudo que havia para ser escrito, a primeira vista já o foi feito, já possui seu espaço preenchido. E se hoje vive, é por que um dia certamente estava morto e se hoje morre, um dia talvez fosse considerado belo.

O caminhar do tempo, não nos prova absolutamente nada, no máximo nos entristece. Por nos mostrar o tamanho de nossa insignificância no universo! O tempo, o tempo não ensina e ele nada nos convence, são nossas escolhas e nossas mal faladas palavras, nossas atitudes diante do improvável que nos define inevitavelmente.

Se a evolução faz parte do homem, como explicar que tantos ainda insistam em viver na ignorância parcial ou total sobre a vida, caracterizando o mais primitivo dos pensares. No qual mostra a fraqueza humana diante do contraditório, a falha que existe no ego, proporcionando um verdadeiro espetáculo de soberba.

Afinal, o que seria do mundo moderno e de seus seres pensantes e racionais, se não fosse à existência da própria duvida? Bem estar, ética, amor, coerência, certo e errado, o homem moderno faz questão de exaltar seu pensamento perfeito sobre o mundo. Enaltecendo suas virtudes e faz questão de gritar para o nada, que é o único ser racional da terra.

Sendo assim questiono-me qual a racionalidade de ser superior se o objetivo é sermos iguais. Somos uma espécie que supostamente, temos o livre arbítrio, em um mundo aonde a liberdade é vigiada, calculada e administrada, com o intuito de uma “ordem” a ser mantida. Seria possível então dizer realmente que somos seres livres? Se o que ocorre realmente é uma pujança de regras, que nos impedem de fazer realmente o que desejamos ou pensamos ser certo para o momento.

Em sua era primitiva, na qual se considerava estarmos em evolução, tínhamos a liberdade de fazer qualquer coisa. Nada nos impedia de ir ou vir, o ser humano caçava, era infiel e se necessário matava para fazer sua tribo prevalecer em determinado território. Não era julgado ou considerado imoral, alias, imoralidade era uma palavra que não tinha significado algum na época.

Lógico, guardada as devidas comparações, com suas respectivas épocas, o questionamento é simples, com o pensar, a chamada inteligência, perdemos nossa liberdade com o passar do tempo ou nos privamos de certas atitudes em razão de um pensamento conjunto. Pois me digam, aonde o interesse social, prevalece sempre sobre o interesse próprio?

Gosta-se de pensar e dizer que o ser humano é imagem e semelhança de Deus, mas alguém considerado normal em sua plenitude mental, já viu Deus para fazer tal afirmação? O homem moderno acomoda-se na ideia banal de que o mundo gira, para as suas vontades e não de que ele faz parte de um todo. Um organismo único e vivo no qual o equilíbrio é a palavra chave, para o bom funcionamento da vida.

É neste ponto que chegamos a um fato, no qual a discussão se estende por séculos, ciência e fé. Não é de todo erro afirmar que o homem a partir do momento que foi adquirindo inteligência, começou a se questionar sobre sua existência. Logo seu pensar mostrou que não estamos teoricamente sós no universo, aumentando com sua inteligência, também sua ignorância.

Por mera consequência começou o culto a lua, o sol e terra, mas não bastando isso, criou-se o mito homem! Deuses de carne e osso, pois nunca nos passava pela cabeça que seres dotados de inteligência, um Deus, não serem a própria imagem do homem, uma amostra do seu próprio ego e sua autoafirmação de domínio sobre as criaturas terrestres.

Tais pontos servem apenas para firmação da figura caricata que somos, tentando dia a pós dia, firmar posição firma de certezas nem sempre verdadeiras, somos homens, somos deuses e quase sempre mortais. Nunca nos imaginamos como uma partícula muito pequena de um todo, assim sempre tentando fazer se sobressair diante do próximo. Somos o reflexo de nosso pensar e quase sempre a figura da ignorância.




Pablo Danielli

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O prazer da morte






Os dedos moveram-se lentamente, quase com a delicadeza de quem toca um piano. Tão silencioso e tão mórbido, que o gesto quase passou despercebido, diante de aquele olhar fixo, hipnotizante.

Como quem diz: esta noite meu desejo toca o vento, mas logo será o seu corpo. Estava muito claro neste momento, que o desejo era carnal e mais, o olhar fixo denunciava. Não era por amor, era sim, pelo simples prazer da morte!

Até certo ponto poderia afirmar, que tal perigo aguçou minha curiosidade, o risco de não saber o que viria logo após o beijo, fez com que meus sentidos se estivessem dopados, era adrenalina que tomava conta aos poucos da minha mente.

Então, foi apenas uma questão de segundos para que seus lábios, tão apetitosos e convidativos, pronunciassem tais palavras. Impossível seria esquecê-las, estou pronta, você vem? Passaram neste momento, todas as possibilidades que a mente de um homem em tal situação poderia imaginar, mas o desejo por aqueles lábios, tão carnudos faziam perder a linha de qualquer pensamento logico.

Era simplesmente impossível recusar, o homem diante do desejo da carne se torna fraco, mas eu pensava, vem? Para aonde? Para que? A resposta vinha logo em seguida, formulada pelas ideias de desejos absurdas, para o prazer, depois a morte.

Lembro-me exatamente de cada passo que dava em sua direção, os pés deslizavam lentamente pelo assoalho gasto da cozinha, meus olhos observavam cada detalhe que pudesse ser usado para seu deleite, tudo parecia cuidadosamente desarrumado.

A sua respiração conforme me aproximava, ficava mais e mais ofegante, até o momento que fiquei a dois ou três dedos de sua boca, o pecado estava a minha frente, as palavras eram totalmente desnecessárias, o desejo era muito maior que o medo, sucumbi, fraco e sem resistência alguma.

Como um alfa em pleno frenesi, a dominei, tomei-a em meu braços com súbita força e a beijei. Estava feito, não havia mais volta, meu desejo e meu destino jogados na mão de uma estranha. Foi neste momento que senti o gosto, doce, tomando aos poucos minhas veias, correndo pelo corpo, tomando meu coração, era o seu veneno, disfarçado de desejo.

Agora estava dopado, domado, provara de uma fonte de prazer sem fim, ela com toda sua malicia havia feito uma vitima a mais, estava eu, morto pelo amor, escravo de seus caprichos, escravo do seu sexo. Em meu sangue, estava correndo o veneno mais perigoso de todos, o amor, letal a ponto de matar mil vezes e fazer renascer uma vez mais.

Ela mostrava um sorriso de canto, malicioso, de satisfação, como quem dizia, agora não existe mais volta, ira se render aos meus caprichos quantas vezes forem necessárias e se colocará de joelhos para meu prazer. Seus olhos me diziam tais palavras, seu corpo demonstrava tal sentimento, e eu rendido, me entreguei como uma presa abatida, por este sentimento.

Pablo Danielli

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