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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Olhares perdidos



Entrelaçado com olhares perdidos, a liberdade perde o sentido quando se está sutilmente preso a um desejo. Embora bocas quando sentem somente se calam e fazem todo ar ser raro nos pulmões.

Quanto mais o desejo toma conta das mãos tremulas, o corpo fica embriagado e a mente fica trocando passos com as idéias, um lento e demorado ritual aonde não existe pudor, apenas vida.

O corpo escorrega pelo tempo e os segundos são como pequenos instantes que não se podem ser guardados em fotografias, a memória insiste que apenas ela possua tal prazer e não mais, os olhos.

Não há luz e a escuridão tão pouco se faz presente, apenas seu lábios, vermelhos e contendo toda carne que um homem pode desejar tocar. Viciantes e mortais e tão leves quanto o vento, que cortam tudo que toca deixando marcas, que não se podem ver.

Lentamente os olhos piscam, lentamente as mãos se movem, aos poucos os pés dominam o espaço que lhe é permitido. Como uma pancada inesperada o mundo torna a girar, o som e as sensações rotineiras e tão mortais quanto um veneno a conta gotas preenchem o ambiente.

Mas todo o espaço que ocupa com sua beleza continua intocável, como se nada pudesse abalar, uma mulher absolutamente devastadora. Cujo único mal que faz é deixar homens aos seus pés.

Puxo o ar lentamente tentando recuperar o fôlego, por um instante que não seria para sempre, que não seria mais que alguns segundos de absoluta felicidade.

Corro minhas mãos pelo balcão, seus olhos acompanham em um movimento sutil imperceptível a outras pessoas. Encosto meus dedos em um copo, aonde tendo buscar em meio à bebida, um não motivo para simplesmente tentar.

Sem perceber, dou-me conta que minha mente me trai e agora observo apenas suas costas, que revelam pouco, mas que a fazem desejar, seus passos lentamente carregam minhas vontades para longe.

Transformando toda tensão e imaginação em apenas mais um lugar, mais uma noite e mais um quase amor, que o tempo, o desejo e o momento, quase deixaram estar.

Pablo Danielli

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Olhres

Quantas portas abertas,
Podemos ser?
Quantas janelas, que transcendem o tempo...
Podemos viver?
Que olhos escondem a verdade?
Que bocas são capazes de mentir?
Somo pedaços de sentimentos,
Buscando um lugar para preencher...
Qual destino desejou nossos passos, viver?
Qual é a sede que nos mata lentamente,
O gole da vida ou o anseio do presente?
Que certezas, somos capazes de quebrar?
Estamos prontos para o novo,
Ou vamos apenas reciclar velhas palavras, para nos saciar?
Preparar o corpo, cultivar a mente, para a semente do amanha...
Porque o que se aprendeu hoje, muda lentamente.
Mesmo que nossos olhos vedados, insistam em nadar...

Contra a verdade incoerente.

Pablo Danielli


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Olhares

"Quando palavras não sabem expressar, certas vezes pedidos de ajuda, acontecem em forma de olhares".

Pablo Danielli

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Mulher


Que direitos são estes que ferem
Não só o corpo, mas a alma,
Que luta é essa que maltrata
Dilacera a coragem, faz crescer o medo?

Que culpa tão grande é essa
Que faz desejar não viver,
É a beleza, o aroma ou o sorriso encantador?
Seus cabelos ao vento, não podem servir como chicotes!

Um silencio, que fere!
Dilacera e maltrata.
Mas os olhares tão tristes
Com esses dias tão incompreensíveis
Não fingem.

Existe vida além-mar?
Existe esperança além da dor?
Existe força aonde só há terror?

Tantas perguntas em um corpo tão frágil
Capaz de fazer surgir à vida,
Mas ainda incapaz
De viver com a dor.

Não é pela violência sofrida
Não é pelo desespero nela contida,
Não é pelas marcas que não cicatrizam!

É pela alma ferida
Pela pureza perdida
Pelo corpo que deveria receber
Somente o calor
E sentir apenas o amor.

É o direito de viver
De ser feliz,
Que alguns ainda não conseguem
Se permitir.

Pablo Danielli

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Todo coração

Se sobram olhares,
Faltam palavras.
Se sobram palavras,
Faltam olhares.
Só não pode, em momento algum,
Deixar de ser, todo coração!

Pablo Danielli

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