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sábado, 25 de abril de 2015

O amor supera tudo

Como dois amantes,
Caminhamos pelas ruas, entre muros pichados da cidade,
Contemplando toda desigualdade,
Com o céu de testemunha das lagrimas e de nosso amor.

Pelos becos escuros, famigerados,
Sem tetos e famintos, observam
A soberba, fartura de nosso amor.

O mau cheiro das sarjetas,
Este, já não nos atrapalha mais,
E assim, passeamos por praças quebradas,
Mal iluminadas e abandonadas.

Contemplamos a beleza de ser diferente,
Em um universo igual.
E pelas calçadas esburacadas, chegamos ao nosso destino final,
Para nos amarmos ao som de balas cruzadas,
Em meu apartamento de vinte metros quadros,
Distribuídos entre sala e quarto,
Na periferia da cidade.
Pablo Danielli

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Boca seca

Eu não te amo mais!

Assim sem mais, sem preliminares ou qualquer palavra de conforto ou doce, ela rasgou com seu olhar todos os planos que fiz e nem cheguei a lhe contar. A frase ficou batendo em minha mente sem parar, cada vez mais forte e sua voz interrompe meu pensar questionando:

Vai ficar parado, olhando e sem falar nada?

Mesmo sem compreender a razão de tudo, mas imaginando que não é uma decisão de ultima hora, digo para ela:

 O que há para se falar, quando a decisão já esta tomada?

Com sua voz tomada pela raiva, por causa da passividade de minhas palavras, ela me segura pelos braços e indaga:

Não vai nem ao menos tentar, lutar pelo seu amor?

Penso comigo mesmo que o meu amor não signifique mais ser o amor que compartilhava com ela e que ela chegar sem avisos ou tentativas de recuperar o que achava perdido era tão egoísta quanto minhas palavras e minha forma de pensar.
Mas não digo e não esboço qualquer palavra do que pensei e quase que murmurando num ato de sacrifício, falo:

Minha boca esta seca!

Como assim? De forma exaltada e se levantando rapidamente, dando um ou dois passos para trás...

Você acha que beber vai resolver?

Roubo um pouco de ar, mesmo que pesado pelo momento e solto de forma lenta, limpando minha garganta e livrando do corpo as palavras pesadas que ela pudesse merecer ouvir.
E repito:

Minha boca esta seca... Não tenho palavras para dizer ou sentir, não existe sentimento capaz de molhar meus lábios. Você tirou qualquer possibilidade de argumento, nem ao menos deu um motivo ou razão, não posso lutar sem saber para o que ou quem perdi.

Você ainda não entende?
Você ainda não entende?

Falava ela em voz alta, dando a entender que o culpado de tudo era novamente eu.

É sua passividade, você se acomodou, falta emoção, falta aventura, eu quero sentir a vida, me sentir viva! E tudo que tenho são alguns momentos de distração com você.
Você deixou nosso amor morrer!

Mas ela queria um homem ou o “Indiana Jones”, pensei comigo mesmo.

Mas eu não posso fazer tudo sozinho, falei em tom de questionamento.

Mas você é homem dizia ela, quase que jogando todas as responsabilidades nas minhas costas.

Pensando comigo mesmo me perguntava: Você sempre lutou por direitos iguais não? Sempre falou em dividir tudo, agora toda a culpa é minha?

Mas minha discussão mental não ousava sair pela boca e encontrar seus ouvidos, pois sabia que ela já havia decidido e eu estava apenas esperando o golpe de misericórdia, a corda para a forca e pouco a pouco seus olhos indicavam isso.
Aquela discussão toda, aquela tensão toda era apenas para deixar um culpado, alguém responsável pelo fim, e no caso estava claro que era eu.
Então apenas observava seus gestos, grotescos, mas calculados, ate sua boca proferir em forma de lança o golpe final:

Eu conheci “alguém”!

Naquele momento me passou varias coisas pela cabeça, como segurar seu pescoço com minhas mãos até sua boca ficar muda e seca. Pensei em devolver da mesma forma, mas minha mente apenas pensava alguém? Homem, mulher, amante? Uma aventura, um tesão perdido?

Eu me sinto bem com ele, dizia ela... Como que fazendo a lamina rasgar ainda mais meu corpo, matando aos poucos o que sentia por ela.

Não conseguia mais prestar atenção nas suas palavras... Meus olhos não conseguiam mais olhar fixamente para ela, sentia vergonha e ao mesmo tempo nojo.

Então ela profere como sentença final:

Estou indo embora, espero que compreenda. Virando suas costas e deixando para trás o equivalente a nada pra ela e tudo para minha pessoa. Sem remorso em busca de sua felicidade, mesmo que custasse minha tristeza.

Mais uma vez fique calado apenas observando, pois minha boca continuava seca, mas agora, além disso, também se sentia morta.

Pablo Danielli


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Segundos

Segundos

Daquele segundo nada ficou solido, olhares soltos e palavras se perdiam conforme os corpos se tocavam. Tudo era exato e tudo era uma duvida uma interrogação do que vem depois do beijo, do abraço e do sexo.

As fotos nas paredes escondiam o medo quase que como uma mascara, mas ambos sabíamos que a noite muitas vezes não significa o nascer de um novo dia... Às vezes apenas significa mais um fim, de um quase amor.

Assim são as pessoas e assim são os que amam e aqueles que não sentem. Ao cair em outros braços, somos mais duvidas que certezas, mesmo que o tempo mude e o sol saia.

Tudo o que importa é o momento, mesmo que este instante seja liquido e se evapore junto com o suor e toda sujeira nele guardado.
Corpos que se unem para dividir o prazer, para amenizar a dor, fugir da realidade em uma fantasia que dura o tempo necessário do sentir e o esquecer.

O toque não é o mesmo, o olhar não é o mesmo e o coração bate em descompasso com a vida, então aos poucos ao abrir os olhos lentamente, percebe que a entrega não foi do corpo, mas da alma e por alguns segundos se sente completo, alegre e sem amarras com o que te prende ao chão.

Você descobre que a leveza não está no ter, mas sim no ser e no sentir. Ao completar outro corpo, outra alma, na transpiração do desejo, em meio a um mundo cinza e morto, você ilumina e se torna... Vida.

Pablo Danielli

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Toxina

"Alguns desejos são impossíveis de sentir apenas pelas palavras. É necessário se permitir viver, desejar e sofrer. Porque o que corre nas veias não pode ser apenas sangue, mas há de ser... Também amor".




As paredes ásperas transpiravam o desejo e se você por acaso, há dois dias passados me pergunta-se se era amor?

Eu lhe responderia sem pensar:

Hoje não, mas amanhã e se o corpo quiser... Poder ser!

Porque o tempo de ontem, não é o mesmo de hoje e amanhã certamente vai fazer sol.

(Mesmo que você insista em chorar).

Porque o corpo não escolhe quando quer sentir, é como uma toxina e você não percebe que corre nas veias. E quando as pernas tremem, você sente o efeito e cai... Porque o amor antes de voar, te derruba!

Mesmo que o silencio dos teus olhos insistam em me falar que não dói e que tua dor é apenas prazer. Insiste que tocar tua pele e sentir teu suor é lavar a boca com um pedaço do paraíso. 

Teu gemido é como musica que corta a solidão, à noite e o medo. Que quando chega, vai embora com todo pudor e direito de perdão. E com todos os nãos possíveis, a noite traz o dia. Mostrando seu desprezo para com o prazer impossível de se viver em poucas horas.

As marcas não são apenas de arranhões e mordidas, são na alma... Que se fazem lembrar e relembrar, por incontáveis horas. Fantasiando em um mundo particular os significados das palavras sim, não e mais. Ditos em um momento de total incompreensão, compreendidos apenas pelo desejo.

Amantes desejam a carne, poetas as letras e palavras, pessoas cobiçam a rotina, mas eu... Espero apenas mais uma vez, sentir correr nas veias, em ritmo frenético esta toxina.



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Pequeno conto



Um pequeno conto sobre amor

Com corações partidos,

Sorrisos e lagrimas.

Olhares trocados

Papéis rabiscados,

Juras de amor

Dor, sem pudor.


Pablo Danielli

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Passa

Passa
Passa o dia
A noite, a dor,
As lagrimas.
E alguns sorrisos
Passa a vontade?
Passa o frio,
O calor e o suor.
Passa a passos largos
As rugas, as roupas,
O assobiar de alguns passarinhos
Os desejos e alguns cheiros.
Só não passa as cicatrizes
Estas ficam guardadas,
Em algum canto da memoria
Lembranças de uma vida inteira.

Pablo Danielli

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Mulher


Que direitos são estes que ferem
Não só o corpo, mas a alma,
Que luta é essa que maltrata
Dilacera a coragem, faz crescer o medo?

Que culpa tão grande é essa
Que faz desejar não viver,
É a beleza, o aroma ou o sorriso encantador?
Seus cabelos ao vento, não podem servir como chicotes!

Um silencio, que fere!
Dilacera e maltrata.
Mas os olhares tão tristes
Com esses dias tão incompreensíveis
Não fingem.

Existe vida além-mar?
Existe esperança além da dor?
Existe força aonde só há terror?

Tantas perguntas em um corpo tão frágil
Capaz de fazer surgir à vida,
Mas ainda incapaz
De viver com a dor.

Não é pela violência sofrida
Não é pelo desespero nela contida,
Não é pelas marcas que não cicatrizam!

É pela alma ferida
Pela pureza perdida
Pelo corpo que deveria receber
Somente o calor
E sentir apenas o amor.

É o direito de viver
De ser feliz,
Que alguns ainda não conseguem
Se permitir.

Pablo Danielli

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